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27 Agosto

Região atingida é origem de ícones da cultura e da cozinha

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A região no coração da Itália atingida pelo forte terremoto que deixou mais de uma centena e meia de mortos na madrugada de terça (23) para quarta-feira (24) reúne também uma série de ícones da cultura do país.
Nórcia, epicentro do tremor, é a cidade de origem de Brancaleone, o quixotesco anti-herói de “O Incrível Exército Brancaleone”, clássico de 1966 do diretor Mario Monicelli que traz Vittorio Gassman no papel principal.
Ao sul de Nórcia, Amatrice, cidade reduzida a escombros na região de Rieti, é conhecida pela gastronomia e por emprestar seu nome a um dos pratos mais apreciados da culinária italiana, o molho all’amatriciana.
O prato, patrimônio local desde o século 19, leva guanciale da região, azeite extravirgem, vinho branco seco, tomate, pimenta malagueta e queijo pecorino (há receita oficial no site da cidade).
Outro item culinário popular também é oriundo da região de Nórcia, a Perúgia: em San Sisto, 100 km a noroeste do epicentro, está a fábrica da Perugina, marca que criou o bombom Baci.

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18:26:25 - DJ Mandacaru - Comentar

23 Agosto

Aos 94, não dá nem pra reclamar


"Esse assunto não é teu, DJ"

Prosseguindo no experimento explicado no post anterior, desta vez o escolhido foi um considerado do HZ, o jornalista Carlos Calado, que publicou a matéria abaixo na Fôia de hoje.

Thielemans revelava alegria contagiante, quase infantil

Carlos Calado

O jazz perdeu o talento de Toots Thielemans, ícone mundial da gaita. O músico e compositor belga morreu na manhã de segunda-feira (22), dormindo em um hospital de Bruxelas, segundo sua produção. Tinha 94 anos e estava internado havia um mês, após sofrer uma queda.

Nascido em 29 de abril de 1922, em Bruxelas, Jean-Baptiste Frederic Isidore Thielemans foi introdutor da gaita de boca (ou harmônica) na cena do jazz e reinou absoluto por cerca de seis décadas.

As limitações técnicas desse instrumento não o impediram, ainda nos anos 1950, de dividir shows e gravações com expoentes do gênero. Para isso adotou a harmônica cromática (evolução da gaita diatônica, que é mais utilizada pelos músicos de blues).

"Quando comecei a tocá-la, na década de 1940, os músicos de Bruxelas diziam que eu devia jogá-la fora. A gaita era tratada como um brinquedo, não um instrumento de verdade", disse Thielemans à Folha, em 2007.

Antes de se popularizar como gaitista, já era reconhecido como um promissor guitarrista. Em 1950, excursionou pela Europa com o sexteto do clarinetista Benny Goodman. No ano seguinte emigrou para os Estados Unidos, onde integrou por seis anos o quinteto do pianista George Shearing.

Já atuando como solista, em 1961, lançou "Bluesette" –delicada valsa de sua autoria, em cuja gravação associou seu assobio ao som da guitarra. Gravada posteriormente por dezenas de músicos de diversos países, essa composição se tornou um clássico do jazz e jamais saiu do repertório dos shows do gaitista.

Entre tantas parcerias com jazzistas de alto quilate, como Quincy Jones, Ella Fitzgerald, Oscar Peterson, Shirley Horn ou Jaco Pastorius, o disco que Thielemans gravou com o pianista Bill Evans, "Affinity" (1979), é um trabalho um tanto esnobado na época que merece ser reavaliado.

A expressividade de sua gaita também o levou a ser convidado para gravar trilhas sonoras para filmes, como o hoje cultuado "Perdidos na Noite" (1969), além de "Os Implacáveis" (1972) e "Jean de Florette" (1986). Também participou de trilhas sonoras de programas de televisão, caso do infantil "Vila Sésamo".

Ao gravar um disco com Elis Regina ("Aquarela do Brasil", mais tarde rebatizado de "Elis & Toots"), em 1969, Thielemans expressou sua paixão pela música brasileira, interpretando canções de nomes como Ary Barroso, Tom Jobim, Edu Lobo e Egberto Gismonti.

