Folhinha da Seicho-No-Ie: em sampa agora, uísque, só purinho...



Filmes esquisitos

[Nós gostamos mesmo é do escurinho.]


call the midwife

anjos andam de bici

eu não sei o que dizer.
lá pelas tantas, só consegui lembrar da camille paglia falando que as mulheres são ctonicas... no personas sexuais, por sinal tomado emprestado por uma amiga e jamais visto novamente...

quer dizer, tudo que eu já passei de sentimento no entorno de mulher, de incompreensões abismais a carinhos infinitos, de paúras invencíveis a raivas assassinas, da admiração mais profunda a dores q´nem pra dar dó davam, serviu, quando muito, p/ eu conseguir ver essa série e gostar até dizer chega.
e chorar em t,o,d,o,s, o,s, c,a,p,í,t,u,l,o,s, tentando surfar um tsunami de emoções inexplicáveis...

e durante e depois, gostar (porque entender, nem pensar), ainda mais das mulheres.


viva o dia das bicicreta

1943, abril:
um sério e dedicado cientista suíço fecha o laboratorio e vai p/ casa de bicicleta, como fazia todos os dias.
há uma semana andava intrigado: dias antes, depois de lidar c/ um novo composto, qdo foi p/ casa sentiu umas sensações diferentes no caminho.
e nessa 2ª feira, em especial, resolveu provar uma pequena dose do podruto da pesquisa, um remédio que parecia promissor p/ - na sua germanica e candida definição - promover a condição espiritual humana.
e pediu p/ um assistente acompanhá-lo, o que foi sua sorte, pois não fazia a menor idéia do que o lyserg-saure-diathylamid era capaz - e em alemão ainda.

melhor descrição, só c/um transleitor contando c/ suas própias palavras pra coisa toda:

´´O que aconteceu em 19 de abril tornou-se conhecido para a contracultura psicodélica como [o] dia da bicicleta: Hofmann é selvagem, ciclo de duas e meia milha casa (Hofmann's wild, two and a half mile cycle ride home)- andar sem carro sendo disponível porque era tempo de guerra - sob a influência de alucinante da droga poderosa. Ele detalhou a experiência em sua autobiografia de 1980, LSD: minha criança problema. ' Tive que resistir a palavra inteligível (I had to struggle to speak intelligibly).´´

prum cientista suíço, todo certinho, e em alemão ainda, é mole?
e a coisa ainda avança: [Leia mais!]


[Post sem título, porque nosso George não gosta deles e nem de acentos]

1- zeno me aparece contando do charlie parker, semanas atrás, depois duma blitzkrieg na horta e numas carne lá, e mais uns 18 vinho durante, e uns outros tanto uísque antes e cigarro depois.
pra num falá nos café.

2- antontem.
voltando de poa., no aeroporto deles lá, que a livraria ainda tem livro de literatura (coisa que a de congonhas esqueceu, no sistemático fabrico poulista de autoglobobalização).
e dou cum livrim do cortazar (não se acentua certos tipos), de contos e, cum justo deles, sobre um certo johnny carter, não outro que o byrd parker lá, pela mão do tal demonio em letra.

4- entro no avião já lendo o demonio, e cumeça a se juntar coisa cum loisa, desdo zeno falando do tal e do cortazão penetrando na paris dos 50s de cabeça e tudo (o que, na hora do zeno lá antes, me fez se agarrá na tacinha de vinho, que tinha virado um balão soprado qnem besta pelo bafo do papo dos 2, avuando sobre pasto, encosta, cachoeira, lago e o escambau das highlands, foi um troço pra voltar dessa merdatoda...).
pois bem.

5- chego em sampa, no pouso local, vou atrás da cunversa na rede, e acho uns torrentão do parker.
mas acho tb. uma ex-quina perdida, um weather report homenageando o cara c/o birdland deles.
(troço esse que, entroutros do mesmo calibre, tornou meu fusca, nos antanhos 80s qdo td mundo tava deprê de tanta merda que esse país vivia, num tipo de tapete voador que nos levou pelo país adentro e afora, o que foi um viajão que só - ver um país querendo e não alcançando... e a-gente ali, sabendo como e não podendo, ou não sabendo ainda, era bem estranho isso, mas foi um tezão que só quem passou sabe, o que, por sinal, me deixa atônito que queiram vo(l)tar pra essa merda, incrível isso...).
enfim.

