Folhinha da Seicho-No-Ie: em sampa agora, uísque, só purinho...



A hora do DJ Mandacaru

[Velharias musicais sempre fresquinhas.]


Se soubesses...

Aloysio, Silvinha e Tom.jpg

O leitorado ativo e participante do HZ não faz idéia do grau de alienação deste nosocômio. Só para vocês avaliarem, a última instrução que recebi do editor-em-chefe foi para avaliar as gravações disponíveis de Dindi, o clássico de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, e definir o cânone. Isso na semana em que estavam votando PEC, presidente do Senado trocando sopapos com juizecos, Paulo Preto deixando roxo o alto comando do PSDB, o Italiano consolando o Coisa Ruim nos corredores dos presídios de Curitiba.

Mas manda quem pode, obedece quem tem juízo. Dei uma geral rápida nos escaninhos do Drobo e separei algumas coisinhas. Os arquivos estão separados em três blocos para facilitar o tráfego da muamba - Cantores brasileiros, Cantores de fora, Instrumentais.

Para começar, a preferida do chefe - Sylvinha Telles, a primeira a gravar a música em 1959. Sylvinha voltaria à canção mais duas vezes, antes de se estabacar na estrada para Maricá, em 1966. De gravações contemporâneas, temos as de Maysa, Agostinho dos Santos, Alaíde Costa, Lúcio Alves e Elza Soares. Tem outras mais recentes, com Rosa Passos (minha preferida em qualquer lista de qualquer tipo de música), Leila Pinheiro e Zizi Possi. Pra satisfazer a porção nordestina da redação, tem até uma com o Fagner, mas não recomendo para quem nasceu da Bahia pra baixo.

Dos canários de fora, o escrete é imbatível. Devo prevenir que deixei de fora gringas cantando em português. Invariavelmente, a coisa começa assim: "Cêu, tão grande é o cêu", o que se presta a comentários os mais sórdidos. Vão vendo aí: Billy Eckstine, Blossom Dearie, Carmen McRae, Sarah Vaughn, Frank Sinatra, Shirley Horn (em duas versões diferentes, se ela tivesse gravado três vezes, a terceira também estaria aqui) e mais uma porção de gente mais ou menos desconhecida.

E pra finalizar, as versões instrumentais. Tem desde Joe Pass com Chet Baker (mas pode chamar de Ray Conniff Bonsai), Wayne Shorter, que começa com o Airto Moreira tocando berimbau, enquanto o festejado saxofonista leva quatro minutos emulando um jumento sexualmente excitado, até uma versão matadora do Harry Allen, filho espiritual de Ben Webster, um sax quente e relaxado, daquelas que você ouve e começa a pensar besteira. Para alargar os horizontes espirituais dos leitores, botei duas versões marciais: uma com a Banda de Fuzileiros Navais, outra com The Falconaires, a banda da USAF, a força aérea norte-americana. Só para vocês entenderem por que eu rezo todo dia pro Brasil não declarar guerra aos EUA.

Muito bem, diria o leitor mais atento, e qual é a melhor?

Sei lá. Ouçam aí e digam.
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Região atingida é origem de ícones da cultura e da cozinha

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A região no coração da Itália atingida pelo forte terremoto que deixou mais de uma centena e meia de mortos na madrugada de terça (23) para quarta-feira (24) reúne também uma série de ícones da cultura do país.
Nórcia, epicentro do tremor, é a cidade de origem de Brancaleone, o quixotesco anti-herói de “O Incrível Exército Brancaleone”, clássico de 1966 do diretor Mario Monicelli que traz Vittorio Gassman no papel principal.
Ao sul de Nórcia, Amatrice, cidade reduzida a escombros na região de Rieti, é conhecida pela gastronomia e por emprestar seu nome a um dos pratos mais apreciados da culinária italiana, o molho all’amatriciana.
O prato, patrimônio local desde o século 19, leva guanciale da região, azeite extravirgem, vinho branco seco, tomate, pimenta malagueta e queijo pecorino (há receita oficial no site da cidade).
Outro item culinário popular também é oriundo da região de Nórcia, a Perúgia: em San Sisto, 100 km a noroeste do epicentro, está a fábrica da Perugina, marca que criou o bombom Baci.

