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30 Setembro

Agora vai!

Skafandro

O berço e a tumba do socialismo.
20:37:37 - Pinto - 2 comentários

Burro e pobre

Deu na Inbox: "Convite da Ordem dos Gregários. Três são os maiores objetivos do Homem:
1º) Adquirir conhecimento;
2º) Adquirir riqueza;
3º) Abrir mão das duas."

Lôco, né?
13:23:29 - Zeno - 3 comentários

12 anos de Cool

Cara de Cool

Registramos a efeméride e fazemos nossa homenagem a essa revista editada em Sobral, aquela cidade que cultiva estrangeirismos com tal entusiasmo.
12:45:45 - Pinto - 6 comentários

29 Setembro

Boteco São Bento

Nunca pusemos os pés lá, nem jamais pretendemos pôr. Mas nossa avaliação do lugar vai ser sempre a melhor possível, tá?

(PS — E não é verdadeiro o boato de que pretendem mudar o nome para Boteco São Bento XVI!)
13:35:17 - Pinto - 4 comentários

Quem tem amigo não morre pagão

Ó, mas nem o Google pra responder tão rápido:
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"Várias músicas falam em Quixeramobim embora nenhuma delas seja de estrondoso sucesso:

1) Quixeramobim: "Onde é que tem uma redinha muito boa/ Pra depois do almoço a gente descansar" - autoria de Gordurinha, gravada por Ary Lobo
2) Quixeramobim: "Acho que tudo balança/ tua dança é um balancê, balançá/ acho que tudo é criança/ na lembrança tua trança no ar" - Nonato Luiz e Fausto Nilo, gravada por Fagner
3) Pau de Arara: "Vou me embora por meu Ceará/ porque lá tenho nome/ aqui não sou nada........tinha um amigo meu lá do Quixeramobim que comia gilete...." - Carlos Lira e Vinícius de Moraes
4) Até o Fim (?): "Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso/ em Quixeramobim" - Chico Buarque de Holanda

Colaboração do ouvinte Fausto Nilo
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Pela transcrição

DJ M

Diversão à base de tinta

O jornal impresso morreu mas passa bem. Só ele pode nos trazer, para alegrar mais uma manhã, os seguintes acepipes:

--uma foto do sujeito que explodiu a vizinhança com os fogos de artifício, consternado e trajando uma camiseta onde se lê: Wipe out.

--a declaração de um sujeito, proprietário de outro imóvel que também explodiu, desta vez por hospedar fábrica de balões: "O inquilino é meu cunhado e mora de favor".

--pofim, a sempre confiável Sonia Racy, que nos traz a informação: "Cauã Raymond ouriçou a boate The Week no sábado. Não, o moço não mudou de turma. Só está fazendo pesquisa para encarnar personagem homossexual no novo filme de Toni Venturi". Como a gente costuma dizer aqui na redação, "Da linha: sei".
09:24:54 - Zeno - 1 comentário

Desafio ao DJ Mandacaru

Agora que o Ceará voltou à cena (nunca ausente de nossos corações), vejo em programa esportivo ontem, hora do almoço (ehh, cambada), entrevista com o atacante Iarley, momentaneamente defendendo as cores do Goiás. À pergunta "Onde você nasceu?", o veterano jogador responde Quixeramobim e é instado pelo locutor a dizer uma música em que apareça, na letra, sua cidade natal. Ele arrisca uma, sem lembrar da melodia, o locutor menciona outra, mais famosa, e está montado o nosso desafio caseiro. E aí, Mandaca, que músicas eu terei de cantar se quiser homenagear a cidade do Iarley?
09:06:30 - Zeno - 3 comentários

eu ia ficar quieto mais num dá

depois dessa:

vai encará?

só tomanouma. [Leia mais!]

28 Setembro

A morte do blog

Depois da descoberta de que os jovens não usam mais e-mail, de que ninguém downloada nada, e sim acessa em nuvens, de que até um veículo como o Estadão anunciou hoje o abandono das url's em suas edições, enfim, depois dessa coisa toda, o Twitter dizimou, aqui na redaç
21:57:34 - Zeno - 2 comentários

A City Of Hot Nights And Cold Blooded Murder


Quem lembrou do filme foi um colega de uma lista de discussão, a Desafinado, atualmente se recuperando de uma overdose coletiva de Haldol ou algum estupefaciente.