6- e, em pleno trazer de volta o som do relatorio do tempo - justamente nesse instante, exatamente no mesmo - no som do parceiro que ouvia um delicioso ahmad jahmal, ao lado, finda uma música e entra - oquê?:
weather report, birdland.
em outro computador e pograma.
não se acentua cortazares, compreendes?
e ainda deve de ter um p. engraçadinho nessa rede toda, em algum lugar, só pode ser.

7- e essa é a 3a. vez que to tentando escrever isso, e a cada vez algum dedo bate em alguma tecla, e me deleto dessa m. de blogue, o caray.
e já quebrei mais 2 taças.
portas fechando e abrindo...


shall we dance?

cabei de ver de novo o dito.
o original, desde 98, o japonez.

(pq teve um troço merigano despues)

agora c/ fontes das mais fidedignas.
e, pqp, que filme legal.

e que hora legal, então (é, os caras tavam começando a se quebrar, do sonho neolibê, td lá indo pro quiabo, a começar das relações) de fazer um filme desse.
além de belo, esse filme salvou 1ns milhão de casamento no jp de então.

só pelo bailar no fio da navalha entre tezão e amor.
e só, e só mesmo, por causa das mulheres.

continuava uma caretice fantasmando um monte de moleques, de várias idades, que nada tinham a ver c/ a m. daquela deseconomia existencial dos véio de então e de sempre.

(então, então, então, quanto então)

são essas as grande beleza: os cara, lá do japão, comendo o cinema italiano sobre o amor.

e sempre a respeito das mulheres, jamais fora disso.

viram o baile, do e'scola, e ficaram putos: qui caralho, cumé qui ainda num fizemo um traço desse aqui?

e deu nisso, um puro amor.
pelo fio das vossas navalhas verticais.
e faz quase 20 anos.
ai que delícia.

inda mais pq ainda permanece a pergunta do filme:
vc frequenta aqui por prazer ou por prática, bem...?


Dois ou três pitacos sobre a Segunda Temporada de House Of Cards (2014)

Se havia alguma dúvida na primeira temporada, esta aqui deixa tudo às claras: é Macbeth, puro e simples, embora o pobre Bardo tenha escrito enxutas páginas (a peça tem a metade do tamanho do Hamlet, por exemplo) e a rapaziada que assina os roteiros do seriado tenha enfiado subplot atrás de subplot em 13+13 episódios. Mas, pqp, que espetáculo de Macbeth atualizado, esse.

[pausa pruma divagação: depois que o Kurosawa abriu a porteira, no superestimado “Trono Manchado de Sangue/Kumonosu-jo” de 1957, transpondo o Macbeth escocês pro Japão do século XVI, qualquer um com dois neurônios já pensou em fazer uma adaptação da peça para os mais diversos contextos, desde disputas no mundo corporativo, passando por versões ambientadas em favelas, até chegar no síndico do condomínio de um prédio, casado com aquela megera manipuladora. Que nada disso tenha resultado em coisa boa, e que o seriado americano saia ileso, já diz muito sobre suas qualidades.]

Agora, que fique claro: é uma bobagem, ou melhor, é diminuir a importância do troço classificá-lo como uma “série que desvenda os bastidores da política americana”, ou coisa assim. Pra isso, temos aí um desses West Wing da vida, que nunca vi e nem sei se vale a pena. É uma aula, sim, sobre o funcionamento de relações de poder e de negociação, sobre adequação do caso à regra e da implosão desta por aquele, sobre o debate entre leis e democracia, ou entre legalidade e exploração de limites, sobre a construção contínua do assim chamado “jogo político”, com todos os puxões de tapete e alianças de praxe, sobre como, em qualquer situação cotidiana, e não só na política institucional, tensões de mando e de subserviência são postas e desfeitas, enfim, sobre esse troço estranho chamado nossa vidinha – com a peculiaridade de que a vidinha em Washington parece ser um caso exemplar de Ellenbogengesellschaft, “sociedade da cotovelada”, expressão alemã de sucesso na década de oitenta, em que todo mundo se acotovelava pra poder vencer a concorrência e pegar o solzinho yuppie da época. [Leia mais!]


