Por força deste
livro (uma recomendação original do
Milton que me fez antecipar a leitura; recomendo este e outros do autor com louvor) me lembrei daqueles sabonetes em formato de bola, que ficavam pendurados sobre a pia por umas correntinhas de metal, as quais acabavam por revelar, depois de mil esfregações que moldavam a bola original numa outra coisa disforme, meio nojenta e já sem cheiro ou mesmo cor. Havia certamente um cor de rosa, e outro em tom verde, ou azul, mas destes não estou bem certo. Existiam praticamente em tudo de quanto era banheiro, e nada era tão 1970. O ritual era completado por enxugar as mãos numa toalha de pano úmida e bolorenta.
Hoje não sei onde foram parar as milhares das tais correntes e muito menos os ainda mais numerosos sabonetes, substituídos por líquidos cremosos seguidos de toalhinhas de papel reciclado. E ainda assim não consta que o hábito de lavar as mãos tenha ganhado mais adeptos, ou nós tenhamos ficado mais asseados.
ô Pinto, vô nessa porque ninguém comentou.
Teu sabonete de saudosa memória me fez lembrar - lá sei eu como - do "cha cha cha de la secretaria, cha cha cha de la taquimecanografa".
Que fazem da vida as ex-taquimecanografas? Pintam e bordam? Cerzem, talvez? Tricoteiam? Viraram digitadoras?
Saudades de uma taquimecanografa.
E meus respeitos e saudações especiais a todas as mulheres que compraram aquelas máquinas de fazer tricô em casa e inundaram suas famílias com suéteres e cachecóis.
Teu sabonete de saudosa memória me fez lembrar - lá sei eu como - do "cha cha cha de la secretaria, cha cha cha de la taquimecanografa".
Que fazem da vida as ex-taquimecanografas? Pintam e bordam? Cerzem, talvez? Tricoteiam? Viraram digitadoras?
Saudades de uma taquimecanografa.