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Aos 94, não dá nem pra reclamar


"Esse assunto não é teu, DJ"

Prosseguindo no experimento explicado no post anterior, desta vez o escolhido foi um considerado do HZ, o jornalista Carlos Calado, que publicou a matéria abaixo na Fôia de hoje.

Thielemans revelava alegria contagiante, quase infantil

Carlos Calado

O jazz perdeu o talento de Toots Thielemans, ícone mundial da gaita. O músico e compositor belga morreu na manhã de segunda-feira (22), dormindo em um hospital de Bruxelas, segundo sua produção. Tinha 94 anos e estava internado havia um mês, após sofrer uma queda.

Nascido em 29 de abril de 1922, em Bruxelas, Jean-Baptiste Frederic Isidore Thielemans foi introdutor da gaita de boca (ou harmônica) na cena do jazz e reinou absoluto por cerca de seis décadas.

As limitações técnicas desse instrumento não o impediram, ainda nos anos 1950, de dividir shows e gravações com expoentes do gênero. Para isso adotou a harmônica cromática (evolução da gaita diatônica, que é mais utilizada pelos músicos de blues).

"Quando comecei a tocá-la, na década de 1940, os músicos de Bruxelas diziam que eu devia jogá-la fora. A gaita era tratada como um brinquedo, não um instrumento de verdade", disse Thielemans à Folha, em 2007.

Antes de se popularizar como gaitista, já era reconhecido como um promissor guitarrista. Em 1950, excursionou pela Europa com o sexteto do clarinetista Benny Goodman. No ano seguinte emigrou para os Estados Unidos, onde integrou por seis anos o quinteto do pianista George Shearing.

Já atuando como solista, em 1961, lançou "Bluesette" –delicada valsa de sua autoria, em cuja gravação associou seu assobio ao som da guitarra. Gravada posteriormente por dezenas de músicos de diversos países, essa composição se tornou um clássico do jazz e jamais saiu do repertório dos shows do gaitista.

Entre tantas parcerias com jazzistas de alto quilate, como Quincy Jones, Ella Fitzgerald, Oscar Peterson, Shirley Horn ou Jaco Pastorius, o disco que Thielemans gravou com o pianista Bill Evans, "Affinity" (1979), é um trabalho um tanto esnobado na época que merece ser reavaliado.

A expressividade de sua gaita também o levou a ser convidado para gravar trilhas sonoras para filmes, como o hoje cultuado "Perdidos na Noite" (1969), além de "Os Implacáveis" (1972) e "Jean de Florette" (1986). Também participou de trilhas sonoras de programas de televisão, caso do infantil "Vila Sésamo".

Ao gravar um disco com Elis Regina ("Aquarela do Brasil", mais tarde rebatizado de "Elis & Toots"), em 1969, Thielemans expressou sua paixão pela música brasileira, interpretando canções de nomes como Ary Barroso, Tom Jobim, Edu Lobo e Egberto Gismonti.

Já em 1992, resgatou o namoro com a MPB em "The Brasil Project", álbum com canções de Ivan Lins, Djavan, Chico Buarque, João Bosco, Milton Nascimento, Gilberto Gil e Caetano Veloso, entre outros, com participações dos próprios compositores. A repercussão internacional desse disco o levou a lançar "The Brasil Project 2", no ano seguinte.

Desde 1980, quando se apresentou no Segundo Festival Internacional de Jazz de São Paulo, Thielemans retornou várias vezes ao país –a última foi em 2009, no Festival Jazz & Blues de Guaramiranga (CE). Quem teve a sorte de vê-lo tocar ao vivo sabe que, além do lirismo de sua gaita, no palco ele revelava uma alegria contagiante, quase infantil. O sorriso de Toots também vai fazer falta.

