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05 Julho

Mr. Arkadin/Confidential Report

Melhor que o Ronaldinho Gaúcho

Vale cada caraminguá, principalmente se for para curtir a ressaca da Copa: por 50 doletas, no site da Criterion, por 40, no site da Amazon , ou por 217 reais na minha, na sua, na nossa CD Point, pode-se levar pra casa a demente edição especial que a Criterion preparou para o filme "Grilhões do Passado", do Orson Welles. O pacotão vem com três DVD's, cada um apresentando uma versão/corte diferente do filme + um livro (!), o romance que Welles teria escrito (ou não) a partir do roteiro do filme e de uns scripts para uma série de rádio inglesa. Mesmo quem não conhece o filme, e no ranking dos melhores filmes do Welles ele não deve figurar lá em cima, já deve ter ouvido falar da cena em que Welles, mais uma vez fazendo um papel-maior-que-a-vida, recita num baile de máscaras a fábula do escorpião e do sapo ("Mas por que você me aferroou?", pergunta o sapo quando os dois estão afundando no rio, "I can't help it; it's my nature", responde o escorpião). Há muitas outras falas memoráveis, (cito de memória - sic) "Infelizmente a atividade criminosa tem estado nas mãos de amadores há mais de dois mil anos", ou a minha preferida, a fulana pergunta prum sujeito "Você se lembra de mim?", e ele responde "Nunca me lembro de uma mulher bonita. They're too expensive". Somente o imbróglio da autoria do livro citado e das diferentes versões dá para alimentar várias noites de cinefilia insone, sem contar que os extras, ah, os extras, são de babar: entrevistas com um monte de gente, incluindo um ótimo depoimento do ator Simon Callow (de Quatro Casamentos e um Funeral), que tem um livro sobre Welles publicado, cenas não incluídas em nenhuma das versões, três episódios da série radiofônica, comentários em áudio do queridinho aqui do blog, o maior crítico americano em atividade, Jonathan Rosenbaum (que está prestes a lançar um livro sobre o Welles), etc, etc, cliquem-nos-links-e-vejam-por-conta-própria-etc. Como não poderia ser diferente numa edição da Criterion, a qualidade da imagem nos 3 DVD's é espetacular, e ainda de quebra você resolve de uma vez por todas como é que se pronuncia um dos títulos do filme: é Mister ArkÁdIn, e não Arkadã. No Leia Mais abaixo, o longo artigo de J. Hoberman que está no folheto dos DVD's e que é das melhores coisas que li sobre Welles nos últimos anos. [Leia mais!]
00:12:42 - Zeno -

22 Abril

O Haiti é lá e cá


attica.jpg

Mal comparando, foi uma espécie de Carandiru em Nova York. No dia 9 de setembro de 1971, começou uma rebelião no presídio de Attica. Os presos pediam, entre outras coisas, tratamento mais humano, o fim da violência policial, além de algumas exigências de caráter político.
Após quatro dias de negociação, o governador Nelson Rockfeller autorizou a invasão. Quando a fumaça desfez-se, 38 corpos estavam estendidos na prisão - 29 presos e nove funcionários.
Se vocês têm interesse no assunto, os links aí vão dar conta do começo da história.
Da parte que me cabe nesse latifúndio, gostaria de vos apresentar o disco do Archie Shepp "Attica Blues". Gravado quatro meses depois do massacre, Mr. Schepp nem fez muita questão de usar o seu approach preferido à época (que os críticos apelidaram de avant-garde). O que rola é um mostruário da música negra americana, sem preconceitos. Ouçam só aí a primeirona e me digam.

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16:17:43 - DJ Mandacaru -

28 Abril

Ode To Bobbie Gentry

Bobbie Gentry - 04 - Ode to Billy Joe by DJ Mandacaru


Ode to Billie Joe

It was the third of June, another sleepy, dusty Delta day
I was out choppin' cotton and my brother was balin' hay
And at dinner time we stopped and walked back to the house to eat
And Mama hollered out the back door "y'all remember to wipe your feet"
And then she said "I got some news this mornin' from Choctaw Ridge"
"Today Billy Joe MacAllister jumped off the Tallahatchie Bridge"

And Papa said to Mama as he passed around the blackeyed peas
"Well, Billy Joe never had a lick of sense, pass the biscuits, please"
"There's five more acres in the lower forty I've got to plow"
And Mama said it was shame about Billy Joe, anyhow
Seems like nothin' ever comes to no good up on Choctaw Ridge
And now Billy Joe MacAllister's jumped off the Tallahatchie Bridge

And Brother said he recollected when he and Tom and Billie Joe
Put a frog down my back at the Carroll County picture show
And wasn't I talkin' to him after church last Sunday night?
"I'll have another piece of apple pie, you know it don't seem right"
"I saw him at the sawmill yesterday on Choctaw Ridge"
"And now you tell me Billie Joe's jumped off the Tallahatchie Bridge"

And Mama said to me "Child, what's happened to your appetite?"
"I've been cookin' all morning and you haven't touched a single bite"
"That nice young preacher, Brother Taylor, dropped by today"
"Said he'd be pleased to have dinner on Sunday, oh, by the way"
"He said he saw a girl that looked a lot like you up on Choctaw Ridge"
"And she and Billy Joe was throwing somethin' off the Tallahatchie Bridge"

A year has come 'n' gone since we heard the news 'bout Billy Joe
And Brother married Becky Thompson, they bought a store in Tupelo
There was a virus going 'round, Papa caught it and he died last Spring
And now Mama doesn't seem to wanna do much of anything
And me, I spend a lot of time pickin' flowers up on Choctaw Ridge

And drop them into the muddy water off the Tallahatchie Bridge

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11:15:06 - DJ Mandacaru -

06 Março

Chico & Rita


Trailer Chico & Rita from estudiomariscal on Vimeo.



O desenho mesmo eu só vi porque nosso editor-em-chefe conhece as bocadas onde achar. Modosque quem quiser ver tem que perguntar pra ele. Se não souberem do que se trata, uma revista espanhola publicou uma matéria legal com os donos do filme, Fernando Trueba e Javier Mariscal.
O que vai na sequência é a trilha sonora original, dirigida e tocada pelo Bebo Valdés, um dos pilares da música cubana do século passado. [Leia mais!]
14:28:58 - DJ Mandacaru -

20 Junho

A mais envergonhada



Vocês não estavam achando que, além da magnífica estampa, Rita ainda cantava, né?
A voz ali era da Anita Ellis, nascida no Canadá em 1920 e criada na Califórnia. Aos 17, ganhou bolsa para estudar ópera em Cincinnati, pagando as contas cantando em bandas locais. Só então descobriu que tinha o que gringos chamam de stage fright, o pânico de estar no palco, que, em alguns casos, literalmente paralisa o artista. No Brasil, os músicos dizem que "o cara amarelou".
Convidada para dublar atrizes que não sabiam cantar, Anita estreou logo com a canção inframencionada pelo Zeno e psicanalisada pela Captcha. Fez carreira no ramo e nunca perdeu o medo do palco. Se vocês têm interesse na vida e carreira da moça, há um belo ensaio sobre ela, do Whitney Balliett no seu livro "American Singers".
O disco aí embaixo foi tirado da gravação de um programa de televisão para a PBS em 1979, só Anita acompanhada por um craque no assunto, o pianista Ellis Larkins.
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15:15:20 - DJ Mandacaru -

26 Março

Requiescat



Sem panegírico hoje. Só uma oportunidade de dividir com vocês parte das toneladas de gargalhadas que o cidadão providenciou.

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13:32:33 - DJ Mandacaru -

14 Maio

As Invasões Bárbaras


Franciel Cruz

No início dos anos 70, alguns bárbaros nordestinos invadiram a nem tão civilizada música brasileira. No matulão, os paus-de-araras traziam xote, maracatu, toada, baião, forró, embolada, entre outros ritmos sacolejantes. Porém, às violas dos repentistas, às safonas, zabumbas e triângulos, que os encantaram na infância, estes herdeiros de Gonzagão, Jackson do Pandeiro e João do Vale incorporaram as guitarras elétricas, que os inebriaram na adolescência. E deixaram, com variações na tinta, boa impressão digital no cancioneiro popular de Pindorama.

O marco desta ascenção sertânica, para mim, é ano de 1973, quando Ednardo, Rodger Rogério e Téti (que na época assinava Tetty) lançaram o LP Meu Corpo, Minha Embalagem, Todo Gasto na Viagem – Pessoal do Ceará. [Leia mais!]
12:50:44 - DJ Mandacaru -

20 Novembro

É Proibido Fumar, de Roberto Carlos (Parte II)

O público pediu. Implorou. Exigiu. Reclamou. Nós ignoramos os pedidos de cancelamento e continuamos a publicar as Notas para uma Leitura Materialista de "É Proibido Fumar", do Moço de Cachoeiro Roberto Carlos (para os desavisados e masoquistas: a primeira parte foi publicada em 12/11/2003, na Seção Zenices). [Leia mais!]
11:45:31 - Zeno -

02 Janeiro

Abaixo assinado

(o relato a seguir é verídico, mas o entrecho teve final feliz; resolvemos requentar esta marmita para que outras pessoas possam lançar mão em caso de necessidade)

Além de garantir um reforço de caixa maior ou menor para as assim chamadas grandes corporações, a Internet apresenta, desde seus primeiros pixels mal-arranhados, um lado antiestablishment que serve também a causas nobres e humanitárias, como se pôde ver nas correntes de e-mails que condenavam a guerra do Iraque e nos protestos contra o plantio de alimentos transgênicos.

