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04 Agosto

Não sei se vou, não sei se fico

Tem mais uma coisa: pode ser que mude, mas não é sempre que o que você quer está disponível, o que é um argumento poderoso para a turma do guardar.
Outro dia, mencionei as coisas do Ennio Morricone. O site de onde baixei os discos finou-se ou foi finado. Se eu tivesse ficado no lance de acessar, estaria na saudade. Pois bem, renasceu.
Então, meu filho, se o seu negócio é o Morricone, seu lugar é .
10:42:23 - DJ Mandacaru -

27 Março

Arcebispo de Recife, perdoai nossos pecados

Não é que eu conheça tudo do Ennio Morricone. Afinal de contas, entre trilhas e outras peças o cabra tem mais de 600 discos gravados, dos quais já passei os ouvidos por uns 400. Nunca ouvi nenhum ruim - vai de bom a extasiante. E ele não se limita a escrever maravilhas: também arranja e rege, às vezes quatro ou cinco trilhas simultaneamente. Enfim, o Ennio trabalha mais do que redator do HZ.

Um dos seus mais belos e estranhos discos foi feito em parceria com a cantora sarda Clara Murtas. Raro, também - gravado em 2000 e lançado em 2002, dele foram queimadas apenas 2 mil cópias, que obviamente viraram peça de colecionador.

O disco foi uma encomenda da Clara, velha conhecida do maestro, desde que ele gravou um disco em homenagem ao poeta dissidente grego Alexandros Panagulis, em 1974. A idéia da cantora era recriar a tradicional Ave-Maria da Sardenha "Deus Ti Salvet Maria". O maestro topou, desde que tivesse liberdade para improvisar nos arranjos e criar novas melodias. A coisa ficou dividida em três movimentos: Fuga dal presente, do Ennio; Ave Maria - Deus Ti Salvet Maria, o texto tradicional; e In Forma di Stella, texto da Clara, dedicado ao Gramsci. A bagaça toda recebeu o nome de "De sa terra a su xelu".

Os três movimentos mais um pdf do libreto não somaram mais do que 30MB, isso em 320kbps. Se eu fosse vocês, baixava.
22:14:51 - DJ Mandacaru -

08 Agosto

Dia dos Pais, versão Bond, James Bond

Dia desses, tentava eu explicar pro meu filho a capacidade de uma música gerar no ouvinte as mais diferentes sensações, e o maledetto exemplo que me veio à cabeça era um trecho de uma trilha sonora do Bond, um compasso 8/5 cheio de promessas de suspense que eu conseguia cantarolar mas de jeito nenhum lembrar de que filme (ou de que LP/CD) fazia parte, pra mó de mostrar pra ele a gravação original. Típica incompetência paterna, a ilustrar o dia de hoje. Umas semanas se passam, nosso expert DJ Mandaca me manda, a troco de nada, um link de uns sujeitos batutas que digitalizaram um montón de trilhas de filmes, incluindo, craro, as do Bond. Baixei algumas que ainda não tinha em versão “física”, depois percebo que todas elas pertenciam a uma nova edição das trilhas do Bond, incluindo faixas novas, músicas em versão extended e outras mumunhas.

[Não sei se é o caso agora, mas vamulá: não só acho John Barry, o autor de boa parte das trilhas do Bond, o melhor compositor de música de cinema de todos os tempos, deixando meu querido Bernard Herrmann em segundo, como também acho que o querido do nosso DJ Mandaca, o Ennio Morricone, merece apenas um digníssimo terceiro lugar (Henry Mancini corre por fora, polemizando com o fotochart). Pronto, tá feito o barraco aqui no blog.]

Voltando. Depois de baixar as trilhas, e já que o negócio era de grátis, mesmo, resolvi pegar também as que eu já tinha em outros formatos. Foi uma delícia ouvir “Into Miami”, da trilha do Goldinger, de novo, e o biscoito maior da sorte era a nova versão, com extras, da trilha de A Serviço de Sua Majestade, a melhor dentre as melhores, a obra-prima 007 do John Barry (e a pororoca do Amaral Neto – google nele, gerações mais novas – há de concordar), que eu já tinha em bolacha e em CD. Uma faixa nova aqui, uma versão estendida acolá, de repente começa a tal faixa que eu tinha cantarolado para o meu filho e que não estava na versão original do LP. Corri pro notebook, olhei para a legenda do VLC Player, o título da faixa era “Gumbold’s Safe” (“O cofre de Gumbold”). “Burro!”, pensei, “É a cena em que ele está roubando os documentos do escritório do tal advogado suíço! Como é que os caras nunca incluíram esse trecho nas edições anteriores da trilha?!?”. Bueno, na verdade não pensei nada disso, porque acabei de ouvir a faixa, mas fiquei tãããão contente pela descoberta, por ser capaz, agora, de mostrar pro meu filho a tal passagem, que eu acho que esse Dia dos Pais se revelou bem batuta.

P.S.: Este post é dedicado a ele, que algum dia, espero, irá ler isto, e que me presenteou hoje com um legítimo canivete suíço. Mais bondiano, impossível.

P.P.S.: Sobre o “Into Miami”, do Goldfinger, e sobre o mérito “fílmico” (perdão) e abstrato (perdão II) da seqüência do arrombamento do cofre no A Serviço de Sua Majestade, fica a promessa de um post futuro.
21:54:22 - Zeno -

10 Abril

All About Estate

A polêmica fratricida, vocês sabem como começou: na revista Aldeota, meu amigo Augusto Cesar declinou paixão avassaladora pela interpretação da Carme Canela de Estate, a canção italiana de Bruno Martino que virou um hit mundial graças aos bons serviços do João Gilberto. No intuito de melhor servir para servir sempre -- o lema deste botequim -- fui incumbido de fornecer à nano material para escrutínio próprio. Aos prolegômenos, pois.

