Folhinha da Seicho-No-Ie: A Oi agora é TeleAlém-Mar.



Je me souviens

[Eu te lembro que esta seção tem como dívida explícita o “Je me souviens” de Georges Perec, o livro de Geraldo Mayrink e Fernando Moreira Salles e a série “Ich erinnere mich” publicada no Die Zeit.]


gato e sapato

eu me lembro de qdo ganhava roupa, que legal...
quase sempre de algum irmão, filho, parente, maior sempre, 'que é p/ usar até qdo vc. crescer'.
e assim, desmilingüido, vivi menor do que era mesmo...

e que qdo vinha sapato então, tinha que botar algodão na ponta, p/ não dobrar o bico.
e toca os dedão ficar tudo drobado.
mas me vinguei um dia, c/ uns 'de festa', lá pelas tanta, todo mundo já de pileque, me mandei de fininho e fui c/a turma pro rolemã, todo elegante.
foi um espetáculo a volta, c/ a sola e os calcanhar tudo aparente, tomei um putesporro mas dormi feliz.

e bem me lembro qdo fui, lenta e firmemente, passando o tamanho das roupas, até que as de hoje 'é p/ qdo vc. diminuir'.
e até os terno então, que toda vez que ponho um, é 5 minutos e já fica q'nem de detetive americano saindo de briga no beco.


didireita e di ex-querdia

eu me lembro dum canastrão contente, nos extertores do guvernmilitá, que gostava-que-gostava de ser fotografado em seus suspensórios, fumando charuto e, por vezes, cuma gravata borboleta (nada constra a brabuleta, bem boa de vez em qdo).
e que um daqueles muleque do pasquim que depois viraro véio didireita tascou que o suspensório era pq. os cara 'tinha medo que cinto apertava as veia da cintura e que daí pra ficar broxa então'...

que diferença hein, pra hoje, que os subsequentes já nasce didireita, e cum humor já de suspensório...


Intempéries

Em época de eleição eu me lembro daqueles 800 empresários que estavam a ponto de debandar para Miami.

Felizmente, para a cidade, a ameaça não se cumpriu.


Ainda o avental todo sujo de ovo

Quem foi moleque vai entender. Por conta da data, esses dias tenho lembrado da veneração que tínhamos no colegial pelas mães alheias. Nenhuma conotação sexual, apenas pretexto para tiração de sarro com amigos que, ainda hoje, se tratam por "filho da fulana" ou mesmo pelo próprio nome da genitora.

Nas olímpiadas, então, o bicho pegava. Eu me lembro da escalação dos times — "Edith", "Odete", Prazeres", "Aparecida", "Erenilda". Esta última calhou de assistir a uma fatídica final na qual seu filho não ia bem, e teve que ouvir um sonoro "Putaquepariu, Erenilda, vatomarnoseucu!". Socorreu-se aflita com o pai da criança, sentado ao lado: "Isso foi comigo, marido?".

Mas a melhor mesmo ouvi esses dias, relatada por uma amiga. Dona Maria José, a popular Mazé, foi a mãe escolhida para uma singela homenagem: batizou o jornal do grêmio. O nome? "+ é um jornal".

Saudades daqueles tempos.


a, e, i, o, u, ipsilone

Eu me lembro de ter sido alfabetizado pela cartilha “Caminho Suave”. Eu e metade da população brasileira à época (a outra metade seguia método pedagógico diverso, conhecido pelo termo técnico Analfabetismo, que depois se organizou e evoluiu para o MSC, Movimento dos Sem Cartilha). Foi meu primeiro contato com a palavra “zabumba”. Primeiro e único. Decênios depois, alguns amigos de boa alma, cansados de me ver passar vergonha em mesa de bar (gritando, com muitos decibéis escoceses, “Nunca mais encontrei essa porra de palavra!”, o que eu entendia ser uma tremenda crítica abalizada ao sistema educacional brasileiro), tentavam acalmar meu ímpeto pedagógico com tiradas de bom senso: “é claro que tu conhece”, “pára de bestagem e frase de efeito”, “canta pra gente, pela enésima vez, ‘mas o doutooooor nem examina’”, etc. Na semana passada, com meia garrafa na cabeça e a outra metade num futuro próximo, safei-me dos conselhos camaradas com essaqui: “Pra mim é tudo bumbo”. Tenho pena dos meus amigos.


