:: home :: posts passados :: etilíricas :: je me souviens :: microcontos ::


Todos

Todos os posts do mês. Para selecionar uma seção, clique no menu ao lado.


.:: mês anterior :: :: :: :: February 2014 :: :: :: :: próximo mês ::.

25 Fevereiro

A Grande Beleza (La Grande Bellezza, 2013)

O gancho não é pra falar do filme, concorrente ao Oscar de Filme Estrangeiro no próximo domingo – embora ele seja das poucas coisas boas em cartaz, com seus erros, acertos, irregular, grandioso, excessivo e mais um monte de adjetivos à escolha. Não, é pra falar da trilha, lançada em dois discos, um com as músicas eruditas, lindas, que tocam a todo momento naqueles travellings sensacionais de que o filme usa e abusa, o outro, com as músicas pop (italianas em sua maioria), divertidas à beça, que aparecem nas festas da personagem principal. Ou melhor, não é nem a trilha que é o assunto do post, e sim uma música, I Lie [Eu me deito], de 2001, do compositor americano David Lang (wiki nele, aqui), musicando um poema iídiche de um tal Joseph Rolnick (esse nem wiki tem, só um obituário de 1955).

O poema fala de uma mulher que aguarda o amado, que virá à noite, trazido pelo trem. O modo como as vozes femininas do coro cantam os versos, escandindo as sílabas bem len ta men te, lembra canto gregoriano, claro, mas lembra também que estamos a enunciar a própria demora do amado e o ritmo repetitivo dos trens que vêm e vão. Quase ao final, surge uma soprano solista, que começa a falar, em ritmo normal, os versos cantados anteriormente, enquanto o coro continua a cantilena cadenciada. Ela pula uma estrofe, “ultrapassa” o coro e chega ao verso final, “Yo! Er iz gekumen!” (Sim, ele chegou!”) alguns segundos antes do coro, que segue seu ritmo e se junta a ela na repetição feliz e sentida deste “ele chegou, ele chegou, ele chegou”. Aqui, pode-se baixar a faixa. Abaixo, segue a letra e uma tentativa de tradução caseira, feita por interposição do inglês e do alemão; as rimas, nos versos pares, se perderam; em compensação, atire a primeira pedra o ignóbil que não se emocionar com o grito da amada, “Yo!/Sim!”, ao final:

Leyg ikh mir in bet arayn
(Deito no leito sozinha)
Un lesh mir oys dos fayer
(E sopro a vela)
Kumen vet er haynt tsu mir
(Hoje ele vem pra mim)
Der vos iz mire tayer
(Aquele que é meu tesouro)

Banen loyfn tsvey a tog
(Os trens passam duas vezes ao dia)
Eyne kumt in ovnt
(Um deles ao anoitecer)
Kh'her dos klingen - klin klin klon
(Posso ouvir o som: klin klon klin)
Yo, er iz shoyn noent
(Sim, ele se aproxima)

Shtundn hot di nakht gor fil
(A noite é repleta de horas)
Eyns der tsveyter triber
(Uma mais triste que a outra)
Eyne iz a fraye nor
(Só uma é feliz)
Ven es kumt mayn liber
(Aquela em que virá meu amado)

Ikh her men geyt, men klapt in tir,
(Ouço alguém, batem à porta)
Men ruft mikh on baym nomen
(Meu nome é chamado)
Ikh loyf arop a borvese
(Levanto-me e corro descalça)
Yo! er iz gekumen!
(Sim! Ele chegou!)

Aqui, a parte cantada pela soprano, sem a estrofe sobre as noites e as horas:

Leyg ikh mir in bet arayn
(Deito no leito sozinha)
Un lesh mir oys dos fayer
(E sopro a vela)
Kumen vet er haynt tsu mir
(Hoje ele vem pra mim)
Der vos iz mire tayer
(Aquele que é meu tesouro)

Banen loyfn tsvey a tog
(Os trens passam duas vezes ao dia)
Eyne kumt in ovnt
(Um deles ao anoitecer)
Kh'her dos klingen - klin klin klon
(Posso ouvir o som: klin klon klin)
Yo, er iz shoyn noent
(Sim, ele se aproxima)

Ikh her men geyt, men klapt in tir,
(Ouço alguém, batem à porta)
Men ruft mikh on baym nomen
(Meu nome é chamado)
Ikh loyf arop a borvese
(Levanto-me e corro descalça)
Yo! er iz gekumen!
(Sim! Ele chegou!)
13:18:47 - Zeno - 5 comentários

22 Fevereiro

recórde de zenismo* atingido

um tipo por aqui, nas highlands, há 7 anos 'fazendo análise'.
p/ deixar de fumar.
sem sucesso.


*um tipo específico de ordinarismo existencial.

.:: mês anterior :: :: :: :: February 2014 :: :: :: :: próximo mês ::.