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O consultor e o renascentista

Um cisma epistemológico intestino iria privar a nanoaudiência de um dos debates mais interessantes já travados na redação deste botequim —caso não se tornassem públicos os trechos abaixo, devidamente editados retirando-se as juras de amor e ódio e as declarações auto-incriminatórias. Digam lá se desde "A obra de arte na época da reprodutibilidade técnica" vocês tinham lido algo tão instigante sobre o assunto? Eu mesmo me assusto e me comovo com ambas as possibilidades descritas a seguir.

O RENASCENTISTA: Isto é procedimento epistemológico, ou seja, não tem nada a ver com século passado, e sim com todos os séculos: a idéia de acervo ajuda a construir conhecimento, contribui para a apropriação/manipulação das representações que temos do mundo. Nada, repito, nada (nem mesmo um jornalismo ou um pensamento google) substitui o olhar que passeia pela estante dos livros (e dos filmes, e das canções) empoeirados e identifica idéias, conexões, lembranças etc. Vou morrer antes de ler, ver e ouvir tudo que tenho aqui. Que bom.

O CONSULTOR: Tenho certo carinho por esse pensamento, essa idéia de "ter" o que o mundo produziu para passar o olho na estante e... ver! Talvez um dia vocês percebam como é vã essa tentativa. O que o mundo produziu não cabe mais numa estante. Nem num HD. E se você depender de passar o olho para identificar as idéias, conexões e pensamentos, estará desprezando a maior parte do que já foi feito e produzido. Meninos, o mundo mudou, as idéias não têm a mesma origem ou morfologia. E, sim, é uma questão essencialmente epistemológica, só que do século XXI, não do XVIII. Isso aí tem mais a ver com fetiche, e não há nada de mal nisso. E não tô falando de Marx, tô falando de fetiche mesmo. Não é preciso carregar a informação com você, ter sua informação "particular". Não há nada mais anacrônico que pensar em "informação particular". Agora a questão é ter acesso, e isso vai além da sua estante ou do seu HD. Os livros e os discos estão lá, já foram escritos e produzidos, quer vocês leiam ou não, quer vocês escutem ou não, os vejam ou não, acessem ou não. Se quiserem colecionar idéias na estante (sem demérito, também tenho uma pequena coleção de livros e músicas), tudo bem, é um meio tão bom quanto qualquer outro, mas estarão entregues a uma eterna insatisfação. Não é mais possível ter uma biblioteca ou videoteca ou discoteca que equacione a disponibilidade e a produção atual e passada com nossos gostos ou vontades. Num mundo onde o acesso é infinito, também teria que ser infinita a estante. Cauda longa. Os últimos cinco anos produziram cinco vezes mais informação do que toda humanidade produziu até então.

posted at 23:08:22 on 28-11-2008 by Pinto - Category: Tectum Intuentes


Comentários

Zeno wrote:

Caro Redator, é preciso "contextualizar" a conversa, cê num acha?
29-11-2008 09:40:58

Pedro wrote:

Também acho. Contexto nessa bagaça.
29-11-2008 13:09:40

googala wrote:

dexa sentexto mermo. Podi sê pió.
Será que existirá 'algum com texto' daqui a 5 anos?
29-11-2008 13:19:56

g? wrote:

compreendo
tentá contextualizá?
õde, qdo, como?
29-11-2008 21:09:07

Franciel wrote:

É por esta e outra que digo e não me canso de repetir: "Vocês são muito sabidos. Atrás de vocês eu sou um jumento".
30-11-2008 12:11:46

anaconda wrote:

humildemente, reconheço: não estou à altura dos saberes desse buteco
30-11-2008 20:24:49

Pinto wrote:

Porra, mas que tipo de contexto vcs querem? O diálogo né auto-explicativo não?
01-12-2008 11:03:39


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