Agora, uma nova frente de participação e solidariedade se abre: a história, já conhecida de alguns, diz respeito a um amigo próximo, cuja identidade somos obrigados a declinar, que deseja colocar o nome de WESLEY em seu futuro rebento, previsto para chegar a este mundo nos próximos meses. A mãe, num átimo de bom senso, rejeitou vigorosamente o nome, alegando incompatibilidade aduaneira. Eis o dilema: o pai bate o pé (figurativamente) em Wesley, não havendo possibilidade de negociação; a mãe, sem saber como redargüir, emudece desperada.
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07:05:00 - Zeno -

06 Agosto

Catadão sobre Batman, O Cavaleiro das Trevas (2008)

Agora que os críticos de cinema de Indaiatuba e do resto do mundo aprovaram financeira e majoritariamente o filme, vale uns pitacos:

--tudo bem que o Coringa seja a melhor coisa do filme, mas precisava anular quase completamente o herói? Donde outras questões: alguém viu o Batman no filme? Ele fez alguma coisa de relevante? Alguma ação sensacional, dessas que se espera de um super-herói e que vemos à profusão em outros filmes baseados em gibis DC ou Marvel?
--sumiram com Gotham, também, que virou Chicago ou Londres.
--donde o corolário: parece um ótimo filme de psicopata amedrontando uma cidade real. Se tirassem o Batman e pusessem um tira ou detetive à paisana, daria no mesmo.
--é muito melhor que o primeiro, a baboseira Batman Begins? Ô se é. Mas aí a régua é muito baixa. E como esse diretor Nolan nunca fez nada que prestasse, seria estranho que ele se redimisse num estalo movido a 185 milhões de dólares. Daí, por exemplo, as decupagens horrorosas das lutas físicas, chochas e abandonando o estilo edita-rápido-que-ninguém-vai-entender-mesmo do primeiro. E editar mal uma luta depois da lição memorável dada pela trilogia Bourne e pelo novo Bond é incompetência ou preguiça.
--não sou viúva dos dois filmes do Tim Burton, que primavam mais pela direção de arte que pelo roteiro ou pela mão do diretor, mas senti falta da tal "atmosfera" gótica que ele tão bem imprimiu aos filmes e que combina às maravilhas com o personagem do morcegão.
--o roteiro confunde riqueza com imprecisão e comete deslizes inaceitáveis: todo o plot inicial dos chefões da máfia, culminando com o seqüestro do chinês, é deixado de lado durante dois terços do filme para reaparecer meio aos trancos perto do final (quando vemos novamente o chefão chinês preso, a reação é "Puxa, olha aquele cara ali que tinha sumido da história!").
--e, finalmente, Christian Bale. Aí não tem jeito, mesmo. Ele abandonou o biquinho do primeiro filme, mas a voz continua a mesma (modificada digitalmente? Porque não é possível que aquilo tenha sido "escolha do ator"). Incomoda tanto que o grande diálogo dos dois, com o Curinga pendurado, quase afunda por conta das respostas do herói ditas daquele jeito. Nem como Bruce Wayne ele convence, e olha que basta um terno bem cortado e um guaraná imitando scotch na mão.
--implicâncias finais: aquela máscara, inventada no primeiro e com um desenho redondo (!) para a boca+queixo e pontudo (!) para o nariz, é decididamente infeliz, e o batmóvel modelito humvee, também herdado do primeiro, é um acinte à tradição de design dos modelos anteriores, tanto nos gibis quanto nos seriados e filmes.

O curioso é que a sensação que permanece quando saímos da sala é a de ter visto um filme que agradou, muito até, claro que por conta de um personagem maior que tudo, movido pela idéia magnífica da ausência de sentido nos atos e motivações – e as explicações "psicológicas" que se auto-desmontam são a cereja de um bolo pro qual não há como não tirar o chapéu. Na somatória: 10 pro Curinga/Ledger, 10 pros coadjuvantes de luxo, zero pro Bale, cincão pro diretor e pro irmão roteirista e estamos conversados.
12:12:46 - Zeno -

22 Agosto

Ton Hoi

Seriíssimo candidato a grande decepção do ano a quase seis meses do 31 de dezembro. Inspirados pelo clima olímpico e pelo delicioso programa da Kylie Kwong no GNT, fomos lá conferir o que seria o grande restaurante chinês de São Paulo, uma espécie de Chi Fu com atendimento digno. Pois nem bem o atendimento é lá essas coisas nem a cozinha justifica a fama ou muito menos o deslocamento até os confins da Francisco Morato. Até aí, queda. O coice foi que a conta saiu por pelo menos o triplo do preço do que estávamos acostumados a pagar.

Várias teorias me apresentaram, mas nenhuma fecha a equação na minha cabeça. A localização parece ser a mais provável: atende aos morumbinos que não querem se deslocar até a cidade e se contentam com uma refeição fora de casa num padrão um pouco melhor que um desses China In Box da vida. Meu pato frito estava esturricado e só não digo sensaboroso porque nada com aquela quantidade de gengibre e alho pode ficar sem gosto. A carne com shimeji e brócolis da minha partner, essa sim (a carne, não a partner) parecia egressa de uma caixinha.

Gostaria de lhe dar uma segunda chance, mas pelo que me disse a própria atendente, e é verdade, o restaurante está sempre cheio, não aceita reservas e é um sucesso de crítica e público em São Paulo. Bem feito.

Nota: 3 miojos.
11:00:00 - Pinto -

11 Janeiro

Lea who?


Quem deu o toque foi o dono do The Cheerfulearfull, um blog pra lá de bacana, com discos que só se acha por lá mesmo.
O mistério da Lea Roberts está contado aqui. Tem também o disco de 1975 (clique na capa do disco). Procurando nos meus guardados, achei o primeiro, de 1973. Lá e cá vocês poderão ouvir os dois.

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15:54:20 - DJ Mandacaru -

17 Abril

A trilha de Lázaro



É uma das músicas mais levanta-defunto que eu conheço. E isso desde 1969, quando o maestro, tecladista e produtor Edwin Hawkins resolveu rearranjar um hino religioso de meados do século 18. A gravação se espalhou rapidamente pelo mundo todo, até mesmo Fortaleza, e vendeu mais de 7 milhões de discos. Os detalhes sórdidos podem ser encontrados na Barsa americana.
A música foi gravada por Jesus Cristo e todo mundo, inclusive a Nina Simone, uma santinha pra quem o Jorjão ajoelha e reza todo dia.



Mas foi só outro dia que eu tomei conhecimento da Dorothy Morrison, uma das solistas que abre o vozeirão na gravação de 1969. Achei seu primeiro disco solo, que compartilho cristãmente com vocês. Amém.

Correção: o tocadorzim do DivShare não funcionou. Se quiserem ouvir, baixem direto daqui:
Com The Edwin Hawkins Singers: http://www.divshare.com/download/24005862-98c
Com a Nina Simone: http://www.divshare.com/download/24005887-658
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10:45:41 - DJ Mandacaru -

23 Abril

Mas o que vai, vai; o que vem, vem




Poderia ter sido uma perfeita idéia de jerico. Juntar uma cacetada de músicos das mais variadas procedências para rever o que o produtor Bob Belden chamava de "a alma espanhola de Miles".
Nos tubos acima tem um conversê legal sobre a gravação do disco.
A coisa em si, como recomenda nosso editor, tá mais pra baixo.