Já em 1992, resgatou o namoro com a MPB em "The Brasil Project", álbum com canções de Ivan Lins, Djavan, Chico Buarque, João Bosco, Milton Nascimento, Gilberto Gil e Caetano Veloso, entre outros, com participações dos próprios compositores. A repercussão internacional desse disco o levou a lançar "The Brasil Project 2", no ano seguinte.

Desde 1980, quando se apresentou no Segundo Festival Internacional de Jazz de São Paulo, Thielemans retornou várias vezes ao país –a última foi em 2009, no Festival Jazz & Blues de Guaramiranga (CE). Quem teve a sorte de vê-lo tocar ao vivo sabe que, além do lirismo de sua gaita, no palco ele revelava uma alegria contagiante, quase infantil. O sorriso de Toots também vai fazer falta.

Um festival de jazz com seu nome está agendado para setembro em La Hulpe (a 25 km de Bruxelas), onde ele vivia.

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13:20:56 - DJ Mandacaru - Comentar

11 Agosto

HZumbi - O cemitério das cantoras mortas-vivas

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Não é nem a primeira vez que uma cantora-fantasma aparece no HZ. A Anita Ellis, mencionada no texto abaixo, soltou o trinado aqui faz mais de cinco anos. Mas agora morreu mais uma - Marni Nixon, o que está transformando a expressão cantora-fantasma numa descrição literal dos acontecimentos.

Esse post também inaugura a nova iniciativa tecnológica IoT do HZ - "CtrlC/CtrlV 4.0". Nela, os colaboradores - involuntários - têm seus posts enriquecidos e expostos, em sua crua natureza, pelos canalhas aqui da redação. O escolhido (à sua revelia) para a inauguração foi o jornalista Ruy Castro, que publicou o panegírico na edição de 6 de agosto, na Fôia.

O estigma da cantora-fantasma

Ruy Castro

RIO DE JANEIRO - Morreu em Nova York, aos 86 anos, uma cantora chamada Marni Nixon. Você provavelmente não a conhece. Mas já se cansou de escutá-la — e admirá-la. Basta se lembrar de quando assistiu, no cinema, na TV ou em vídeo, a musicais como "O Rei e Eu" (1956), com Deborah Kerr, "Amor, Sublime Amor" (1961), com Natalie Wood, e "My Fair Lady" (1964), com Audrey Hepburn, e se surpreendeu com essas estrelas como cantoras. Pois tinha razão em se surpreender — quem cantava por elas no filme, sem crédito, era Marni Nixon, uma profissional da ópera.
Parecia o crime perfeito. Os estúdios omitiam seu nome na tela, obrigavam-na por contrato a não revelar sua participação e insinuavam que, se ela contasse, nunca mais trabalharia em Hollywood. Marni obedecia. Mas não podia evitar que alguns se perguntassem, por exemplo, de onde Audrey, com seu sopro de voz em "Cinderela em Paris" (1957), tirara aquele vozeirão para interpretar "I Could Have Danced All Night" em "My Fair Lady". Ou por que a voz de Natalie em "Amor, Sublime Amor" não era a mesma que cantava em "Gypsy" ("Em Busca de um Sonho", 1962) e soava diferente de novo em "À Procura do Destino" (1965).
A morte dos estúdios nos anos 70 decretou o fim desses segredos. Desde então, sabe-se que Anita Ellis cantava por Rita Hayworth em "Gilda" (1946) e Annette Warren por Ava Gardner em "Show Boat" ("O Barco das Ilusões", 1951). Ou que Debbie Reynolds, ao supostamente cantar por Jean Hagen em "Cantando na Chuva" (1952), estava sendo, na verdade, dublada por Betty Noyes.
A própria Marni depois contaria sua história numa autobiografia e em muitas entrevistas, e prosseguiria sua carreira lírica, respeitada por maestros e compositores sérios.
Mas, coitada, nunca se livrou do estigma a que os estúdios a condenaram: o de ser uma cantora-fantasma. 
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