Saudades eternas do Telê

Eu me lembro que o videocassete do Parreira tinha quatro cabeças-de-área. E que o Dunga era uma delas.


as 'casestudyhouses'

glassnost era isso

era assim, tudo junto.

entre críticas veladas e/ou frontais, quase que escondidos víamos aquelas casinhas lindas e adoravamos tudo:
a vida inteira arrumadinha, tudo no seu lugar, cada coisa precisamente posta ali, a serviço da inteligencia ou da delícia.
enxutas como um solo de sax cool.

e ainda cabia uma baguncinha pelos cantos.

pra quem conhecia outra ordem a respeito e carecia até da própria em si, final dos '70`s, era uma alegria ver que a vida podia ser assim:
uma america de mulheres esguias e gentis, c/ largas saias sobre largas ancas, e assim por ela(s) o mundo se apaixonou no pós-2a.guerra.

até ali tudo parecia possível, mas então a bossa nova mal tinha acabado e já tiveramos que rockar todas as torres (eu sei, copidesque, tiveramos é foda mas é isso mesmo, to falando daquela época). [Leia mais!]


Educação é a base de um país

Eu me lembro do Intercurso 2º Grau, um programa da Fodeção Roberto Marinho.


Eu me lembro...

...que liberdade era passar a mão na bunda do guarda.


Mais uma homenagem

E mais um obituário, atrasado como sói: há duas semanas morria Geraldo Mayrink, jornalista velha guarda, crítico de cinema dos bons, e padrinho involuntário da nossa seção Je Me Souviens: ele é o co-autor, junto com Fernando Moreira Salles, daquela pequena obra-prima chamada Memorando. Trombei outro dia com uma epígrafe batuta, tirada do Augusto Frederico Schmidt, e que vai como nossa homenagem ao Mayrink: "A tua infância/É a minha infância".


Da maravilhosa fauna brasileira



Toda essa discussão sobre a amizade de longa data que unia José Serra ("soy loco por ti, Nordeste!") a Luiz Gonzaga (consta que jogavam bola-de-gude na creche juntos) me açoitou a memória e me fez relembrar da lendária intimidade e da predileção dos tucanos pelas coisas, costumes & criaturas da região.

A foto de FHC (o de chapéu) com um cavalo (o com montaria, embora apresentado pela imprensa como "jegue", tal a intimidade) confirma e reafirma minha suspeita: são bichos feitos um para o outro. Tucanos + equinos = tuquinos.


porque hoje é dia de rock

e assim, enquanto alguns navegam por aí, outros precisam por aqui.
e como hoje é dia mundial do rock, smiley que, entre uma missão e outra, curtia sua banda nos porões udigrudi de londres, perpetra o que segue, no 'leia mais', entre saudoso e chapado, como uma ode a essa editoria que mais parece buzum de banda na estrada, e c'os motorista torrado de purple haze.

eu sei que vão cair de pau, mâs (como dizia o locutor da bolzano) eu num tô nem aí.
acendam suas velas e curtam numa boa, enquanto vou ali no vizinho descolar uma justa homenagem à auspiciosa efeméride. [Leia mais!]


Eu me lembro do Michael Jackson

Corria o ano da graça de 1973. Talvez fosse 1974. Naquele tempo os anos eram meio parecidos, de um jeito bom. Era a época dos bailinhos (dos quais falamos aqui, nos primórdios da seção Je Me Souviens), naquele esquema lona-na-garagem-do-amigo, muita cuba-libre para escândalo de mães e familiares e o fato de que as meninas sempre preferiam os caras mais velhos. Mas eu tinha uma carta na manga, pra enfrentar a concorrência. Como o baile sempre tinha o momento das lentas, aprendi com um amigo que o negócio era se preparar: graças às dicas do sujeito responsável pela seleção das bolachas, eu parava de dançar uns bons quinze minutos, meia hora, antes de as lentas começarem, pra mó de o suor secar e não assustar a potencial freguesia. Dava certo, dava muito certo no começo, até que todos os candidatos a galã perceberam o truque e aí o universo masculino do bairro se tornou indiscernível para as moças - eu era só mais um dos sequinhos. Os momentos de crise são os responsáveis pelas trocas de paradigmas da humanidade, como já mostrou o Thomas Kuhn a propósito de assunto menos importante que esse. Achei que era hora de inovar: comecei então a cantar, bem baixinho no ouvido das moças, as músicas lentas que a gente estava dançando naquela hora. Eu e a língua inglesa não éramos propriamente íntimos à época, e o resultado era um embromation sussurrado que, surpresa das surpresas, dava tão ou mais certo que a técnica do suor. Fiz carreira, durante alguns anos, como crooner amoroso para moçoilas desavisadas ou, melhor ainda, reincidentes. De todo o vasto repertório de embromation de então, havia duas músicas que convenciam até as mais recalcitrantes, e eu gastei muitos cruzeiros novos engraxando os DJ's das festas para tocá-las nos momentos emergenciais: All In Love Is Fair, do Stevie Wonder, e Ben, do agora finado Michael Jackson. Depois disso, eu virei bobo, o Michael virou branco e a gente pouco se encontrou nas três décadas seguintes.

