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10 Agosto

Segura, peão!

"Madame sabe mesmo cavalgar?"

Enquanto Lula vai derrubando tudo que sobe, das bolsas aos aviões de carreira, eu sigo a máxima do filósofo Paulo de São Paulo e penso cá comigo: Francielle, Francielle, só não és um peixão porque és mamífera e estás mais para cetácea.

E o que tem tudo isso a ver com a Cavalgada das Valquírias aí da foto? Rigorosamente nada. Mas é que hoje é sexta-feira, eu trabalhei feito uma negra* a semana inteira e achei a foto muito bacana, né?

* Antes que me mal compreendam, esclareço que a expressão "trabalhei feito uma negra" é da lavra dos Mayrinck Veiga e foi primeiro publicada em entrevista nas páginas marrons da Veja de umas décadas atrás.
14:55:36 - Pinto -

12 Agosto

Urbanísticas

Citando outro Paulo, que é de São Paulo mas não é filósofo (pelo menos não se assina como tal) e não deve nem conhecer a Francielle, temos razão para crer que o amor pelo saber não é somente um rostinho marromeno num corpinho idem:

A chamada classe alta produz o próprio desastre. Ela abandonou a cidade e a população pobre ocupou-a. Você abandona a cidade e funda outra, como Alphaville, porque teme a liberdade. A avenida São Luís, feita de habitações de alto padrão, não durou 15 anos. Mas talvez se alimente da desvalorização para, um dia, criar-se um plano de revitalização favorecendo, de novo, a especulação. Essa não é uma boa política. Há grandes vazios na cidade. Como revitalizar o centro histórico? Transformando botequim e centro cultural? O botequim era um centro cultural.

Paulo Mendes da Rocha, em entrevista imperdível na Carta Capital desta semana.
18:32:47 - Pinto -

15 Janeiro

Para registro



De todos os ditos portais da dita imprensa nacional, somente o Estadão não traz em primeira página o acompanhamento do eletrizante Big Brother 8.

Em compensação, de todos os ditos jornais da mesma dita imprensa, somente o Estadão traz em espaço privilegado na página de opinião as originais idéias do filósofo Paulo de São Paulo.

(Perdão pela insistência no assunto, mas não resisti ao vídeo acima. Assista e saiba por quê.)
22:38:46 - Pinto -

06 Agosto

Mora na filosofia

Resulta que© fomos apresentados, via Nassif e Estadão deste domingo, ao Filósofo de São Paulo. É lícito que uma cidade que já possui tantas coisas todas próprias —pensei no Minhocão, na pista de Congonhas, na estátua do Borba Gato e nas rampas anti-mendigo, mas deve haver mais— tenha também um filósofo para chamar de seu. Sobretudo quando parte da sua produção intelectual é dedicada a louvar a musa Francielle —repare nas fotos dela manejando o aspargo e veja se ele não estar certo em pedir o reconhecimento da audiência por tê-la conquistado, neste português aqui:

Esse peixão está aí abaixo, vinte e um aninhos de pura energia, gostosura e inteligência. Podem me aplaudir. Tudo bem, tudo bem. Eu sei que mereço.

O homem escreve na Página 2 do Estadão de domingo (desancando a Marilena Shall We©, mas isso é outro detalhe)!

Tudo isso exposto, é batata supor que jornal e filósofo andam seguindo à risca os ensinamentos do mestre Max Weber:

eu amo tudo de belo que temos e vemos, sentimos… / desrespeito e desonestidade me deixam bravo / fofocas me deixam triste / eu acredito no Deus criador, no cosmos, no universo, na energia e na ‘good vibração’ / a verdade no que vemos, sentimos e tocamos é bela / amizades, filme e viagens são divertidos / eu me lembro do que eu desejava / eu desejo tudo que conquistei e que vou conquistar com o meu trabalho - e que tudo dê certo! / o meu mundo é normal, como o de todo mundo, mas eu adoro a transformação das coisas, pessoas, lugares, imagens… / eu sou max weber.

(crdt pelo peixão do max weber : captcha)
11:54:48 - Pinto -

07 Março

Poesia nesta granja

A página de opinião do Estadão é um prodígio. É lá que periodicamente mantemos contato com entes como João Mellão, o filósofo Paulo de São Paulo e outros menos votados, que ali nos iluminam, e ao mundo, a percuciência de suas idéias.

Porém, nosso favorito, por um pescoço de vantagem, acaba sendo José Nêumanne Pinto, que lá figura sem o último sobrenome, sendo esta uma opção individual, à qual não cabem reparos, senão o próprio registro e a constatação de que não há entre nós —e, imagino, entre você e ele— nenhuma parentela. Digressão feita, retomemos.

Com ou sem Pinto, discorre o escriba com maestria sobre um tudo, do alfinete ao foguete, sempre associando o tema da vez a uma habitual estocada em Lula, que afinal existe, e tudo que lhe diga, ou não, respeito.

Mercê da revista Caras desta semana —ou da semana passada, ou do ano passado, qual a diferença?—, para nosso subido gáudio, descobrimos que o homem —não Lula, que não passa de um analfabeto; mas Nêumanne, que passa— possui múltiplos talentos e também é pintor e poeta, dentre outras habilidades que talvez nem se nos tenham sido descortinadas.

Referenciamos então à íntegra de Pau no Cu Palco Nu, in Solos do Silêncio — Poesia Reunida, para deleite de nossa nanoaudiência.