Um festival de jazz com seu nome está agendado para setembro em La Hulpe (a 25 km de Bruxelas), onde ele vivia.

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HZumbi - O cemitério das cantoras mortas-vivas

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Não é nem a primeira vez que uma cantora-fantasma aparece no HZ. A Anita Ellis, mencionada no texto abaixo, soltou o trinado aqui faz mais de cinco anos. Mas agora morreu mais uma - Marni Nixon, o que está transformando a expressão cantora-fantasma numa descrição literal dos acontecimentos.

Esse post também inaugura a nova iniciativa tecnológica IoT do HZ - "CtrlC/CtrlV 4.0". Nela, os colaboradores - involuntários - têm seus posts enriquecidos e expostos, em sua crua natureza, pelos canalhas aqui da redação. O escolhido (à sua revelia) para a inauguração foi o jornalista Ruy Castro, que publicou o panegírico na edição de 6 de agosto, na Fôia.

O estigma da cantora-fantasma

Ruy Castro

RIO DE JANEIRO - Morreu em Nova York, aos 86 anos, uma cantora chamada Marni Nixon. Você provavelmente não a conhece. Mas já se cansou de escutá-la — e admirá-la. Basta se lembrar de quando assistiu, no cinema, na TV ou em vídeo, a musicais como "O Rei e Eu" (1956), com Deborah Kerr, "Amor, Sublime Amor" (1961), com Natalie Wood, e "My Fair Lady" (1964), com Audrey Hepburn, e se surpreendeu com essas estrelas como cantoras. Pois tinha razão em se surpreender — quem cantava por elas no filme, sem crédito, era Marni Nixon, uma profissional da ópera.
Parecia o crime perfeito. Os estúdios omitiam seu nome na tela, obrigavam-na por contrato a não revelar sua participação e insinuavam que, se ela contasse, nunca mais trabalharia em Hollywood. Marni obedecia. Mas não podia evitar que alguns se perguntassem, por exemplo, de onde Audrey, com seu sopro de voz em "Cinderela em Paris" (1957), tirara aquele vozeirão para interpretar "I Could Have Danced All Night" em "My Fair Lady". Ou por que a voz de Natalie em "Amor, Sublime Amor" não era a mesma que cantava em "Gypsy" ("Em Busca de um Sonho", 1962) e soava diferente de novo em "À Procura do Destino" (1965).
A morte dos estúdios nos anos 70 decretou o fim desses segredos. Desde então, sabe-se que Anita Ellis cantava por Rita Hayworth em "Gilda" (1946) e Annette Warren por Ava Gardner em "Show Boat" ("O Barco das Ilusões", 1951). Ou que Debbie Reynolds, ao supostamente cantar por Jean Hagen em "Cantando na Chuva" (1952), estava sendo, na verdade, dublada por Betty Noyes.
A própria Marni depois contaria sua história numa autobiografia e em muitas entrevistas, e prosseguiria sua carreira lírica, respeitada por maestros e compositores sérios.
Mas, coitada, nunca se livrou do estigma a que os estúdios a condenaram: o de ser uma cantora-fantasma. 
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E se os Beatles cantassem o É o Tchan