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14:06:16 - DJ Mandacaru -

27 Junho

A voz rouca (e suingada) das ruas

Foram as primeiras que me vieram à cabeça quando tentei lembrar de músicas que marcaram a presença de gente, muita gente, nas ruas, sem ser carnaval ou procissão religiosa. Fui no baú e catei as seguintes, sem ordem cronológica ou prioridade geográfica.
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21:20:50 - DJ Mandacaru -

13 Setembro

a era dos supremos, ou o breve século madá

em acordo à pirofleugmática postada anterior, e já q., oba, 'tá na moda postada grande aqui na casa:

'fecham-se as cortinas e se encerra o espetáculo', teria q. dizer um clássico locutor do futebolarte
-e essa é p/ ler ao som da trilha do 'big chill' (alguém aí viu, 'o reencontro', blogada merecida porvir)-:

fim dos 2 supremos, o canalha honesto e o musical de escol.
ai, q. delícia o q. deu p/ ouvir e ver lá...

um passo adiante do q. fez a vilamadá valer a pena -qdo ela ainda ñ queria ser 'jarduns'-, mais a maturação de toda uma honesta calhordice boêmia q. rastanejou por toda a sampa undercolors & reagans $ t(e)atchers; nóóóóssinhora, qta crise financeira do país deu p/ segurar lá; parecia um bar do rio, '60's, aqui; ñ era à toa q. o carlito maia ñ saía de lá. [Leia mais!]
01:46:34 - John Self -

08 Junho

Chi Fu

Expressão que se presta à toda sorte de infâmias em português e batiza o último de três restaurantes chineses geminados, junto à Praça da Liberdade. Ignoro o que significa e pouco importa, pois do cardápio à conta, passando pelo serviço belicoso, tudo é em mandarim ou cantonês, quem vai saber... Dos três, é o mais imundo, mais barato, mais bagunçado e de melhor cozinha. Por alguma dessas razões, ou todas, está sempre lotado, e o padrão de controle da fila é brasileiro mesmo. Um fuá.

Nos fundos, há viveiros com uma miríade de animais aquáticos e tudo mais que um bom gourmand chamaria de "la nouriture prochaine". Junto à escada do porão —juro pelas vítimas da Praça da Paz Celestial— havia um saco de 15kg de Whiskas, que frango, coelho e mignon famintos miam demais. O que esperar de um país em cujos zoológicos há plaquinhas com o nome do animal e uma receita?

A cerveja não vem gelada, como de resto é raro em São Paulo. O pato laqueado é emocionante, a carpa com gengibre é de comer de joelhos, idem para os camarões gigantes, tudo a preços ridículos, e felizmente este blogue não é escrito em ideogramas. Se você é suscetível a gordura na comida, não se preocupe: em vez de sabão, o banheiro tem detergente.

Nota: ainda assim, 9,0 miojos, mas aposto que a AP não daria nem dois!
13:00:00 - Pinto -

15 Junho

Derrière (um post dedicado à Criss)

Terminado meu banho, lá estou eu na frente do espelho, comentando com meu marido que acho meus seios um tanto quanto pequenos.

Ao invés do esperado "Imagina amor, não são não", ou de uma promessa de cirurgia para aplicar silicone, ele me vem com uma sugestão insólita:

- "Pode parecer estranho, mas já vi funcionar... Se quiser aumentar os seios, pegue todos os dias um pedaço de papel higiênico e esfregue-o entre eles durante alguns segundos". [Leia mais!]
11:00:00 - Pinto -

08 Novembro

tem dias qui só tomanu-uma, o deus índio

o ser humano insiste em ser burro pq. lhe é conveniente.
ser burro facilita o acesso a esse sucesso da mudernidade urRbana (é assim q'sidscreve caipira, editors?) que é a 'loja de conveniencia'.

vc está aqui, e eu ñ sou autista prático
[Leia mais!]
03:53:28 - George Smiley -

15 Dezembro

Westwärts schweift der Blick!

Para quem não se lembra, demos a dica, na semana passada, de um excelente e higiênico passatempo para seus dias na fiRma e suas noites com a patroa, a tar regata Volvo Ocean Race, que permite mesmo a manés que confundem bujarrona com recipiente para ponche a chance de navegar em volta do globo simulando as condições de vento, vela e percurso da famosa regata na vida real de mesmo nome.
Mas há manés e manés.
Depois da etapa Cidade do Cabo-Cochin, encerrada há alguns dias, começou no último sábado a terceira etapa, Cochin-Cingapura, prometendo bons ventos e boas disputas para os quase 100 mil inscritos.
Começou e já acabou, graças a um bando de manés que inclui, é triste confessar, três amigos aqui do blog, o Sorel, o Sylvain B. e o nosso ombudsman Luiz. Eles e mais um grupo de espertinhos tentaram cortar caminho pelo norte do Sri Lanka, em vez de seguir a rota sugerida pela direção da corrida. O número de desavisados (400 barcos) assustou o comitê organizador, que resolveu cancelar a largada deste sábado e remarcá-la para amanhã. O texto de desculpas pela decisão é involuntariamente hilário e segue no Leia Mais. [Leia mais!]
18:38:56 - Zeno -

25 Agosto

Bueno

Achei meio caro o de R$ 26, 00

Pela primeira vez um restaurante é resenhado três vezes aqui no blog (o recorde anterior era do Chi Fu, duas vezes, o que demonstra o pendor oriental da casa). Para isso, foram necessários 3/5 da redação presentes à mesa. Sucintamente, pois:

-- a comida: como no finado A1 (nunca devidamente resenhado aqui, o melhor restaurante que freqüentei nos últimos anos), há aquelas porções variadas no balcão, esquema vapt vupt, que fazem a delícia dos mais afoitos. Beringela, carne de porco, kimchi (acelga apimentada), macarrão apimentado: muuuuito bons. O restante é só OK, incluindo a língua feita na hora que perde de dez, de cem, de mil, daquela preparada delicadamente pelo A1 (aliás, "delicadeza" é substantivo raro por aqui, influência quiçá do dono, ex-lutador de sumô). O mais criativo e inesperado é uma "caldeirada", três opções, com tempero impecável e que permite aos convivas, depois de terem degustado os ingredientes, enviar o troço de volta para a cozinha, pra mó de eles cozinharem um udon no caldo que sobrou.

-- a bebida: shochu. E basta. É o paraíso, mesmo que a 25 GL (não descobri se eles têm os de 40, realmente profissionais). Pra não falar do slogan da primeira garrafa bebida, shochu de centeio, que proclamava com orgulho: "It's better than delicious".

-- a fauna: como não gostar de um restaurante que oferece, na mesa ao lado da sua, 15 japonesas legítimas (não falavam uma palavra em português), embebidas em caipirinha, de microfone na mão, cantando os sucessos do Hit Parade de Tokio na semana passada? Como disse um conviva mais animado, em outra mesa ao lado da nossa, "é tudo pra casar - se elas já não fossem casadas".

Nota: 8 miojos, mas com o microfone na mão (ops) eu subo pra 9.

(Ah, sim, a foto acima, com as desculpas pela resolução, é do cardápio do restaurante. Boa sorte.)
21:15:12 - Zeno -

06 Janeiro

pinto, sempre pode piorar

Os três inimigos do homem
Ronco, barriga de chope e disfunção erétil andam juntos. [Leia mais!]
14:54:38 - George Smiley -

20 Janeiro

Cheek to cheek


"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo"

O'Donel Levy, o irmão preto e funkeiro do Drummond, gravou esse em 1973. Pra se jogar, lembra Jorjão?

01.Everything I Do Gonna Be Funky by DJ Mandacaru

06.Willow Weep for Me by DJ Mandacaru [Leia mais!]
23:04:55 - DJ Mandacaru -

05 Abril

Millôr, primeiro




Como ameacei, sem panegírico. O disco é do Quarteto 004, lançado num show que contou com a colaboração do Paulo Moura Hepteto, Baden Powell, Márcia, Eumir Deodato, Tom Jobim e Chico Buarque. O mestre de cerimônias foi o Millôr, no Teatro Toneleros num remoto 1968. [Leia mais!]
15:20:39 - DJ Mandacaru -

24 Setembro

Encerrada eleição no Ceará




Do correspondente do HZ em Fortaleza:

"Alucinação", primeiro disco de Belchior, de 1976, é o melhor disco cearense de todos os tempos.
A escolha é dos leitores do jornal "O Povo" e coincide com a opinião de um júri formado por dez profissionais da música do estado.
A notícia completa está aqui.

Se você não sabe do que estou falando, vai lá prá baixo. [Leia mais!]
10:45:36 - DJ Mandacaru -

22 Novembro

Por La Unidad de Latinoamerica




O homem das Valentinas anda meio desanimado com a música de nuestros hermanos latinoamericanos. Não sem razão, argumenta que fora Cuba e Argentina o resto é meio na base do tamborzinho, da flautinha. Concede um habeas corpus provisório (Joaquinzão me corrija se isso não existe) para algumas coisas chilenas e peruanas. E foi assim que me alembrei de Julio Jaramillo.

Equatoriano, nascido em 1935, Julio fez um sucesso em toda a América Latina difícil de ser equiparado até hoje. Menos no Brasil, claro, que a gente é gostoso pra caray. Botei no RAR uma série de reportagens bem bacanas que foi publicada no jornal El Universo.

Entre o final da década de 50 e meados da década de 70, Julio vendeu milhões de discos no Peru, Chile, Argentina, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Uruguai, além do seu Equador.

Apaixonado por mé (“¡Compadre, chupemos hoy porque a lo mejor mañana quiebran las fábricas de whisky!") e mulheres (teve 27 filhos reconhecidos), Julio papocou em 1978. O cortejo foi acompanhado por 200 mil pessoas em sua cidade Guayaquil, que na época não tinha um milhão de habitantes. [Leia mais!]
20:32:09 - DJ Mandacaru -

10 Abril

Bye, bye, so long

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Se você está beirando os sessenta, colega, pode botar luto. Só nos últimos dias, Annette Funicello e Sarita Montiel.

