:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


Procura



Resultado da procura

05 Julho

Mr. Arkadin/Confidential Report

Melhor que o Ronaldinho Gaúcho

Vale cada caraminguá, principalmente se for para curtir a ressaca da Copa: por 50 doletas, no site da Criterion, por 40, no site da Amazon , ou por 217 reais na minha, na sua, na nossa CD Point, pode-se levar pra casa a demente edição especial que a Criterion preparou para o filme "Grilhões do Passado", do Orson Welles. O pacotão vem com três DVD's, cada um apresentando uma versão/corte diferente do filme + um livro (!), o romance que Welles teria escrito (ou não) a partir do roteiro do filme e de uns scripts para uma série de rádio inglesa. Mesmo quem não conhece o filme, e no ranking dos melhores filmes do Welles ele não deve figurar lá em cima, já deve ter ouvido falar da cena em que Welles, mais uma vez fazendo um papel-maior-que-a-vida, recita num baile de máscaras a fábula do escorpião e do sapo ("Mas por que você me aferroou?", pergunta o sapo quando os dois estão afundando no rio, "I can't help it; it's my nature", responde o escorpião). Há muitas outras falas memoráveis, (cito de memória - sic) "Infelizmente a atividade criminosa tem estado nas mãos de amadores há mais de dois mil anos", ou a minha preferida, a fulana pergunta prum sujeito "Você se lembra de mim?", e ele responde "Nunca me lembro de uma mulher bonita. They're too expensive". Somente o imbróglio da autoria do livro citado e das diferentes versões dá para alimentar várias noites de cinefilia insone, sem contar que os extras, ah, os extras, são de babar: entrevistas com um monte de gente, incluindo um ótimo depoimento do ator Simon Callow (de Quatro Casamentos e um Funeral), que tem um livro sobre Welles publicado, cenas não incluídas em nenhuma das versões, três episódios da série radiofônica, comentários em áudio do queridinho aqui do blog, o maior crítico americano em atividade, Jonathan Rosenbaum (que está prestes a lançar um livro sobre o Welles), etc, etc, cliquem-nos-links-e-vejam-por-conta-própria-etc. Como não poderia ser diferente numa edição da Criterion, a qualidade da imagem nos 3 DVD's é espetacular, e ainda de quebra você resolve de uma vez por todas como é que se pronuncia um dos títulos do filme: é Mister ArkÁdIn, e não Arkadã. No Leia Mais abaixo, o longo artigo de J. Hoberman que está no folheto dos DVD's e que é das melhores coisas que li sobre Welles nos últimos anos. [Leia mais!]
00:12:42 - Zeno -

20 Junho

A mais envergonhada



Vocês não estavam achando que, além da magnífica estampa, Rita ainda cantava, né?
A voz ali era da Anita Ellis, nascida no Canadá em 1920 e criada na Califórnia. Aos 17, ganhou bolsa para estudar ópera em Cincinnati, pagando as contas cantando em bandas locais. Só então descobriu que tinha o que gringos chamam de stage fright, o pânico de estar no palco, que, em alguns casos, literalmente paralisa o artista. No Brasil, os músicos dizem que "o cara amarelou".
Convidada para dublar atrizes que não sabiam cantar, Anita estreou logo com a canção inframencionada pelo Zeno e psicanalisada pela Captcha. Fez carreira no ramo e nunca perdeu o medo do palco. Se vocês têm interesse na vida e carreira da moça, há um belo ensaio sobre ela, do Whitney Balliett no seu livro "American Singers".
O disco aí embaixo foi tirado da gravação de um programa de televisão para a PBS em 1979, só Anita acompanhada por um craque no assunto, o pianista Ellis Larkins.
[Leia mais!]
15:15:20 - DJ Mandacaru -

26 Agosto

Almost blue

Chet Baker não foi o melhor trompetista do mundo (longe disso; pra não citar os óbvios, o Fats Navarro era much better).
Seu herói no instrumento foi, inicialmente, Bix Beiderbecke; depois, tentava mimetizar o som sem vibrato de Miles Davis (que, com a cordura que o caracterizava, disse certa feita: "sempre toquei melhor que Chet Baker. Até quando me entupia de heroína").
Como cantor, não tinha as sutilezas da divisão e a elegância do Sinatra, ou (aí é coisa séria) as modulações e beleza do timbre do Johnny Hartman.
[Leia mais!]
13:52:15 - hunter -

15 Março

Filmes, filmes e mais filmes

Já que o assunto é cinema, permito-me entrar na seara do Zeno Ewald Filho e sugerir os documentários, categoria em que o Oscar se permite algumas excentricidades. Num cine torrent perto de mim vi The Cove, o vencedor, e Food, Inc., um dos indicados. São dois filmaços que figuram na minha classificação de imperdíveis, e explico por quê.


O primeiro, sobre a matança de golfinhos no Japão, não tem a relevância global do segundo. Mas a maneira como foi filmado, a razão por trás da sua realização os truques utilizados pela produção para burlar a polícia japonesa (e neguinho acha que efeitos especiais são coisa de Avatar, tolinhos...) justificam o prêmio. Terminei o filme às lágrimas e, odeio dizer isso, recomendo com fervor de militante.



Convenientemente, Food, Inc. não levou: nao pegaria bem para a Academia premiar um filme que deixa em péssimos lençois empresas como Cargill, Monsanto, McDonald's e por aí vai. Ao contrário do primeiro, é mais quadradão na forma, mas não menos eficiente em disseminar uma mensagem fundamental. Um dos nomes que embasam o filme, Michael Pollan, é autor de dois livrinhos fundamentais para entender a industrialização dos alimentos: Em defesa da comida e O dilema do onívoro.

O curta de animação vencedor, o argentino Logorama, você assiste em duas partes no YouTube mesmo.
20:48:51 - Pinto -

30 Outubro

No tempo em que os mares do nordeste suspiravam pelos Mares do Sul

Serendipity. É a única explicação para eu ter acordado hoje cantando mentalmente "Dorothy Lamour", o clássico cearense da dupla Petrucio Maia e Fausto Nilo, que embalou a nossa saída da adolescência.
Desci pra tomar um café e abri um blog privado que visito diariamente, As Long As It Lasts. Primeiro disco: Dorothy Lamour - The Moon of Manakoora, uma ajuntadinho de coisas que ela gravou no auge da carreira.
Fui procurar nos tubos uma gravação do hit cearense e achei uma belezinha produzida pela Radio Educativa Mensagem. Enfim, pra quem gosta de sereias dos Mares do Sul, tem assunto que não acaba mais.



[Leia mais!]
13:46:56 - DJ Mandacaru -

22 Abril

O Haiti é lá e cá


attica.jpg

Mal comparando, foi uma espécie de Carandiru em Nova York. No dia 9 de setembro de 1971, começou uma rebelião no presídio de Attica. Os presos pediam, entre outras coisas, tratamento mais humano, o fim da violência policial, além de algumas exigências de caráter político.
Após quatro dias de negociação, o governador Nelson Rockfeller autorizou a invasão. Quando a fumaça desfez-se, 38 corpos estavam estendidos na prisão - 29 presos e nove funcionários.
Se vocês têm interesse no assunto, os links aí vão dar conta do começo da história.
Da parte que me cabe nesse latifúndio, gostaria de vos apresentar o disco do Archie Shepp "Attica Blues". Gravado quatro meses depois do massacre, Mr. Schepp nem fez muita questão de usar o seu approach preferido à época (que os críticos apelidaram de avant-garde). O que rola é um mostruário da música negra americana, sem preconceitos. Ouçam só aí a primeirona e me digam.

[Leia mais!]
16:17:43 - DJ Mandacaru -

18 Março

Round up the usual suspects, ou trivial variado

Dois dias se passaram desde o último domingo e ainda faltam mais cinco para o próximo, mas a constatação ouvida recentemente permanece: "A Páscoa chegou mais cedo para os sãopaulinos, depois do chocolate do fim de semana".