Criação do Montagens GabrielCX


desenho urbano

qdo o george gershwin pode fazer a rapsody in blue, não era mt fácil um cara desses fazer uma coisa dessas, num lugar daqueles numa época daquelas.
por isso qdo ele toca as 1ª vez, c/ a moçada que ele juntou pra fazer, sai desse jeito, à 1ª vista meio brincalhão, meio muleque.
afinal era uma p. duma sorte e, portanto, um puta dum barato e, logo, valia se divertir à pampa e ao máximo.
depois, dia-a-dia, e o de sempre numa noviorque dura que só naqueles 10s,20s e 30s de canalhas mandando a larga naquilo tudo, montados numa grana colossal, ganha nas costa dum monte de sonho vindo de td quer lugar do mundo, vinda justamente vendid pra tentar aliviar uma pobreza danada que as oropa já não fazia a menor idéia do que fazer pra resolver.
menor idéias essa que deu na m. da 1ª guerra mundial, e venda e ganhos esse que deu no crack de 29.
uma puta sorte conseguir fazer um puta som desse numa hora dessa: ali se encontrou, no meio dos erros dessa grana maluca, um mundo de negões, judeus, latinos, orientais, migrantes de td qto é lugar e cheios de espertezas e brechas onde se enfiar.
pra nossa sorte.

n.r: pormenor nos anuncio antes, agora... [Leia mais!]


Cielito lindo


"E meu sonho de consumo é sair no HZ"

Eu desconfio que a nano nem desconfia do que rola na deep intranet do HZ. Um negócio de deixar o Snowden transido de medo.

Outro dia, um dos editores botou na rede uma foto da Alondra de la Parra, reclamando pesadamente que a editoria (in)competente havia comido bola, já que a moça jamais havia aparecido na seção adequada. Numa primeira mirada, achei que ele estivesse falando de Iluminuras (o único comentário publicável foi "podia estar no poster central da Playboy mexicana"). Erro crasso. A garota, mexicana, é uma das new faces da música clássica mundial.

O disco escolhido para apresentar a Alondra aos leitores rinitentes ("Diz-se da reação alérgica provocada pela pela poeira acumulada em blogs que só são atualizados uma vez por mês") é o "Travieso Carmesí", com a Orquesta Filarmónica de Las Américas e as vozes de Denise Gutierrez (Lo Blondo), Ely Guerra e Natalia Lafourcade. O repertório é o popular mexicano, incluindo três do Agustín Lara, o Tom Jobim lá deles.

Mas a Alondra se destaca mesmo é no escaninho dos clássicos. No seu site, há disponíveis diversos vídeos de sua atuação. Se tu só tiver paciência de ouvir um, vai aqui.

Se a paciência for menor ainda, pula direto pros 20 min. De lá até os 43 min tem uma participação do Richard Galliano com o Yamandu Costa que é de arrasar.

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Os pandeiros do Boldrin


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Eu falei ontem, até o limite da chatice, sobre esse disco aqui: Rolando Boldrin - Esquentai Vossos Pandeiros (1998).
No ano em que foi lançado, todo amigo meu que fez festa de aniversário ganhou um de presente. No total, devo ter dado mais de uma dúzia. De modo que se o Rolando me dedurar pra puliça por ter subido o disco, eu convoco ele como testemunha de defesa.

O disco é uma homenagem aos conjuntos vocais das décadas de 40 e 50: Quatro Ases e Um Coringa, Bando da Lua, Anjos do Inferno, Vocalistas Tropicais. Boldrin teve a gentileza de entregar os arranjos instrumentais ao Téo de Barros e os arranjos vocais ao Tasso Bangel, dois caras que sabem o que fazem. Nenhum cantor famoso, só pessoal de estúdio, mas vão ouvindo aí a beleza do que fizeram.

O disco estava no Estoque HZ esperando a liberação da votação do Eduardo Cunha.

Vão lá se lambuzar. [Leia mais!]


Di Melo, de Pernambuco, dichava coração bahiano


"O que é que a baiana tem?"

Acho que isso nunca foi mencionado aqui no HZ, mas o fato é que nós funcionamos como o falecido Diários Associados, Zeno no papel de Chatô.
No condomínio que agrega (comentário econômico que não usa "agrega" não é digno de consideração) os negócios da HZ GmbH, a vice-capitania do Nordeste é liderada por Don Franciel Cruz di Alarcón y Santiago, um fidalgo erpanhol, que costura pra fora com o nosso consentimento, sem prejuízo dos vencimentos aqui auferidos (20% de comissão, lava jato é a mamãezinha).