Se você está na faixa dos quarenta pra baixo, vai no Google. [Leia mais!]
11:28:51 - DJ Mandacaru -

18 Dezembro

Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958)

Não somos loucos de escrever um texto sobre um filme que já foi virado do avesso de tudo quanto é jeito possí­vel (menos de um especí­fico jeito, ahã, filosófico, mas esse palpite é tão bom que vamos guardar prum texto acadêmico a não ser escrito em futuro incerto). Pra quem não viu a pesquisa, o filme foi eleito ano passado o mais importante da história do cinema no ranking confiabilíssimo do British Film Institute em parceria com a revista Sight and Sound (naquela votação que acontece de dez em dez anos e que tem, a seu favor, a qualidade e a quantidade da amostragem dos consultados). Por que o filme aparece, então, aqui no Hipopótamo? Porque está sendo exibido em tela grande em algumas cidades do país e isso merece registro mais detido. Vamulá:

..a cópia exibida é digital, com padrão de qualidade blu-ray. "É melhor então assistir em casa?". Não, caro leitor, a não ser que você tenha uma tela de nãoseiquantosmetros na sala.

..o operador da projeção na sala do Shopping da Pompéia, em SP, deve ter se atrapalhado com os botões do controle remoto, porque a versão estava com legendas em português de Portugal. Funcionou como um layer a mais, sem dúvida. Sem falar no fato de que descobrimos como o filme se chama lá na Terrinha: "A mulher que viveu duas vezes", mais um item na imorredoura galeria dos tí­tulos de filme que entregam o plot, como o igualmente português "O filho que era a mãe" pro "Psicose" - mas esse é piada, porque o filme em Portugal se chama "Psico".

..havia 15 almas abnegadas na única sessão do dia, na sala 3 que comporta 198 comedores de pipoca, o que significa: corra, Lola, porque vai sair de cartaz antes que você seja capaz de dizer San Juan Bautista, o vilarejo que serviu de locação pra seqüência da torre.

..o que mais chamou a atenção graças à tela grande:

a) a paleta de cores deslumbrante, desde os menores objetos - almofadas verdes do apartamento de Scottie, por exemplo - até o vermelhão da Golden Gate na cena do mergulho (e pra quem gosta de análise conteudística de filmes, tem até maluco que fez associação entre cores e temas ao longo das diferentes cenas).

b) a trilha do Bernard Herrmann, que definitivamente carrega o filme nas costas nos momentos de suspense, muito mais do que quando se vê o filme na TV de casa. Aliás, ela não carrega o suspense - ela é o suspense. Veja-se, por exemplo, o uso dosado dela nas cenas em que Scottie vigia os passeios de Madeleine: os acordes surgem nas externas (museu, cemitério, etc) e desaparecem quando ele está dentro do carro, com a cidade em back projection. Outra coisa: as citações wagnerianas de Tristão e Isolda na trilha ajudam a dar densidade ao amor impossí­vel dos dois, com aquele palpite inconsciente que fica no fundo da cabeça do espectador, "hum, esse negócio não vai acabar bem".

c) o desempenho do James Stewart - os metros a mais de tela nos dão a certeza de acompanhar a paixão e a perversão corporificadas em um rosto, em gestos, em olhares, no tom de voz, enfim, naquilo que faz um ator ser genial.

..já perdemos a conta de quantas vezes vimos o filme, mas em todas elas a sensação sempre volta: o acerto de se antecipar a "revelação", o twist da trama, que acontece com 1h19min de filme, permitindo que o restante, quase 50 min, se ocupe do que realmente interessa, a montagem progressiva da obsessão que parte de uma espécie de zero psí­quico, isto é, da catatonia literal em que Scottie se encontra depois de perder seu grande amor, e que vai puxando fios e ecos de tudo quanto é referência que se possa imaginar, um leque que cobre Pigmaleão e Galatea, Orfeu e Eurídice, Proust, etc, sem esquecer da necrofilia e da suprema crueldade dos deuses que é dar de volta ao herói a amada morta para matá-la uma segunda vez. Que tudo isso, de quebra, termine com um dos planos finais mais arrepiantes da história do cinema, é só mais um tira-chapéu ao Velho Hitch.

..se a segunda parte se ocupa da obsessão, a primeira é a montagem da paixão, e de novo é preciso que o chapéu seja levantado: poucas vezes no cinema o recurso conhecido do "fazer a personagem masculina se apaixonar pela mulher misteriosa/Bonitona com Amnésia (copyright Tom Gauld; é a nova encarnação da nossa boa e velha Garota Tipinho Problemática) foi tão bem feito como aqui. Basta comparar as falas e atitudes de Madeleine com as de Judy, e que seja a mesma atriz a fazer as duas é novamente crueldade bem pensada: a primeira, lacônica, vaga, fugidia, "oh, onde estou?"; a segunda, bola pra frente, veio dos cafundós do Kansas, "ai que vontade de comer um bife!". Em qual cumbuca o pobre Scottie e quase a totalidade da minha agenda de telefones de amigos quer botar a mão?

..um último elogio a se ver o filme em tela grande: quando é que você vai ter outra chance de ver o suéter verde da Kim Novak estampado em generosos metros quadrados, em vez dos centímetros acanhados da sua TV? Se o cinema, já disse um sujeito muito mais esperto do que nós, "é a arte de mostrar mulheres bonitas fazendo coisas", não conhecemos exemplo melhor do que a Kim Novak zanzando pra lá e pra cá com aquele suéter.

..brinde final, pra quem teve pachorra de ler até aqui: amanhã postaremos a trilha do filme, na edição de 1996 do selo Varese Sarabande, dando prosseguimento ao pagamento de promessa feito ao nosso sabático DJ Mandacaru.
17:55:58 - Zeno -

12 Fevereiro

Pornô Nazi

Deu no Frankfurter Allgemeine : uma interessante polêmica literária está animando conversas de bar mais cultivadas do lado de lá do Reno. Um dos romancistas alemães da nova geração, Thor Kunkel, teve seu mais recente manuscrito, intitulado até agora “Endstufe” (“Etapa Final”), recusado pela Editora Rowohlt em função do tema que aborda. O livro romanceia um fato até pouco tempo desconhecido de boa parte dos pesquisadores do período nazista, a existência de uma pequena “indústria” de filmes pornô feitos durante o período da Guerra por setores, digamos, mais “hedonistas” do partido, biólogos e funcionários dos famigerados “Institutos de Higiene” da SS. A partir de uma pesquisa que durou quatro anos (e que teve como ponto de partida um pequeno documentário do genial Alexander Kluge), Kunkel vasculhou arquivos, procurou centros de documentação e chegou a entrevistar uma das atrizes da época, hoje morando num simpático asilo nas cercanias de Hamburgo. A editora não quis dar detalhes da recusa, e o resenhista do Frankfurter Allgemeine, que teve acesso ao manuscrito, faz defesa da publicação imediata do romance. Alguém se candidata por estas bandas?
11:01:55 - Zeno -

04 Março

Rio Vermelho (1948)

Rio Vermelho pertence àquele nobre grupo não muito oscilante de 5 ou 10 melhores westerns de todos os tempos, um gênero, diga-se, cuja nobreza está estabelecida há pelo menos uns cinqüenta anos, desde que os jovens turcos do Cahiers du Cinéma mostraram que havia ali mais do que simplesmente homens brancos matando índios aos borbotões. Além disso, o diretor do filme, Howard Hawks, também figura em qualquer listagem honesta dos 3 (vá lá, 4) maiores cineastas da história do cinema. O fato de o filme ser um monumento em celulóide, com um conjunto fortíssimo de idéias, personagens e situações embrulhadas numa mise-en-scène ao mesmo tempo seca e exuberante, acabou ofuscando um pequeno tema paralelo que aparece em duas cenas do filme e que depois faria (má) história dentro do próprio gênero do western e do cinema americano posterior. [Leia mais!]
14:37:37 - Zeno -