Graças à dica do Inagaki, espiamos o novo programa do Marcelo Tas ontem à noite. Marromenos, né? Tudo bem que seja "inspirado" por programa argentino, ainda que nenhum crédito tenha sido mencionado (na Itália, dizem-me, há outro igualzinho, mas com o acréscimo de uma gostosa no time de apresentadores – boa idéia, aliás), mas não dá pra assinar embaixo de programa que chuta cachorro morto, como o bloco com a Gretchen, ou que extrai piada derrubando de sacanagem um jarro de esgoto na mesa do paguá bem-intencionado da Sabesp. No lado dos acertos, trouxe a melhor piada televisiva do ano:
primeiro, imagens de Ronnie Von em seu programa, respondendo a um e-mail de telespectador que indagava se o fato de se sentir atraído por um amigo significava que ele, espectador, era gay. Ronnie, conciso, responde: "Significa", e passa ao próximo e-mail. Aí entra um dos apresentadores do programa do Marcelo e manda essa: "E por falar em homossexualidade, queria mandar um abraço ao meu tio Daniel". Sensacional.

E por falar em Inagaki (alô, Pinto, isso podia virar um bordão, hein?), não sabemos por que raios a gente não fala com mais freqüência de dois dos melhores blogs da rede, dois sujeitos batutas que há tempos vêm carregando nas costas ou em outras partes do corpo menos publicáveis boa parte do debate relevante e irrelevante dos botequins blogosféricos nacionais (e internacionais, no caso do segundo): Milton Ribeiro e Idelber Avelar.

Foi no Milton Ribeiro, aliás, que lemos a info que nosso homem-ônibus Franz também forneceu, de que a idéia de bombar o Google com os links sobre o Nassif veio de uma alma com o céu garantido, o pimpão Bender.

E foi também no Milton que descobrimos só agora (ah, a lentidão punheteira de um hipopótamo) a moça abaixo, Sara Tommasi, que, francamente, meglio silenciar.

Hã, hum, err, ah
09:38:57 - Zeno -

10 Dezembro

Lista cinéfila de fim de ano

Os Cahiers du Cinéma publicaram recentemente um livro bacanudo, editado por Claude-Jean Philippe, com o título Cem Filmes Para Uma Cinemateca Ideal. A partir de uma consulta a 78 críticos e historiadores de cinema, foi feita a lista dos cem filmes, lista que segue abaixo e no Leia Mais. O número ao lado de cada filme é o total de votos obtidos. Na contabilidade final, alguns suspeitos de sempre, muitas novidades e surpresas. O perrengue, como sói, é fazer a tradução mental do título francês para descobrir de que filme se trata.

Citizen Kane (Orson Welles) 48
La Nuit du chasseur (Charles Laughton) 47
La Règle du jeu (Jean Renoir) 47
L’Aurore (Friedrich Wilhelm Murnau Murnau) 46
L’Atalante (Jean Vigo) 43
M. le Maudit (Fritz Lang) 40
Chantons sous la pluie (Stanley Donen et Gene Kelly) 39
Vertigo (Alfred Hitchcock) 35
Les Enfants du Paradis (Marcel Carné) 34
La Prisonnière du désert (John Ford) 34
Les Rapaces (Eric von Stroheim) 34
Rio Bravo(Howard Hawks) 33
To Be or Not to Be (Ernst Lubitsch) 33
Voyage à Tokyo (Yasujiro Ozu) 29
Le Mépris (Jean-Luc Godard) 28 [Leia mais!]
12:33:30 - Zeno -

15 Dezembro

Westwärts schweift der Blick!

Para quem não se lembra, demos a dica, na semana passada, de um excelente e higiênico passatempo para seus dias na fiRma e suas noites com a patroa, a tar regata Volvo Ocean Race, que permite mesmo a manés que confundem bujarrona com recipiente para ponche a chance de navegar em volta do globo simulando as condições de vento, vela e percurso da famosa regata na vida real de mesmo nome.
Mas há manés e manés.
Depois da etapa Cidade do Cabo-Cochin, encerrada há alguns dias, começou no último sábado a terceira etapa, Cochin-Cingapura, prometendo bons ventos e boas disputas para os quase 100 mil inscritos.
Começou e já acabou, graças a um bando de manés que inclui, é triste confessar, três amigos aqui do blog, o Sorel, o Sylvain B. e o nosso ombudsman Luiz. Eles e mais um grupo de espertinhos tentaram cortar caminho pelo norte do Sri Lanka, em vez de seguir a rota sugerida pela direção da corrida. O número de desavisados (400 barcos) assustou o comitê organizador, que resolveu cancelar a largada deste sábado e remarcá-la para amanhã. O texto de desculpas pela decisão é involuntariamente hilário e segue no Leia Mais. [Leia mais!]
18:38:56 - Zeno -

20 Fevereiro

Cuando salí de Cuba

A turma já tocava junto desde 1973, mas foi só em 1980, quando ganharam um Grammy, que o Irakere deixou de ser conhecido apenas em Cuba e virou um grupo com reconhecimento internacional. Tão internacional que de vez em quando um membro aproveitava uma dessas excursões para largar a banda e Cuba. Paquito D'Rivera foi o primeiro de uma série que inclui até o Arturo Sandoval.
Bom, o disco que tá lá em baixo foi gravado numa dessas viagens de longo curso, na Suécia, em 1980, e lançado no ano seguinte.

A banda:
Chucho Valdés (teclados); Carlos Del Puerto (baixo e vocais); Enrique Piá (bateria e percussão); Jorge Alfonso(congas e percussão); Oscar Valdés (percussão e vocais); Carlos Emilio Morales (guitarra); Jorge Varona (trumpete, flugelhorn e vocais); Arturo Sandoval (trumpet, flugelhorn, trombone e vocais); Carlos Averhoff (saxofones e flautas)

As faixas:
1. Aguanile Bonko
2. 15 Minutos
3. Juan 1600
4. Iya
5. Valle de Picadura
6. Tres Dias
7. Irakere

Quanto à faixa 5, deixo a hermenêutica por conta de nosso editor.
13:59:29 - DJ Mandacaru -

25 Abril

I might have saved her; now she's gone forever!

"Será que dessa vez tu me arruma uma capa da <i>Contigo</i>, Zeno?"

De todas as atrizes shakespeareanas que passaram pelo sofá-crivo do nosso editor-em-chefe, nenhuma -- nem de longe -- tocou tão fundo a alma desse crítico de coração empedernido.
Jayne Mansfield, declamando poemas de Marlowe, Browning, Wordsworth, Shelley, Constable, Byron e William, com a música de Tchaikovski aclimatando o ambiente, é de empalidecer a atuação de, digamos, Regina Duarte ou Giulia Gam.

Depois do download, leitorado, qualquer um de vocês está mais do que preparado para enfrentar uma contenda com o Zeno.
Às armas, cidadões.
[Leia mais!]
16:43:15 - DJ Mandacaru -

27 Julho

O eterno retorno


É difícil, viu? Cidadão sai pra aproveitar período sabático (sem prejuízo de vencimentos, que o HZ é melhor que o Senado) e quando volta tá essa terra arrasada. Kassab bota pra esquerda ou pra direita? Era dona Nina escravocrata? O futebol é o crack do povo? Época é revista séria?
Não me entendam mal, todas são questões magnas. O que eu me pergunto é: quêde a fuleragem? A joie de vivre? A manteiga do último tango?
Só falta vocês começarem a se levar a sério. Oras!

Prum rehab rápido (dá tempo, Amy?), vai um negocinho no leia mais. Excursão bancada pelo governo prá divulgar a música brasilera "lá fora". Grupo formado majoritariamente por cearenses e adjacentes: Trio Irakitan, Sivuca, Pernambuco do Pandeiro e o nunca assaz louvado Abel Ferreira. Em 1958, que pra mim foi outro dia.

Se não estou muito enganado, a postagem original foi do Loronix, o blog mais bacana de música brasileira que frequentei, precocemente falecido. [Leia mais!]
21:20:02 - DJ Mandacaru -

26 Junho

Na pressão (apud Lenine, o nacional mesmo)


Nem precisei consultar o editor-em-chefe pra decidir: daqui pra frente o DJ que vos fala só trabalhará sob pressão.
Por exemplo, Jorjão e Guija se agarraram com o Henry 5 do Shakes pra medir o vento bravo. O velho cínico que habita minha edícula pensava: "E o Julio Cesar?".
Se alguém aí tiver paciência, pode ouvir trechos da peça, traduzida e gravada pelo Carlos Lacerda, em 1966.
Para entender o contexto do disco, seria bom dar uma passadinha pelo CPDOC da FGV (vocês vão precisar fazer um cadastro, mas vale a pena, vão por mim) e pesquisar o verbete do Corvo. Para ler a peça inteira, em inglês, o MIT oferece gratuitamente o catatau aqui. Se o inglês estiver muito pesado, o Spark Notes tem uma versão para o inglês moderno.