Para se recuperar de um evento particularmente doloroso, Don Franciel está em visita a São Paulo. O motivo alegado é uma paixão incontrolável pelo Di Melo, um músico pernambucano que fez um relativo sucesso em meados da década de 70 e que mora na edícula do coração de nosso delegado na Bahia desde então. É complicado, sabemos, mas paixão bahiana não se discute, aceita-se, com elegante genuflexão, se possível.

Di Melo vai se apresentar na Virada Paulista às 4 da matina do domingo, horário normal pra quem fez pós doc em coroinha na igreja do Senhor do Bonfim. Se você estiver seco pra encontrar o nosso comedor de lambretas, ligue pro editor-chefe. Ele sabe onde vai rolar.

E pra você, que não tem nada a ver com essa bruzundanga e quer saber quem é e o que faz o Di Melo, vai à luta.


Torna a Surriento

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Helen Merrill, vocês não hão de se lembrar, cantou aqui no HZ tem pra mais de cinco anos. O conversê era sobre Estate, resgatada do baú das cançonetas italianas pelo João Gilberto, enfim, se houver curiosidade vão ler.

Só agora achei um disquinho italiano, com toda a pinta de CD oficial pirata (duvidam? Os três primeiros LPs do João, objetos de intenso perrengue judicial no Brasil, são vendidos tranquilamente na Itália; em formato LP, o CD vem de brinde), com tudo que Ms Merril gravou lá entre 1960 e 1962.

A maior parte das gravações foram arranjadas e dirigidas pelo Piero Umiliani. As últimas quatro, incluindo Estate, são de responsabilidade do Ennio Moricone. [Leia mais!]


Cem anos esta noite

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Tivesse optado por uma dieta de toddynho e cereais sem glúten, é possível que a Billie estivesse até hoje entre nós, apagando as velinhas do seu bolo de aniversário de 100 anos.
Um cardápio variado de injetáveis e ingeríveis abreviou sua vida para meros 44 anos, suficientes apenas para torná-la a maior cantora de jazz IMHO (adoro gíria velha de internet - LOL).

Separei as primeiras gravações da moça, feitas entre 1933 e 1944, na Columbia. São 10CDs, pra mais de 600MB, mesmo em 128kbps. Virem-se.

*Se o título estiver obscuro:


Um j-pop meninão

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Primeirão - e único - disco da banda japa Apryl Fool, onde o Haruomi pilotava o baixo com apenas 22 aninhos. Gravado em 1969, faz parte daquela linhagem que desperta os baixos instintos do DJ que vos fala: por que gravou só um? [Leia mais!]


coisa de gente grande

Hosono is the grandson of Masabumi Hosono the only Japanese passenger and survivor of the sinking of RMS Titanic. Hosono first came to attention in Japan as the bass player of the psychedelic rock band Apryl Fool, alongside drummer Takashi Matsumoto, who released the album The Apryl Fool in 1969.

Hosono é o neto de Masabumi Hosono, o único passageiro japonês sobrevivente do naufrágio do RMS Titanic. Hosono chamou a atenção pela primeira vez do Japão como o baixista da banda de rock psicodélico Apryl Fool, ao lado do baterista Takashi Matsumoto, com o álbum The Apryl Fool em 1969.

daíndiante deu nisso, um j-pop madurão, parceiro de várias horas aqe:



A Alma do UFC

Malcom X é o fotógrafo. O resto, vocês se virem.

Antes que o Pinto se assanhe, não se trata da gloriosa Universidade Federal do Ceará, que agasalhou o nosso colega, além do atual ministro da Educação, se não me engano.

