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17 Outubro

Aparências, nada mais

Lurdinha
Coroa & Curinga

(crdt : tia thatá, glória perez, tim burton e márcio greyck)
10:30:00 - Pinto -

17 Março

Queda e coice

Não será apenas ruim aturar por meses a fio discussões sobre tramas, enredos e pretensões de Glória Perez na esteira de "América". O pior será submeter-se a isso embalado pela trilha sonora, o indeglutível, indigerível e indefecável chororô dos Chitõezinhos.
11:51:57 - Pinto -

19 Julho

Em testemunho da verdade, dou fé

Enquanto é bombardeado somente por se revelar um velhinho priápico, Manoel Carlos, para mim, continua sendo um dramaturgo (?) de quinta e isso passa incólume às críticas. Pode se levar a sério o quanto quiser, ser bombado pela Globo mais que o Parreira durante a Copa, encher aqueles enredos de bosta de Helenas e "mensagens sociais", a buzanfa de dinheiro, o escambau: é de quinta, é um lixo, é a própria Glória Perez de ceroulas.

Não digo que é autor da coisa mais babaca, retrógrada e fora da realidade jamais vista na TV porque: 1) trata-se de uma novela, ora bolas; e 2) a concorrência no meio é feroz em tudo quanto é gênero. E não digo que a novela só se salva pelas participações de grandes atores como José Mayer, Tarcísio & Glória e pela beleza delicada de Ana Paula Arósio e seus 46 dentes porque, do jeito que anda a nanoaudiência aqui, temo que seja mais uma piada não compreendida.

Pronto, falei.

(um desabafo dedicado a todos os meus amigos revoltadinhos da estrela)
16:49:15 - Pinto -

28 Fevereiro

Para entender a Glória Perez

Novela não tem função educativa coisa nenhuma. Novela é apenas dramaturgia vagabunda aplicada com fins de descompressão social (e, de lambuja, de algum faturamento para quem a produz). Novela não mobiliza a audiência para debater assuntos da ordem do dia simplesmente por exibi-los na trama: quando muito, cria estereótipos, tampões e mesquinharias quetais. Novela qualifica apenas para o debate de temas que oscilam do Big Brother ao casamento do Ronaldinho, além da própria novela, naturalmente. Disso não passa. Aliás, "ordem do dia" é expressão preferencial de colunistas sociais déclassés, comandantes militares e pauteiros da Central Globo de Produção —que, bobeando, pode ser a mesma gente.

Se novela tivesse alguma função educativa, as décadas de exposição maciça em que fomos submetidos a elas já teriam surtido algum efeito. Novela não educa a elite nem civiliza o lúmpen, ou vice-versa; quem quiser provas que abra a janela de casa. Se em vez de novelas tivéssemos sido expostos à mesma ração diária de telecursos de alfabetização, concertos de música de qualidade, debates, telejornalismo público, programas infantis decentes —enfim, qualquer programação que não fosse com o objetivo específico de anestesiar para controlar— teríamos, sim, alguma função educativa a auferir.

Tanto tempo desperdiçado só encontra paralelo nas faculdades de humanas, onde intelectuais da comunicação —quem?— se dedicam a estudar o negócio e tratam de mistificá-lo ainda mais. É tão menos complexo. Para começar, poderíamos melhor resumi-lo direito, chamando as coisas pelos nomes. Aqui vai a modesta contribuição deste blogue: novela é o ópio do povo e da elite também. De quem faz e de quem assiste. Simples assim.

Lembra da religião? Bons tempos aqueles.
15:00:00 - Pinto -

24 Junho

E assim dá-se um tempo às bundas neste espaço

"Por que o cinema argentino é tão bom?", eis a pergunta que contribui até para elevar o nível deste blogue. Tome-se o caso de Daniel Burman, por exemplo: sempre a mesma temática (o conflito pai X filho e a ambiência judaica), quase sempre até os mesmos atores (seu ótimo xará Daniel Hendler), e no entanto o resultado são filmes memoráveis como "O abraço partido", ou "As leis da família", este menos que o primeiro, e ainda assim soberbo, superior a qualquer contrapartida brasileira recente, cidades e tropas inclusas. Dois exemplos que, noutro contexto, redundariam em dramalhões dignos de uma Glória Perez. Felizmente passam longe disto. Os dramalhões, eles os vivem na vida real, e aqui terminam os chistes deste post.

Claro que há mais. Citando os mais recentes: "O cachorro", um road-movie com jeitão de documentário (ou o contrário?) que comove. Na mesma seara, "Familia Rodante", um pouco longo mas nada ruim. Mesmo o hollywoodiano "O filho da noiva" não tem similar nacional que lhe faça frente. E olhe que não estamos listando o nunca suficientemente louvado "Kamchatka", infelizmente indisponível em DVD —cuja resposta brasileira, o esquemático "O ano em que meus pais saíram de férias", só tem o mérito de ter o título grafado direito na norma culta. E, já que mencionamos Hollywood, o excelente "Nove Rainhas" rendeu uma contrafação, salvo engano bastardamente batizada de "171", e ainda assim rende boa diversão. E não foram os vizinhos que ganharam um Oscar por "A história oficial", anos atrás?

"O guardião" (nunca, jamais confundir com "O guarda-costas"), sobre as agruras do segurança de um ministro de Estado, é um item à parte. Genial e exasperante, peca pelo psicologismo do desfecho inevitável, mas aquém do prometido, e ainda assim é imperdível. Mesmo com a câmera estacionada na modorrenta rotina de um sujeito à margem da sua própria existência, é um filme que subverte o tédio que retrata e se configura uma obra de arte refinada, pelo menos até os 44 do segundo tempo.

Qual a natureza do fenômeno? Uma comunidade judaica, a maior da América Latina, fluente em linguagem audiovisual? Talvez, mas não, me garante um amigo versado em todos esses temas. Uma gente educada e letrada, para quem roteiro, herança dos livros, é o fio condutor de uma história digna de ser contada? Sem dúvida. E seguramente daí derivam os diálogos fluidos, o enquadramento correto, a edição elegante, a fotografia superior, a montagem conseqüente. Nada de câmeras parkinsonianas e aquele estilo MTV, mais uma desgraça pátria, de acochambrar uma narrativa por não saber diferenciar o que é começo, o que é meio e o que é fim.

E nós aqui nos jactando porque estamos melhor vistos na praça financeira (até quando?) e conseguimos assegurar o empate na recente medíocre partida da seleção contra os portenhos, cujo país está permanentemente "em crise". Eis aí, tout court, a versão revista e atualizada da piada do português.

Em tempo: não perca a série sobre a Argentina no inigualável Idelber.
06:33:14 - Pinto -