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Filmes esquisitos

Nós gostamos mesmo é do escurinho.


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17 Maio

Uma boa baby-sitter é a garantia de sexo dos cinéfilos

Essa é cortesia da newsletter da Criterion, tantas vezes enaltecida aqui no boteco. Quando o filme Monica e o Desejo (Sommaren med Monika, de 1953, Verão com Monica, na tradução literal), do Bergman, estreou nos EUA, o distribuidor americano, tal de Kroger Babb (ótimo nome), passou o filme na faca, reduzindo para pouco mais de uma hora, botou uma dublagem em inglês e uma trilha jazzística, e mudou o nome da bagaça para Monika, The Story of a Bad Girl. O pôster americano do filme segue abaixo.

É hoje que eu saio da seca!
20:56:58 - Zeno -

16 Maio

Mostra Douglas Sirk no CCBB

Confesso ter admiração por gente que é obrigada, por profissão, a escrever a toque de caixa ao mesmo tempo em que faz duzentas outras coisas, como é o caso do Luiz Carlos Merten, do Estadão, que manda hoje um texto de 8 parágrafos sobre a Mostra Douglas Sirk no CCBB de São Paulo enquanto corre pra lá e pra cá na cobertura in loco do Festival de Cannes.

Mas o leitor do jornal precisa ser capaz de entender o que o jornalista escreve, coisa que não acontece no último parágrafo do tal texto sobre Sirk. Às aspas, com os colchetes por conta da casa: "Na entrevista a [Jon] Halliday, Sirk conta que ficou amigo de Budd Boetticher [cineasta famosos pelos faroestes]. Encontravam-se nos corredores do estúdio. Sirk perguntava - 'O que você está fazendo, Budd?'. 'Só um condenado western', era, invariavelmente, a resposta. 'E você?' 'Um condenado melodrama', respondia Sirk. Brincavam entre si, mas o 'condenado' não era acidental. Os westerns de um, os melodramas de outro são espelhos de uma sociedade que iria enlouquecer em seguida."

"Condenado"?? Não sei de onde ou de que tradução o Merten tirou essa, mas o texto com a entrevista do Sirk diz o seguinte:
(...) I'd say to him, 'Hi there, Budd, what are you doing?'. And he'd say, 'Hi there, Doug, oh just some lousy old Western - how about you?' And I'd say, 'Oh, just some old lousy melodrama'.

Tirante essa irritação matinal, o que eu queria mesmo era que o Amigo Irmão Caminhoneiro De Alma Sensível que lê este blog separasse um tempo na dura labuta e fosse ao CCBB nos próximos dias, pra ver em tela grande qualquer uma das 29 maravilhas selecionadas para a Mostra. Ver é bem o verbo: o Amigo terá, na sua frente, uma seqüência inesgotável dos mais lindos enquadramentos que há, com direito a rimas visuais malucas, profusão de espelhos, quadros dentro de quadros que recortam o plano, gruas delicadas que nos fazem olhar para aqueles personagens miseráveis como se fôssemos divindades incapazes de ajudá-los, enfim, é um festa para corações e olhos sensíveis.

Com a palavra, o Mestre: "Mesmo no teatro, a história não é importante. Pense em todas as histórias tontas de Shakespeare e compare-as com Walter Scott... O que conta é a linguagem. E, no cinema, a linguagem tem de ser assumida pela câmera - e pela montagem. É preciso escrever com a câmera. (...) 'Written On The Wind' e 'Summer Storm' começam pela conclusão. Supõe-se que o espectador saiba aquilo que o espera. É um tipo diferente de suspense ou de anti-suspense. O público é forçado a desviar sua atenção para o como em vez do quê, para a estrutura em vez da trama narrativa, para as variações sobre um tema, para os desvios do tema, em vez do tema propriamente dito" (do catálogo da Mostra Douglas Sirk realizada pela Cinemateca Portuguesa em 2002).
11:53:19 - Zeno -

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