Sim, eu assisto True Blood no gargarejo. Sim, eu acho que a série é trash no último, mas é o que de melhor pode se esperar da TV. Sim, a cena acima entrou para minha antologia das dez mais em qualquer critério.
Eu podia estar roubando, eu podia estar fumando crack, eu podia estar lendo algum livro do Raymond Chandler ainda não lido, algum do Hammett idem (Safra Vermelha, putaquipariu, nunca li!) ou mesmo algum do John Dickson Carr, que, segundo a opinião do JL Borges, era péssimo escritor mas tinha nomes ótimos de livros, sendo “O Barbeiro Cego” o insuperável deles.
Não. Eu decidi, de livre e espontânea vontade, ainda que sob a influência de amigos melífluos (vocês me pagarão – você, Pinto, você, Mateus, arderão no inferno), decidi encarar a tal Trilogia Millennium, do tal Stieg Larsson, o tal que morreu e deixou a pendenga do lucro de 15 milhões de livros vendidos (15, 15) para a tal da viúva e os tais familiares resolverem pra quem fica cada táler arrecadado.
Como o defunto não merece o encômio e as horas gastas não voltam mais, seguem no Leia Mais uns pitacos soltos sobre os livros, sobre os filmes feitos a partir deles, sobre as promessas de refilmagem americana e sobre os planos do Felipão para reerguer o Palmeiras. Como dizem os americanos: cuidado, spoilers ahead.
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"Porque uma boa digestão é tudo na vida. É ela que dá inspiração ao artista, desejos amorosos aos jovens, idéias claras aos pensadores, alegria de viver a todo mundo, e permite comer bastante (o que é ainda o maior prazer). Um estômago doente leva ao ceticismo, à incredulidade, faz germinar os pensamentos obscuros e os desejos de morte."
Interrompo momentaneamente minhas merecidas férias para trazer à nanoaudiência qualificada deste blog um trechinho do livro que andei lendo nestes dias de sol e chuva. Ganha um doce, ou um beijo de língua do Pinto, quem adivinhar o autor:
“O conjunto residencial Rossmore Arms era uma pilha melancólica de tijolos de um tom vermelho-escuro, construída ao redor de um imenso pátio. Tinha um saguão revestido de veludo, contendo apenas silêncio, plantas crescendo em vasos grandes, um canário entediado dentro de uma gaiola do tamanho de uma casinha de cachorro, um cheiro de poeira de tapete velho e a fragrância enjoativa de gardênias murchas há dias”.
(do nosso enviado especial ao litoral, a 9600 kbps)
e é um istmo entre a hora e o que vem
pela eterna frente
que nunca mais veremos depois.
é o ponto do tempero, fácil de perder, uma coisica a mais
e já era, perdeu-se o prato.
e viva a julia child, do 'julie e julia', delícia de filme,
que sabe tudo de vida e comida.
e nos tem feito engordar feliz.
e viva meu sogro, pinto, que enveiéce digníssimo
e cada vez que nos visita aqui,
me amadurece uns 10 séculos.
Poderia justificar esse jabá dizendo que ele é um dos fundadores dessa bagaça, que foi por causa dele que eu abri esse blogue e puxei a fieira dos desocupados que aqui escrevem, ou que seu livro anterior (Marketing Hacker) explicou com uns 5 anos de antecedência boa parte do que hoje conhecemos como web 2.0 e redes sociais, ou dos seus artigos no Le Monde Diplomatique Brasil, ou dos seus bloques, do Metareciclagem e que a capa do livro é um quadro que ele mesmo que pintou e depois mandou escanear, ou que eu escrevi a orelha com a Drica e recebi uma pequena fortuna pelo trabalho (pronto, agora a Drica vai querer a parte dela), ou que ele tem uma qualidade comum às pessoas geniais (um mau humor atávico) ou que, por mais incrível que pareça neste mundo onde pululam idéias novas, as dele são realmente novas. Mas não. Prefiro um argumento fundamental: a mãe dele, Dna Ada, já confirmou sua presença.
