Folhinha da Seicho-No-Ie: novo prato na balança: chicken fuxs



A Busca do Graal

[Incursões etílicas que não poupam esforços para determinar a exata localização do Bar Absoluto.]


Dez anos de Hipopótamo Zeno

Faz tempo que a gente não faz resenha de bar, uma das primeiras seções criadas aqui na casa, A Busca do Santo Graal. Faz tempo, sim, o que não quer dizer que tenhamos parado de beber - a verdade trivial é que vamos sempre aos mesmos lugares, já resenhados ou devidamente conhecidos. Mas uma volta ao Veloso merece registro rápido. Há muito tempo não punha os pés nem a garganta lá, menos por decisão própria e mais porque o lugar tá sempre cheio, o que desanima qualquer cachaceiro profissional. Desta última vez havia espaço, havia sol, havia gente mais e menos divertida, e havia as caipirinhas do Souza. Olha, que este sujeito ainda não tenha ganhado placa ou estátua em praça pública é das grandes injustiças desta cidade malsã. A de jabuticaba continua sensacional (tentei anos atrás fazer em casa, seguindo algumas instruções misteriosas - "tem de congelar a jabuticaba e retirar uma meia hora antes de fazer" - e foi um fiasco), a de caju com limão, "putaquipariu" é o que a define, e a de mexerica com dedo de moça, cortada na longitudinal, sem semente, meia canoazinha de cada lado do copo, meu deus, meu deus, meu deus - até o Bergoglio merecia uma.

De novidade, pelo menos pra mim, são os pauzinhos de plástico (sic) que mexem a caipirinha e que vêm com a inscrição "By Souza", troço meio bocó e que não faz jus ao nosso herói. Outra novidade, esta simpática, é a toalha de papel das mesas, com várias frases estampadas que fazem a apologia da bebida, valha-me - entre as manjadas de sempre e algumas desconhecidas, uma salta aos olhos: "Vinte e quatro horas no dia, 24 cervejas em uma caixa. Coincidência?", de um tal Stephen Wright.


Sempre o mesmo assunto

Diálogo ouvido estes dias:

-- Precisamos marcar aquela reunião no fim do dia pra discutir X e Y. De lá, vamos direto pro botequim, pra tentar melhor o IHBDH da semana.

--"IHBDH"?

--Índice Humphrey Bogart de Desenvolvimento Humano.

(crdt marcos n.)


uma página de alegrias



kinta é dia de kintaro

diz um cartazete dum grupo de motos clássicas ali.
e mais alguns vão contando a história de 19 anos da família ali.
só lambisques, tudo obra da mãe, na provável menor cozinha do mundo, e desdas 7 da matina, pq. ate café da manhã se serve lá.
mas agora de noite, q'onde fomos, tem 2 grandões, imagine 2 cofres centrais dum bradesco, mas muito mais simpáticos, que nos recebem, uq^, p/ quem cresceu comendo o que o que se cria ali, é mais do que compreensível.

chegamos na sequencia do campeonato de sumo que um dos irmãos tinha cabado de voltar, onde empatou na disputa, ganhou 2 e perdeu 2, mas que, honradamente, ele acha que tomou 'um pau'.
bom, tamen pudera, um dos diversário era um russo de 2,20 de altura por outro tanto em qualquer outra direção, cuns antebraço que a turma lá definiu que só podia ser daquele tamanho pq. a profissão do cara era dar nó em cabo de aço.
provavel que amarrando navio no porto em tempestade, entendi.

e tinha porção de tudo que o céu faz de bom pq. aos poquin: de oniguiri a franguin à passarin, de pastelzin a lombin, de tofu frito a aguê, e umas conservinha, zen do céu, de marisco, sardinha, sardinha enfarinata, madrecita, e inda cum moiínho de pimenta, aguadinho e c/uns pedacin de cebola, queu quase pedi num copo e tomava de talagada.
e umas original no ponto preciso e um sake californiano que só de 3 copo p/ sentir a profundidade do arroz.
nóssinhora.


Bar Balcão

Com o atraso e a ineficiência de sempre, fica o registro de um texto muito bacana pescado ontem no twitter, sobre os eventos estúpidos de segunda à noite, de uma jornalista chamada Heloísa Lupinacci: Hoje eu vou ao Bar Balcão.

A gente já deu uns pitacos sobre o bar no saudoso ano de 2004, quando eu, você e Jesus éramos meninos - até um curta-metragem a gente já rodou lá. Os textos: aqui, aqui e aqui.