3dez, cambio

- estamos c/ 10 0/0 de yamazaki e reduzindo, base.
- tente a nave russa...
- no horizonte, danificada, sinais fracos
- esgotando hakushu, base
- perderemos contato talvez logo
- que merda, base
- é, tem dias que é mesmo assim, falhando nilsom, dêem posição atual
- aqui hoje tá ní­vel stamtisch, sacumé..?
- qui merda é ess...!?!?
- é, tem dias qui só dandum rolê.
- quicaraio de papo é ess? posição, pô!
- to tentando nâo sair fatiado aque.
- dê sua posição, então
- não tenho idéia
- olhe pra onde vc pode, marque um ponto de referencia.
- tem um monte de imbecis à minha direita e um monte de idiotas à minha esquerda.
- tente ir p/ aonde aparece uma placa de 'braços abertos'.
- quicarai, onde tem isso?
- procura, imbecil, não tem outro bar de fundo por perto, vamos perder contato a qualquer momento, tão se fechando todas as janelas de entrada, tá tudo em pedaços, tá um rolê que só, só raspas e restos, pelo espaço todo ....
- uai, isso eu já vi faz tempo, é cazuza.
- mlfaxwfnnfav.... acorda porra.
- to c/o pão do clooney aque, danem-se vcs.
- e são os zenos que tão falando aque, anta, acorda cacete...!
tá cheio de red aque.
- ah, intindi, po, e oba, ue,ue,ue...
a merda é que to caindo no texas.
- perfeito, eles não têm defesas p/uísque bom.


Atenção: o post abaixo é patrocinado

Oi, meu nome é Zeno e eu queria fazer um depoimento: adorei essa história de postar uma única música, que é o que vou fazer novamente aqui.

Oi, meu nome é Zeno 2 e eu queria fazer outro depoimento: faz uns meses que as pessoas que convivem comigo sabem dessa minha nova obsessão e têm a maior paciência com ela: a melhor coisa que vi este ano, neste ingrato terreno cinéfilo de filmes ruins e gordurosos, foram os poucos segundos de um comercial do Bradesco Seguros (!?!), em que um cachorro-caído-de-mudança (quem lembra do ditado "Mais perdido que cachorro caído em mudança" levante a mão) zanza pela casa nova, cheia de funcionários da empresa de mudança, em meio a objetos e situações desconhecidas, um ser-aí-jogado-no-mundo heideggeriano em busca de um Sentido. Uma voz em off, no comercial, vai nos dando a vida interior do cachorro, suas constatações, suas dúvidas, etc, até que surge a fórmula mágica: "Cadê minha casinha? Cadê minha bolinha? Cadê meu ossinho?". Depois ele reencontra a família e temos o final feliz de praxe. Mas essa fórmula acima virou bordão aqui em casa, um tremendo substituto do já gasto "mimimi": cada vez que meu filho, por exemplo, começa a reclamar de alguma coisa, é brindado com as frases iniciais, "cadê minha casinha? etc", e a discussão se desfaz em risos. De quebra, o tal cachorro deveria ganhar o prêmio de Melhor Interpretação Dramática do Ano, pela seguinte cena: ele está zanzando, pára em busca de proteção, toma vários encontrões dos funcionários, esconde-se embaixo de uma mesa, mas a mesa é retirada logo em seguida. Pois bem, aqueles centésimos de segundo em que a mesa é retirada e ele se abaixa alguns centímetros, assustado, foram o maior Momento de Verdade que vi este ano.