O Cooke de que vos falo é praticamente virgem aqui no HZ. E vai aparecer bombando. Acabei de achar uma gravação raríssima do Cassius Clay (a.k.a. Muhammad Ali, segundo o Caê et alli) produzida pelo cabra, de quem era amigo.
Bom, boxeador troca porrada, certo? O Cassius até que conseguia cantar. Vejam aí se estou exagerando, mesmo que o disco se restrinja a duas músicas: "Stand By Me" e um antecessor do rap "I'm The Greatest".

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wayne shorter hiphopificado numa big band

não fui eu quem inventou uma dessa.
falando em cabelos extranhos em lugares mais ainda.



Virna Extended


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Esse post é quase uma sabotagem do DJ que vos fala ao Jorjão, que cometeu o mais sucinto necrológio desde que Gutenberg se meteu a besta.

Então, foi-se a Virna. Procurei aqui nos meus cuidados, necas de pitibiriba. Exceto por uma coisinha, vejam só.
No final de 1964 (cinquenta anos atrás, pra quem tem dificuldades com a matemática), a Campi Editore patrocinou, como em anos anteriores, um disco de Natal com propósitos beneficientes. Só que, naquele ano, com a ajuda do Fellini, a coisa se transformou quase num quem é quem do cinema italiano. Se não, vejamos: Giuseppe Ungaretti, Catherine Spaak, Ingrid Bergman, Nino Manfredi & Mario L.F. Russo, Sophia Loren, Vittorio De Sica, Lea Massari, Alberto Sordi, Silvana Mangano, Riz Ortolani & Katyna Ranieri, Alida Valli, Antonella Lualdi, Dino De Laurentis, Mario Chiari, Anna Maria Ferrero, Jean Sorel, Rossana Podestà, Alida Chelli, Liliana Terry, Virna Lisi, Enrico Maria Salerno, Eleonora Rossi Drago, Renato Rascel & Delia Scala, Gina Lollobrigida, Carla Fracci, Anna Moffo, Monica Vitti & Michelangelo Antonioni, Giulietta Masina & Federico Fellini, pra citar alguns. O resto, só o nosso crítico de cinema e editor-em chefe conhece.
Aí, lá na faixa 21, tá a Dona Lisa fazendo sua parte.

Maneiras que o post fica sendo uma despedida do DJ até 2015, mais a colher de chá da trilha sonora do Natal da família.
Cara, se tu tem uma avó carcamana, ela vai ficar orgulhosíssima do neto safo que ela ajudou a criar.
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in the summertime, mungo jerry

a letra é simpatia pura, e as costeletas o mais 'seiláoquê' do pop:



Enquanto não morre um

"Vira essa boca pra lá, DJ"

Mais uma da série "Por que não gravou mais um?".
Claire Austin é daquelas cantoras que cantam muito bem jazz e blues. Se quiserem uma amostra no primeiro turno, é só ouvir "My Melancholy Baby", aqui com uma rara aparição dos verses.

No segundo, vão de "Nobody Knows You When You're Down And Out", o blues clássico Jimmy Cox, de 1923, gravado por uma ruma de gente, inclusive Eric Clapton e Derek and The Dominos, mas se eu fosse vocês iria atrás da interpretação da Alberta Hunter.

Deu tempo de Dona Claire gravar dois 10", em 1954 e 1956. Os dois couberam bonitinho num CD. [Leia mais!]


Eu ouvi os clamores do meu povo


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São dois pra , dois pra .

Quase 1 GB. Se virem, pecadores


A morte discreta de Miltinho

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No meu entender, deveria ter tido velório na Assembléia, carro do Corpo de Bombeiros levando o caixão, multidões na rua, tudo para se despedir do Miltinho de um jeito que ele merecia. Necas de pitibiriba. Há décadas Miltinho não mais se apresentava. Primeiro porque cantores como ele deixaram de ter público. E nos últimos quatro anos, por causa do Alzheimer.