13 Novembro

lista de blogues afazeres&azias antes quéu'squeça, deporre

1- a 'bomba de gestão retardada' do serra destruindo mais um lugar de cuidamento do estado da arte de sampa, agora em botucatu, p/ não deixar ninguém exquilo-sê-lo até 20000010.9, que cara exquerdocroto esse, seu, vim p/ cá p/ ter sussego e até aqui o pentelho aparece, alguém tem que comê-lo, pô, cadê as carla bruni desse lugar? pô.
2- maravilha, qdo ela me falou que o meu lado esquerdo do cérebro era um açougue, e que o direito é que a entendia, era o sábio oceanico e eu entendi que era occitanico
3- o jeroem (iurrúm, em portugues)1* na vogue desse mes, logo no começo da revista, assim, meio p/ esquecer, mas numas, c/ aquele monte de gatinha depois
4- respostas ao 'fotofôda-se' 2* do 'hippo in loco', por conta da poucavergonha das instituição do bananão e o fugidio dos humor, provavelmente frustrados cum tamanha dizfarça-tez, des-machadiando-se por conta dum bon'de filhadaputa disgraçado fodendo=nos; lembrar do 'chill out' dos moleques, mt bom na mesma e melhor linha das minha respostaeventual à respeito
5- e dez-graças ä tudo que seja vezjga, em desasossego existencial profundo e sempre, nets da udn, ô gente 'atraente' nos bar e chata que chata em sociedade, que caras desagradáveis, sô, como não têm papo, só grana, incrível
6- conversar c'os amigo/as e afins/as sobre a próxima geração de 'leaders' pestedebistas, de 5a todos - fodidos enfim, sem pais nem país, tudo da mior formação do que'stão doidos prasquecer agora, sem ideomãegia: só pudêsubrevivê nesse mardemendes
7- lembrar do seu carlos -sacando quase-além da linha, mais uma vez; lembrar: qdo a grana e/ou o caminho for suficiente- tem que 'chill out', pular fora, a idade/experiencia não adianta nada se a burrice continúa institucional, a gente sempre morre nesses enredo
8- lembrar e prestar mais atenção nos pormenor, que anda e nos in(a)daga
9- sempre respeitar os que vêem vindo a se tornar idosos, pq. qto mais verbo no meio, mais retarda as conclusão/co-oclusão, seja dentária ou sedentária

1*da famiglia koolhaas, mas o recado dele, ali, é p/ ela, daí a graça.
2*contra as photo-opporttunnitty da era neora-liberal que se encerra a simesma, nesse exato instante.
00:11:48 - George Smiley -

10 Dezembro

Lista cinéfila de fim de ano

Os Cahiers du Cinéma publicaram recentemente um livro bacanudo, editado por Claude-Jean Philippe, com o título Cem Filmes Para Uma Cinemateca Ideal. A partir de uma consulta a 78 críticos e historiadores de cinema, foi feita a lista dos cem filmes, lista que segue abaixo e no Leia Mais. O número ao lado de cada filme é o total de votos obtidos. Na contabilidade final, alguns suspeitos de sempre, muitas novidades e surpresas. O perrengue, como sói, é fazer a tradução mental do título francês para descobrir de que filme se trata.

Citizen Kane (Orson Welles) 48
La Nuit du chasseur (Charles Laughton) 47
La Règle du jeu (Jean Renoir) 47
L’Aurore (Friedrich Wilhelm Murnau Murnau) 46
L’Atalante (Jean Vigo) 43
M. le Maudit (Fritz Lang) 40
Chantons sous la pluie (Stanley Donen et Gene Kelly) 39
Vertigo (Alfred Hitchcock) 35
Les Enfants du Paradis (Marcel Carné) 34
La Prisonnière du désert (John Ford) 34
Les Rapaces (Eric von Stroheim) 34
Rio Bravo(Howard Hawks) 33
To Be or Not to Be (Ernst Lubitsch) 33
Voyage à Tokyo (Yasujiro Ozu) 29
Le Mépris (Jean-Luc Godard) 28 [Leia mais!]
12:33:30 - Zeno -

25 Maio

Os Fresquitinhos e o mundo que já não é

O valoroso camarada Sergio Leo propõe uma discussão interessante no seu sítio, sobre a vilanização da imprensa brasileira. Seus argumentos, embora sólidos, estão incompletos, na nossa modestíssima visão.

Faltou ali assinalar que pluralidade de opinião é fenômeno recente numa indústria controlada, aqui, por algumas famílias, que aqui, por razões ilustrativas, chamaremos de Fresquitinho (de Frias, Mesquita e Marinho). Veio há coisa de cinco anos, com a consolidação da internet e seus blogues, nos quais, sim, se pode ter alguma visão menos monolítica da realidade. Antes desse advento, a verdadeira Voz do Brasil era na verdade o Jornal Nacional. Nostalgia desse tempo eu não tenho; o comportamento de alguns veículos, notadamente a Veja e a Folha, indica que eles, sim, têm. Perderam o mando de campo e com ele o senso de loção. A velocidade com que as coisas se transformaram os pegou (vem pegando) de calças curtas, e tem sido uma atividade edificante vê-los estrebuchando sobre pautas em que antes apenas imperavam. Desnecessário citar exemplos.

Agrava o fato de que, como de resto para qualquer outra atividade, haver no Brasil pouco ou nenhum tipo de controle social. A simples menção desta expressão deixa os Fresquitinhos com urticária no lado direito do corpo, mas esse expediente é corriqueiro em qualquer outro país, com qualquer espectro ideológico no poder: uma TV pública (favor não confundir com estatal), com taxa de financiamento, alguma restrição legal à formação dos monopólios, péssima qualidade dos cursos de formação de jornalistas (que se aferram numa pretensão "superioridade ética" dos formandos para perpetuar a exigência legal de um anacrônico diploma) etc.

Aliado a um baixo nível de alfabetização e de senso crítico e tendo o Pai Estado como maior anunciante, tem-se aí uma combinação de fatores que faz do Brasil um país singular (como se não bastassem as demais singularidades) na sua relação com a mídia.

Evidente está que ninguém sabe onde isso vai dar —há um outro fato importante nessa equação que é o completo autismo também das agências e anunciantes que fundamentavam esse modelo de negócio—, mas será interessante ver a evolução (involução) das coisas pelos próximos cinco anos.

Se este Zeno não sucumbir até lá, podem voltar aqui e e reclamar com a gerência. Se prosperarmos e nos transformarmos num grande conglomerado de mídia, vocês tão é fudidos.
13:26:49 - Pinto -

28 Julho

O bom humor da raça de humoristas do CQC

Somos um país tão carente de ídolos quanto de Justiça. Quando ambas as carências superpõem, eis aí uma combinação perigosa.

Há tempos observo a evolução do humorístico CQC, um programa de matriz argentina, que, disfarçado com verniz moderninho, promove na TV o mesmo justiciamento que os programas mundo cão pelo Brasil afora.

Sim, ocupam aquele espaço de vespertino de ninguém na grade das "praças". Neles, explorando o pouco espaço de programação disponível, cada emissora faz a "crônica policial" que lhe cabe em busca da minguada receita local de patrocínio: expondo pessoas ao ridículo em pegadinhas mais ou menos bem produzidas, fazendo pouco da miséria alheia, "defendendo seus direitos".

O CQC desata a fazer a mesmíssima coisa de forma "inteligente", com um inegável apelo a uma juventude de classe média dos grandes centros, tão despolitizada quanto alheia à repetição desse fenômeno nacional. Seu quadro "Proteste Já" é exemplar: nele, um dos apresentadores (humoristas?) do programa defende "meus direitos" ante um político acusado de corrupção, um serviço público ineficiente, uma empresa velhaca que não cumpre o que promete (e que não se chame Telefônica, não por acaso patrocinadora de Marcelo Tas, o apresentador do programa...). Sempre, claro, com um tom de deboche que denota antes um apelo fascistóide do que propriamente inteligente.

Num dos episódios, um dos apresentadores chegou às vias de fato com um empresário acusado de um trambique qualquer. Um mesmo sujeito faz as vezes de jornalista, humorista, promotor, juiz, galã, "formador de opinião", mobilizador das massas, blogueiro independente e garoto-propaganda de marcas sólidas como Pepsi, Skol, Nokia e Telefônica.

O narigão-de-cera aí de cima é para contextualizar o que segue. Um dos apresentadores do CQC, Danilo Gentili, num infeliz comentário no Twitter agravado por um post em seu blogue, expôs a real mazela desse deboche. A piada infeliz do humorista está aqui, infelizmente sem permalink, sob o título "Um Post Racista" (reproduzido abaixo no Leia Mais por conta disso). O que eu realmente gostaria de ter escrito a respeito o Tulio Vianna já o fez, aqui, explicando como o riso pode servir de arma para covardia. Com um adendo: na sua "bem-humorada" ignorância, Gentili aplica a seres humanos o conceito literal de "raça" (diferentemente do empregado no título deste post, frise-se), algo contestado em qualquer livro de Biologia do Primário, mas incólume nesse tipo de blague.

Tire suas conclusões. O rapaz já se protege de qualquer crítica travestindo-se de humorista, não de justiciador, alegando patrulhamento politicamente correto. Eu ponho minha fantasia de Regina Duarte e digo que tenho medo disso aí. E gostaria muito de saber o que pensam Pepsi, Skol, Nokia, Telefônica e quem mais vier sobre o episódio.