Oi, meu nome é Zeno 3 e queria fazer um último depoimento: anos atrás uma alma caridosa me brindou com a discografia do White Stripes, mas, sujeito indisciplinado que sou, nunca ouvi o troço direito, vou pinçando uma música aqui, outra acolá, passo uns meses obcecado com uma, a ponto de decorar a letra (The Denial Twist), esqueço outras no caminho. Até ontem. Ontem, o glorioso Jack White me mostrou, em termos musicais, o que é essa sensação vivida pelo cachorro acima e por tanta gente que conheço. Eu, inclusive. A música chama-se "Little Room", tá no disco White Blood Cells, de 2001, e você pode baixá-la aqui. A letra, tão simples que mereceria vencer, junto com o comercial, algum Prêmio de Parcimônia Artística a ser inventado, pode ser conferida no Leia Mais abaixo.

E um Feliz Ano Novo pra todos nós, em quartos grandes ou pequenos. [Leia mais!]


Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958)

Não somos loucos de escrever um texto sobre um filme que já foi virado do avesso de tudo quanto é jeito possí­vel (menos de um especí­fico jeito, ahã, filosófico, mas esse palpite é tão bom que vamos guardar prum texto acadêmico a não ser escrito em futuro incerto). Pra quem não viu a pesquisa, o filme foi eleito ano passado o mais importante da história do cinema no ranking confiabilíssimo do British Film Institute em parceria com a revista Sight and Sound (naquela votação que acontece de dez em dez anos e que tem, a seu favor, a qualidade e a quantidade da amostragem dos consultados). Por que o filme aparece, então, aqui no Hipopótamo? Porque está sendo exibido em tela grande em algumas cidades do país e isso merece registro mais detido. Vamulá:

..a cópia exibida é digital, com padrão de qualidade blu-ray. "É melhor então assistir em casa?". Não, caro leitor, a não ser que você tenha uma tela de nãoseiquantosmetros na sala.

..o operador da projeção na sala do Shopping da Pompéia, em SP, deve ter se atrapalhado com os botões do controle remoto, porque a versão estava com legendas em português de Portugal. Funcionou como um layer a mais, sem dúvida. Sem falar no fato de que descobrimos como o filme se chama lá na Terrinha: "A mulher que viveu duas vezes", mais um item na imorredoura galeria dos tí­tulos de filme que entregam o plot, como o igualmente português "O filho que era a mãe" pro "Psicose" - mas esse é piada, porque o filme em Portugal se chama "Psico".

..havia 15 almas abnegadas na única sessão do dia, na sala 3 que comporta 198 comedores de pipoca, o que significa: corra, Lola, porque vai sair de cartaz antes que você seja capaz de dizer San Juan Bautista, o vilarejo que serviu de locação pra seqüência da torre.

..o que mais chamou a atenção graças à tela grande:

a) a paleta de cores deslumbrante, desde os menores objetos - almofadas verdes do apartamento de Scottie, por exemplo - até o vermelhão da Golden Gate na cena do mergulho (e pra quem gosta de análise conteudística de filmes, tem até maluco que fez associação entre cores e temas ao longo das diferentes cenas).

b) a trilha do Bernard Herrmann, que definitivamente carrega o filme nas costas nos momentos de suspense, muito mais do que quando se vê o filme na TV de casa. Aliás, ela não carrega o suspense - ela é o suspense. Veja-se, por exemplo, o uso dosado dela nas cenas em que Scottie vigia os passeios de Madeleine: os acordes surgem nas externas (museu, cemitério, etc) e desaparecem quando ele está dentro do carro, com a cidade em back projection. Outra coisa: as citações wagnerianas de Tristão e Isolda na trilha ajudam a dar densidade ao amor impossí­vel dos dois, com aquele palpite inconsciente que fica no fundo da cabeça do espectador, "hum, esse negócio não vai acabar bem".

c) o desempenho do James Stewart - os metros a mais de tela nos dão a certeza de acompanhar a paixão e a perversão corporificadas em um rosto, em gestos, em olhares, no tom de voz, enfim, naquilo que faz um ator ser genial.