Um brinde a nós.


As águas vão rolar


www.drinkify.org

Se eu não morrer de cirrose, vai ser por pouco.

A dica é do considerado Dom Augusto Cesar


dança das cabeças

parcela considerável do pib da redação, e contando c/ 2 das mais tradicionais defecções, reuniu-se no tradicional g-rl8, desta feita nas highlands da hinterland pulista (é, pulista é fodasso, só dá leaders lá).
o fez p/ deblaterar sobre o destino das fontes escocesas, país irmão, e como agir a respeito nessa grossa crise que se avizinha.
solidários, abraçamos, irmanados, a produção de alguns alqueires de nossos parceiros d'além-mar, no intuito de reforçar a economia local, antes que algum poderoso dealer das commodities os venda em algum desses pobre-coitado mercado futuro de 1o. mundo.
além de diversas outras tomadas de posição correlatas, assim o fizemos, incluindo inumerável feet-in-the-jackfruit, sempre solidários, porém elegantes.

apenas registro aqui sincero testemunho, p/ que os demais também lavrem o seu sobre a pauta do afamado colóquio (lá eles), posto que após os first four acres, pouco mais pude anotar do mesmo.


rip, seu presidente

juiz de fora tem das miór comida de buteco que existe.
são uns artista nisso ali.


Arco-íris

Domingão, 11 da noite, olho pra garrafa de Glenfiddich (do gaélico; no ingrêis, "Valley Of The Deer") recém-aberta, já pela metade, e penso: "Bom, pelo menos é a minha contribuição para a polêmica do Bolsonaro e daquele jogador de vôlei do Cruzeiro".


oquei, vcs. empatamos

como quase nada vale aqui o que baita*, levem essa pelos vossos 'agent provocateur':

y eis que aqui há, claro
um céarêns

iiisso, aqui nas highs mesmo.

y qui cozinha práchuchú.
y qui tem um buteco.

y qui faz o milhor bulindibacalhau questabesta já num viu.
e uma porção de posta de pescada que cheira a acaraú*.
aqui, 400 km padentro.
y pacaray

pois tómen quae sera libertas**:

bar do lira.
que sabe até o qué um bilro.
(pois ele os fazia qdo garoto, umas 'passadera', como diziam e ainda)

y sonhem issos cuma brama orquextra perfeita e umas boazinha,
coisas pras quais quoqué mundo se ajoêia por aí, nesse universão todo.

inté onde eu saiba.
o que não é pouco.

saibam todos os que esta virem:
y cearense recebe freguez q'nem vulcabrás um pé:
benvindo mas não muito

*hoje, jericoaquara.
**franz, se console aqui da 'queda' do nosso coliseu mixtiço...


La vie est bonne, mais un peu chère pour moi



Como 80% da redação deste botequim é formada por visigodos, ostrogodos e hunos, este registro vai exclusivamente para a nanoaudiência apreciadora das coisas finas da vida: Brandy Valduga V.O.P., uma agradável surpresa nestes dias em que a temperatura cai para 15º e nem parece mais que estamos em Teresina São Paulo.

Não tem a intensidade do similar francês. É menos alcoólico (39º GL), mais fácil de ser saboreado em dias amenos. A tonalidade amarelo pálido ludibria (para melhor) os sentidos, que esperariam um pocuo mais de personalidade. Mas, parodiando o slogan daquele outro lá, desce macio e reanima. Vale os 100 contos que me pediram nele. Faço uma degustação às cegas agora quando escrevo e depois da terceira dose me sinto muito bem. Aliás, não estou sentindo nada. Hklkha08yoj pou10w9ur/ =0vpu ohqjgV0[Q8G -J'jP'V


Boteco São Bento

Nunca pusemos os pés lá, nem jamais pretendemos pôr. Mas nossa avaliação do lugar vai ser sempre a melhor possível, tá?

(PS — E não é verdadeiro o boato de que pretendem mudar o nome para Boteco São Bento XVI!)


Epocler, Eparema, Plasil e Hepatodorum

Folheando o volume "Crack-Up", lançado pela L&PM no ano passado e que traz um bom apanhado das anotações soltas de Scott Fitzgerald (que, juntas, compõe um livro que caço há anos, esgotado nos EUA, "The Notebooks of FS Fitzgerald"), topo com a seguinte classificação, a propósito de uma bebida não especificada: "Você pode pedi-lo em quatro tamanhos: demi (meio litro), distingué (um litro), formidable (três litros) e catastrophe (cinco litros)."