PS: a terceira pessoa que no lançamento me procurar e dizer que viu o convite aqui no blogue, ganha um livro, autografado e sem pegar fila.
A Guerra era fria, mas hoje, ao sol, é bem quentinha
Uns, como o nosso George Smiley aqui da casa, puderam viver na pele as emoções e contra-emoções da Guerra Fria que dividiu durante meio século porcos capitalistas inescrupulosos pra cá, comunistas comedores de criancinhas pra lá. Outros, como este que vos escreve, só dispunham de um único truque para sentir-se em meio àquela atmosfera de conspiração, gin barato, décor opressivo e iluminação de boate: pegar qualquer vôo europeu que tivesse como destino o aeroporto de Tempelhof, em Berlim. Mesmo o mais intimorato brasileiro descia as escadas do avião pensando “Isso aqui não tá me cheirando bem!”, e fazia mentalmente a lista de delitos que cometera desde a tenra idade, só para não ser pego de surpresa pelas ôtoridades alemãs do controle de imigração. O aeroporto, desde que fora reformado pelos nazistas na década de 30 (a propaganda da época dizia “O maior prédio, em área, da Terra”), trazia esse jeitão de Lugar Histórico Onde Coisas Importantes Acontecem, e o bloqueio ferroviário, rodoviário e marítimo imposto pelos russos em 1948 só aumentou a fama e a importância do lugar – e eu já surpreendi muito marmanjo ao explicar que a nossa Ponte Aérea RJ/SP deve seu nome ao bloqueio de Berlim e ao uso de Tempelhof como escape, mas isso é assunto para a Deutsche Welle.
Com a queda do Muro, a queda de meus cabelos e a queda da economia européia em geral, Berlim ficou com o mico orçamentário na mão de três aeroportos em sua área central (o histórico Tempelhof, o novo e horroroso – dos anos 70 – Tegel, e o aeroporto que ficava do lado oriental, Schönefeld). Conversa vai, embromation vem, resolveram unificar a bagaça com a construção de um novo, super hiper, verba miliardária, empreiteiras felizes, aeroporto central fora da cidade, ao sul, e Tempelhof foi fechado oficialmente no final do ano passado. Agora, há poucas semanas, inauguraram – bela idéia – um parque onde ficava o aeroporto, com direito a passear de bicicleta pelas pistas de pouso, desfilar de skate no meio do controle alfandegário e comer o seu salsichão sentado naquele gramado histórico. Se você quiser ver um bando de alemães se divertindo a valer na inauguração (200 mil pessoas no primeiro fim de semana!), clique aqui. Se você quiser sugerir ao Kassab que faça o mesmo com Congonhas, escreva pra ele, que nós não temos – ainda – contato direto com o moço solteiro sem filhos.
Face às recentes notícias sobre o DNA da espécie humana, vamos estar desejando antecipadamente a todos os nossos amigos, clientes e fornecedores um Feliz Neandertal.
Ele escreve em um blogue., Mais de mil visitas/ dia. tem perfil no facebook (só pro fazendinha), conta no twitter (só praler, só pra ler), orkut, gmail, gtalk, msn, etc. J´å se cadastrou num sm numero de sites. A maioria sem pornografia. Passa o dia navegando enquanto finge que trabalha. Mas não, isso não!, não permite de jeito nenhum que seu rosto apareça numa foto postada na rede pois zela por sua privacidade, odeia se expor.
nunca vão ao banheiro antes da viagem.
não importa se é aquela, velha conhecida, de 6 horas, 570km., c/ hora marcada prá chegar.
totalmente inválidas quaisquer considerações em contrário.
a não ser qdo obedeciam ao deus-pai, ou vice-versa.
e como nelas é tudo menorzinho, em 1:30hs, mais ou menos exatamente, ache-se um posto, seja aonde deus trafegar.
e ai d'ocê se ele for aquele seu velho conhecido, onde 'se pára caminhonero a cumida é 10, póconfiá, já comi-alí'...
e o pior, ainda, é que em geral têm banheiros de e.mininas só aquelas mini disneilandias cafas paca, onde até o café é cafake.