..já perdemos a conta de quantas vezes vimos o filme, mas em todas elas a sensação sempre volta: o acerto de se antecipar a "revelação", o twist da trama, que acontece com 1h19min de filme, permitindo que o restante, quase 50 min, se ocupe do que realmente interessa, a montagem progressiva da obsessão que parte de uma espécie de zero psí­quico, isto é, da catatonia literal em que Scottie se encontra depois de perder seu grande amor, e que vai puxando fios e ecos de tudo quanto é referência que se possa imaginar, um leque que cobre Pigmaleão e Galatea, Orfeu e Eurídice, Proust, etc, sem esquecer da necrofilia e da suprema crueldade dos deuses que é dar de volta ao herói a amada morta para matá-la uma segunda vez. Que tudo isso, de quebra, termine com um dos planos finais mais arrepiantes da história do cinema, é só mais um tira-chapéu ao Velho Hitch.

..se a segunda parte se ocupa da obsessão, a primeira é a montagem da paixão, e de novo é preciso que o chapéu seja levantado: poucas vezes no cinema o recurso conhecido do "fazer a personagem masculina se apaixonar pela mulher misteriosa/Bonitona com Amnésia (copyright Tom Gauld; é a nova encarnação da nossa boa e velha Garota Tipinho Problemática) foi tão bem feito como aqui. Basta comparar as falas e atitudes de Madeleine com as de Judy, e que seja a mesma atriz a fazer as duas é novamente crueldade bem pensada: a primeira, lacônica, vaga, fugidia, "oh, onde estou?"; a segunda, bola pra frente, veio dos cafundós do Kansas, "ai que vontade de comer um bife!". Em qual cumbuca o pobre Scottie e quase a totalidade da minha agenda de telefones de amigos quer botar a mão?

..um último elogio a se ver o filme em tela grande: quando é que você vai ter outra chance de ver o suéter verde da Kim Novak estampado em generosos metros quadrados, em vez dos centímetros acanhados da sua TV? Se o cinema, já disse um sujeito muito mais esperto do que nós, "é a arte de mostrar mulheres bonitas fazendo coisas", não conhecemos exemplo melhor do que a Kim Novak zanzando pra lá e pra cá com aquele suéter.

..brinde final, pra quem teve pachorra de ler até aqui: amanhã postaremos a trilha do filme, na edição de 1996 do selo Varese Sarabande, dando prosseguimento ao pagamento de promessa feito ao nosso sabático DJ Mandacaru.


eferimentérides

lama
segue
c'est la vie:



que papo é esse...?

...texturas e transparências somadas ao deslocamento de planos e inclinações negativas foram uma das apostas...
...com um volume que mais se parece a um grande sofá no horizonte...(sick, n.r.)
...com a aposta de estabelecer uma leitura clara da marca ao espaço corporativo, conceitualizada no formato “modern office"...(idem, n.r.) [Leia mais!]


na verdade

...


constatações

um homem muito baixo levantou-se do seu assento e estendeu a mão.
- comissário maigret?
- sim.
- stéphane louceck. sente-se.
maigret apresentou seu companheiro:
- o inspetor lepointe.
- sente-se também, por favor.

era muito feio, de uma feiura pouco simpática.
o nariz, comprido, tinha protuberancias e finas estrias azuladas, e pelos castanhos lhe saíam das narinas e das orelhas.
quanto às sobrancelhas, de uns dois centímetros de largura, eram espessas e emaranhadas.
o terno estava amarrotado e a gravata parecia de plástico.


como prevíamos

nosso editor de qqercoisavisualmovendo finalmente terá as janelas que pediu à phillips:

teves-vidraça.

janela discreta.jpg


putaria da grossa

a associassão dos ator de lá mesma.
roliúdi um finister que eu quero curtinental:
http://www.afi.com
vejam as conversas nas homenagens.
depois lembrem da groubo.
e pensem na america.
e sigam por simesmos sobre talentos e países que os abrigam e desenvolvem.
compreendes?


Guerra Mundial Z (World War Z, 2013)

Quem lê o blog há algum tempo sabe da nossa predileção pelo proletariado mundial das últimas cinco décadas, os zumbis. Não, infelizmente Guerra Mundial Z não vai entrar pra galeria das obras-primas do gênero, o que é uma pena, porque este é o primeiro filme de zumbi da história feito com grana a valer, e essa dinheirama toda aparece inteira na tela, com as seqüências lotadas de efeitos especiais de cair o queixo. Muita gente já escreveu sobre os problemas de produção (jogaram fora os 40 minutos finais e refizeram o fim do filme; trocaram de roteirista 4 vezes; o orçamento parrudo de 150 milhões de dólares estourou pra mais de 200), e é razoável supor que não veremos outro filme big budget com nossos simpáticos zumbis por um bom tempo.