Vou adotar.


Locais que freqüentamos, freqüentávamos, freqüentaríamos

Isso sim é Tolerância Zero

(lembrando que o Xangô é reincidente por aqui)


Robin des Bois 2, a missão

Bistrozim demi simpático, demi sem personalidade inaugurado há seis meses, na rua Capote Valente, em Pinheiros, conforme você leu aqui. E, ao contrário do que você leu aqui, deu pra avaliar a cozinha. Se não brilha pelas qualidades, também não se destaca pela exorbitância dos preços, num fair trade exemplar nesse mundo pós-Rodada de Doha. Algo que, em se tratando de São Paulo, é um feito e tanto. Disseram-me, e eu conferi, que é uma espécie de sucursal do local homônimo, em Nova York, esta cidade-gêmea (uma mórbida semelhança) da paulicéia. Um coisa assim... "Ao Pintassilgo da Mata". Espere só até o pessoal da InVejinha saber disso...

Não se come mal, portanto, mas fica aquela certa impressão incômoda de franquia ou, pior, local "temático". Uma dica ao pessoal da casa: deve haver patos menos obesos no mercado, ou então aquele magret que me serviram era de porco, talvez hipopótamo. Agradou ao paladar, mas como canibalismo aqui esta fora de cogitação, preferia meu magret mais magro (NdaR: ruim, essa). Parabéns ao chef pela polenta, realmente digna de nota. E, de fato, mexilhões são bichos esquisitos, admito, mas em todo caso devem ser descartados aqueles mais cabeças-duras (NdaR: boa figura de linguagem), que insistem em não se abrir com o bafo da panela. Já é prova suficiente de que não estão a fim de serem devorados. O dublê de garçom/maître/host/dirigente do fã-clube da Madonna, se não pôde ser mais simpático nem falar menos mole, poderia ao menos economizar nos esgares, e estaríamos conversados. A gente nem repararia no ambiente poshy-querendo-não-ser. Robin, né? Sei... Agora chama o Batman.

Nota: 8 miojos (os Graals ficam para a próxima, porque o espumante profissa a preço não-obsceno me causou magnésia, digo, Polinésia, digo... aquele troço lá que não consigo lembrar o nome)


Receita para usar a mulher como laranja

Supremo Screwdriver

Parta-a em duas metades, esprema até sair todo o sumo e restar só um centavo na conta da sua mulher. Reserve num fundo offshore. Numa coqueteleira, misture com uma dose de vodca de boa procedência, anexe IV colheres de açúcar ou adoçante a gosto, complete com gelo e agite discretamente, de modo a não levantar suspeitas. Sirva em copo alto, decorado com umas folhas verdinhas (na falta de hortelã use dólar).

*** SE FOR SUBORNAR NÃO DIRIJA ***


Escócia e Japão se encontram em sua garganta

Eis o Michelin dos Duty Frees, o Baedeker dos cachaceiros, o verdadeiro caminho das pedras. Ou melhor, sem pedras, que ninguém é louco de botar gelo nestas preciosidades.

(crdt pelo tôque: nosso ombudsman luiz franz)

(crdt pela procura: nosso omnibebedor george smiley)


"Oito ou doze anos?"

"Quando me ofereceram a escolha de vinho tinto ou branco numa dessas festas em que a gente fica em pé, expliquei que meu estômago era sensível ao ácido produzido pelo vinho, se eu o bebesse sem comer nada, ao passo que os destilados caíam muito bem. 'Que pena', disse o anfitrião, 'nós não temos outra coisa para oferecer'. Meu estômago precisou de cinco minutos para mudar de idéia."

Kingsley Amis, escritor batuta, avô do nosso John Self e desde sempre exemplo para os membros da redação, inclusive em sua salutar Bondmania.

(tirado daqui, não sem antes passar pelas mãos de barman do nosso DJ Mandacaru)


Ai, que saudade do antigo escritório

Cemitério das Promessas Perdidas
(destaque para o Blue Label, à direita; o assunto, claro, é recorrente aqui no blog)


"Pérola da natureza"

Cês já tomaram a tal Krombacher, cerveja alemón que se encontra até mesmo em supermercados de Jundiaí? Bem boa. Nosso redator chefe Pinto, saudoso ainda da Malte 90 e o maior conhecedor de cervejas feitas com milho, soja e demais cereais não maltados, vai fazer as objeções de sempre: "É muito amarga", o que é verdade, e "Aposto que é feita segundo aquela Lei escrota de Pureza Alemã", o que também é verdade, lei que tantos males causou à família do redator quando eles ainda moravam em terras tedescas. De qualquer modo, é melhor beber a Krombacher, que tem a vantagem de vir de região boa em cerveja na Alemanha (Dortmund, Düsseldorf e adjacências), do que gastar dinheiro à toa comprando as Stella Artois, Bavária Gold, Eisenbahn, Kaiser Wilhelm e demais arapucas à venda nas bodegas de praxe.

