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20 Agosto

Tough guy

Você percebe, quando acorda numa ressaca kindda pós festim em bordel romano (Fellini, hein, Zenão?), ouve Chet Baker e não sofre, que se esqueceu.
Got my mojo workin´.Quando sarar do porre total (suponho, terça) Uncle Hunter exprica.

Cheers, amiguinhos. Chamaram titio Hunter para uma degustação de cachaça no boteco da esquina.
13:38:23 - hunter -

02 Junho

Você não gosta dele, mas sua filha gosta

É sempre assim: você semeia, nutre, dá a primeira plataforma para que ele alce vôos maiores, e depois se afasta para apreciar o que sua cria irá fazer com a vida, mesmo que rabiscada em pixels. Nosso Hunter Thompson, nascido aqui nesta choupana, em manjedoura simples porém limpinha, agora tem casa própria. Teríamos um ou outro reparo a fazer, como o excesso de bebida do menino ou sua mania de sair de casa sem o casaquinho de lã, mas suas qualidades são tantas que nos fazem esquecer destas picuinhas. Longa vida ao Uncle Hunter!
13:26:59 - Zeno -

22 Agosto

O Daniel Piza. Uncle Hunter atira.

Uncle Hunter deve possuir traços masoquistas, ao contrário do que julga o resto do planeta, que o supõe uma combinação de Conte Lopes com Waffen-SS.
O masoquismo se deve ao fato de que o titio desperdiça parte de suas ressacadas manhãs dominicais lendo as inanidades perpetradas pelo sr. Daniel Piza, o nosso espírito renascentista (que, como os leitores já devem ter percebido, mora no coração do Uncle Hunter).
O sr. Piza é, claro, apenas um palpiteiro. Palpita de forma igualmente asinina acerca de literatura, música, filosofia, política e outras matérias que desconhece sobejamente. Fico imaginando se, caso eu seja atropelado, sofra um traumatismo craniano e tenha que ser operado às pressas, o nosso indômito herói não venha dar uns pitacos para o neurocirurgião.
Titio Hunter perdeu um segundo e estabeleceu a seguinte genealogia: o sr. Piza queria ser o Paulo Francis, que era um tremendo vigarista que queria ser o Mencken (que pelo menos era engraçado) que se achava o Nietzsche, aquele irracionalista alemão delirante que morreu de sífilis terciária mais maluco que o Bispo do Rosário.
Não dava pra surgir nada que preste daí, num é?
11:54:00 - hunter -

18 Agosto

Conhece a do gato no telhado?

Manchete de ontem do insuspeito Hora do Povo, leitura obrigatória e fonte de inspiração de toda a equipe aqui do blogue: "Duda confirma na PF e na CPI: Campanha de Lula não teve caixa 2".

Zeno, Hunter, Sorel, Hubbell, Self: conto eu ou contam vocês?
19:25:18 - Pinto -

20 Agosto

Je ne me souviens pas

Nothing at all. A língua parece sort of lixa, e jogaram areia nos olhos.
Uncle Hunter sapecou uma breja choca, acendeu um camelinho e promete um post sobre os blues-dinamite de Junior Wells, secundado pelo fiel comparsa, Buddy Guy, playin´ da guitar. Bad, mean, cool.
Dos quais tenho, em minha galeria de troféus, otógrafo.
11:35:45 - hunter -

12 Janeiro

A voz da filha II

Em uma entrevista para TV, Maria Rita diz que resistiu à pressão de terceiros e só gravou quando se sentiu 'pronta' (aos 26, mesma idade que Alberta Hunter tinha quando gravou seu primeiro disco). Graças à Deus não é uma Sandy, mas se durar o que Alberta durou, ai de nós.

