Folhinha da Seicho-No-Ie: em sampa agora, uísque, só purinho...



Microcontos

[Até para o plágio é preciso talento.]


tem 6ª

que chega feliz
de semana em fim

c´uma carinha safada
de tarde cabulada
numa cambury nos 70s

vazia q´nem um zen

de cabeleira solta no sol
se acabando garota
numa garoa de beijinhos

chega mansinha
q´nem fim de onda
em areia larga
de praia sem tombo

entrando
aos poucos pelos pés
lambendo em cada dedo
sem-vergonha
sua preguiça

e falando o fodase mais doce
que há
procê e o cosmo inteiro à sua volta

chega junto c/ a gente
cunversando contente
enquanto guarda as ferramenta

q´nem uns americans
em casa enfim
sossegados
ou quase

c´os filho ainda querendo
depois de tudo que foi preciso
pelas causa e calças

chega tocando
cum jeito que beira o brega
de tão doçamaro
q´nem quase uma viola
do pat metheny

ou aquela 1ª bola
naquelas tardes
compridas e à toa
em juquehy

vem falando mansa
com´um dos desperdícios
dum dos vinícius em itapuã

vem ela e leva ocê assim
como se eles
e aquelas tardes
ainda e sempre sejam
um nosso amanhã.


diálogos highlandinsânicos

no restaurante à quilo.

o caixa, dono, filosófico, casal pagando:
sabe aquele vício dos 70s, matava todo mundo...?

ah, o cigarro... responde outro, sentado, feliz por vivos.

pois é, sabe isso? um celular.
o que acaba o mundo agora.

e vira o então, sentado, jornal na mão:
olha isso, esse p. foi pego cum 2 pedrão de craque.
e a esposinha, atenta:
nossa, é algum conhecido...?


dos mahlers o menor (o jovem?)

saber mesmo aparece e escapa (some -fica queto ô pentelho...) o tempo todo (ele ia dizer num instante)
por isso que filosofia é um trampo danado (melhor 'um saco', o banana)
por isso que só maluco enfrenta (inda mais c/ essas p. de mosca entrando no nariz).
(putacarachato -é, mas merigano vem se trapaiando todo cum 'cucaracho' nessas ora)

e inda tem os alemão, as muié, os franceiz, ingleiz, um inferno esse neg(busco)ósso.

ai, mas que pentelho...

intão ôve esse p. desse mahler queto, penta...


While London burns, Sammy and Rosie get laid

No meio de tanta coisa bacana que aconteceu ontem nesta cidade, neste país e até no Taiti, queria registrar ceninha rápida, já à noite, na cobertura televisiva, acho que na Band News, mas não tenho certeza porque o zapping estava frenético. A âncora do telejornal mostra cenas aéreas da Avenida Paulista lotada, gente chegando, gente saindo, e ela: "Nosso repórter Hugo está lá na região, ao vivo. Vai daí, Hugo!". Corta para uma avenida deserta, em descida, silêncio sólido, com off do Hugo: "Patrícia, estamos aqui na Brigadeiro e não tem ninguém!". Abro um sorriso de telespectador e fico imaginando o pobre Hugo, em plena síndrome Fabrizio Del Dongo, mas com um twist pilantrão-amoroso, que poderia ser um curta-metragem: nosso herói vai mandando boletins ao vivo, cada vez mais distantes, "Estamos agora no Parque da Aclimação e não há sinais dos manifestantes!". Mais uns minutos, cena noturna, deserta, um monumento iluminado, cricri dos grilos, e a voz em off, "Patrícia, aqui no Museu do Ipiranga podemos dizer que a situação é bem tranqüila.". E assim por diante. Tudo isso porque a namorada do Hugo mora no Sacomã e ele só estava tentando dar um jeito de chegar até ela em noite tão turbulenta. Não seria um curta legal?


momento algaseltzer

viiilmaaaa

no instantâneo podemos observar mestre lama arrependendo-se amargamente por aqueles 6 shochus antes da feijoada.


antes qu'eu nos esqueça

highlands, estórias dos caras locais, pelos própios.

1- chamado no plantão da ortopedia da unesp daqui sobre o sogro que se quebrô, seilá onde agora, numa parte do paraná parece, uns 500 km. perto daqui, travou o braço numa mordida de mula, o mestre-ortopedista de plantão, genro, ouve e decide no ato que só funciona indo lá pegar, sinão babau (n. t.). [Leia mais!]


e o vício, versase?

um sujeito na pista.

pára uma mulher
freguesa conhecida.
ele craque dum viveiro de plantas
e ótimos ambos.

de carro ela
oferece carona.

ele gentil
agradece e não.

ele não vai porquê:

a- é um sujeito tímdo
b- é relijoso e humirde prá tanto
c- num é besta de virem, e se ...
d- prefere andar pq. é hipotiróidico e precisa
e- todas as anteriores, pq. o cara é botucudo
f- nenhuma das anteriores pelo mesmo motivo [Leia mais!]