(crdt do mimo: mónica c.)


Serviço de Utilidade Pública

A Escócia é um país camarada

Peça pro seu amigo, peça pro seu namorado, peça pro primeiro feliz ou infeliz que você conheça e que vá passar pelo Duty Free de Cumbica: a caixa acima, com doze garrafas de um litro do meu, do seu, do nosso Johnny Red, custa 155 doletas. Pros que já beberam alguma coisa nesta hora da manhã, fazemos gentilmente a conta: são 13 dólares a garrafa, 26 pratas, mais ou menos o preço daquele vinho argentino de supermercado que você só toma porque não tem não tem outra opção, ou porque o sagu da sua casa é feito com outra receita que não a tradicional.


Nota de esclarecimento

Recebemos agora de manhã correspondência do Ministério de Economia da Grã-Bretanha agradecendo o consumo de uísque registrado na noite de ontem, muito acima da média mundial, por ocasião do encontro de todos os cinco abnegados que escrevem aqui no blog, pela primeira vez juntos numa mesma mesa de bar. O Ministério manda também sinceros votos para que novos encontros assim se repitam, para o bem da balança comercial da Ilha. O que são as reclamações de nossos fígados diante da felicidade e do bem-estar de milhões de pessoas?


Mais um motivo pra ficar em casa

O Pandoro fechou. No Leia Mais, artigo publicado ontem na Folha de São Paulo. Na Reclamação, cadê o nosso John Self pro epitáfio digno? [Leia mais!]


Nossa homenagem à seleção de Portugal

concretude


(texto na parte de baixo do rótulo: "Esta Casa nunca concorreu a nenhuma exposição nacional nem estrangeira")


Onde a pata toma

Não obstante as aleivosias do Pinto, prenhes de conotações zoofílicas, o tio DJ Mandacaru comparece frente a essa distinta platéia para relatar expedição momesca à Serra Gaúcha (grotões tedescos), com o objetivo principal de descobrir o pato perfeito (não, Pinto, Genoíno é outro assunto).
O epicentro da região é a cidade de Gramado, perfeita para foliões convictamente desanimados como o locutor que vos fala. O auge da festa – pelo que pude testemunhar – durou exatos quinze minutos, tempo que um bloco de carnaval levou para atravessar a rua Coberta.
O primeiro pato foi traçado no St. Gaartens, com molho rôti e purê de batatas e ficou na base da pirâmide, com no máximo 7 Graals. O segundo infeliz já alçou novos patamares: no St. Hubertus, com molho de cerejas, delicioso mesmo para quem não gosta de misturar salgados com doces, 9 Graals. O terceiro, no simpaticíssimo Bistrot Brillat, centrão da cidade, na tal de rua Coberta. Aliás, o Brillat é “o” lugar pra quem gosta de ficar caneando e observando o grande espetáculo da raça humana indo pra lá e pra cá. O Brillat nos serviu um confit de pato, que estava no mesmo nível do St. Hubertus e,portanto, leva o mesmo número de Graals.
O quarto e último pato abalou profundamente as convicções atéias do DJ Mandacaru. Se existe, o Grande Cozinheiro do Universo estava fazendo bico no Edelweiss na terça-feira de Carnaval. Uma receita clássica – pato com molho de laranjas – elevada à categoria da perfeição graças a uma execução impecável. 10 Graals, só porque esse é o teto da escala. A bela donna que divide, entre outras coisas, essas expedições comigo há trinta anos, pediu um chucrute garni*, que incluía um kassler grelhado como nunca havíamos experimentado. Para beber, a cerveja Coruja, fabricada artesanalmente em Teutônia, casco escuro de 1 litro parecido com aqueles vidrões antigos de farmácias de manipulação.
De se lamentar em todos esses restaurantes, apenas a feia mania de triplicar o preço dos vinhos em relação ao seu custo no varejo.

*Ao contrário do Zeno, alemão não é minha língua
mater; mete a mão aí, seu Editor.


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