Estate foi composta em 1960, uma das centenas de cançonetas italianas que eram tocadas em todo o mundo por aquela época. O autor Bruno Martino era músico precoce: em 1944, com 19 anos, assumiu o piano da orquestra sinfônica da RAI. A letra fala de um amor finado no verão e da espera ansiosa pelo inverno, que cobrirá de neve aquele fogo e trará um pouco de paz. A letra original e sua tradução estão num site descoberto pela bella ragazza que me ensinou, trinta e cinco anos atrás, que música italiana não era só Rita Pavone. Aliás, se alguém aí se arrisca num violão, aqui tem a harmonia e tablatura.

A música ficou na vala comum até ser gravada por João Gilberto no LP Amoroso, de 1977, com arranjos do Claus Ogerman (guardem isso aí que lá adiante eu explico). João voltaria à canção mais cinco vezes, placar só comparável a algumas músicas do Tom. Além da primeira, escolhi mais três, dos discos João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (1980), Live at 19th Montreaux Jazz Festival (1985) e Live at Umbria Jazz (2002). De quebra, uma gravação, errrrr, caseira, digamos assim, de um show feito em Tóquio. Pra moçada que só acredita vendo, tem um vídeo no YouTube com o João cantando em Roma, em 1983).

Qualquer uma delas era a minha predileta até o dia em que ouvi, pela internet (novidade na época, cês acreditam?), uma voz feminina cantando na WWOZ, de New Orleans: Shirley Horn, que ganhou lugar permanente no meu private caritó de cantoras. Num andamento que era a metade da versão do João, uma orquestração, do Johnny Mandel, que deixava a do Ogerman olhando assim meio de banda, enfim, a predileta passou imediatamente a amargar um remoto segundo lugar. É bem verdade, como diz Dom Augusto, que a letra em inglês é mais fraquinha. Eu não me importo.

Aí apareceu a Carme Canela, arrebatando oiças e músculo cardíaco do meu amigo. A boa notícia é que vocês não precisam ficar prisioneiros das idiossincrasias desses dois macróbios. Preparei uma seleção de algumas interpretações da música pra vocês tirarem suas próprias conclusões, princípio democrático que rege o HZ, exceto quando se trata do desempenho de governantes, filmes da moda e iluminuras em geral.

Prá começar, a do dono da música, Bruno Martino, na gravação inaugural, só pra vocês verem como era o clima musical da época. Continuando na língua, uma mais recente, de 2006, com o Aldo Romano numa levada bolero-jazz, e cantada naquele modelo sussurrante de quem quase já está comendo as ouvintes. Tem seus méritos. Uma outra com a cantante brasiliana Ana Caram, no seu disco Hollywood Rio, que começa cantando em italiano e acaba fazendo umas graças em português. Aí vem a da Eliane Elias, piano, voz e grande orquestra, seguida da Regina Machado, cantora e professora de canto (da Monica Salmaso, por exemplo, e isso é bom ou ruim?). Uma quase operística com a Jackie Ryan, do seu disco This Heart of Mine. A da Giusy Ferreri, com a voz meio enrouquecida, começa naquele estilo morgasound, que vocês chamam de lounge, e acaba caindo no modelo canção tradicional mesmo. Tem uma especial para o Pinto, com a Lovisa Lindkvist, que só ele deve conhecer, por motivos que não vem ao caso. Com a Sabina Sciubba, que fazia (faz?) parte do grupo Brazilian Girls, formado pro três machos e uma italiana, uma versão meio jazzística. Mais uma, com a holandesa Saskia De Bruin, que canta, toca piano e sax. Pra fechar, aquela a que Dom Augusto se refere com a pioneira, da Helen Merril, de um disco esgotado. Confere, Dom Augusto, mas para nossa sorte a faixa está na caixa de dez CDs Ennio Morricone Chronicles: o cabra fez o arranjo e uma alma caridosa providenciou a inclusão no tijolão.

Bom, mas esse negócio de ficar caçando a música aqui nos discos, acabou me convencendo que também seria bacana fazer um chiqueirinho com as versões instrumentais. A primeirona é com a Amina Figarova, uma das mais bacanas pianistas da nova geração (nova pra mim, combinado?). Mais de dezessete minutos de pura beleza. Aí, já que o negócio é estourar o saco da nano, três versões com o Chet Baker: At Capolinea, Live from the moonlight e uma com o Phillipe Catherine, quase quarenta minutos de música, que o Chet não tinha pressa. Com o jovem saxofonista prodígio Francesco Cafiso mais 12 minutos. Com o Francis Coletta, com violão solo mais aquela munganga do George Benson de solfejar as notas que está tocando. Mas o cabra toca, vão por mim. Pra finalizar, uma com o Birelli Lagrene, também no violão.

E vou parar por aqui que os arquivos já estão pesando mais de tonelada. Pra simplificar, fiz uma trouxinha com as cantadas (181MB), outra com as tocadas (127MB). Só no RapidShare, que o MediaFire não gosta quando eu exagero.
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Alertados pelo homem dos 300, botamos aqui o que estava faltando.
22:43:37 - DJ Mandacaru -