O cara era um gigante. Ouçam aí o seu disco "Miltinho com O Sexteto Sideral - Um Novo Astro", de 1960, e me digam. De propósito, peguei uma transcrição de um LP, não muito trabalhada, para prestigiar o povo que tem frissons orgasmáticos com chiados e cliques de discos velhos. Até porque o bacana mesmo é você correr atrás das duas caixas que a Discobertas lançou ano passado com doze discos do cabra, lançados entre 1960 e 1965. Não se perde um. É de se ouvir dezenas de vezes cada um deles.
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s'eu tivesse aí eu ia:

olhando outras coisas nada a ver, dei c/essa jóia:

toninho carrasqueira e laercio de freitas no sesc b. retiro, dia 12/09.
o 1º na flauta e o seguinte no piano.4

duvido que quem for não saia da coisa um pouco melhor, como ser humano, pelo menos.


Está mais não



Mais uma das que foram enquanto eu estava ocupado ali fazendo umas coisas.
Elaine Stritch se mandou quando estava com 89 doses de vida. Bebia mais do que a redação do HZ considerada em conjunto.
No vídeo em tela, a velha senhora canta "I'm still here", acompanhada pela banda New York Philarmonica, na festa dos oitenta do Stephen Sondheim, comemorada no Avery Fisher Hall em 2010. As adolescentes vestidas de vermelho, entre 40 e 60 aninhos, prestando a maior atenção, são Patti LuPone, Marin Mazzie, Donna Murphy, Laura Benanti, Bernadette Peters e Audra McDonald. É mais ou menos igual a botar na platéia Elis Regina, Gal Costa, Nana Caymmi, Rosa Passos e Ângela Maria pra homenagear Aracy de Almeida. Dona Stritch estava com 85.

Tem um perfil dela aqui, o show a que me referi está inteiro aqui (conselho de amigo, baixem tudo, são quase duas horas de puro encantamento).

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Águas barrentas, volume morto e a eleição em Sampa


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E só pra juntar vaso com flor: o cabra que entra cantando aos 5 minutos do video em tela dois posts abaixo é um dos meus favoritos eternos. Andava meio por baixo no final dos anos 70, o que só prova que os tais dos anos 70 não foram esses balaios todos, não.
Aí o recém-falecido Johnny Winter (desça mais quatro posts) largou de seus cuidados e foi produzir discos pro professor. Pelo que lembro, foram três, todos magníficos.
O mais bacana deles é um ao vivo. Tá no anexo para escrutínio popular.

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Laura is the face in the misty light

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A notícia não é boa, Jorjão: tu vai que entrar na fila. Tanto faz se a Laura se mandou há 17 anos -- a fila de apaixonados não andou um passo. Tanto faz, também, se tu tá na fila dos XX (começo da vida dela) ou dos XY (final): ninguém arreda um pé.
Pro pessoal que está chegando, a Barsa dos pobres dá uma boa geral.
Pessoal que arrastou asa pra ela está super bem representado pelo cabra do Birds With Broken Wings. No .doc que está no pacotão (250MB) ele explica a origem da avassaladora paixão. E mais dois discos com as escolhas dele tiradas desses discos: More Than A New Discovery (1966)/Eli & The Thirteenth Confession (1968)/New York Tendaberry (1969)/Christmas & The Beads of Sweat (1970)/Gonna' Take A Miracle (1971)/Smile (1976)/Season Of Lights (1977)/Nested (1978)/Mother's Spiritual (1984)/Walk The Dog And Light The Light (1993)/Angel In The Dark (Recorded 1994/1995) (Released posthumously 2001)/Live: The Loom's Desire (Recorded 1993/1994) (Released posthumously 2002).
Uma bela introdução, que só vai aumentar as filas. [Leia mais!]


ai deu uns retorno

qdo eu vi a 1ª vez a palavra 'cantar bonito', foi ouvindo a laura nyro.
na verdade isso veio duma vez, '...vai cantar bonito assim na pqpqpqpqpq...'



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