Tá mais pra filme de tensão do que pra grand guignol - nem sangue tem, pra não comprometer a classificação da censura nos EUA, 13 anos, o tal Parental Guidance 13; a faixa seguinte já é a R, Restricted, que excluiria o público adolescente das salas e afundaria a bilheteria da bagaça. Filme de zumbi sem morto-vivo mastigando pedaços saborosos de seres humanos parece um desperdício, mas duas contribuições/novidades do filme em relação ao gênero nos parecem indiscutíveis: a velocidade alucinante dos infectados, esquema The Flash, ajudados pela montagem "headshot-vale-bônus", e a massa informe de zumbis se deslocando em obediência à mecânica dos fluidos, verdadeiros tsunamis de mortos-vivos inundando as ruas das grandes cidades como se fossem rios de insatisfação popular.

Pontos altos: as cenas iniciais em Filadélfia e a seqüência em Jerusalém. Ponto baixo: o tal final novo inventado de afogadilho, 20 ou 30 minutos completamente deslocados do restante do filme.

Conclusão mezzo distraída: é melhor que os governos mundo afora comecem realmente a enfrentar o problema da desigualdade de renda o quanto antes. Porque, camarada, quando as massas se enfurecerem pra valer, zumbi style, não vai sobrar nem "bosta pra fazer a autópsia", como dizia um amigo das antigas, de alma mais poética. Ou seja: los indignados chegaram. E eles têm fome.


Richard Matheson (1926-2013)

Putz, e morreu o Richard Matheson. Quem? Seus ingratos, cliquem na Wikipedia em inglês ou na versão pobinha em português, ou mesmo na lista do IMDB. No registro depoimento boboca, posso dizer que ele foi o cara que, ao lado do Harlan Ellison , moldou a maneira pela qual comecei a entender e gostar desse negócio esquisito chamado ficção científica, normalmente um gênero que sofre com a ruindade reinante de modo até mais acentuado do que outras searas da cultura pop, mas isso é assunto pra outra hora. O que dizer de um cara que esteve envolvido numa lista de filmes e seriados de TV que vai de "Incrível Homem que Encolheu" ou de "Mortos Que Matam"(que depois virou "A Última Esperança da Terra" e desembocou no "Eu Sou a Lenda"), passa por episódios do "Além da Imaginação/Twilight Zone" e do "Star Trek", e chega até o "Encurralado" do Spielberg?

Matheson era o cara. E a melhor homenagem é ir atrás dos filmes e das séries feitas a partir das suas histórias. O Sindicato Informal de Roteiristas Injustiçados pelo Sistema (SIRIS) agradece.


Jornada nas Estrelas - Além da Escuridão (2013)

Podemos inventar nova categoria de apreciação estética das artes cinematográficas? Sim? Então vamulá: Star Trek - Into Darkness é o filme que mais me fez suar no cinema, em cinco décadas de peregrinação cinéfila. Literalmente saí da sala com a camisa empapada, com ar condicionado funcionando e tudo o mais. Cada uma das seqüências de ação, e são muitas, quase todas boas, muito boas ou simplesmente sensacionais, parece ter sido decupada e montada pra provocar o máximo de tensão, o máximo de desespero, o máximo de ficar na ponta da poltrona. Não me lembro de outra máquina de diversão tão azeitada assim, e esse é exatamente o ponto: é difícil julgar o troço, visto num IMAX 3D com som perfeito, com categorias estéticas tradicionais, um pouco a mesma sensação quando se falou do Avatar aqui no blog. Trocando em miúdos, a sinestesia pura está aquém das categorizações fornecidas pelos conceitos. Daria até pra fazer um reparo ou outro quanto à linguagem, excesso de close-ups, por exemplo, vício da origem televisiva do diretor e que já tinha transformado o Missão Impossível 3 num telefilme pesadão. Ou a droga do foco que oscila mais que direção de passeata em SP, mas talvez a culpa seja da câmera trambolho do Imax, porque o mesmo defeito dava pra ser visto no horroroso Batman 3 do Christopher Nolan.