(da série "Tomara que eu não me arrependa disso")
13:06:12 - Mathieu -

18 Agosto

O genro que sua mãe pediu

miss simpatia

Atendendo aos pedidos desvairados e ameaças de suicídio em massa do público feminil, uma foto que, além de ressaltar a beleza deste Adônis tropical, exibe algo de minha solar e cordata personalidade.
Uma frase para que a correção política que tanto prezo também não passe despercebida:"Bill Clinton does not inhale marijuana, right? You bet. Like I chew on LSD but I don't swallow it.'"
20:33:39 - hunter -

14 Abril

Enfim nos curvamos a um adversário superior

Uncool de quem?

The Uncool Hunter. Dê uma passadinha lá e, entre tantas maravilhas, ajude Roberto Carlos a alcançar seu 1 milhão de amigos.

(crdt : o pai da elisa)
16:48:20 - Pinto -

26 Agosto

Without a song

Titio Hunter foi ao supermercado. Como é single guy ("bachelor" dá uma questão de lógica formal no Bertrand Russell, mas creio que não tenha muita gente interessada. Nem eu), foge das bandejinhas de comidinhas assépticas para solitários e compra birita e cigarro.
Mas hoje, surpresa. DVD do Sinatra, "The Man and His Music", baratão.
Como tem uma pá de fã do dago por essa blogosfera, ele merecerá um digno post. Mas vai um verso de uma que eu gosto:

"When things go wrong a man ain´t got a friend without a song".

É isso aí.
20:37:12 - hunter -

20 Outubro

Em busca do Zeno perdido

Dileto quadrúpede aquático,

Valho-me da moderníssima tecnologia digital para solicitar, mui respeitosamente, que o senhor envie novamente seus contatos para minha caixa postal.
O motivo não é nada nobre, ou é excelente (Libações báquicas, por supuesto), pois como arengou certa feita do alto de seu púlpito o sábio Bispo Warburton, de tão saudosa memória: "Orthodoxy is my doxy, sire; heterodoxy is another man's doxy".

Meus mais elevados protestos de estima e admiração

Hunter, aquele que caça.
17:39:22 - hunter -

17 Setembro

Se você pensa que nós fomos embora, fomos mesmo.

Via em mais uma madrugada insone um documentário sobre o Truman Capote. Mas isso não vem ao caso; o que é importa é que no aforementioned filme, surpresa, mr. Capote aparecia, olhar embevecido, a acompanhar um som de Art Tatum ao piano.
O Sanctum sanctorum de Tatum, alerta-nos a solerte crítica especializada, são os oito cds pela Pablo, The Complete Solo Masterpieces.
O legal é que, em seu melhor espírito evangélico, Titio Hunter filantropicamente avisa que eles estão aqui:

http://vagabird.blogspot.com/search?q=Art+tatum

Enjoy.
05:50:44 - hunter -

11 Fevereiro

conclusões fi-lo-porqu-éticas

esse buteco tá uma espèce de enterprise.
zenão, vejamos:
o próprio é um tipo de capotão quirque.
o sorel tá entre o senhor spock e um sr. scott.
sem querer, mas que jeito.
o didjei é um sr. sulo.
o hunter é o kowalski.

e o pinto é o dr. maccoy.

já o escrevente aqui, conforme os dia, tá mais praqueles frequentador anão de 2 cabeça das festas que tinha lá.

e os quinteto são os klingon e o almirante é o pai dos thunderbird.
e a captcha é a leidy Penelope Creighton-Ward, quem num lembra, que tinha um carro de 2 roda atrás, c/ aquele chauffer à prova de capotagem.
01:18:15 - George Smiley -

22 Agosto

As aves que aqui gorgeiam gorjeiam

Profundamente condoído com estado do Pinto – atualmente cumprindo temporada de exílio no extremo Norte do País – providenciei três do Leonardo Cohen para mitigar a dor do coleguinha de redação: Heart With No Companion (2,9MB), Hunter’s Lullaby (2,3MB) e Dance Me To The End of The World (4,4MB), todas do disco Various Position, de 1984.
11:09:29 - DJ Mandacaru -

