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Pela regulamentação da profissão de imitador de Paulo Francis

Dentre as deficiências do Estado brasileiro que se perpetuam ao longo dos tempos, creio que a mais grave é o governo não ter ainda, desde a última década, regulamentado a profissão de imitador de Paulo Francis.
É revoltante ver diariamente, em colunas espalhadas de Norte a Sul do país, heróicas e bravas hordas de imitadores de Paulo Francis, sofrendo para procurar citações eruditas no Google, buscando de maneira tocante afetar inteligência e conhecimento, sem que nenhum tipo de apoio governamental lhes seja prestado
.

(roubado daqui, em puro momento Jon Swift)

Fico profundamente indignado ao observar que o esforço dos abnegados cronistas pátrios ao largar expressões em inglês no meio de frases, defender ardorosamente as teses da direita internacional, atacar impiedosamente o bom senso e a lógica, levantar polêmicas no vazio, em suma, quando vejo esse esforço não ser devidamente apreciado pelos nossos governantes.
Sei que alguns críticos mais apressados e desprovidos de cultura, provavelmente dinossauros esquerdistas e marxistas empedernidos, insistirão que nossos imitadores de Paulo Francis não têm talento e que se assemelham, no todo, a rebotalhos do grande jornalista, o qual, se fosse vivo, estaria ridicularizando cada um deles, sem piedade ou exceção.
Ao que eu, mais estudado e atento, afirmo que esta suposta falta de habilidade na profissão de imitador de Paulo Francis é bastante compreensível e deriva justamente da ausência de regulamentação do cargo.
Ora, fosse a profissão regulamentada, acompanharíamos, sem dúvida, o surgimento de escolas que ensinassem a escrever e falar como o redator de O Pasquim, evitando assim que os pupilos do grande mestre traçassem linhas ou pronunciassem palavras de forma e conteúdo sofríveis.
Não tenho dúvidas, por exemplo, de que nossos dinâmicos empresários contribuiriam alegremente para a construção de um Instituto Paulo Francis, dedicado ao ensino do raciocínio, da irreverência, da ironia, da gramática e de uma série de outros atributos necessários ao interessado em seguir carreira.
Enfim, estou certo de que se as leis brasileiras exigissem dos candidatos a devida formação intelectual e um imprescindível diploma, não veríamos aberrações como as com que tão constantemente nos defrontamos em blogs, jornais e revistas Brasil afora.
Deixo portanto, aqui, o meu protesto. E faço um apelo a que imitadores de Paulo Francis de todo o Brasil se unam em torno dessa nobre causa, talvez constituindo um sindicado da categoria, o SindFrancis, fórum adequado para lutar por seus interesses.
Falo apenas como leitor. Mas, pessoa sensível, compreendo ser preciso dar um basta nesta situação.
posted at 11:01:09 on 09-03-2007 by Zeno - Category: Zenices


Comentários

Pinto wrote:

Pizou pezado!
09-03-2007 11:05:22

fat james wrote:

waaal...
09-03-2007 12:48:57

Prof. Sassaroli wrote:

Pensando bem, não é tão mau termos imitadores de Paulo Francis às pencas. Vocês já pensaram que daqui a uns 20 anos poderemos ter uma legião de imitadores de Gilberto Dimenstein?
10-03-2007 18:04:25

Prof. Sassaroli wrote:

Alguém conseguiria me definir o que é a direita internacional?
12-03-2007 17:59:52

Zeno wrote:

Seria o pendant (perdão) da Esquerda Internacional? Ou uma espécie de sistema internacional de trânsito com aconselhamento de mão?
12-03-2007 21:32:40

Zeno wrote:

Faltou dizer: há dias não durmo, assustado com a possibilidade dos imitadores do Dimenstein. Esse argumento me parece definitivo...
12-03-2007 22:06:32

Marconi Leal wrote:

Imitadores de Dimenstein, tudo bem. Difícil mesmo será lidar com os futuros imitadores da Eliane Cantanhêde. Quanto à direita internacional, não tenho idéia do que seja. Aqui em casa não tem DirecTV.
13-03-2007 00:37:22

AP wrote:

Suspeito que "direita internacional" seja o processo mundial de individuação do nazismo, diagnosticado recentemente pelo grande pensador universal Renato Janine Ribeiro, pois, assim como Freud no século 19 deu o nome de "inconsciente" para uns instintos e umas vontades inconfessáveis que ele sentia e o "negócio" ($$) se espalhou prá valer, o Janine, que não é bobo nem nada, agora percebeu que aquela vontade funda que ele tem de matar bandido pobre favelado numa câmara de tortura só pode ser algo maior, um processo internacional, espécie de "nazisminhos" (como diz uma amiga minha) aos quais todos estamos sujeitos. Quem disse que não existe filosofia no Brasil???? Eu fico com o Dimenstein. E apoio a criação da profissão de imitadores do Paulo Francis, que deve estar de bruços no caixão a essas alturas.
13-03-2007 08:55:43

Prof. Sassaroli wrote:

Direita internacional é um conceito criado pela esquerda internacional. Tudo o que não for da esquerda internacional é da direita internacional.
Mas aí fica uma nova questão: o que é a esquerda internacional?
Uma hipótese plausível é que no tráfego aéreo entre os países (internacional, portanto), os aviões que vão, vão pela direita internacional, os aviões que vêm, vêm pela esquerda internacional.
Ok, mas algum pentelho vai me perguntar como fazemos na Grã-Bretanha onde as mãos são invertidas? Bem, por isso que só vou de Paris para Londres e de Londres para Paris pelo Eurotúnel. Ajudei?
13-03-2007 15:12:58

Prof. Sassaroli wrote:

Tô atacado hoje. AP não percebe, mas é profundamente preconceituoso em seu comentário ao considerar que todo bandido é pobre favelado. Claro, como um sujeito público-privado, Janine não poderia ter expressado aqueles sentimentos, mas eles são absolutamente humanos.Se contar os meus, você vai achar o Janine um frade em oração eterna.
Pobre Brasil, a esquerda acha que todo o problema da segurança é social e a direita acha que tudo se resolve no pau. Os primeiros só conseguem ver o longo prazo e os segundos só o curto prazo, enquanto isso nós fodemos e ainda temos que ser cidadãos compreensivos, como diria Nelson Rodrigues. O sujeito bota uma arma na sua cara, leva seu carro, sua carteira e você tem que parar, pensar, e entender que ele não teve outro caminho. Pior, você é culpado pois não lutou pela distribuição da riqueza. Pior, como pode você ter um carro e ele não ter nem uma bicicleta? PQP, me dá o chicote que quero me penitenciar, quanta culpa em minha alma.
13-03-2007 15:26:26

Pinto wrote:

Se é assim (e é assim, parece), me assustam as possibilidades de imitadores de Renato "Ratinho" Janine, então...
13-03-2007 15:29:35

Marconi Leal wrote:

Nego e repilo, Sassaroli. Os que vão é que tomam a esquerda internacional. Caso contrário, o Hugo Chávez não teria visitado a Europa recentemente e o Bush não teria chegado ao Brasil. Seja como for, surge uma nova dúvida, de grande importância para o prosseguimento deste debate essencial e, sobretudo, histórico: em Cuba, as balsas vão pela esquerda ou pela direita interancional marítima?
13-03-2007 15:31:08

Prof. Sassaroli wrote:

Marconi, no caso de Cuba as balsas vão e voltam pela direita internacional. Explico: a referência sempre é o lado para onde olha o condutor da Balsa. Quando vai para o Estados Unidos o condutor vai olhando pra frente com aquela esperança no coração, típica de quem vai ao encontro da liberdade, e a balsa vai pela direita internacional. Quando vem para Cuba acontece um fenômeno curioso, o condutor está vindo, mas mantém o olhar, melancólico de quem se afasta do paraíso indo para o inferno, voltado para os Estados Unidos, então, pelas regras internacionais de tráfego de balsas à deriva, embora pareça que é pela esquerda internacional, a balsa, na verdade, também vem pela direita internacional.Daí tantos acidentes com dissidentes.
13-03-2007 16:18:44

Prof. Sassaroli wrote:

Sobre Chavez e Bush: é a mesmíssima coisa, ambos trafegam pela direita internacional. A diferença, como já escrevi no Quinteto, é que Bush acaba logo e Chavez só deus sabe. Daí ter eu concluído que Bush é bem melhor que Chavez.
Pinto, saiba que todos nós somos potenciais imitadores de Janine, basta a chance. Mas, devo esclarecer que no meu caso foi só na raiva momentânea, em tudo o resto que ele produziu, suprema chatice do politicamente correto, eu não acompanho. Janine é um típico compreensivo rodrigueano, até no teste de DNA do Ratinho ele via qualidades didáticas para a população humilde deste país (disse isso no Roda Viva), onde estavam os que agora o criticam? Não seria esse um conceito do que deve ser a educação da população pobre? E esse cara é diretor de avalização da Capes.
13-03-2007 16:30:17