E para não dizer que não falei de flores ou do Henricão, uma versão de Full Fathom Five, com a Ute Lemper e a banda do Michael Nyman.

[Leia mais!]
22:00:58 - DJ Mandacaru -

08 Novembro

A folga do DJ Mandacaru

Exter, Trevor Exter

Trevor Exter é amigo da casa, vou logo entregando. O leiaute não nega que se trata de um gringo, mas quando trocou São Paulo por Buenos Aires saiu falando um português nativo. E há pouco retornou aos EUA para a turnê de lançamento de seu "637 Sounds" como se portenho fosse.

Tão raro quanto um sem sotaque é um gringo capaz de executar uma combinação tão feliz de bossa, soul, flamenco (?) e outras mumunhas mais, isso tudo sem soar nem exótico nem chato. Trevor dedilha um cello tão rascante como sua voz, que lembra a do Sting dos velhos tempos, acompanhado somente por baixo e percussão. Enfim, sou suspeito para dizer, pois sou fã dessa linhagem de trovadores cujos padroeiros são Leonard Cohen, Jeff Buckley e, vá lá, Nick Drake. Mas se você tem dúvidas, clique para ouvir Love Her Again, ao longo de uma semana ou da curiosidade (ceticismo?) de 25 criaturas, o que ocorrer primeiro.

[Se ele pode postar, eu também posso discotecar nesta bodega. Assim, neste troca-troca assumo temporariamente as picapes desta Hora do DJ Mandacaru, com o sempre bem-vindo patrocínio da casa de suíngue Marrakesh ("Na minha esposa ou na sua?"). Para mais desse instante cultural do HZ, confira também a seção correspondente à esquerda.]
13:21:32 - Pinto -

13 Abril

Dakota Staton (1932 – 2007)

Mais uma que se foi, três dias atrás. Dakota Staton nunca foi famosa no Brasil, mas nos Estados Unidos, especialmente no final dos anos 50, rivalizava em popularidade com Sarah Vaughn e Dinah Washington.
Separei cinco gravações pra vocês conhecerem a moça: Don’t Explain (3,8MB), o clássico da Billie Holiday dando uma dura no marido que chegou em casa com o colarinho sujo de batom; Solitude (4,7MB), do Duke Ellington; The Late, Late Show (3,8MB), seu maior sucesso, logo no primeiro disco; Body and Soul (5MB); e, até por causa, The Song Is Ended (4MB).
14:10:46 - DJ Mandacaru -

13 Janeiro

Frontera

Alguém que consiga deixar um prosaico frango grelhado com purê de milho daquele jeito mereceria um prêmio, mas há tantos méritos no fantástico restaurante que não caberiam aqui. Fica na José Eusébio rente ao muro do cemitério da Consolação –cujos inquilinos, pelo visto, se estivessem vivos de fome não morreriam. A poucos metros dali está o AK, igualmente bom, mas de relação custo benefício menos vantajosa.

Simplesmente nenhum dos pratos era menos que fabuloso. Da massa às carnes, passando pelas sobremesas memoráveis, tudo sabendo a alguém com um talento excepcional por trás do fogão. Prove o tal do talharim com um certo molho cuja descrição me foge da memória, mas o sabor, não. Ou a garoupa. Ou a polenta com mascarpone e shimeji acompanhando um ojo de bife.

Talvez tenha a ver com a distinção da proprietária, a argentina Ana, cuja presença correta na administração não a deixa com aquela falsa pose de aeromoça, tão comum entre pessoas que se pretendem simpáticas neste ramo. Ou seriam simplesmente os eflúvios portenhos: simples, chique, competente e bem cuidado. Pena que a fronteira mesmo esteja tão distante. Há mais na Argentina que deveríamos importar, mas infelizmente continuamos preferindo Miami.

Nota: 10 miojos.
19:09:00 - Pinto -

06 Setembro

Baixou a cabôca Sontag

Eu me lembro daquele filme "Uma noite sobre a terra", aquele da colagem de situações em táxis. Acho que era do Jarmusch —tenho preguiça de googlar agora e não vem ao caso. Lembro especificamente de um trechinho com o Roberto Benigni, antes de se transformar no mala que de fato virou. Pois bem. Passando por Roma ele via o Hotel delle Genie e começava a se questionar por que catzo o troço se chamava assim, especulando sobre os hóspedes que eventualmente lá estariam acomodados: "Charlie Parkere", carregando no sotaque, "Shakespeare". "Shakespeare, Charlie Parkere", imaginava apresentar um ao outro.

Recordo essa cena específica, e era esse um dos baratos do filme, porque nivelava à categoria dos gênios um sujeito como Charlie Parker. Não sou exatamente um fã ardoroso de jazz, mas não tenho como discordar. E quanto ao velho bardo, não cabem nem comentários. Mas ambos estão mortos —ou permanecem vivos apenas no coração de cada fã, à vossa escolha.

Todo o intróito é para dizer que toda vez que lembro disso me pego imaginando quem seriam os personagens contemporâneos que eu hospedaria no Hotel dos Gênios, para compor a mesma cena. Sempre alterno ou me falta o nome de um, mas o outro é cadeira cativa: Stevie Wonder.

É o gênio mais gênio com quem eu tenho o privilégio de compartilhar uma parte dos meus anos vividos, por sorte muito mais minha do que dele, claro. "Stevie Wonder? Suíte presidencial, senhor". E ainda pediria para autografar a cédula da gorjeta.

Em tempo: Susan Sontag também ocuparia, claro, um quartinho no mesmo endereço.
00:08:41 - Pinto -

28 Maio

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas



Olhem, vocês não fazem idéia do que é conviver com a jovem guarda (no sentido leninista do termo).
O Lama, por exemplo, apesar de autoexilado no vale de Villah Madahllenna (fronteira com o Afeganistão), é quem me apresenta o que rollah de novo em matéria (ou espírito) de música no mundo inteiro, apesar da sua conexão de banda larga Chico Xavier, ou seja, da meia noite às cinco da matina, dependendo da contribuição.
Mês passado, ele começou a me enviar um arquivo do Robbie Williams com músicas que ele pressentiu que eu gostaria.
Oras, eu já havia visto uns clipês do cabra e não tinha rolado, não. Mas eu também já tinha (patrocínio: Embraer, "Voa, Passarinha, voa") passado reto por Lady Gaga e Cat Power e quem me trouxe de volta foi ele.
Tá: sabia que o Robin até que canta direitinho? O arquivo que ele me mandou, liberado pelo serviço de ininteligência do Paquistão, trazia um disco gravado em 2001 com um repertório carcado nos anos 50, basicamente coisas gravadas pelo Frank e pelo Dean, e com uma orquestra compatível (sei, Pinto, até o Rod consegue, mas vai tu fazer isso num karaokê da Liberdade pra ver se é fácil). Eu fico até encabulado: disco tão novo, metade da nano (metade de dois é um, Lama?) já deve ter. Maizenfim, vejam aí.

Ah, e ganha um pacote de balep korkun quem adivinhar quem faz duetos com o Robbie nas faixas 3 e 5 (dica: a 3 foi gravada por Leno e Lilian, a última compatível com a Nicole). [Leia mais!]
00:28:03 - DJ Mandacaru -

03 Novembro

Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa

A título de presente para a nano (em ocasiões anteriores, alguns e algumas cobraram mimos...) no natalício do blogue, dois bootlegs de um dos prediletos da redação: Leonard Cohen. Em 1968, no esplendor dos seus 34, um especial para a BBC. Quarenta anos depois, em 2008, ao vivo na Dinamarca.
Só pra vocês sentirem o que é o passar dos anos.
[Leia mais!]
17:47:14 - DJ Mandacaru -

22 Novembro

As preferidas do Tio Zeno 1

Deve ser o feriado ou o espírito natalino antecipado: começo aqui uma série de musiquinhas disponibilizadas para a nano, uma a cada post, com a letra no Leia Mais para seguirmos com a bolinha. "O critério?", ouço alguém perguntar, "Nenhum", a não ser o fato de ser uma espécie de Discoteca Musico-Sentimental-Folgazã-Hipopotâmica. Comecemos com um dos padroeiros da casa, Ray Charles e Hide nor Hair. Para baixar, é só clicar aqui. A letra, hilária, segue abaixo. [Leia mais!]
19:31:16 - Zeno -