24 Agosto

Dos Rodapés

Titio Hunter não é, assim, um camarada tão provecto e próximo da inexorável senectude, mas sabe que, em priscas eras, os hebdomadários cá do Bananão possuíam rodapés literários assinados por gente como Álvaro Lins, Otto Maria Carpeaux e Antonio Candido.
Já que a maionese desandou mesmo, aqui vão as sugestões de leitura do Uncle Hunter para a semana, no seu melhor espírito iluminista de propagador da cultura:

[Leia mais!]
10:34:59 - hunter -

26 Novembro

Capotando

Truman Capote faria oitentinha, vivo fosse. Cá entre nós, merecia uma estátua eqüestre mercê seu way of life que foi, tipo, viajar de uma festa em New York com o Mishima vestido de geisha pra encontrar o Paul Bowles em Tânger (vero).
Caipira, quase anão, veado (no kiddin´), voz de taquara rachada (alguém ainda usa essa expressão?), bebia pesado e ingeria umas coisinhas pra suportar a cretinice. Só que escrevia pacas.
Resumindo: a Companhia das Letras espertamente lançou "Bonequinha de Luxo" (ah, a Audrey...), e o filme "Capote", com o formidável Seymour, vai estourar cá no Bananão.
Titio Hunter diz: esqueçam e comprem "A Capote Reader", Penguin Modern Classics, 21 real, 700 páginas, na Curtura. Gotcha?
08:50:10 - hunter -

19 Agosto

Farewell to arms

Hoje é sexta-feira (no kiddin´), o que implica que titio Hunter abandonará os posts, para gáudio generalizado, que serão retomados (vaias ao fundo. Tomates.) em momento propício.
Como sou homem de hábitos morigerados, tenho que fazer uma incursão punitiva ao supermercado, donde retornarei com os despojos da seção de bebidas e uns pacotes de Camels.
Então, o plano é:
1)Ficar sloppy drunk.
2)Ouvir jazz.
3)Encher a cara.
4)Buscar conúbio carnal com alguma incauta.
5)Beber pra cacete.
6)´Tá, ler alguma coisa.
7)Enfiar o pé na jaca.

Uma última questão semanal para que os coleguinhas me auxiliem com suas luzes. Como pode ter um "Tony Bennett Unplugged"?
Antes ele fez tour mundial com o Iron Maiden?

E até o próximo treino balístico.
13:02:13 - hunter -

25 Agosto

Dos Rodapés (2), a missão

Como o titio Hunter está um tanto enfarado com a já tradicional jeremiada acerca da rasteira qualidade de nossos literatos, lamúrias estas que, infelizmente, são expressão inconteste da verdade, é sempre revigorante lobrigar que a nau soçobrou, mas uma ponta dos mastros ainda sobrevive no oceano de estultice.

"Cachorros do Céu" (Planeta), do paranaense Wilson Bueno, é uma maravilha.
Coleção de contos antifábulas, antimoralistas, anti-Esopos e anti-La Fontaines, em que, se aos animais se empresta a voz, é para que esta desvele o tragicômico da condição humana. A forma é apuradíssima, aproximando-se muitas vezes do texto poético.
O livro é ácido, lírico, ridículo, inteligente. Como a maioria de nós, a se excetuar a última virtude, moeda um tanto escassa na poupança da intelligensia indígena, depositada em boa-fé no Banco Rural do Bananão.
12:19:30 - hunter -

22 Agosto

Don't mess with the kid

Pagando a dívida. Junior Wells deve ser o cantor de blues predileto de Uncle Hunter, e o genial Hoodoo Man Blues ("Hoodoo" é versão gringa da nossa umbanda, como a santería cubana e o vodu no Haiti. Tem coisa bem parecida, como a história das encruzilhadas, alusões a legiões de demônios, e patuás, "mojo", no linguajar da negada da gringolândia) foi a trilha sonora das degustações etílicas no final de semana.