AP wrote:

Escrever é uma coisa ingrata, Prof., pois quem acha que bandido, pobre e favelado são a mesma coisa é o Janine, e não eu! E esses merecem morrer com dor física. Eu queria ver o que ia acontecer se o Janine tivesse sugerido tortura na cadeia para o Juiz Nicolau, ou Maluf alegando sensibilidade. Ah! O crime deles não é ediondo, por isso entra, sai, entra, sai, entra, sai.... Por fim, o Zeno já me criticou uma vez, e como respeito as regras do blog (adoro respeitar regras) não vou poder escrever aqui os motivos pelos quais não partilho da indignação das pessoas que se sentem no direito de defender os "campos de concentração" só porque gostam dos seus carros, relógios, ipods, e outras traquitanas, pois soaria "pedantismo intelectual" da minha parte. Assim, me calo. Mas, tenho a resposta na ponta da língua, digo, dos dedos.
13-03-2007 20:24:42

Marconi Leal wrote:

Concordo, Sassa. Quanto a uma coisa, não resta a menor dúvida: o Bush acaba logo. Ele acaba logo com a paz, acaba logo com a natureza, acaba logo com os direitos humanos, acaba logo com a gramática, enfim. E, com relação a Chávez, Deus pode até saber, mas não é besta de dizer. Vai que Chávez cassa a concessão Dele pra governar o mundo?
13-03-2007 23:35:58

Pinto wrote:

Gostaria de consignar que este blogue não tem regras.

Se tem não me contaram.
14-03-2007 06:20:41

Prof. Sassaroli wrote:

AP, já que tudo isso começou com o Paulo Francis, eu diria Walllll, quanto simplismo e maniqueísmo!!! Seu marxismo divide o mundo em duas partes bem nítidas, como é fácil pensar fácil. Vejamos como é: para você,quem acha que a repressão policial dever ser eficiente (como em qualquer país civilizado) também defende campo de concentração, penas leves para Juiz Nicolau e Maluf (estranho você não ter citado Zé Dirceu, por que será?), e acha que bandido é tudo pobre favelado que deve morrer com dor física. Pior, defendem isso por puro apego aos seus bens materiais.
Sua visão binária do mundo é tão míope que pensa que a grande vítima da violência é o burguês (pelo jeito ainda usa esse termo), que hoje, na sua visão, é qualquer pessoa de classe média baixa para cima, afinal,com um Ipod na mão vai para a forca . Grande engano, meu velho, quem realmente sofre com a violência é justamente o pobre favelado, literalmente na linha de tiro. Ou seja, ao defender o direito divino da minoria entre os pobres que optou pela criminalidade de fazer sua "vingança" (pela qual, como se vê, você está sedendo), você está condenando a grande maioria a conviver com a violência em níveis muito maiores do que a classe média. Incrível, você acha que só "ricos" são assaltados, roubados e sequestrados.
Confesso, sou um pobre coitado parco de certezas edificantes. Pouco esclarecido, o mundo para mim é bem menos nítido. Veja que antiquado, ainda divido os homens em honestos e desonestos e acredito que os há em todas as classes.
Anota aí, no longo prazo a melhoria da distribuição de renda é a solução, mas para chegar lá, temos que resolver os problemas de curto e médio prazo, que implicam repressão ao crime, que não é torturar ou matar pessoas, mas usar ter polícia, justiça e leis duras para prender, condenar e desestimular.
Sabe o que vai acontecer até chegar o longo prazo? Comece a ler sobre as milícias do Rio de Janeiro e descobrirá. Isso vai se alastrar pelo país. Já que o governo não exerce seu papel de repressor, alguém vai fazê-lo. E sabe no que vai dar, em mais violência com esses grupos bandeando para o crime e o tráfico.
Sobre o Nicolau, Maluf e Zé Dirceu, eu acho que corrupção deveria ser crime hediondo, inafiançável. Basta pensar que roubar dinheiro público é, lá na ponta que toca na população, causar a falta de leite, de remédios, de equipamentos hospitalares, etc, isso costuma matar gente.
Seu raciocínio é tão primariamente revolucionário que suprime das pessoas o direito de defender seus bens, mesmo que tenham trabalhado honestamente para tê-los.
Janine, errou feio, mas fez um desabafo que qualquer pai faria. Não gosto do cara, mas leia-o antes de dizer que ele defende certas coisas. Ler faz bem a compreensão do texto.
Sugiro também que você leia um livrinho esclarecerdor de Norberto Bobbio, "Direita e Esquerda", lá descobrirá que você é irmão siamês desta direita dos campos de concentração que você vê em todo mundo que não pensa como você. Be happy.
14-03-2007 12:40:55

Prof. Sassaroli wrote:

Marconi, bingo!
14-03-2007 12:41:49

Prof. Sassaroli wrote:

Pinto, pode soco inglês?
14-03-2007 12:42:49

Pinto wrote:

Pode soco inglês.