02 Setembro

Branca no preto

Ele tá de olho é na butique dela
Então, tava lá a dona Sathima Bea Benjamin, em pleno inverno de 1963, caitituando o seu marido Abdullah Ibrahim (também conhecido por Dollar Brand), nos botecos de Zurique. Algumas figurinhas carimbadas de jazzistas americanos já tinham passado pelo pedaço - entre eles Don Byas, Dexter Gordon, Kenny Drew, Ben Webster, Bud Powell, John Coltrane e Thelonious Monk - mas naquele fevereiro o maior de todos estava por lá. E a Sathima convenceu o Duke Ellington a dar uma passadinha no Club Africana para ver o trio do marido. Não que ela fosse, assim, uma Paula Lavigne: a moça tinha uma carreira como cantora na África do Sul, de onde também era o marido, ambos autoexilados políticos por um motivo simples, a Bea era branca, Abdullah, preto. A história resumida vocês acham na Wiki e no site dela.
Noves fora, o velho gostou. E, como A&R da Reprise (dono: Frank Sinatra) convenceu os dois a dar um pulinho em Paris para gravar um disco. Mais: achou que cada um deveria gravar o seu. O do marido deu certo: "Duke Ellington Presents The Dollar Brand Trio" foi lançado no ano seguinte e ajudou a estabelecer a carreira do cabra no circuito jazzístico internacional. O da Sathima, os manés da Reprise acharam pouco comercial. Pior: a fita master perdeu-se em alguma margem do Sena. Por sorte, o engenheiro da gravação Gerhard Lehner havia feito uma cópia e foi ela que permitiu o lançamento dessa gema em 1997. O disco "A Morning in Paris" é Del Gran Caray: o próprio Duke, o Billy Strayhorn e o Abdullah defendem o piano. O baixista e o baterista do trio, Johnny Gertze e Makaya Ntshoko, seguram a base, e um violinista maluco toca em pizzicato todo o disco, como se lhe tivessem roubado a guitarra. Mais embaixo, está a relação das músicas. Como de hábito, uma provinha. [Leia mais!]
22:52:16 - DJ Mandacaru -

16 Março

Sarney Doesn't Live Here Anymore




Eu não vim aqui para discutir baixos instintos de nenhum editor-em-chefe, até porque os proventos que recebo do HZ sustentam perfeitamente meu blackzinho red. Se o homem gosta e só proximos a ele sofrem, por que não?
Ouçam aí o que o Zeno ouve enquanto torce desesperadamente para alguém tremer dentro do vestido.
[Leia mais!]
08:40:24 - DJ Mandacaru -

01 Outubro

Razão e sensibilidade

"I spent the night looking for you, Dick!"

Esse post é um "A Pedidos" do nosso redator-chefe Pinto de Tal.
Atualmente em período sabático, o cáustico jornalista resolveu entregar-se a uma paixão adolescente - Jane Austen - revelada quando o cabra ouviu pela primeira vez o Jackson do Pandeiro entoar "A Emma gemeu no tronco do juremá".



A pergunta específica do Pinto era: o que a Jane ouvia enquanto escrevia seus livros?
[Leia mais!]
14:54:03 - DJ Mandacaru -

17 Janeiro

A volta da Anita




Eu acho que já expliquei que a moça mora no meu private caritó, primeira fila, junto com mais umas cinco ou seis.
Revendo meus guardados, como dizia o Erasmo, encontrei uma coisa do balaco.
Deu-se o seguinte: em agosto de 1984, a Anita O'Day veio cantar no Brasil. Duas noites apenas, na boate que era a mais chique de São Paulo, o 150, naquele que era o mais chique hotel da cidade, o Maksoud Plaza. Só consegui numerário para entrar lá duas vezes: uma para ver o Buddy Guy, outra pra me acabar ouvindo a Alberta Hunter. Outro que andou por lá foi um tal de Frank Sinatra. Dessa vez, pelo que ouvi dizer, até o Vidigal teve que pedir um adiantamento no próprio banco para pagar o ingresso.
O legal da história é que o 150 gravava os shows. E a Eldorado lançou um disco com o show da Anita. Coisa rara, não existe em CD, cada vez que você toca no assunto com um gringo que é chegado na moça, os olhos do cabra ficam vidrados como se ele tivesse tomado um pico.
Dona Anita já frequentou o HZ. Em 2006, quando ela morreu, consegui botar um post com o disco I Get a Kick Out of You, apesar da manga entalada na garganta, como diz o Jorjão. No mesmo dia, o cantor Carlos F. (nenhum parentesco com a Christiane F., vocês sabem quem é) descolou nos tubos o trechinho dela cantando Sweet Georgia Brown no festival de jazz de Newport, em 1958. Ambos os links estão vivos.
E, se vocês tivessem juízo, baixariam tudo que encontrassem dela pela frente. Só depois, iriam até um desse sebos virtuais que tem por aí e leriam sua autobiografia High Times, Hard Times - um exemplo raro de alguém contar sua própria história sem um respingo de autocomiseração ou autocomplacência.

[Leia mais!]
20:30:39 - DJ Mandacaru -

16 Abril

Domingo na Vila


Estava eu, no último domingo à tardinha, manguaçando e praticando meu esporte predileto: conversar sobre música com um dos meus amigos que mais entende e me ensinou sobre o assunto.
Lá pelo meio da conversa, apareceu o nome do Bob Florence. Olhem, eu sei que o cara não é conhecido, apesar de ter arranjado para Stan Kenton, Count Basie, Si Zentner e, se tu é mais ligado em música pop, Petula Clark, Vicki Carr, Andy Williams e Sérgio Mendes.
O fato é que o disco de que estávamos falando é qualquer coisa.
Se vocês acham que estávamos exagerando, vejam o All About Jazz.

[Leia mais!]
14:25:10 - DJ Mandacaru -

25 Outubro

A geopolítica no HZ

"O pessoal do Zeno tá me zoando ou elogiando?"

A Guerra Fria está esquentando aqui no HZ. Tudo porque Jorjão deu uma cacetadinha de leve na Ute Lemper e o Guija saiu com sangue nos óio em defesa do valoroso povo da Alemanha Oriental (o lead deste post é uma homenagem à contratação do Reinaldão como novo colunista da Folha. Agora a coisa vai).

Tirando o mal-entendimento, interpretações absurdas, forçação de barra, mau-caratismo e alucinações variadas do famigerado colunista, devo confessar: o HZ gosta mesmo é de ver o circo pegar fogo. Mas com conhecimento de causa. Senão, vejamos.

[Leia mais!]
10:30:21 - DJ Mandacaru -

18 Dezembro

Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958)

Não somos loucos de escrever um texto sobre um filme que já foi virado do avesso de tudo quanto é jeito possí­vel (menos de um especí­fico jeito, ahã, filosófico, mas esse palpite é tão bom que vamos guardar prum texto acadêmico a não ser escrito em futuro incerto). Pra quem não viu a pesquisa, o filme foi eleito ano passado o mais importante da história do cinema no ranking confiabilíssimo do British Film Institute em parceria com a revista Sight and Sound (naquela votação que acontece de dez em dez anos e que tem, a seu favor, a qualidade e a quantidade da amostragem dos consultados). Por que o filme aparece, então, aqui no Hipopótamo? Porque está sendo exibido em tela grande em algumas cidades do país e isso merece registro mais detido. Vamulá:

..a cópia exibida é digital, com padrão de qualidade blu-ray. "É melhor então assistir em casa?". Não, caro leitor, a não ser que você tenha uma tela de nãoseiquantosmetros na sala.

..o operador da projeção na sala do Shopping da Pompéia, em SP, deve ter se atrapalhado com os botões do controle remoto, porque a versão estava com legendas em português de Portugal. Funcionou como um layer a mais, sem dúvida. Sem falar no fato de que descobrimos como o filme se chama lá na Terrinha: "A mulher que viveu duas vezes", mais um item na imorredoura galeria dos tí­tulos de filme que entregam o plot, como o igualmente português "O filho que era a mãe" pro "Psicose" - mas esse é piada, porque o filme em Portugal se chama "Psico".

..havia 15 almas abnegadas na única sessão do dia, na sala 3 que comporta 198 comedores de pipoca, o que significa: corra, Lola, porque vai sair de cartaz antes que você seja capaz de dizer San Juan Bautista, o vilarejo que serviu de locação pra seqüência da torre.