Em tempo: mais, aqui. [Leia mais!]
09:36:15 - Pinto -

05 Março

Poesia feito imagem



Detenha-se 15 minutos e assista acima a "Câmara Viajante" (2007), um quase-documentário premiado de Joe Pimentel sobre os retratistas que perpetuam a imagem dos romeiros no Sertão do Ceará. Uma categoria de profissionais a caminho da extinção, cujo trabalho contrasta com a banalização das imagens dos dias de hoje e convida a uma série de reflexões. Não bastasse a beleza intrínseca do tema, o registro é lirismo em estado mais puro, com fotografia do grande Tiago Santana e pesquisa histórica de Valéria Laena.
09:34:02 - Pinto -

09 Março

Os intelectuais e a escravidão da mídia

É salutar, a nosso juízo, a aproximação da mídia aos ditos intelectuais, orgânicos ou inorgânicos, desse Brasilzão sem porteira. Eles cumprem a função de dar densidade analítica aos órgãos que os acolhem, coisa que os jornalistas abrigados nos mesmos órgãos em geral não logram fazer; quando logram, o patrão não lhes permite publicar, mas divago. Nesse processo acabam projetando a imagem da academia a que pertencem, numa simbiose que em tese interessaria ao País.

O problema disso tudo, a nosso juízo, é a restrita seleção de pensadores escalada para o papel de referendar uma ou outra, digo melhor, somente uma particular cosmovisão ao leitorado. São sempre os mesmos nomes, meia dúzia deles, e a julgar pelo expediente que têm dado nas redações (e pela resultante de seus pensamentos, por conseguinte) uma das hipóteses vem ocorrendo, ou todas: 1) demitiram-se da sua condição de "intelectuais", pela falta de tempo ou por incompatível com a experiência midiática; 2) diluem seu raciocínio de forma a compatibilizá-lo com, por exemplo, o dos jornalistas da página 2 da Folha (Eliane Cantanhêde, Clovis Rossi, Josias de Souza, Fernando Rodrigues etc.), e assim perdem a completa inteligibilidade; 3) avatares lhes tomaram o assento, porque quem raciocina mesmo não conceberia escrever aquilo lá.

Numa extensão natural desse fenômeno, quanto menos os nomes selecionados, mais eles aparecem elucubrando sobre uma miríade cada vez maior de assuntos, e assim a lusitana roda. São temas que vão do alfinete ao foguete, mas têm em comum o fato de irem ao encontro da linha editorial dos tais veículos. Exceção feita ao professor Francisco Oliveira, fundador do PT e hoje intrigado com o partido, porque nesse caso convém.

Tome-se como exemplo o geógrafo Demétrio Magnoli, que usou a referida Folha, hoje, para criticar seus jornalistas —"criminosos"— o samba do crioulo doido que o senador Demóstenes Torres compôs sobre o tráfico negreiro (note que Demétrio e Demóstenes começam com DEM, e isso há de querer dizer alguma coisa, mas novamente divago). Não apenas o juízo do intelectual parece obnubilado (pelos plantões que dá na Folha, no Estadão e nos veículos globais, isso para não citar o Instituto Millenium, que é a somatória desses veículos?), mas o tom escolhido é de quem acabou de retornar de uma temporada no pelourinho com o couro ainda morno das chicotadas. Uma raiva incontida que brota do texto e não se coaduna com o papel de intelectual, ou quando muito de escravo forro, o que parece ser o caso. Decerto está trabalhando demais, ou não lhe pagam o que vale: a hipótese de trabalho escravo deve ser considerada, ainda que hiperrealista.

Outro é o historiador Marco Antônio Villa, já referido aqui. Quem não associar o nome à pessoa que ligue na GloboNews. Mais lhano que Magnoli, Villa será um sujeito franzino na ponta da bancada, com um blazer alguns números maior, tecendo alguma, qualquer uma, consideração contrária ao governo federal. É ele. A seu lado poderemos encontrar Miriam Leitão ou Monica Waldvogel, facilmente identificáveis pelos seus penteados e por fazer as mesmas intervenções, mas com entonação de pergunta; estas porém são funcionárias da casa e, de resto, não são intelectuais e não têm a obrigação de estar ali necessariamente para produzir alguma reflexão, mas novamente divago.

Um terceiro exemplo seria o cineasta Arnaldo Jabor, que foi revelado pela Folha como intelectual-cronista. Versatilíssimo, é capaz de discorrer sobre qualquer assunto com desenvoltura ímpar e aquela fanfarronice apocalíptica no semblante, sempre invocando Nelson Rorigues, com quem costuma dialogar em sessões espíritas, no que periga ser mais um modismo da categoria.

(Um quarto exemplo seria o filósofo Paulo de São Paulo, mas este por alguma razão anda meio sumido e fica de fora deste arrazoado.)

Magnoli, Villa e Jabor são o tipo dos intelectuais que eu levaria para uma ilha deserta. E os deixaria lá.

Restam as saudades imorredouras das intervenções dos professores de porte de J.A. Giannotti, Antonio Candido, Marilena Chauí (sim, ela mesmo) e outros menos votados. Estes se dão o respeito. E talvez por isso andem aparecendo tão pouco.
22:29:31 - Pinto -

19 Maio

Música funcional



Depois vocês dizem lá nos comentários se funcionou.
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17:36:24 - DJ Mandacaru -

04 Fevereiro

In memoriam



Foi só no finalzinho da última reunião de pauta que a polêmica explodiu. O redator-chefe, em avançado estado de embriaguez, garantia que a Mel Lisboa era filha do Nei Lisboa. Um outro, pouquinha coisa mais bêbado, berrava que não era, "era filha do...do...do...depois eu lembro...".

Lembrei: eu estava numa lojinha da estação de trem de Bento Gonçalves, fuçando uma estante com discos de música regional. O que me chamou a atenção foi o nome de Lucio Yanel. Argentino, puta violonista, já o tinha visto num show aqui em Sampa, onde foi acompanhado pelo seu aluno mais famoso, Yamandú Costa (vejam os dois arrasando em Adiós, Nonino). Mas o disquinho era muito mais: o Bebeto Alves cantando músicas do Mauro Moraes, com o Lucio no violão e o Clovis Boca Freire no contrabaixo acústico. Vejam aí as provinhas e o petardo como um todo.

01 - Chamamecero by DJ Mandacaru
04 - Do fundo da alma by DJ Mandacaru

E, sim, o Bebeto é o pai da Mel e só de sacanagem diz que ela é filha dele com o Nei Lisboa. [Leia mais!]
14:23:49 - DJ Mandacaru -

30 Maio

Barcelona e Manchester United em 3D

Vamos pular a parte do texto em que se defende o futebol nacional, em que se conta mais uma mentira sobre aquele jogo na Rua Javari, na década de 70, em que se discute a empolgação do XV de Novembro de Piracicaba naquela decisão contra o Palmeiras, com golaço do Jorge Mendonça. Vamos pular também considerações sobre essa esquisitice de molecada dos dias de hoje, que conhece a escalação + banco de reservas do Arsenal, do Sevilla, do – valha-me – Schalke 04. O que interessa: levei as três gerações, filho de 9 anos, pai de 47 e avô de 76, para conferir no sábado o tal futebol em 3D, Cinemark do Shopping Eldorado, primeira transmissão ao vivo de uma partida de futebol com aqueles óculos desajeitados, final da Copa dos Campeões da UEFA. Meus amigos, foi do grand caray. Primeiro, por conta de ver um jogo numa tela daquele tamanho. Segundo, porque o efeito do 3D, embora funcione marromenos quando a câmera abre, é sensacional nas tomadas em detalhe. Quarto, porque vende cerveja (!) dentro da sala de cinema, acho que por conta do patrocínio da Heineken (o que suscitou gritos de entusiasmo da platéia quando a informação foi anunciada, além de pedidos mais heterodoxos: “Vinho!”, “Uísque!”, “Garotas Semi-Nuas!”). Quinto, porque gerou piadas diferentes das de campo, “Pô, o Kleber do Palmeiras é melhor que esse Rooney aí!”, “Esse estádio de Wembley não lembra o Parque São Jorge?!”, e a melhor delas, “Chupa, Unicef!!”, quando saiu o gol do Manchester. Sexto, e mais não precisou, porque foi um jogaço, um espetáculo de um time iluminado como poucas vezes vi. Sétimo, vai, de lambuja, porque a cara do meu filho, consciente de estar bancando o pioneiro num troço tecnológico que ainda vai render muito pixel, essa, meus camaradas, não tem preço.
11:01:21 - Zeno -

26 Junho

Na pressão (apud Lenine, o nacional mesmo)


Nem precisei consultar o editor-em-chefe pra decidir: daqui pra frente o DJ que vos fala só trabalhará sob pressão.
Por exemplo, Jorjão e Guija se agarraram com o Henry 5 do Shakes pra medir o vento bravo. O velho cínico que habita minha edícula pensava: "E o Julio Cesar?".
Se alguém aí tiver paciência, pode ouvir trechos da peça, traduzida e gravada pelo Carlos Lacerda, em 1966.
Para entender o contexto do disco, seria bom dar uma passadinha pelo CPDOC da FGV (vocês vão precisar fazer um cadastro, mas vale a pena, vão por mim) e pesquisar o verbete do Corvo. Para ler a peça inteira, em inglês, o MIT oferece gratuitamente o catatau aqui. Se o inglês estiver muito pesado, o Spark Notes tem uma versão para o inglês moderno.

