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Nomes aos bois
Colaborando com a ação revisionista da Folha, o Jornal da Ditabranda, e com o apoio intelectual do midiático professor M. A. Villla, o Villão (que dá mais expediente nas páginas dos jornais e na tela da GloboNews que na sua cátedra na universidade), este blogue soma-se ao esforço orwellico de rebatizar as coisas e relaciona a seguinte parada de sucessos:
Ditaberra (1º de abril de 1964) — O grito inicial, o
golpe início da Revolução em si, comandado pelo general Olímpio Mourão Filho, auto-intitulado Vaca Fardada. Não há registros históricos sobre como se chamava em trajes civis, nem se retirava os chifres nessas ocasiões.
Ditaplana (1964-67) — Período áureo de liberdades e estímulo à criatividade comandado por Humberto de Alencar Castello Branco. Assim chamado em alusão à cabecinha-chata do marechal.
Ditabunda (1967-69) — Dito não em homenagem às feições do marechal Arthur da Costa e Silva, que era a cara da
própria (com óculos escuros), mas porque, passada a cabecinha de Castello, botaram na
nossa. Tempos de Oban, CCC e AI-5, paroxismos de brandura.
Ditaboba (1969-70) — Curto interregno dos Três Patetas depois que o Senhor chamou Costa e Silva para uma partida de carteado no Céu. Consta que o marechal trapaceou e foi passar uma temporada no inferno. Bem-ambientado, nunca retornou. Aurélio de Lira Tavares, o Adelita, Augusto Rademaker e Márcio de Sousa e Melo juntar-se-iam à mesa depois.
Ditabola ou Ditabólica (1970-74) — Os Anos de Chumbo, assim denominados em função do bolão que o selecionado pátrio bateu em Guadalajara. Foi chumbo grosso em cima de quem viesse enfrentar o escrete canarinho. O general de plantão? Tinha um sobrenome esquisito que terminava por Médici. Mas que importância isso tem diante das diabruras de Tostão, Pelé, Rivelino e da Lei de Gérson, certo?
Ditabênção (1974-77) — Época do Milagre Brasileiro comandado pelo primeiro santo 100% genuinamente nacional, Herr General Ernst Geisel. Sieg Heil, e reze três ave-marias ajoelhado no milho.
Ditadrófoba (1978) — Malsucedida tentativa do general Sylvio Frota de acabar com a brandura do regime, face ao crescente declínio de suicídios nas celas dos DOIs Brasil afora. Foi contido em camisa-de-força e tratado à base de medicamento antirrábico.
Ditaburra (1979-1985) — A notória predileção do general João Baptista de Oliveira Figueiredo pelos equinos e,
mutatis mutandis, por Alexandre Garcia como porta-voz não poderia ter outro nome. Mesmo porque Figueiredo entregaria a rapadura de volta aos civis e muita gente na caserna, e fora dela, até hoje não vê inteligência nisso.
Coda:
Ditabreve (1985) — Ia ser o período de retomada democrática liderado por Tancredo Neves, mas falhou no lançamento.
Ditabumba (1985-1989) — Encerrando o ciclo autoritário com as folclóricas tradições de José de Ribamar e os tambores de Codó, que tanto trabalharam pelo fim do sofrimento de Tancredo e pelo desenvolvimento deste imenso Maranhão que se chama Brasil.
(este post vai para joão gilberto, dorival caymmi, caetano veloso, milton ribeiro e idelber avelar. aquele abraço!)
Comentários
muito bão!!!!!
off topic propaganda gratuita. corre pra ver ainda hoje o thom pain e lady grey. vale.
Bem dita, digo, dito.
Agora sim, a ação revisionista ganha contornos de coisa filosofica! Delícia de texto.
Faltou incluir aí a Ditabosta, que é o jugo a que somoes submetidos por esta merda de imprensa. Mais ça vais sans dire.
Epa. Alto lá. Ninguém fala mal do Maranhão perto de mim.
Meus chapas, vocês andam mesmo cada vez mais inspirados. Obrigado pela dedicatória e conectemo-nos lá no Facebook também. Abração.
pinto, sensacional !!
João Donato, okay meu querido!
muito bom, matou a pau a dita cuja que se brandeou pros lados de lá.
E tenha Dita!
Agora temos também a Ditabreja, comandada pelo nosso etílico presidente, que atende no endereço abaixo:
http://www.lulalol.co.cc
eu, aqui dos arrabaldes e submetido a doses diárias de financial times e nyt, fico cada dia mais impressionando com a asnice da nossa imprensa.
choca. e nem pinto nasce!
E tinha a ditasuja que era o servicinho de porco-canalha-covarde que "ditosujos", vestidos de "homis" faziam com os presos políticos. Alguns ainda ajem em delegacias vestidos de policia.
Muito bom, Pinto. Ri muito deste lado. Agradeço a lembrança e peço desculpas por só ter vindo agora.
Era muito jovem quando da Ditabólica, mas tomei muitas porradas da Brigada durante a tua Ditabenção. Os mais jovens nem imaginam a merda de benção que foi o Milagre Brasileiro: "Brasil, ame ou deixe-o", era o bordão que convidava os militantes e a se exilarem lá por 1973-1975. Uma beleza criada pela Ditabola que se espraiou por outras Ditas.
Golbery te manda um forte abraço.
A única Dita bacana que eu conheço é a Benedita, aquela santa que vem me ajudar a limpar o meu cafofo.
Eu corri do cel.Erasmo, que a terra lhe seja leve debaixo de porretada e cavalaria na praça da Sé.
Sabe que tenho saudade daquela époc ?
A molecada era mais porreta e ia pro pau.
Agora, vão ver o Ronaldo fofucho jogar no Coringão...tsc,tsc. Tudo perobo, gostam de macho.
É tudo perobo mesmo, gosta é da dita dura, inclusive o fofucho...
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