..o que mais chamou a atenção graças à tela grande:

a) a paleta de cores deslumbrante, desde os menores objetos - almofadas verdes do apartamento de Scottie, por exemplo - até o vermelhão da Golden Gate na cena do mergulho (e pra quem gosta de análise conteudística de filmes, tem até maluco que fez associação entre cores e temas ao longo das diferentes cenas).

b) a trilha do Bernard Herrmann, que definitivamente carrega o filme nas costas nos momentos de suspense, muito mais do que quando se vê o filme na TV de casa. Aliás, ela não carrega o suspense - ela é o suspense. Veja-se, por exemplo, o uso dosado dela nas cenas em que Scottie vigia os passeios de Madeleine: os acordes surgem nas externas (museu, cemitério, etc) e desaparecem quando ele está dentro do carro, com a cidade em back projection. Outra coisa: as citações wagnerianas de Tristão e Isolda na trilha ajudam a dar densidade ao amor impossí­vel dos dois, com aquele palpite inconsciente que fica no fundo da cabeça do espectador, "hum, esse negócio não vai acabar bem".

c) o desempenho do James Stewart - os metros a mais de tela nos dão a certeza de acompanhar a paixão e a perversão corporificadas em um rosto, em gestos, em olhares, no tom de voz, enfim, naquilo que faz um ator ser genial.

..já perdemos a conta de quantas vezes vimos o filme, mas em todas elas a sensação sempre volta: o acerto de se antecipar a "revelação", o twist da trama, que acontece com 1h19min de filme, permitindo que o restante, quase 50 min, se ocupe do que realmente interessa, a montagem progressiva da obsessão que parte de uma espécie de zero psí­quico, isto é, da catatonia literal em que Scottie se encontra depois de perder seu grande amor, e que vai puxando fios e ecos de tudo quanto é referência que se possa imaginar, um leque que cobre Pigmaleão e Galatea, Orfeu e Eurídice, Proust, etc, sem esquecer da necrofilia e da suprema crueldade dos deuses que é dar de volta ao herói a amada morta para matá-la uma segunda vez. Que tudo isso, de quebra, termine com um dos planos finais mais arrepiantes da história do cinema, é só mais um tira-chapéu ao Velho Hitch.

..se a segunda parte se ocupa da obsessão, a primeira é a montagem da paixão, e de novo é preciso que o chapéu seja levantado: poucas vezes no cinema o recurso conhecido do "fazer a personagem masculina se apaixonar pela mulher misteriosa/Bonitona com Amnésia (copyright Tom Gauld; é a nova encarnação da nossa boa e velha Garota Tipinho Problemática) foi tão bem feito como aqui. Basta comparar as falas e atitudes de Madeleine com as de Judy, e que seja a mesma atriz a fazer as duas é novamente crueldade bem pensada: a primeira, lacônica, vaga, fugidia, "oh, onde estou?"; a segunda, bola pra frente, veio dos cafundós do Kansas, "ai que vontade de comer um bife!". Em qual cumbuca o pobre Scottie e quase a totalidade da minha agenda de telefones de amigos quer botar a mão?

..um último elogio a se ver o filme em tela grande: quando é que você vai ter outra chance de ver o suéter verde da Kim Novak estampado em generosos metros quadrados, em vez dos centímetros acanhados da sua TV? Se o cinema, já disse um sujeito muito mais esperto do que nós, "é a arte de mostrar mulheres bonitas fazendo coisas", não conhecemos exemplo melhor do que a Kim Novak zanzando pra lá e pra cá com aquele suéter.

..brinde final, pra quem teve pachorra de ler até aqui: amanhã postaremos a trilha do filme, na edição de 1996 do selo Varese Sarabande, dando prosseguimento ao pagamento de promessa feito ao nosso sabático DJ Mandacaru.
17:55:58 - Zeno -

06 Março

A Criméia é um estado de espírito

Somos velhos o suficiente para lembrar que na longínquas aulas de história do ginásio a gente estudava a Guerra da Criméia, no mais longínquo ainda século XIX. Mas a velhice traz esquecimento: o filmaço do Michael "Casablanca" Curtiz com o Errol Flynn, "A Carga da Brigada Ligeira", de 1936, se passa na Criméia! Aliás, só se passa na Criméia porque justamente retrata a tal Carga, tida como uma das maiores burradas já cometidas por um exército (o inglês, no caso) num campo de batalha. Aliás 2, ler os verbetes a respeito abre uma porteira de nomes e lugares que atropelam a memória: a balaclava, meu deus, a balaclava, usada até hoje nas pistas de kart e no quebra-quebra dos black blocs, por exemplo, tem seu nome por conta da cidade de Balaclava, também palco da Guerra da Criméia. Quem mandou você não prestar a atenção devida à pobre professora de História do ginásio? Mas há remédio para isso: os oito (!) volumes que Alexander William Kinglake escreveu entre 1863 e 1887 a respeito da disputa. Aposto 10 rublos como o Putin leu.
07:27:47 - Zeno -

20 Janeiro

Um j-pop meninão

20150120-front.jpg

Primeirão - e único - disco da banda japa Apryl Fool, onde o Haruomi pilotava o baixo com apenas 22 aninhos. Gravado em 1969, faz parte daquela linhagem que desperta os baixos instintos do DJ que vos fala: por que gravou só um? [Leia mais!]
10:18:16 - DJ Mandacaru -

23 Dezembro

Billy Wilder

O Telecine Classic, canal 65 da Net, programou para o final de dezembro, com reprises ao longo de janeiro, três filmes de Billy Wilder pouco vistos por aqui: "Avanti... Amantes à Italiana", de 1972, exibido na TV brasileira pela última vez, salvo engano, no final dos anos oitenta, "Beija-me Idiota", de 1964, com uma estranha parceria entre Wilder, Dean Martin e Kim Novak, e "Irma La Douce", de 1963, repeteco da dupla Shirley MacLaine/Jack Lemmon que trabalhara com Wilder em "Se Meu Apartamento Falasse", três anos antes. Torcemos para que os dois últimos sejam exibidos em letterbox, já que os filmes foram rodados em Cinemascope e a única cópia disponível até hoje do “Irma La Douce” era uma lançada pela Warner nos anos oitenta, em VHS, irremediavelmente mutilada.
07:10:00 - Zeno -

14 Fevereiro

Baretto

Você abre o cardápio de petiscos e se assusta com os 760 reais cobrados por uma porção de 100 gramas de caviar sevruga. O beluga, seu velho conhecido e numa curiosa grafia com dois l’s , também figura ali pelo mesmo preço, o que é uma injustiça às ovas maiores deste último. Uns versos do Zeca Pagodinho vêm à mente, você os espanta e verifica que o restante do menu é bem menos flashy e bem mais condizente com as Condições Normais de Temperatura e Pressão de outros bares que você freqüenta, como as irrepreensíveis bruschettas de azeitonas, aspargos e prosciutto que chegam à sua frente e que fazem a alegria de papilas gustativas até menos qualificadas que as suas. É claro que os uísques 8 anos não precisavam custar 19 reais, e mesmo os 36 cobrados pelo Lagavulin cruzaram sem mais a linha que separa o reembolso honesto de custos da mera exibição.

Por curiosidade e insensatez, você pede o drinque que leva o nome da casa, vodka misturada com sucos e licores, e descobre que ele pertence à nefasta categoria dos “drinques para moças”, adocicado e onipresente em todas as mesas onde há pelo menos uma delas. Rápida substituição por uma caipirinha impecável e a noite segue tranqüila, singrando sem adernar. Em relação às instalações magníficas e algo austeras do bar nos tempos em que ficava na rua Amaury (com paredes forradas de um mármore italiano que, no dizer de um amigo, equivaliam ao PIB da Somália) e que fizeram o local ser incluído naquela lista meio estapafúrdia da Wallpaper dos “Vinte Melhores Bares do Mundo”, as novas dependências são um tanto acanhadas e forçam as tintas na ambientação “par delicatesse, j’ai perdu os anos setenta”. Mas o serviço é sempre e invisivelmente extraordinário, e a nova hostess, ainda que não esteja à altura - literalmente - da anterior , é uma loirinha simpática e terrestre vinda de algum lugar entre a praia da Baleia e a de Toque-Toque Pequeno.