Cara, valeu. Muito.


Saudades do Mario

Eu me lembro que 800 mil empresários deixariam o país. E, pensando bem, lamento que não tenham se ido.


Eu me lembro

Eu me lembro que a gente "abria o pulso". Hoje, com as L.E.R.'s, as tendinites e as fibromialgias, o "abrir o pulso" deve ter ido pras cucuias junto com o "golpe de ar", a "espinhela caída" e aquele negócio de não olhar pro espelho depois de comer.


Confissões de adolescente

Lembro que já tive dor-de-corno. Diferente dos tucanos, nunca quis ferrar com a Petrobras por conta disso.


Eu me lembro

O Guaraná Antarctica era puro e natural. E eu também.


Batem os tambores de Codó

Não sei por que, mas me lembrei da capa do diário O Estado do Maranhão, na fatídica vésperas das eleições de 2006 (procurei mas não consegui o link): na dobra superior uma manchete de fora a fora com direito foto triunfal em 6 ou 8 colunas ("Caravana de Roseana empolga no interior") e, na dobra de baixo, uma foto reduzida do restante dos candidatos acerca do debate promovido pela Globo. O título: "Nada de novo no debate".

Cito de memória, e vi o jornal porque passava em São Luís na data. Nada comparado, no entanto, ao que se viu no Amapá no mesmo período, quando o pai da atual governadora logrou censurar o UOL, entre outras peripécias.


Recordação Mãos Limpas

Por força deste livro (uma recomendação original do Milton que me fez antecipar a leitura; recomendo este e outros do autor com louvor) me lembrei daqueles sabonetes em formato de bola, que ficavam pendurados sobre a pia por umas correntinhas de metal, as quais acabavam por revelar, depois de mil esfregações que moldavam a bola original numa outra coisa disforme, meio nojenta e já sem cheiro ou mesmo cor. Havia certamente um cor de rosa, e outro em tom verde, ou azul, mas destes não estou bem certo. Existiam praticamente em tudo de quanto era banheiro, e nada era tão 1970. O ritual era completado por enxugar as mãos numa toalha de pano úmida e bolorenta.

Hoje não sei onde foram parar as milhares das tais correntes e muito menos os ainda mais numerosos sabonetes, substituídos por líquidos cremosos seguidos de toalhinhas de papel reciclado. E ainda assim não consta que o hábito de lavar as mãos tenha ganhado mais adeptos, ou nós tenhamos ficado mais asseados.


o mundo gira e a lusitana roda

eu me lembro de ver um artiguinho, ach'que na reader's digest, contando duma filha 'rebelde' que saiu de casa pra cair na vida em l.a., de saco saco cheio dos pais, dois 'hippies' que nada mais faziam a não ser fumar marijuana e cuidar do seu quintal. [Leia mais!]


Eu me lembro

Os tempos bicudos me fizeram recordar da Anacozeca, a Associação Nacional dos Credores Cobradores do Zé Carioca.


classico paca no paca


chanca é isso aí
crdt milton neves, aquele


dondeviemos




imperdível, inda mais p/ quem não saía de lá & arredores e, por isso mesmo, lembra picas:
documentário sobre o porão mais intestino duma certa sampa.


O boquirroto, o boçal e o banguela

A propósito de toda a comoção com o inadequado "sifu" do presidente —uma comoção diferente daquela que teria ocorrido caso o presidente tivesse sifu, aliás—, me lembrei do seguinte episódio, de anos atrás.

Em cima de um palanque armado numa cidade do interior nordestino, testemunhei o sempre educado FHC 1º, do alto de sua soberba Sorbonne, fazer troça pelo fato de um popular que assistia a seu comício e lhe faltavam alguns dentes.

Constrangeu até tucanos de alta plumagem que estavam ao redor.

Essas coisas, como diz o outro, a oposição finge que não vê.


informação relevante

a editoria do blogue saúda o retorno aos postes diários dum que andou dizendo um monte há uns tempos atrás e que, retornando de dura missão no exterior, volta e, assim, nos abrilhanta mais um pouco.


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