E para não dizer que não falei de flores ou do Henricão, uma versão de Full Fathom Five, com a Ute Lemper e a banda do Michael Nyman.

[Leia mais!]
22:00:58 - DJ Mandacaru -

21 Novembro

Critérios Inamovíveis do Bar Absoluto

Recebemos algumas reclamações sobre nossa Seção A Busca do Graal. Os céticos se perguntam: mas existe o Bar Absoluto? Os bairristas questionam: por que vocês não falam daquele bar na esquina de casa? Os palmeirenses querem saber: onde comemorar a volta à Primeira Divisão? Os mineiros interpelam: por que diacho estaria Ele localizado em São Paulo e cercanias - por pura predileção bizarra dos deuses? Para esclarecer a todos e tranqüilizar os pés-de-cana mais afoitos, decidimos revelar alguns dos procedimentos de avaliação utilizados por este blog. [Leia mais!]
12:21:30 - Zeno -

06 Dezembro

Relato de um sobrevivente

Os leitores que acompanharam as peripécias alcoólicas dos bares da Vila Olímpia, descritas neste blog há alguns dias, puderam perceber o traço definidor e derrisório delas: naquele lugar dos infernos, só havia amadores. O que acontece, então, quando o bebedume é arquitetado por profissionais etílicos do calibre de Álvaro P., Celso P., Milton B. e Ricardo K.? Tudo e nada, claro, porque a ingestão industrial de líquidos que durou das nove da noite às quatro da manhã fez com que as lembranças das conversas e dos lugares fossem parar em Dufftown, simpático vilarejo escocês nas cercanias de Aberdeen. [Leia mais!]
11:05:01 - Zeno -

10 Janeiro

Eu me lembro

Eu me lembro de um vôo Frankfurt/São Paulo, última fila no fundão do avião, dos bons tempos em que se instalava ali uma filial de Cubatão e a fumaça dos cigarros encobria civilizadamente a entrada dos banheiros. Do meu lado, na mesma fileira, um austríaco de Viena que visitava freqüentemente o Brasil e um suíço de Genebra que também já havia estado abaixo do Equador, ambos boas-praças e divertidos. Quatro uísques cada um e vinte mil pés de altura depois, começamos os três a xavecar as pobres aeromoças. O austríaco, resgatando o donjuanismo das águas escocesas, teve a idéia: "Você que mora em SP pergunte a elas onde, em geral, costumam ficar hospedadas as aeromoças em trânsito, quanto tempo, em geral, elas ficam na cidade, e, principalmente, qual é, em geral, o nome e o número de telefone das três mais bonitinhas."

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
07:47:00 - Zeno -

09 Novembro

Vicky Cristina Barcelona



Tem gente que acha que ele ficou preguiçoso, outros que trabalha demais. Eu continuo adorando seus filmes. Dificilmente seus personagens não me atraem, mas sempre achei que são os diálogos, ou os pequenos monólogos em dupla, que desde Alvy Singer (Annie Hall) fazem valer o ingresso.

Ontem fui ver Rebbeca Hall, Scarlett Johanssen, Penélope Cruz e Javier Bardem em Vicky Cristina Barcelona, assim mesmo, sem vírgulas. Filme de altos e baixos, daqueles que personagens em férias experimentam aventuras e contrapõe culturas a nivel de clichê, se é que vocês me entendem. Penélope está linda e ótima, como sempre, fazendo papel de artista louca que mulheres e homens desejam mesmo que, alguns, de modos e por razões diferentes. Javier é aquele homenzarrão bruto, de barba mal feita e sedutor que mulheres e homens desejam mesmo que, alguns, de modos e por razões diferentes. Scarlett é uma gringa loira e maluquinha que experimenta a bissexualidade sem culpa e que mulheres e homens desejam mesmo que, alguns, de modos e por razões diferentes. E a estreante Rebeca Hall a americana travada com noivo certinho tentada a ceder à paixão numa cidade exótica e que ninguém deseja de fato. Mas e daí? Apesar disso tudo a história não é óbvia, o filme segue em paz contando as férias e aventuras amorosas das duas e o narrador, sim, temos um narrador, antecipa as cenas na medida certa, ironizando a conta-gotas a situação dos quatro. É uma comédia e eu ri. Algumas vezes, confesso, de nervoso.

PS: Rebbeca é linda e segura o filme. Mesmo os piores detratores admitem o faro de Woody Allen para estrelas, cadentes inclusive.
23:50:54 - Sorel -

04 Março

De caboca@sontag.org para gaspari@fsp.ditabranda.br

Estimado jornalista,

Permita-me apresentar-me: sou uma entidade que vez em quando baixa aqui neste terreiro para tecer comentários ("Dar pitacos sobrenaturais", segundo meus colegas), a maioria deles relacionados a imagens, uma de minhas paixões. Manifesto-me desta vez sobre esta em particular. Não vou aludir ao abaixo-assinado nem à chacrinha que farão realizar sábado defronte ao prédio da Barão de Limeira, ambos já de domínio público, pois não sou afeita a mundanidades.

Fixo-me na imagem. Um jornal dos que o subvencionam e já se disse "o das Diretas" logrou este impensável: subverteu um ícone dos Anos de Chumbo e o tornou objeto de escracho não contra quem o produziu, mas contra quem deveria combatê-lo antes de qualquer coisa. Compreenda-me bem. Não me incomoda o escracho em si. À memória do Vlado dano pior fizeram os milicos. Tento aceitar, embora seja difícil, que justo um jornal tenha sido a força-motriz dessa guinada semântica. Sei do constrangimento que isso causou intramuros. Imagine então o constrangimento aqui fora, diante da pena de Eliane Cantanhêde, Josias de Sousa e outros luminares de igual quilate. Onde haverão de buscar indignação contra a vocação ditatorial do companheiro Lula depois dessa? Já ganhei uns caraminguás cometendo textos para a grande imprensa e creia-me: não há sensação pior para um jornalista que se ver diminuído à escala com a qual adoramos medir os donos do poder. Este episódio nos deixou menor que eles, de um tamanho tão minúsculo que certamente escapará até da miopia seletiva do ombudsman Lins da Silva. Seu antecessor, Mário Magalhães, não deixaria por menos, mas ele sintomaticamente pediu o boné.

E isso tudo, ironia das ironias, a pretexto (não haverá outro até 2010) de fortalecer a candidatura de uma notória vítima da tal ditabranda. Diga-se o que se disser de José Serra, mas enquanto editorialista da Folha ele jamais sonharia rascunhar absurdo parecido.

Deve ser duro para você, um dos poucos sujeitos desse metiê com quem arriscaria debater alguma coisa em pé de igualdade, submeter-se a tal desmoralização por quem lhe dá guarida às idéias. E agora, como fica? Ensinar que isso é coisa para admiradores da doutrina Pinochet, correndo o risco de ser demitido como um foca que escrevesse Golbery com i? Ou botar a viola no saco e fazer como quis a Redentora com o Vlado, suicidando a notícia? Assim como não há ditaduras brandas, não existem mais jornais como os conhecíamos. Falta alguém dar a boa-nova às redações, e quem sabe você possa fazê-lo.

Decisão difícil. Lembra do Claudio? Em pé naquele aquariozinho dizendo a quem quisesse ouvir: "Nós aqui emprestando dignidade a esses sujeitos, que se não fosse por nós não envergariam nem paletó". Abramo era, sobretudo, elegante. Aqueles tempos também eram.

Mas eram, de fato, outros tempos. Na faculdade a gente aprendia que não existe jornalista sem jornal. Continua verdade em parte. Tome aquela colunista econômica que virou social (ou seria o contrário?). Substitua-a por uma chimpanzé que saiba catar milho e os leitores não haverão de perceber a diferença, exceto talvez pela foto do cabeçalho. Por isso é que hoje é coisa rara encontrar jornalista mesmo nos jornalões e nas revistinhas, cada vez mais parecidas com o armazém de secos e molhados da máxima abrâmica. Recordo-me agora de você e do Jânio e, sem forçar a memória, de ninguém mais. Por essas e por outras vão defender seus trocados longe desse vexame.

Talvez seja a sua hora. A realidade há 10, 15 anos, sem esse terror das ditabrandas que é a internet, era bem outra, e arreganhos como o da Folha teriam caído no vazio. Hoje não mais, e sujam a barra de gente briosa como você. Lembro-me agora de um site com sua assinatura antes de existir o que conhecemos como blogosfera, e pessoalmente lamentei muito a sua morte prematura. Cogite retomá-lo pelo bem de nós leitores pensantes, embora respeite suas razões caso contrário. Só não vá fazer como seu colega Clóvis Rossi, essa sempre tonitruante voz em defesa da democracia, de quem nesse episódio não se escutou um cacarejo. Hoje ele concluiu: "Política brasileira está sem pé nem cabeça". Eu acrescento: à imprensa, faz algum tempo, só restou o pé.