Mas a sinestesia é só metade da história. A outra metade é o prazer de ver o filme na estréia, junto do público nerd, geek, trekker, o escambau, de todas as idades, incluindo umas quinze, vinte cabeças branquinhas, branquinhas, o que suscitou a seguinte pergunta de minha esposa Íris: "Quinem show do Black Sabbath?". Exatamente quinem. Durante as cenas, hum, emotivas, e de novo há várias, deitando e rolando na mitologia da série, dava pra ouvir em alto e líquido som o soluçar da platéia, incluindo este que vos fala, obrigando um monte de marmanjo, véio e novo, a enxugar os bacanudos óculos 3D do Imax. Ou outra diversão, que foi ouvir o cinema inteiro, em uníssono sussurrado, declamando as palavras imorredouras, míticas, "Space: the final frontier. These are the voyages of the starship Enterprise. Its five-year mission: to explore strange new worlds, to seek out new life and new civilizations, to boldly go where no man has gone before.", com a ligeira modificação, em tempos de correção política, para "where no one has gone before".

Enfim, e pra resumir: foi o máximo. Tem gente falando mal, tem gente com argumento boboca, tem gente falando bem. Mas vá, veja, de preferência no Imax, e dê seu palpite. E uma última provocacão: chupa, Star Wars!


"Stand Up Guys"

e fodase os críptico.
e amigo é pressas coisa.
e until o the end.
e viva o alan arkin.


lados b

bruce dern é(ra) um injustiçado.
talvez fosse dele, entre outros, que o kennedy falava...
john era um cara que destoava.


Bolsa Família para detetives particulares

[Eddie Mars:] — Is that any of your business?

[Philip Marlowe:] — I could make it my business.

[Eddie Mars:] — I could make your business mine.

[Philip Marlowe:] — Oh, you wouldn't like it. The pay's too small.

(Do filme À Beira do Abismo/The Big Sleep, na versão com o Bogart no papel de Marlowe. Para os completistas de plantão: sim, o diálogo é tirado ipsis litteris do livro do Raymond Chandler)


50 Melhores Filmes de Ficção Científica

Nós gostamos de listas. Essa é do ano passado. Não tem muita coisa surpreendente. Tem, hum, polêmica (Blade Runner em primeiro? Faça-me-o-favor). Tem, hum, omissões (cadê o Soylent Green?). Dos 50, não vi 2, e tô indo atrás num Cine Torrent mais próximo.

Aqui, ó:

The Top 50 Sci-Fi Films of All Time


woodye goodyear

esses pseudos que andam falhando mau do woody allen não estão entendendo nada.
há anos.

é que ele tá cada vez mais bossa nova, tom jobim, joao guilberto, chico e vinicius, caimmy.
barcelona, paris, londres, roma.

essa ultima dele de apresentar o banderas comum mastroiani contemporaneo, foi genio.
um golaço.
reapresenta ambos nas próprias - e devidas - dimensões.

intelequiituéis, vcs precisam apreender o que é ser sós:
brigas nunca mais.


belas letras

já tava querendo, que só, um poste, agora vai de vez.

'cabamo de ver o docu do truebas, 2000, sobre o tar de 'leitindjáz': 'rua 54', em leitinjáz: 'calle 54'.
um frio que só, nóviórqui, e o calientíssimo en-trópico todo que se encontrou lá.

(tem uma bruta duma delicadeza aqui:
é de 2000 o filme, as torre inda aparece, parecia que a gente ía 'indo bem'...
coisa assim devia se chamar feel-me.
adiante se entende porquê porque é porquê.) [Leia mais!]


tristeza, não tem fim, felicidadesim...

mas o skyfall é o mais triste dos bonds todos, vichmaria...
é o thriller mais triste queu já vi, caraio, ô zeno...
nóssinhora.
até o teu pedreiro tá puto c/ a história.


puxa o whiskey aí, acha um canto sossegado e

nempricisa intendêtudo, só sentá eficáuvinu:



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