Em meio a estas e outras divagações, você é lentamente desperto pela raison d’être do bar: a voz de Carlos Fernando começa a brincar com os primeiros versos de “They can’t take that away from me”, você sorri mentalmente quando ele canta, afinadíssimo, “the way you sing off key”, e também quando pensa que a nova rua onde está instalado o bar em nada lembra a “bumpy road” a que se refere a letra. “It had to be you”, com inflexões inesperadas, vem a seguir e só confirma a boa impressão que os irmãos Gershwin haviam deixado em seus ouvidos. O sofá abraça você com mais camaradagem, as vozes da clientela de quinta diminuem, você finge não ver que a lôra à sua frente acaba de enfiar sorrateiramente na bolsa o mexedor de prata que acompanha os drinques, e nem mesmo os arroubos pedrinhomattarescos do pianista conseguem perturbar aquela benquerença sólida que só uma voz impecável (alguém ainda duvida que ele seja o melhor cantor brasileiro dos últimos e não tão últimos tempos?) e um repertório de standards do cancioneiro brasuca e americano podem proporcionar. Já são duas da manhã, você, definitivamente, é um sujeito melhor, o mundo não é de todo mau e até aquele seu chefe, perdido no insalubre escritório, se lhe aparece como uma boa pessoa. Bem-vindo aos eflúvios do Baretto.

Nota: 10 graals pra cantoria e pra qualidade da bebida, 7 pro décor e 5 pros preços, média de 8 graals, nada mal, mas insuficiente pra botá-lo na nossa exigente e inexistente Lista dos 20 Melhores Bares do Mundo.
11:01:32 - Zeno -

01 Fevereiro

Imosec

Eu me envergonho de ficar salivando ao passar, a qualquer hora do dia, por aquelas carrocinhas de nativos do longínquo oriente vendendo yakissoba de sabe-se-lá-o-quê. E me vergonho mais ainda de nunca ter tido coragem suficiente de encarar uma porção grande da gororoba "com bastante molho, por favor".
17:32:13 - Pinto -

26 Abril

Literatura instantânea

Mais um Lixo da Internet bacanudo: Não perca tempo lendo milhares de páginas daqueles livros sacais. Aproveite as versões condensadas que apresentamos a seguir!

1) Marcel Proust. Em Busca do Tempo Perdido. Paris, Gallimard, 1922.
Resumo: Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá beijinho de boa noite. No dia seguinte (pág. 486, vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol. VI), tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII), onde estão todos muito velhinhos - e pronto.

2) Leon Tolstoi, Guerra e Paz (1800 páginas).
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.

3) Gustave Flaubert, Madame Bovary (378 páginas).
Resumo: Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre. [Leia mais!]
16:07:16 - Zeno -

11 Agosto

É com esses que vamos

Olha só quanta gente boa vai para o Pantaleão, digo, Panteão da Moralidade Nacional quando toda essa poeira baixar:

Onyx Lorenzonyx
Oresques Tércia
Arthur Vargínio Neto
Acemão e Aceminho
Cesar e Rodrigo Mala, aliás Bobby Bibo Pai e Bobby Filho
Heloisa Helenda
Rouberto Chefferson
Alberto Goldemão, o preferido da Editora Abril
Eduardo Paespalho
Anthoninho e Rosy Garotinho
Geraldo Alckmimo
Jorge Borntobehausen
Severíndio Cavalinho

E outros menos votados —socorram-me os amigos de Brasília para reparar as eventuais e imperdoáveis omissões à lista. Não é um alívio? Enfim este país será entregues a pessoas da mais alta e ilibada reputação, descomprometidos com tudo o que de podre está aí sendo revelado, eleitos sem caixa dois, avessos às mandrakarias financeiros-publicitárias, que haverão de nos conduzir desta para uma melhor. Literalmente.
17:22:43 - Pinto -

18 Agosto

Uma ilha de absoluto na desordem

Dos prazeres da vida (não, nada de gorjeios de sabiá e quejandos bucolismos): caixinha do trompetista Clifford Brown, Brownie, gravadora Emarcy, dez cds.
Brownie morreu aos 26 anos (1930-56), sem ter atravessado o habitual calvário de alcoolismo e adição em drogas, em um estúpido acidente de automóvel (o irmão de Bud Powell, que o acompanhava, foi também fazer uma jam no empíreo). Reza a lenda que os jazzmen não tocaram nesse dia.
Estilo: Clifford Brown combinava o ataque impiedoso e a velocidade dos boppers (especialmente, Fats Navarro e Dizzy Gillespie; os discos de Clifford com o infernal baterista Max Roach trazem solos supersônicos) ao lirismo e contenção nas baladas, como o melhor Miles do Birth of the Cool. Resumo da ópera: uma espécie de Louis Armstrong (dos twenties, antes de virar palhaço pra divertir burguês branquelo) e Chet Baker (muito melhorado), num sujeito só.
Vocês têm internet, entonces, não preciso dizer mais nada. Boa garimpagem, meninas.
Trechinho do Cortázar, que ao contrário dos delírios pretensiosos de certo adiposo senhor, tocava trompete e era escritor de verdade, quando da morte de Clifford Brown: “Cuando quiero saber lo que vive el shamán en lo más alto del árbol de pasaje, cara a cara com la noche fuera del tiempo, escucho más una vez el testamento de Clifford Brown como um aletazo que desgarra lo continuo, que inventa una isla de absoluto en el desorden. Y después de nuevo la costumbre, donde él y tantos más estamos muertos”.
14:51:00 - hunter -

29 Agosto

Nota social

Minirreunião informal na sexta à noite reuniu cinco blogueiros numa mesa de seis pessoas. O sexto, le pauvre, estava lá para corroborar a antiga piada, "metade da população americana é filatelista e a outra metade procura sê-lo". Nenhuma nova aspiração para a humanidade foi traçada, mas o prazer da conversa pode ser estendido aos respectivos sites:

Pensar enlouquece, pense nisso, do Alexandre Farol da Blogosfera Inagaki;

Torpor, da Giu, que há tempos estava em nossa wish list de menções a blogs bacanudos;

E a nossa Assessora para Assuntos Oculísticos, a mal vigiada Cam Seslaf, que escreve as Letras e Cartas Rubras.
12:20:56 - Zeno -

06 Outubro

Inútil paisagem

aquarela dos eua

Recebi por email e achei digno de figurar aqui, já que ninguém posta mais nada nessa josta.

Reza a lenda que se trata do "lado leste da planície Carrizo, Temblor Range, a cerca de 50 milhas a oeste de Bakersfield, Califórnia". A foto é de 14 de maio, mas não tem crédito nem Photoshop.
11:11:56 - Pinto -

08 Junho

Requentando marmita em louvor próprio

Cada vez que lemos mais uma nota nos jornais a respeito da prisão do injustiçado Edemar Cid Ferreira, lembramo-nos do premonitório texto publicado aqui no botequim em 3 de dezembro de 2004, logo após o anúncio das supostas falcatruas do mecenas:

The waste land, by José Sarney

Voltando à programação normal do blog, destaque para o anúncio de página dupla na revista da Net de dezembro, com fotos de Lorena Calábria e Laurent Suaudeau e o texto abaixo. As notas de pé de página são opcionais:

"O Banco Santos acaba de reinventar a relação cliente-banco (1). A partir de hoje, você tem uma equipe de profissionais (2) que usa inteligência (3) para atendê-lo ao telefone (4). Um Internet Bank (5) claro e objetivo. Um gerente (6) com um grupo seleto de clientes (7), para saber o que você realmente quer (8). E um programa de premiação (9) que leva em conta sua maneira de viver (10). Este é um banco que vai além do banco (11), para estar cada vez mais próximo de você (12). Bem-vindo ao Banco Santos. Seu estilo de vida (13)."