Gaitista na tradição de Little Walter e Sonny Boy Williamson, com ataques vocais que parecem um soco no estômago e inflexões de desavergonhado erotismo nas baladas, Junior Wells ajudou a criar a sintaxe moderna do blues de Chicago. Elétrico, agressivo, rápido, sujo, vital. Os Stones dariam um braço pra tocar daquele jeito.
Há um ótimo disco acústico da dupla, Alone and Acoustic, em que Wells & Mr. Guy retomam as raízes do blues rural do delta. Só voz, gaita e violão. Vale conferir.

15:05:44 - hunter -

18 Agosto

Sob o patrocínio de Winchester '73!!

Cansados de negar os rumores da blogosfera – e os há, tantos e tão maledicentes nas últimas semanas, que fica difícil separar o jongo do caxambu –, confirmamos que sim, o blog Hipopótamo Zeno, qual octópode/jabuti a espalhar tentáculos pelos talentos literários brasileiros, traz para os leitores e leitoras ("especialmente as leitoras", ouço em minha Inbox) seu mais novo colaborador, Hunter S. Thompson, verdadeira fênix renascida da espingarda e cujo nom de plume não deixa dúvida sobre a índole politicamente correta, bonachona e sestrosa de seu proprietário. A ele, pois:

Após dificultosas negociações, a parceria MSI-Zeno adquiriu meu passe, e inicio colaboração neste prestigioso orgão da imprensa nativa. A diferença entre o Zeno e os demais veículos da mídia é que aqui, pelo menos, você sabe que não vai receber nem um copeque ou dinar iraquiano. Tirante régia paga em ambarino néctar escocês, e cometo aqui uma inconfidência: costuma haver uma garrafinha na redação, suponho mimosa homenagem dos escribas ao falecido Pasquim.
14:48:59 - Zeno -

19 Agosto

Valei-me, Saint Bazin

Estréia filme acerca da, ér, espinhosa carreira rumo aos píncaros da glória da dupla sertaneja (o soi-disant gênero musical que é mistura teratológica de guarânia, iê-iê-iê e country de Nashville, alcunhado pela rafaméia de "música de raiz") Zezé di Camargo e Luciano.
Nada mais tocante, pensou cá com seus botões Uncle Hunter, que a versão fílmica da ascensão de uma dupla de imbecis paupérrimos, até o almejado posto de retardados miliardários. Bildung é isso aí.
A imperdível película mereceu o seguinte comentário da Reuters:
"O encontro entre o popular e o erudito acontece em "2 Filhos de Francisco... O popular está no argumento, a vida de uma das duplas sertanejas de maior sucesso no país, Zezé di Camargo e Luciano. O erudito está na opção de não ceder ao apelo fácil de procurar seduzir apenas os milhões de fãs da dupla, resultando num filme bem-produzido técnica e dramaturgicamente".
Deve ser um novo clássico da gloriosa produção cinematográfica nacional, e a crítica é digna de um Paulo Emílio redivivo. Procurarei alguma referência mais precisa nos Cahiers du Cinéma.
00:11:27 - hunter -

Extra! Parem as máquinas! Schwarz e Bosi em pânico !

Este atento repórter foi informado através de fontes da mais insuspeita confiabilidade que o sr. Daniel Piza, aquele luminar do pensamento nativo (cujo último brilhantismo dominical foi asseverar que "as letras de Los Hermanos não envergonhariam Chico Buarque"; o filho do seu Sérgio, não sei, mas eu fui colocar óleo e conferir a munição da Magnum.357), prepara para breve o lançamento do mais recente fruto de seu engenho e erudição incontestes: nada menos -pasmem, amiguinhos- que um estudo de literatura comparada que contemplará Machado de Assis, Kafka, Poe e um quarto infeliz autor que se me esquece.
Apostando na indução, apesar das desconfianças de David Hume, Uncle Hunter não leu, não gostou, e garante que a douta obra granjeará enorme estima dos membros da redação, mercê sua inegável utilidade para a feitura de práticos porta-copos, relaxantes práticas de origami, ou emprego não menos funcional como calço de cadeiras balouçantes.
Só é de se lamentar, em nossa terra abençoada por Deus e bonita por natureza, mas que beleza, a ausência quase completa de lareiras, que adquiririam, além da função precípua de aquecedores mais bacanas e classudos, o status de higiênica crítica literária.
06:53:14 - hunter -