Aleivosias da redação à parte, DropBox é um disco virtual gratuito, muito confiável, fácil de instalar e usar, que uso e recomendo. O fato de cada novo usuário que completar a instalação me garantir mais 250MB não deprecia o serviço, ao contrário. Pena meus companheiros de Herbalife Hipopótamo Zeno não me ajudarem na empreitada (creio que mais por falta de cognosciência cibernética), mas pelo menos aqui, diferente d'alhures, a coisa é às claras: quando é jabá a gente avisa logo. E no mais estou pedindo: podia estar roubando, matando ou trabalhando numa Veja dessas.
Mantemos uma péssima relação com design, nós brasileiros. Tão ruim que nem palavra específica para chamá-lo possuímos (ao contrário dos hispanos, que dispõem de um dibujo), precisando recorrer ao termo original —o que em nada melhora as coisas.
Daí que assistir Objectified (o que acabo de fazer em homenagem ao recém-chegado gadget da Apple, que por sinal não pretendo possuir) vale por uma aula de introdução ao mundo daquelas pessoas "amaldiçoadas por olhar para algo e se perderem imaginando por que aquilo é daquela forma, e não de outra". Uma gente "tão importante que os policy makers do futuro (que é agora, bem entendido) deveriam recorrer prioritariamente a eles para traçar suas metas". Pessoas descritas como "filósofos do nosso tempo", capazes de explicar o mundo intuitivamente a quem quer que seja, por meio de um contato, por mais fugaz que seja, com um artefato qualquer.
Soa exagerado? Para mim também soava, até deparar outro dia com uns moleques de oito, dez anos inadvertidamente interagindo com um cartaz emoldurado numa vitrine. Era só um cartaz, e eles descontroladamente tocavam e tentavam arrastar as imagens imóveis, como se manuseassem um iPhone gigante.
Acho que o pessoal do documentário pode ter razão, afinal.
Programinha de domingo: conhecer o Aquário de São Paulo com as crianças. Fiquei positivamente surpreso com o lugar. É pobrinho, sim, mas com muita dignidade. Pobrinho quando se pretende um minimuseu de história natural, ainda que o efeito dos bonecos toscos na criançada divirta e assuste. No mais das vezes assusta. Mas como aquário mesmo é um programão, ainda que tímido em relação a equipamentos semelhantes fora daqui. O projeto arquitetônico bem bolado deixa o visitante cara a cara com os animais, sejam tubarões, cobras, jacarés ou os simpáticos ratões-do-banhado (num tom bem mais branco que os da foto).
Destaque ainda para o submarino, que parece ser montado com pedaços verdadeiros de uma antiga embarcação, com arraias e tubarões nadando no teto, e para o imenso tanque amazônico com um peixe-boi, pacus e pirarucus, todos enormes. Estranho ver bichos como morcegos-gigantes, tucanos (embora imagine as razões) e outros que sabidamente não nadam —tucanos boiam—, mas tudo é festa. Todas as vitrines têm mensagens educativas e a trilha sonora ambiente convida à observação, meso porque não estava nada lotado neste domingo.
Uma coisa só não entendi: por que bem na saída, onde há um café, o visitante é saudado por uma música horrenda a todo volume, que contrasta com a filosofia e com as mensagens ecológicas do equipamento. Poluição também é sonora. Depois de mergulhar por alguns bons instantes naquele universo, ser surpreendido por Lady Gaga a toda altura me deu ganas de pedir de volta os 30 reais do ingresso, plenamente justificáveis até então.
Numa semana que deve ter batido o recorde de homenagens e jabás aqui no botequim, demonstrando por a + b que o importante nessa vida é ter amigos qualificados e fazedores, segue mais um, ou melhor, O MELHOR JABÁ desta semana: tudo que você queria saber sobre Cartola mas não tinha amigo qualificado pra perguntar, por módicas 14 pratas na banca de jornal mais próxima. Negocião, se é que eu já vi um antes. A lamentar, apenas, a exclusão, na lista de músicas, de "Preciso me encontrar", assassinada pela chata da Marisa Montes e por isso mesmo digna de resgate na voz do Mestre.