Vai ou não vai para o trono?
21:11:30 - Pinto -

09 Março

Os intelectuais e a escravidão da mídia

É salutar, a nosso juízo, a aproximação da mídia aos ditos intelectuais, orgânicos ou inorgânicos, desse Brasilzão sem porteira. Eles cumprem a função de dar densidade analítica aos órgãos que os acolhem, coisa que os jornalistas abrigados nos mesmos órgãos em geral não logram fazer; quando logram, o patrão não lhes permite publicar, mas divago. Nesse processo acabam projetando a imagem da academia a que pertencem, numa simbiose que em tese interessaria ao País.

O problema disso tudo, a nosso juízo, é a restrita seleção de pensadores escalada para o papel de referendar uma ou outra, digo melhor, somente uma particular cosmovisão ao leitorado. São sempre os mesmos nomes, meia dúzia deles, e a julgar pelo expediente que têm dado nas redações (e pela resultante de seus pensamentos, por conseguinte) uma das hipóteses vem ocorrendo, ou todas: 1) demitiram-se da sua condição de "intelectuais", pela falta de tempo ou por incompatível com a experiência midiática; 2) diluem seu raciocínio de forma a compatibilizá-lo com, por exemplo, o dos jornalistas da página 2 da Folha (Eliane Cantanhêde, Clovis Rossi, Josias de Souza, Fernando Rodrigues etc.), e assim perdem a completa inteligibilidade; 3) avatares lhes tomaram o assento, porque quem raciocina mesmo não conceberia escrever aquilo lá.

Numa extensão natural desse fenômeno, quanto menos os nomes selecionados, mais eles aparecem elucubrando sobre uma miríade cada vez maior de assuntos, e assim a lusitana roda. São temas que vão do alfinete ao foguete, mas têm em comum o fato de irem ao encontro da linha editorial dos tais veículos. Exceção feita ao professor Francisco Oliveira, fundador do PT e hoje intrigado com o partido, porque nesse caso convém.

Tome-se como exemplo o geógrafo Demétrio Magnoli, que usou a referida Folha, hoje, para criticar seus jornalistas —"criminosos"— o samba do crioulo doido que o senador Demóstenes Torres compôs sobre o tráfico negreiro (note que Demétrio e Demóstenes começam com DEM, e isso há de querer dizer alguma coisa, mas novamente divago). Não apenas o juízo do intelectual parece obnubilado (pelos plantões que dá na Folha, no Estadão e nos veículos globais, isso para não citar o Instituto Millenium, que é a somatória desses veículos?), mas o tom escolhido é de quem acabou de retornar de uma temporada no pelourinho com o couro ainda morno das chicotadas. Uma raiva incontida que brota do texto e não se coaduna com o papel de intelectual, ou quando muito de escravo forro, o que parece ser o caso. Decerto está trabalhando demais, ou não lhe pagam o que vale: a hipótese de trabalho escravo deve ser considerada, ainda que hiperrealista.

Outro é o historiador Marco Antônio Villa, já referido aqui. Quem não associar o nome à pessoa que ligue na GloboNews. Mais lhano que Magnoli, Villa será um sujeito franzino na ponta da bancada, com um blazer alguns números maior, tecendo alguma, qualquer uma, consideração contrária ao governo federal. É ele. A seu lado poderemos encontrar Miriam Leitão ou Monica Waldvogel, facilmente identificáveis pelos seus penteados e por fazer as mesmas intervenções, mas com entonação de pergunta; estas porém são funcionárias da casa e, de resto, não são intelectuais e não têm a obrigação de estar ali necessariamente para produzir alguma reflexão, mas novamente divago.

Um terceiro exemplo seria o cineasta Arnaldo Jabor, que foi revelado pela Folha como intelectual-cronista. Versatilíssimo, é capaz de discorrer sobre qualquer assunto com desenvoltura ímpar e aquela fanfarronice apocalíptica no semblante, sempre invocando Nelson Rorigues, com quem costuma dialogar em sessões espíritas, no que periga ser mais um modismo da categoria.

(Um quarto exemplo seria o filósofo Paulo de São Paulo, mas este por alguma razão anda meio sumido e fica de fora deste arrazoado.)

Magnoli, Villa e Jabor são o tipo dos intelectuais que eu levaria para uma ilha deserta. E os deixaria lá.

Restam as saudades imorredouras das intervenções dos professores de porte de J.A. Giannotti, Antonio Candido, Marilena Chauí (sim, ela mesmo) e outros menos votados. Estes se dão o respeito. E talvez por isso andem aparecendo tão pouco.
22:29:31 - Pinto -

21 Setembro

De que lado você samba?

Bons são os momentos em que a chapa esquenta pra gente ver quem é o quê. Aos que desancaram (e desancam) a dona Marilena —com tanta personagem no panteão nacional mais adequada pra isso—, recomenda-se a leitura da carta que a professora escreveu aos seus alunos, republicada na Folha de hoje.

De minha parte, tudo considerado, se é pra falar mal ou fazer troça de alguém, continuo preferindo o Bornhausen, aquele gentleman empenhado em "acabar com a raça petista".

Pra quem não é assinante, a íntegra da carta "A mídia diz: somos onipotentes e fazemos seu silêncio falar" segue no linque. [Leia mais!]
10:48:00 - Pinto -