07 Outubro

Enquanto não morre um

"Vira essa boca pra lá, DJ"

Mais uma da série "Por que não gravou mais um?".
Claire Austin é daquelas cantoras que cantam muito bem jazz e blues. Se quiserem uma amostra no primeiro turno, é só ouvir "My Melancholy Baby", aqui com uma rara aparição dos verses.

No segundo, vão de "Nobody Knows You When You're Down And Out", o blues clássico Jimmy Cox, de 1923, gravado por uma ruma de gente, inclusive Eric Clapton e Derek and The Dominos, mas se eu fosse vocês iria atrás da interpretação da Alberta Hunter.

Deu tempo de Dona Claire gravar dois 10", em 1954 e 1956. Os dois couberam bonitinho num CD. [Leia mais!]
13:19:50 - DJ Mandacaru -

18 Agosto

Muddy Dalai

Por razões desconhecidas deste humílimo escriba que vos tecla, caiu-me hoje nas mãos, via correios (o que já é suspeito per si; talvez artimanha de algum pícaro peralvilho), um formidável volume intitulado "Amor Incondicional - como viver de coração aberto neste mundo estressante", de autoria dos mundialmente afamados Ed e Deb Shapiro.
A referida obra ostenta belíssima capa cor-de-rosa (deve ter alguma relação com a respeitável ciência da cromoterapia, methinks) e epígrafe de sua santidade, o XIV Dalai Lama (consultei um amigo entendido - no bom sentido - na árida matéria da legitimidade sucessória do líder espiritual do Tibete, que afirmou, peremptório, que esse Dalai Lama é fajuto. É como o papinho do papado de Avignon.)
Jamais furtaria aos leitores o prazer de algumas gotas sapienciais que brotam do palimpsesto, e que julgo serão ajuda inequívoca e reconfortante bálsamo em seus negros momentos de angústia nestes tempos sombrios:

"Tentar erradicar a raiva é como lutar contra a própria sombra- não funciona!"
"Prática: o despertar da compaixão. Abra seu coração ("ponte de safena?", grunhiu, entredentes, Uncle Hunter) para as dificuldades e sofrimentos de todos os seres. Seu coração é o grande transformador. Exale sua ternura, a cada respiração abrace todos os seres com compaixão".

Imbuído da compaixão sugerida pela leitura da maviosa obra, entoei um mantra ao som de Ravi Shankar, libertando-me assim da negativa idéia de arrumar um fuzil Remington (lembram-se do sniper católico do Private Ryan?) e meter uma azeitona nos cornos dos indigitados autores. Mesmo porque o desperdício de munição full-metal jacket não lhes produziria danos cerebrais irreversíveis, por motivos óbvios.
20:45:52 - hunter -

31 Dezembro

Grandes Verdades da Humanidade: 2006 virá depois de 2005

São 23:59, graças ao extraordinário recurso de pré-programação de posts, e com isso podemos pedir licença temporária à nossa audiência para deixar aqui, nesta passagem de ano, um texto de agradecimento aos canalhas redatores que fizeram do Hipopótamo Zeno, ao longo de 2005, o que ele é hoje: um quase-nada sentimental que disfarça seu bom-mocismo com doses generosas de ironia, canalhice e – o que é melhor – com todas as parcelas do crediário pagas.

Ao dulcíssimo Sorel, que criou a bagaça toda e que anda trabalhando em jornadas triplas de procrastinação (dizem as más línguas que ele até criou um outro blog, onde escreve diariamente – aguarde, meu caro, a invasão das Viúvas Do Zeno na caixa de comentários).