Mas por que vcs não debatem a praga do segundo casamento (um amigo meu disse que o Papa não faz idéia do que é a praga do primeiro), ou de outro tema mais palpitante?

Rende muito mais.
14-03-2007 14:13:31

fat james wrote:

O segundo casamento é a vitória da esperança sobre a experiência.
14-03-2007 19:03:08

Azeitona wrote:

Regras: Só as mensais.
14-03-2007 20:00:44

Prof. Sassaroli wrote:

Acho Bento XVI uma simpatia, mesmo! Mas aqui ele erra feio, ainda que seja coerente com a doutrina da igreja. Por experiência própria, garanto que, em geral, o primeiro casamento é que é uma praga por ser comumente uma burrada sem tamanho. Com a distância e autocrítica que só o tempo dá, você olha para o passado e conclui: pqp, como pude ser tão estúpido, todos os sinais do fracasso estavam ali e eu cai como um pato.
O segundo casamento é moleza. Quando algum amigo me diz que vai se casar e é a primeira vez, eu já o tranquilizo: fica frio que o segundo é mais fácil.
Fat James está certíssimo, e nós homens não conseguimos ficar sem casar, somos viciados nisso.
Conheci dois campeões de casamento: um de BH já estava, e isso faz 10 anos, no quinto casamento.As quatro esposas anteriores ficaram com o apto, ele saiu e deixou tudo para elas.
Outro aqui de Sampa, estava no quarto casamento e era procurador das três esposas anteriores. Isso é que é ter crédito.
14-03-2007 22:27:51

Renato K. wrote:

Eu tô no 1.o casamento e ainda em lua-de-mel. Afinal, são só 14 anos.
15-03-2007 04:48:04

Pinto wrote:

Como assim "procurador das três esposas"? Separou e continuava procurando elas?
Eu denunciava à Delegacia da Mulher!
15-03-2007 10:07:53

Prof. Sassaroli wrote:

Não, elas é que continuavam procurando por ele. Aí,como condição para continuar afagando a carência das ex, ele exigiu procuração passada em cartório para representá-las mundo afora.
Aliás, no interior quando o casal perdeu o tesão e dorme bunda com bunda, é comum se dizer: ele não está mais procurando ela. Eu diria, pra quê? Já achou, já casou, já deu errado, já esfriou, continuar procurando é sado-masoquísmo explícito.
15-03-2007 12:02:33

Azeitona wrote:

Quanta geometria. É o velho e bom "amor de p... quando bate, fica."
15-03-2007 14:40:56

AP wrote:

Prof., prá retomar a conversa, eu sou uma mulher! AP = Ana Paula. Quem anda aqui no Zeno há algum tempo sabe disso, e de muitas outras coisas que não têm absolutamente nada a ver com o que vc pensou sobre o que eu escrevi (a natimorta EP = Encarnação dos Prazeres, p.ex.). Conheço o livro do Bobbio, li ainda dos tempos de graduação, mas recentemente minhas idéias foram mais esclarecidas pelos livros de um outro italiano, Giorgio Agamben, especialmente "Homo Sacer: O poder soberano e a vida nua I". Este tenho certeza que o Janine não inclui na bibliografia de aula. Enfim, é mesmo uma conversa longa que todos nós deveríamos encarar...

E sobre o segundo casamento, vou mais longe, digo sempre que só me casarei quando a união tiver data de validade, a cada cinco anos os dois teriam o direito de parar ou continuar, sem prejuízos materiais. Tenho certeza que tudo seria mais simples... essas zenices de segundos maridos procurados e procuradores são engraçadíssimas de ler! quero crer que sejam puro gênero.
15-03-2007 22:30:08

NICOLAU FRANCIS wrote:

invasao de privacidade é crime ,é sinonimo de imitaçao e deve se responder como tal. nao há permissao legal da minha parte para tal o restante é crime.
24-03-2007 14:27:05

tati wrote:

nao achei o q precisava......
05-04-2008 15:26:39


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