consequesendo sua eventual falha

e toda vez queu dou de cara cum novo agente de qualidade, dá-se o mesmo:
e se o que ele ouvir de mim leva-lo a morte?
ha 35 anos isso leva um cara a um cansaço que só


lama indo e lama vindo*

cada vez que um poeta
precisa uma palavra
ele segura um sentido
que nos incomodava

pelo menos
alguns milhões de anos


talvez
desde quando a dor
da perda
ou da morte
ou o doce
do ganho ou do gozo

nos quiz enfim
mais despertos e
menos pithecantropus:

isso que nos desejávamos
e íamos
nos (des)desenhando
enquanto
possivelmente
humanos:

nos tornarmos
e
nestes termos

[Leia mais!]


occitaines

bom, carnaval, todos vivendo coisas, ela resolveu ir prum retiro, que o tio aqui andava um penta de galocha branca, daquelas de laticínio.
depois conto o porquê da pentice. [Leia mais!]


vindas e idas*: stammtisch: p/ se ler devagar

sem perceber
a-gente vai ficando amigo
só vivendo junto coisas
n'aparencia quase simples. [Leia mais!]


diatribo (um post à maneira do smiley)

coisa mais dificil, sô

é encontrar um livro

na casa de um cearense rico.


dia desses acharam um jogado

no jardim da mansão

de um desses empresários

bem conhecidos de colunas sócio-econômicas.


a polícia trabalha com a hipótese de atentado. ninguém ficou ferido.


Sem título

Meu sogro tem Parkinson. Não dizemos "mal de", aprendemos a dizer "doença". Convive com ela há mais de 15 anos, mas nos últimos cinco perdeu o laivo de vida com qualidade que ainda restava. Já não se move. Muito menos fala. Os músculos rijos há muito lhe roubaram a expressão do rosto, deixando no lugar uma máscara que assusta os estranhos e, pior, faz com que achem que a audição e a lucidez também se foram. Infelizmente, não. Em geral a doença está associada com alguma demência, mas ela ainda não chegou de todo.

Seu derradeiro prazer era comer, mas há mais de ano, porque já não conseguia deglutir sem aspirar para o pulmão, fez uma gastrostomia e nunca mais pôs sequer água na boca. A doença é mais insidiosa do que o relato consegue ser. E só está aqui por uma razão: em uma década de convívio jamais o vi reclamar ou sofrer. Nunca. Um ascetismo que chegava a irritar. Nem por perder a autonomia, por não poder mais estar presente aos encontros de família, nem mesmo por não conseguir segurar os netos no colo. Devia ser a fé no Espiritismo. Uma única vez, anos atrás, numa consulta com o banbanbam em Parkinson em São Paulo, testemunhei seu constrangimento por não poder realizar o que o médico, um burocrata insensível, ordenava que fizesse. Mas era constrangimento, não outra coisa. No fim da consulta deixou escapar num murmúrio quase incompreensível: "É, doutor, só piora". E foi tudo.

Até hoje. Só piorou. Internações em UTI com pneumonia, total dedicação da família e todos, absolutamente todos, os recursos em vão. Cada vez mais a prisão no próprio corpo. Cada vez mais morte em vida. Nem um lamento. Mas hoje, embarcando de volta para o Rio, sendo colocado no assento do carro, ele viu um vizinho, deficiente físico, igualmente de cadeira de rodas, fazer o mesmo sozinho, sem ajuda das cuidadoras que, 24h por dia, são seus braços, pernas, corpo, mente. A imagem de como poderia ser diferente. A saudade do que pode ter sido a última visão das filhas e netos. A consciência de que nada há pela frente, senão mais desse mesmo, na melhor hipótese. Pela primeira vez, em quase 20 anos, ele desatou a chorar.

Nós choramos juntos.


em se cantando tudo dá


só tomano umas

vi uma festa duma comunidade em que um cara cantava todo feliz,
e absolutamente ninguém dos 590 convivas prestava a mais mínima atenção,
nem as netinha dele,
comprende?


sextacheira, trávado e dormingo

procuro desenvolvimento p/ um conto c/ 'começo, email e fim...'.
cartas aqui pra redação, a/c. sr. pinto.


casório é a fim

alguéns aí me contradigam:
tem coisa que diverte mais mulher que escolher presente de casório?
dond'tô olhando daqui, inda piora c/o tempo.
exprico: mais véio o casar, miór o presente.
mâs (lembra dos locutor da bolzano?), 'nem sempre' em preço, compreende?


boutchukeytchyu deibaidei

num banho, só,
ela por perto:

- nóss bem, qéísso?
surge uma cabeça por entre a cortina:
olha, olha,..
surge uma chinela:
- shPAU!..
- ...!!
olha mais, olhabem,..:
- shPPPAU!!!...
- ...!! !!
- nóss, é uma mistura de barata e aranha..!
- num era aquele de ontem que cê gostou, que cortava papel?
- ñ sei...
e me dá um papel p/ limpar.