Ao incansável Pinto, que carrega o blog nas costas e em outras partes do corpo menos publicáveis. Você pode não gostar dele, mas sua filha gosta.

Ao Mestre John Self, que sequer desconfia de seu papel de farol: mora em lugar ermo, tá sempre paradão e só funciona depois do entardecer.

Ao DJ Mandacaru, nossa recente contratação, que pôde soprar uns bemóis ilustrados em nossas orelhas incultas.

Ao sumido Hunter, que deixa recados ininteligíveis no celular às seis da manhã e continua fazendo falta, muita falta, no mundo dito presencial.

Ao Bandini, que só dá as caras aqui de seis em seis meses, mas carrega o pecado adâmico de ter instalado os softwares irresponsáveis pelo funcionamento do blog e de ser nosso guru hacker.

Ao polivalente Hubbell, incansável livrador de encrencas domésticas e grande animador de festinhas infantis.

E, licença acima retirada, agradecimentos também sentimentais aos nossos persistentes leitores – acontece que essa lua, esse conhaque botam a gente comovido como o diabo.
23:59:00 - Zeno -

31 Maio

Agonia e Glória (The Big Red One - 1980)

Quando espiei, há algumas semanas, a lista dos 10 melhores filmes de 2004 feita pelo Mestre Jonathan Rosenbaum, bateu um certo desânimo ao perceber que não vira 6 dos 10 filmes mencionados, mesmo que um deles fosse um relançamento de 1961, outro um documentário sobre Los Angeles e um outro ainda fosse de um diretor do Senegal. Por outro lado, joguei autoconfete quando vi que Million Dollar Baby (Menina de Ouro) aparecia na segunda posição e que Rosenbaum o considera o melhor Clint juntamente com White Hunter Black Heart (Coração de Caçador), opinião também deste que vos escreve - como dizia um amigo, "crítico bom é crítico que concorda com a gente". Além disso, as presenças, na lista, de Antes do Entardecer e de Colateral (este fora do grupo dos 10, mas em posição honrosa) terminaram de fazer o contentamento geral da cinefilia e contribuíram também para esquecer a escorregadela do Rosenbaum pela inclusão, em nono, da porcaria auto-indulgente do Jarmusch, Coffe and Cigarettes. Mas tudo isso só serve pra dizer que a maior surpresa de todas foi ver, em primeiro lugar na lista, o relançamento do filme The Big Red One (Agonia e Glória), do Samuel Fuller, em versão restaurada/reconstruída com 47 minutos a mais. Pensei então: "Putz, isso vai ser impossível de checar, porque essa versão não vai vir nunca pra cá". Ledo e ivo engano: está prometido pra amanhã, dia 01 de junho, o
lançamento em DVD, região 4
, do filme na versão restaurada, com extras, comentários de Richard Schickel (outro bom crítico), docs diversos e outros mimos. Um DVD duplo com um dos maiores filmes sobre a Segunda Guerra Mundial pela merreca de R$34,90! Comprem, senhoras e senhores, comprem!!
14:53:03 - Zeno -

17 Setembro

Ou restaure-se a moralidade, ou locupletemo-nos todos

Sei lá, de repente foi a absolvição do Renal, mas o fato é que por pudicícia ou encabulecimento sempre evitei colocar links de discos completos pelaqui, exceção feita aos do falecido Max Roach. Agora vem o hunter e libera geral. Gostei.
Então, na esperança de um adiantamento do décimterceiro, vou adular nosso editor-em-chefe e postar o que ele pediu. [Leia mais!]
15:33:56 - DJ Mandacaru -

06 Setembro

Cantinho do Ombudsmacho

Nossos leitores mais fiéis já perceberam (alguns enviaram e-mails, preocupados) que houve uma sensível melhora no nível do blog nas últimas semanas, mas o mérito, claro, não é nosso e sim da recente contratação da redação, um ombusdman, vejam só, que saiu pelo módico preço de 2 arquivos mp3's e ¼ de garrafa de Black&White do fornecedor coreano vizinho à fiRRma.