Despeço-me, e assim viveremos agora.

Susan.

PS 1 — Relutei enviar-lhe esta missiva porque, depois da letra ferina da professora —"Ninguém lê editoriais, mas as pessoas lêem cartas à redação"—, achei que seria chover no molhado. Mas o fiz em consideração, por pura afinidade intelectual.

PS 2 — Sem precisar puxar muito pela memória recordei-me da Dorrit, sua doçura e seu caráter, e a cito para não cometer uma injustiça íntima. Eis aí não apenas um texto brilhante como cada vez mais raro. Recomende-me a ela muito efusivamente.
23:31:15 - Pinto -

01 Março

Cine Torrent News Update

Estou com o cabôco Rubens Ewald manifestado aqui (antes ele que o exu do Zé Wilker) e tenho a declarar o seguinte, zinfios:

1. O que achei de Slumdog Millionaire, e não consegui expressar direito, a sempre acima de média Ana Paula Sousa, da CartaCapital, escreveu esta semana: tem graça na primeira metade e depois vira refém da própria fórmula. Um aceno política e economicamente correto para a Índia, com direito a média com a muçulmanidade. Sempre me lembro de Bhopal nessas ocasiões. No entanto, a trilha sonora não sai da minha eletrola. Alá é grande e A. R. Rahman vai para o trono.

2. Kate Winslet, abençoados sejam seus seios naturais, já disse a Oprah, mas atriz mesmo é Meryl Streep, em Dúvida e sem dúvida. A eterna mocinha do Titanic levou porque O Leitor, filme por filme, é superior ao primeiro, um enredo chochinho que funciona como pretexto de boa direção, fotografia e caracterização de época, e terreiro para dois cavalos-de-santo: a dita Streep e Philip Seymour Hoffman. Kate, vista a roupa, meu bem.

3. Valquíria tem um mérito. Não deixar mais dúvida sobre a canastrice cientológica e antológica de Tom Cruise, só não superada pelo rapaz que faz o Hitler e, como o próprio, deve ser condenado ao desprezo perpétuo. Como filme até que empolga, mesmo sabendo-se de antemão que é o mocinho, e não o bandido, quem morre no fim.

4. Milk, não. Sean Penn. Per brindare a un encontro... Cavalo-de-santa, no caso. Ou de Sant. Gus Van Sant. Belo filme. Mas Frank Langella em Frost/Nixon, outro obliterante caso de entidade mediúnica, também vale a vista e os confetes. Pode não ter todo o glitter lácteo, mas ainda conta com o ar da graça de Rebecca Hall, ladies and gentlemen.

5. A propósito, O casamento de Raquel é Johnathan Demme tentando ser Bergman. Prefira sempre o original sueco, mas eis aí um belo roteiro e uma direção exímia. Somos discípulos de Anne Hathaway como fomos de Debra Winger, de quem a idade não cobrou tanto pedágio quanto as rodovias paulistas cobram de mim. Rosemarie DeWitt, a personagem do tíulo, tem uma semelhança tão grande com a Debra Winger dos áureos tempos que seria o caso de um Oscar para a categoria casting. Fica a sugestão para a Academia.

6. Wall-E. Aquilo mesmo foi feito pela Disney? Preciso rever meus conceitos. Uma semana nos parques da Flórida não me faria mal.

7. O ninho vazio, do nosso nunca, jamais devidamente festejado Daniel Burman,que não larga mão do seu xará Daniel Hendler, agora como co-roteirista. O casal não foi convidado para a festa do Oscar sabe-se lá por quê, mas o filme é tão bom que, a alturas tantas, quando vai ficando ruim, volta num átimo a ser muito bom. Cecilia Roth é minha pastora, nada me faltará.

8. Forrest Benjamin Button. Tenho preguiça até de escrever o título inteiro, que dirá de ver a película.

9. Instado por um amêgo meu, vocês não conhecem, não —e falando em sueco—, vi Let The Right One In e em verdade vos digo: apesar do final um tanto démi-bouche (com os caninos de fora), não tem Crepúsculo que o ofusque. Vampiro sangue bom é ali. Kåre Hedebrant é a mais bela face masculina do cinema escandinavo desde Björn Andrésen e seu Tadzio de Morte em Veneza, de 1971 —e veja lá que a concorrência não tem sido mole. E essa menina Lina Leandersson é o que antigamente se chamava de monstro das artes cênicas, com duplo sentido.

E agora, se me dão licença, vou ali cantar pra subir.
00:46:35 - Pinto -

08 Abril

O sexo e a cidade

tava vendo a carrie olhar pro adrian 9eles tinham terminado pq ela traiu ele com o big) no dia da inauguracao do bar dele com o steve. ele fumava do lado de fora. justo ele que np inicio do relacionamento disse que nao poderia ficar com ela pq ela fumava. e lebrava que a assembleia acabou de aprovar a lei que proibe o fumo em lugar publico.

quer saber? eita mundinho babaca que a gente ta criando.
01:40:36 - Lama -

05 Maio

Heróis

Tenho um amigo que trabalhou no Congo, nos campos de refugiados na fronteira com a Ruanda. Médicos sem fronteiras. Estudou na que é provavelmente a melhor faculdade de medicina do Brasil. Pediatria. Cinco anos depois estava na África, em 1994, auge dos conflitos que mataram 800 mil hutus e produziram 2 milhões de refugiados. Mestre e doutor em saúde pública. Penso nele. Acabei de assistir Hotel Ruanda pela 2a vez. Odeio ver esse filme. Me lembra como sou cínico, como minha indignação é pueril. Antes estava numa reunião com dois pares de eleitos pelo povo. O assunto era a crise no congresso e a reforma política. Sai antes que acabasse. Não consegui me livrar da sensação de inutilidade daquela conversa, fiquei impaciente e fui embora. Se um deputado, dos bons, me olha com cara de impotente, fico pensando quem sou eu pra fazer alguma coisa. Ontem eu vi Tropa de elite. Tenho dormido pouco.
03:02:30 - Sorel -

18 Novembro

Um post misógino

ABIERTA LA INSCRIPCION ÚLTIMOS LUGARES !!!!!

CURSO DE FORMACIÓN PARA HOMBRES

(VACANTES LIMITADAS)

SEDE: INSTITUTO DE FORMACIÓN HUMANA EN DEFENSA DE LA BUENA CONVIVENCIA.

Objetivo pedagógico: Curso de formación que permite a los hombres desarrollar esa parte del cuerpo del que ignoran su existencia, es decir, EL CEREBRO.
Los costos los pagarán sus adorables mujeres agradecidas, una vez aprobado cada módulo.

* MÓDULO 1: CURSO OBLIGATORIO Y PROPEDÉUTICO 1. Cómo aprender a vivir sin su madre (2000 horas).

2. 'Mi mujer NO es mi madre, NI es la criada (3000 horas).

* MÓDULO 2: Vida de a dos.
1. Cómo tener hijos sin volverse celoso (150 horas).
2. Cómo superar el síndrome de pertenencia sobre el control remoto (550 horas).
3. Técnicas para NO mear fuera del inodoro (300 horas). OBLIGATORI0. Ejercicios prácticos en DVD.

1. Cómo entender que los zapatos nunca van solos hasta al closet (800 horas) 2. Cómo llegar hasta el canasto de la ropa sucia sin perderse (500 horas).
3. Cómo sobrevivir a un simple resfriado sin agonizar. (100 Horas

* MÓDULO 3: TIEMPO LIBRE
1. Cómo planchar una camisa en menos de dos horas (ejercicios prácticos).
2. Cómo digerir cerveza, gaseosa ó cualquier otra bebida sin eructar en la mesa (ejercicios prácticos, con un experto gastroenterólogo como invitado).

* MÓDULO 4: Curso de Cocina
Nivel 1 (principiantes): Los electrodomésticos: ON= encendido, OFF= apagado.
Nivel 2 (avanzado): Mi primera sopa instantánea sin quemar la casa. Ejercicios prácticos: Hervir el agua.

CURSO INTENSIVO: POR RAZONES DE DIFICULTAD Y DE ENTENDIMIENTO DE LOS TEMAS, EL CUPO ES DE MAXIMO DE 8 PARTICIPANTES.

crdt: anaconda [Leia mais!]
09:18:12 - Lama -

04 Janeiro

Post gracinha



Já que o George lembrou da moça, um disquinho dela pra começar o ano. Hebe é de 1967, ano em Chico já era ídolo nacional, mas podia ser gravado ao lado dos jovemguardistas Martinha e Roberto Carlos. O supramencionado redator irá às lágrimas, tenho certeza, com Maria, Carnaval e Cinzas.
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01:16:05 - DJ Mandacaru -