'azia uns 34 anos que ñ me sentia tão seguro num sertão...


poesia pura

Na fria Vila Belmiro, apenas 2.784 torcedores viram o Santos se aproximar ainda mais do primeiro objetivo que traçou no Campeonato Brasileiro. Ao vencer o Atlético-PR por 3 a 1 nesta quinta-feira, de virada, o time de Vanderlei Luxemburgo ficou a dois pontos da zona de classificação à Copa Libertadores da América.

Com ambição de disputar o título, o Santos soma os mesmos 36 pontos do Palmeiras, mas leva vantagem no número de vitórias e é o quinto colocado... ...No domingo, o Peixe fará clássico com o Corinthians, enquanto o Furacão enfrentará o xará Atlético-MG.

Mas o Santos se deixou levar pelo ambiente no início da partida desta quinta-feira... ... Já o Atlético-PR, pressionado pelo mau momento que vive no Brasileirão, esboçava pressão pelas laterais. Até suas três dezenas de torcedores tentavam competir com os santistas em barulho.

Em imensa maioria, embora em pequeno número, os torcedores do Santos só esperavam um motivo para vibrar. Uma finalização torta de Baiano foi suficiente para o público gritar mais alto. A equipe de Vanderlei Luxemburgo, contudo, ainda não havia superado a apatia dos primeiros minutos do confronto.

O Atlético-PR se encarregou de acordar o Santos aos 12 minutos. Ramón avançou pela esquerda e cruzou na área. A defesa do Peixe ficou mais preocupada em marcar o centroavante Pedro Oldoni e deixou Antônio Carlos livre para completar para o gol. O zagueiro se chocou com a trave após a cabeçada e nem pôde festejar.

Os santistas, ao contrário, já não estavam mais desorientados depois do lance. Apesar de Petkovic e Pedrinho ainda pecarem na criação, Baiano, Kléber e Marcos Aurélio compensavam com velocidade. E o Peixe passou a acuar o Furacão. Tanto que se expunha aos contra-ataques da equipe visitante.

Até o final do primeiro tempo, porém, não houve mais sustos para a torcida do Peixe. Aos 29 minutos, Kléber levantou a bola na área em cobrança de falta e o zagueiro Domingos cabeceou de costas para o gol. A finalização acertou a trave, as costas do goleiro Viáfara e as redes. Tudo igual na Vila Belmiro.

sem leia mais, qué vê, vai no ig.


O nome da rosa

Procura-se um microconto inspirado nos quadrinhos do André Dahmer que comece (e que termine?) assim:

Teixeira, Duarte e Pestana se encontram e resolvem fundar uma Associação com fins lucrativos para as pessoas que se chamam Teixeira, Duarte e Pestana. O sucesso da empreitada é ansiosamente aguardado.

(recordar é viver: além da série dos "Procura-se", imitada até pela revista piauí, houve um tempo neste botequim em que se cometiam microcontos pastichentos de grandes escritores. Já fomos melhores, nós e o país).


odobrounada

ele então parece
tinha enteendido
que cara metade
dava conta engraçada [Leia mais!]


aonde nenhum homem jamais esteves, sequer o kim

casório, data estelar 23421089408475298.
atendendo ao reclamo da direção da frata estelar, relato os eventos ocorrentes durante preparativos nupciais no planeta Erra, sistema Molar Z4´4019874-25817, quadrante Zonoeste da Via Wískea, setor Caicó4. [Leia mais!]


Ode à classe Idade Média

É o bandido solto na rua e o cidadão de bem preso dentro de casa. Pelo amor de Deus!

É o cidadão bem soltinho na rua e o bandido prendendo Deus. Pelo amor da casa!

É o bem do cidadão soltando amor na rua e ele dentro de casa. Pelo amor dos bandidos!

É o amor bandido preso dentro de casa e o cidadão soltando na rua. Pelo bem sabe lá de quem!

É o amor prendendo bandidos dentro de casa e a rua soltando cidadão de bem. Pelo contrário!

É o cidadão prendendo bem e o amor do bandido por Deus correndo solto. Pelas ruas!

É Deus prendendo cidadãos e os soltos bandidando casas e ruas. Por bem!

É casa e rua bandida beneficiando cidadãos e o amor. Por Deus solto!

Etc.


ternogravataecalça lee nonoivado

tendo todos eles em bolachas, herdados dele, pergunto p/ minha noiva: inttão?
ela ri.
virodisco e volta-amamos 30 anos.
dancei.
muleques nadantes de livrepool, cabeludinhos disgraçados, jimmy dean ñ se acabou à toa.


pinheiros do alto

saindo do fidel da são gualter
que nos malhou um litro canalhas
uma lampada que era prá ilustrar
as árvores da praça defronte
sorvia quase sedenta
o balé das garoas das 3 da manhâ.

deus e o diabo queiram
que não as tirem-nas todas
dali, de nós e daqui.


entreouvido no pandoro

"...pois é, os caras do pt foram trocar a foice e o martelo pela pá e o ventilador...''


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