(1) Programa Xilindró de Adesão ao Calote (Proxaca).
(2) Advogados criminalistas.
(3) Dinheiro não-rastreável.
(4) Em horários determinados, na presença de um guarda e com vidro blindado.
(5) Código Morse, para conversar com os vizinhos de cela.
(6) Delegado Adamastor.
(7) Pessoal do Bloco C.
(8) Pacote de cigarros e uma lima escondida num bolo de pistache.
(9) Redução da pena por bom comportamento.
(10) Banho de sol das 9:00 às 10:00.
(11) Possível conversão evangélica.
(12) Túnel de fuga, projeto de Ruy Ohtake.
(13) Calça bege, sem camisa.
11:23:52 - Zeno -

14 Junho

Depois dos croácios, que venham os curiácios

Prum blog escrito por marmanjos e lido por tiozinhos (segundo a singela descrição de um jovem leitor destes bytes mal programados), ninguém vai cometer alguns pitacos sobre a peleja de ontem? Bueno, pra quicar la pelota:

— a defesa, os volantes e o Dida, que todo mundo perdia o sono por conta, seguraram a onda. E ganharam os Prêmios de "Não tá comigo" o Juan, "Continuo reivindicando o Título de Maior Mascarado do Grupo" o Roberto Carlos, e "Se não der na bola, vai na Cara Feia" o Lúcio. E se o torneio fosse de atletismo, e não Copa do Mundo, eu mantinha o Cafu até o final da disputa.

— o jeito com que o Kaká olha pra bola, pro goleiro, pra bola de novo e bate de chapa, no ângulo, vai redimir umas três gerações de mauricinhos, de evangélicos e de bons-moços neste país.

— o Gordo, que já perdeu o bate-boca no elevador com o Lula, vai ganhar pelo menos o título merecido de "Referência no Ataque". Segue diálogo: "Cê sabe onde fica a tribuna de imprensa?", "Tá vendo o Gordo ali, parado? À direita dele, em frente". Ou: "Como faço pra achar a saída pros túneis?" "Contorna aquele Gordo ali, vira à esquerda e segue adiante".
10:12:54 - Zeno -

08 Novembro

tem dias qui só tomanu-uma, o deus índio

o ser humano insiste em ser burro pq. lhe é conveniente.
ser burro facilita o acesso a esse sucesso da mudernidade urRbana (é assim q'sidscreve caipira, editors?) que é a 'loja de conveniencia'.

vc está aqui, e eu ñ sou autista prático
[Leia mais!]
03:53:28 - George Smiley -

08 Maio

Homem-aranha 3

Aos números, segundo o boletim Filme B de hoje: Homem-aranha 3 arrecadou, no Brasil, R$14,8 milhões e levou um milhão e setecentas mil pessoas aos cinemas entre sexta e domingo. Do total de pessoas que foram ver algum filme em território brasileiro nestes três dias, o filme do Aranha respondeu por 83,7%.

Aos pitacos: tínhamos em altíssima conta os dois primeiros, por conta das qualidades visuais, dos roteiros amarradinhos, dos bons atores e pelo fato de terem sido os primeiros filmes realmente bons do sempre promissor e nunca cumpridor Sam Raimi. Bom, quanto ao terceiro, não há abacaxi em quantidade suficiente nas feiras hortifruti do país para qualificá-lo. É tudo ruim, tudo, das cenas de lutas repetitivas e preguiçosas que não conseguem superar as dos dois primeiros, passando por momentos de roteiro que fariam enrubescer o mais modesto videomaker de casamentos e batizados (e o prêmio desta categoria vai para a seqüência em que o mordomo revela janetclairmente ao filho do Duende Verde como foi a morte do pai), e chegando ao desmilinguamento do filme como unidade, um conjuntão torto, que progride aos trancos com uma inépcia e uma lentidão inadmissíveis (o vilão-uniforme preto começa a ocupar a trama quando o filme já tem uma hora e tanto!) num filme de ação com um orçamento que dizem ser o maior da história.

Que venha o Piratas do Caribe 3 para nos redimir e reacender nossa fé no cinema industrial de qualidade.
13:18:11 - Zeno -

17 Setembro

Ou restaure-se a moralidade, ou locupletemo-nos todos

Sei lá, de repente foi a absolvição do Renal, mas o fato é que por pudicícia ou encabulecimento sempre evitei colocar links de discos completos pelaqui, exceção feita aos do falecido Max Roach. Agora vem o hunter e libera geral. Gostei.
Então, na esperança de um adiantamento do décimterceiro, vou adular nosso editor-em-chefe e postar o que ele pediu. [Leia mais!]
15:33:56 - DJ Mandacaru -

23 Março

Senhores do Crime (2007)

Com exceção da vida, que é sempre mais interessante (como notou Mike Leigh no melhor segmento do Cada Um Com seu Cinema, Chacun son Cinéma), não conheço melhor programa paulistano nos dias que passam do que uma ida ao filme de David Cronenberg, Senhores do Crime (Eastern Promises), em cartaz em algumas más salas do circuito, Cine Bristol, por exemplo. Corte. Janeiro, férias, leitura de areia: Shutter Island, Paciente 67, de Dennis Lehane (o mesmo de "Sobre Meninos e Lobos"). Termino o livro, que às vezes grita em demasia por uma adaptação para cinema, penso no final mandrake que consegue funcionar como álibi para as falhas anteriores do livro e penso também que já li coisa parecida, talvez no Invenção de Morel, do Bioy Casares, mas faz tanto tempo que posso estar enganado. Corte. Duas semanas atrás um amigo caridoso comenta: "Li um livro sensacional, Paciente 67, cê conhece? O Scorsese vai filmar!". Uma imdbada depois, descubro que o roteirista vai ser um tal Steven Knight, o mesmo que fez o roteiro original do último filme do Cronenberg. Corte. Hoje, festa bíblica, um bom dia para dar prosseguimento às reverências que o Cronenberg sempre mereceu ("o melhor cineasta da sua geração", a mesma dos Spielbergs, Scorseses e Lynchs, segundo o bom crítico J. Hoberman), com a ajuda da razão extra por conta do roteirista a conferir. E o roteiro é estupendo, mesmo. Tanto, que você às tantas percebe o pulo do gato de não se tratar, em absoluto, de uma história de máfia russa, ou pelo menos só de modo acessório (como "Apocalypse Now" não é um "filme sobre o Vietnã", nem "Cassino", talvez a última grande bola dentro do Scorsese, um filme sobre, hã, "cassinos e a máfia italiana"). Há a obsessão costumeira de Cronenberg por corpos e por aquela violência que realmente faz o espectador se sentir mal, do mesmo modo seco e com a mesma ambigüidade mostrada em seu filme anterior, "Marcas da Violência", mas com o ganho de não se basear em gibi como ponto de partida. Jogue ainda no liquidificador um bando de atores sensacionais, na ponta dos cascos, Viggo Mortensen e Armin Müller-Stahl puxando a fila (até o Vincent Cassel está incrível), e delicie-se com uma bela demonstração de inteligência fílmica, drinque que anda cada vez mais ralo nos bares da sétima arte.
23:15:00 - Zeno -

31 Março

Jules Dassin (1911-2008)

E morreu hoje o cineasta Jules Dassin. Ele não era um dos favoritos da casa, mas dirigiu filmes dignos (Thieves' Highway, Brute Force), muito bons (Naked City, Rififi) e pelo menos uma obra-prima, Sombras do Mal (Night and the City), que a gente resenhou aqui. Também comeu a Melina Mercouri, mas teve de fazer um monte de filme ruim com ela, depois. A ele, as homenagens da casa.
22:49:48 - Zeno -

08 Junho

Carlota

O que dizer de um dos mais badalados restaurantes de São Paulo, quando a ele se vai para um almoço injusto e decepcionante? Mencionar as coisas boas? O Carlota continua um local agradabilíssimo, perfeito para comemorar o aniversário do/a cônjuge, que ainda guarda na memória a deliciosa panelinha de cogumelos que um dia provou na filial carioca. O suflê de goiabada com calda de queijo figura entre os grandes feitos da culinária brasileira de todos os tempos. E pena que foi só.

Omitir as coisas ruins? O serviço não é o forte, o que já denotava uma certa ausência da chefe, certamente ocupada mais em administrar a merecida fama que o próprio restaurante. Mas é necessário alguém para cuidar da lojinha. O rolinho de pato, oleoso e absolutamente sem personalidade, reforçou essa suspeita. O mignon de cordeiro com risoto não estava ruim, embora houvesse manteiga em excesso. Mas a tal cataplana de frutos do mar foi um dos pratos mais sensaborosos e caros que eu jamais provei. Cozimento no ponto, porém quase incomí­vel de tanto sal. Aliás, salgado também era o preço. Três shiitakes, dois aspargos finos, três camarões médios, uma perna de polvo, uma mini-lula e algumas batatinhas numa pequena panela de cobre por 67 reais é coisa que depõe contra toda a cadeia econômica envolvida: quem produz, quem faz e, sobretudo, quem freqüenta. Nossa arriscada mania de variar fez com que chegasse à mesa uma torta de maçã que deixou saudades... da similar servida no Ráscal, por exemplo.