A fim de mostrar que o nosso Sérgio Signus (marca fantasia provisória) é melhor do que os outros e não apenas um rostinho bonito a enfeitar a redação, publicaremos ao longo das próximas semanas alguns textos de sua pena, postados num fórum de musicólogos malucos (redundou?) que trocam arquivos flibusteiros pela Internet. Eis o primeiro, coincidentemente sobre o mesmo trompetista Clifford Brown homenageado pelo nosso Hunter há alguns dias.

Cabra marcado pra morrer

Parecia que o cabra tava marcado pra morrer de desastre de carro. Aos 20 anos, sofreu o primeiro, que o deixou inutilizado por um ano. Mais um outro, dois anos depois, devia ter feito ele optar pelo patinete como meio de locomoção. Debalde (porra, há anos eu esperava uma oportunidade pra usar debalde), aos 25, o terceiro e último, que levou junto o pianista Richie Powell e esposa.
Quando morreu, em 1956, Clifford Brown formava, ao lado de Miles Davis e Dizzy Gillespie, a santíssima trindade dos trompetistas de jazz. Apesar da pouca idade, deixou uma discografia relativamente extensa, já lançada em CD. Do que permanecia inédito, a Elektra lançou em, 1982, diretamente do baú da viúva, um disco gravado ao vivo, em Nova York, com aquele que foi seu último grupo: Max Roach (bateria), Sonny Rollins (sax), Richard Powell (piano) e George Morrow (baixo).
É deste disco que segue a nossa recomendação de faixa, “What’s New”, a balada pungente (por que toda balada tem que ser pungente? Será que eu ando lendo muito a Veja?) de Johnny Burke e Bob Haggart.

(do nosso correspondente em plagas praieiras e chuvosas do feriadão, a 9000 kbps)
07:55:00 - Zeno -

17 Janeiro

A volta da Anita




Eu acho que já expliquei que a moça mora no meu private caritó, primeira fila, junto com mais umas cinco ou seis.
Revendo meus guardados, como dizia o Erasmo, encontrei uma coisa do balaco.
Deu-se o seguinte: em agosto de 1984, a Anita O'Day veio cantar no Brasil. Duas noites apenas, na boate que era a mais chique de São Paulo, o 150, naquele que era o mais chique hotel da cidade, o Maksoud Plaza. Só consegui numerário para entrar lá duas vezes: uma para ver o Buddy Guy, outra pra me acabar ouvindo a Alberta Hunter. Outro que andou por lá foi um tal de Frank Sinatra. Dessa vez, pelo que ouvi dizer, até o Vidigal teve que pedir um adiantamento no próprio banco para pagar o ingresso.
O legal da história é que o 150 gravava os shows. E a Eldorado lançou um disco com o show da Anita. Coisa rara, não existe em CD, cada vez que você toca no assunto com um gringo que é chegado na moça, os olhos do cabra ficam vidrados como se ele tivesse tomado um pico.
Dona Anita já frequentou o HZ. Em 2006, quando ela morreu, consegui botar um post com o disco I Get a Kick Out of You, apesar da manga entalada na garganta, como diz o Jorjão. No mesmo dia, o cantor Carlos F. (nenhum parentesco com a Christiane F., vocês sabem quem é) descolou nos tubos o trechinho dela cantando Sweet Georgia Brown no festival de jazz de Newport, em 1958. Ambos os links estão vivos.
E, se vocês tivessem juízo, baixariam tudo que encontrassem dela pela frente. Só depois, iriam até um desse sebos virtuais que tem por aí e leriam sua autobiografia High Times, Hard Times - um exemplo raro de alguém contar sua própria história sem um respingo de autocomiseração ou autocomplacência.

[Leia mais!]
20:30:39 - DJ Mandacaru -