No final, uma conta de mais de 200 reais (sem vinho!) para duas pessoas, sendo 18 reais de um couvert composto por pães e alguns mililitros de um bom queijo derretido enseja uma experiência sublime. A nós mais nos pareceu logro mesmo.

Na mesa ao lado, um casal falando inglês especulava sobre a natureza do restaurante: "Is it French?". "Contemporary". Bidu. Muita fama e pouco proveito, muito franchising e muito valor agregado, os males da contemporaneidade são.

Nota: 6,5 miojos.
18:20:45 - Pinto -

08 Março

Nomes aos bois

Colaborando com a ação revisionista da Folha, o Jornal da Ditabranda, e com o apoio intelectual do midiático professor M. A. Villla, o Villão (que dá mais expediente nas páginas dos jornais e na tela da GloboNews que na sua cátedra na universidade), este blogue soma-se ao esforço orwellico de rebatizar as coisas e relaciona a seguinte parada de sucessos:

Ditaberra (1º de abril de 1964) — O grito inicial, o golpe início da Revolução em si, comandado pelo general Olímpio Mourão Filho, auto-intitulado Vaca Fardada. Não há registros históricos sobre como se chamava em trajes civis, nem se retirava os chifres nessas ocasiões.

Ditaplana (1964-67) — Período áureo de liberdades e estímulo à criatividade comandado por Humberto de Alencar Castello Branco. Assim chamado em alusão à cabecinha-chata do marechal.

Ditabunda (1967-69) — Dito não em homenagem às feições do marechal Arthur da Costa e Silva, que era a cara da própria (com óculos escuros), mas porque, passada a cabecinha de Castello, botaram na nossa. Tempos de Oban, CCC e AI-5, paroxismos de brandura.

Ditaboba (1969-70) — Curto interregno dos Três Patetas depois que o Senhor chamou Costa e Silva para uma partida de carteado no Céu. Consta que o marechal trapaceou e foi passar uma temporada no inferno. Bem-ambientado, nunca retornou. Aurélio de Lira Tavares, o Adelita, Augusto Rademaker e Márcio de Sousa e Melo juntar-se-iam à mesa depois.

Ditabola ou Ditabólica (1970-74) — Os Anos de Chumbo, assim denominados em função do bolão que o selecionado pátrio bateu em Guadalajara. Foi chumbo grosso em cima de quem viesse enfrentar o escrete canarinho. O general de plantão? Tinha um sobrenome esquisito que terminava por Médici. Mas que importância isso tem diante das diabruras de Tostão, Pelé, Rivelino e da Lei de Gérson, certo?

Ditabênção (1974-77) — Época do Milagre Brasileiro comandado pelo primeiro santo 100% genuinamente nacional, Herr General Ernst Geisel. Sieg Heil, e reze três ave-marias ajoelhado no milho.

Ditadrófoba (1978) — Malsucedida tentativa do general Sylvio Frota de acabar com a brandura do regime, face ao crescente declínio de suicídios nas celas dos DOIs Brasil afora. Foi contido em camisa-de-força e tratado à base de medicamento antirrábico.

Ditaburra (1979-1985)
— A notória predileção do general João Baptista de Oliveira Figueiredo pelos equinos e, mutatis mutandis, por Alexandre Garcia como porta-voz não poderia ter outro nome. Mesmo porque Figueiredo entregaria a rapadura de volta aos civis e muita gente na caserna, e fora dela, até hoje não vê inteligência nisso.

Coda:

Ditabreve (1985) — Ia ser o período de retomada democrática liderado por Tancredo Neves, mas falhou no lançamento.

Ditabumba (1985-1989) — Encerrando o ciclo autoritário com as folclóricas tradições de José de Ribamar e os tambores de Codó, que tanto trabalharam pelo fim do sofrimento de Tancredo e pelo desenvolvimento deste imenso Maranhão que se chama Brasil.

(este post vai para joão gilberto, dorival caymmi, caetano veloso, milton ribeiro e idelber avelar. aquele abraço!)
15:23:08 - Pinto -

15 Setembro

Cru e marinado

Email bem intencionado:

"Meu caro,

tu lembra um salmão que vc fez na casa do Zeno, ainda casado, cru, marinado, que a gente cortava em finas fatias e tava uma delícia? tu tem a receita?"


Resposta nem tanto:

"Quem tava casado, cru e marinado? O Zeno?

Se for o salmão, é assim:

1. Pega um bom filé de salmão e empana ele com uma mistura de açúcar mascavo, sal grosso, pimenta preta e aneto (dill).

2. Vê aí a proporção de sal senão fica salgado demais. Os demais ingredientes pode castigar. Eu não sei precisar quanto, use seu bom senso.

3. Aí embrulha num plástico-filme e rega com umas colheres (cálices?) de vodca (ou akvavit, se tiver). Embrulha direitinho e põe num prato sob uma grelha com um peso em cima (um outro prato está ótimo), pra escorrer o líquido. A ideia nao e deixar o troço de molho, apenas bem embebido.

4. Põe na geladeira por 48h, no máximo 72h. Vai virando de lado a cada 8-12h.

5. Se tiver ficado muito sal, dá aquela boa raspada antes de servir. O ideal é que a quantidade não tenha sido absurda pq senão os outros ingredientes vão embora. Uma vez eu pus muito sal e ficou incomível.

6. Serve tipicamente com pão preto, creme fresco batido (com limão e sal) e ovo mexido.

Fui claro?

Se for o Zeno, só troque "umas colheres de vodca" por uma garrafa de red que fica bom igual."
11:42:55 - Lama -

14 Março

Uma no cravo, outra na Canela


A descoberta foi do meu amigo polímata Augusto César. Estava escrevendo um artigo sobre Estate - a cançoneta italiana dos anos 60 que foi tirada da vala comum por João Gilberto e alçada à condição de cult - e conhecera a cantora catalã Carme Canela. Tinha pouco material dela, me mandou o que achara pelaí. O artigo acabou sendo publicado na estreante Aldeota, a resposta do Ceará à Piauí. Estate será tema do próximo post do DJ, mas o tio encarregou um dos seus capangas, atualmente homiziado em Barcelona, de rapar a produção da moça. Acabaram de me chegar às mãos cinco bolachinhas da nêga, uma melhor do que a outra.

Pra vocês terem uma provinha da moça, separei o primeiro dela "Introducing Carme Canela & Trio", de 1996, com uma amostra do que está mais espalhado nos discos posteriores: standards de jazz, música folclórica catalã, música brasileira e música pop. Dona Carme brinca legal nas quatro.

Se o senhor é do alto comando da campanha de algum presidenciável, a doação está identificada. Se tu for da Bolsa-Família, meu filho, não há muito o que fazer por você. [Leia mais!]
06:00:49 - DJ Mandacaru -

20 Março

ex-fusca e ex-principe

no pau

dou c'uma
putapedra

a pedra pula e some

era um sapo
porr'indabem

uma besta dessa
beijava a vidraça
e virava fusca
e eu
em gracejo
de shakespeare

e num mízero
entreato
16:20:39 - George Smiley -

30 Abril

Chico Buarque no jazz


Quem me chamou a atenção foi o meu amigo Flavim: o pianista que está tocando com a Lea e o Gil naquele vídeo é o Edsel Gómez, portoriquenho que morou anos aqui em Sampa e que promovia jams memoráveis no seu apartamento de Higienópolis.
O Edsel é um espanto. Começou aos cinco anos, imitando os estudos de piano clássico da irmã. Aos 18, estava na Berklee, de onde saiu quatro anos depois para o circuito jazzístico de primeira linha.
Em 1987, atraído pela música e pelo charme, veneno e beleza de uma mulher brasileira, mudou-se para o Brasil, onde viveu pelos dez anos seguintes.
O disco que vocês podem baixar do armazém é o seu primeiro: Edsel Gómez - Celebrating Chico Buarque de Hollanda, uma mirada jazzística na obra de um cara, que olhando assim de primeira tem pouco a ver com jazz.
Como dizem os bookmakers da Globo: confiram no próximo bloco. [Leia mais!]
04:44:32 - DJ Mandacaru -