Bom, o filme: Midnight in the Garden of Good and Evil, de 1997, dirigido pelo Clint Eastwood. Mais detalhes e uma crítica acurada sobre a película podem ser solicitados ao nosso editor-em-chefe, que, mesmo não aparentando, já podia ver filmes impróprios até 18 naquela época. O que me interessa aqui é que o filme se passava em Savannah (A City Of Hot Nights And Cold Blooded Murder), quer dizer, igualzinha a Iguatu, só que na Georgia, e é entre outros méritos, lugar onde nasceu Johnny Mercer (assim como foi em Iguatu que nasceu Evaldo Gouvêia, que que há, vão encarar?).

O Clinton, vocês sabem, adora jazz e standards. Não só alugou a casa da família como cenário, mas ainda fez toda a trilha com músicas do Mercer. Segundo esse amigo, nem o filme, nem a trilha podem ser encontrados nas boas lojas do ramo.

Bom, pelo menos a trilha está aqui. [Leia mais!]

Espelho meu

Sob o título "Manhattan do Sertão", na rubrica "Vida Brasileira", Veja —quem mais?—, faz uma peça de campanha eleitoral matéria a pretexto da cidade de Sobral, interior do Ceará, e suas esquisitices. Coincidentemente, a mesma edição trata do crescimento de Ciro Gomes nas pesquisas e suas críticas a José Serra (que, aliás, já disse via seu porta-voz Josias de Souza que não entra em baixarias: havendo quem entre por ele é sempre melhor). Sintomaticamente, a peça matéria está aberta no site, para quem quiser ler.

É um texto atroz. Situa no agreste uma cidade que fica no semi-árido, algo típico de quem não fez um bom primário e cujos limites geográficos não vão muito além do paralelo 23. Coisa de repórter iniciante, desinformado e ansioso por exercitar sua verve sob os auspícios do editor/patrão. Tolo, fora de contexto, maldoso, preconceituoso, que nada acrescenta a um debate sério, exceto por uma frase solta logo no início do texto (que, afinal, vale a leitura):

"(...) cultiva estrangeirices com tal entusiasmo que passou a ser conhecida no resto do estado pelo título desta reportagem: 'The United States of Sobral'."

Precisei ler duas vezes. Poderia jurar que se tratava de São Paulo.
07:32:44 - Pinto - 14 comentários

27 Setembro

Ali Kamela

Acho o jornalismo que se faz na TV brasileira muito superior ao da TV americana. É mais cuidadoso, mais abrangente, mais informativo, mais inteligente, menos voltado para o próprio umbigo. A gente prepara nosso telespectador melhor do que eles preparam o deles. Por isso que até hoje o americano acha que a capital do Brasil é Buenos Aires.

Fátima Bernardes, provando que é mesmo uma âncora, na revista Serafina deste domingo.
20:11:02 - Pinto - 3 comentários

24 Setembro

Grandes frases da fauna e da flora nacionais

"Estupra mas não desmata!"

Minc Leão Dourado, ministro do Meio Ambichoso, dirigindo-se ao governador do Muito Grosso, André Pauchinelo.
10:24:59 - Pinto - 2 comentários

23 Setembro

Toma lá dá cá

papelón

Cês conheciam isso? Simplifymedia. Você instala o software e compartilha sua biblioteca do iTunes para streaming dos seus amiguinhos autorizados. E o melhor: o iTunes nem precisa estar aberto.

Legal, né?

(crdt: geeky sil)

(crdt cartum: o sempre sensacional xkcd, elogiado aqui no botequim)
13:20:50 - Zeno - Comentar

Eleit-ô-metro

Esta é pros alemón-hablantes que freqüentam o botequim: o jornal semanal Die Zeit, em sua versão eletrônica, botou à disposição dos leitores uma engenhoca curiosa, Wahl-O-Mat, copirraitada e tudo o mais, que funciona como um quiz pré-eleições gerais de domingo. O textinho introdutório apresenta a página: "Você ainda não decidiu em quem votar nas eleições de 27 de setembro? O Wahl-O-Mat mostra em que posição você se situa no espectro político e qual plataforma eleitoral corresponde melhor às suas convicções". Depois de responder às questões e de assinalar quais delas são mais importantes no cômputo geral, ele apresenta os partidos que mais se aproximam das respostas dadas. Bem que poderiam bolar um troço desses por aqui, né não? De brinde, ao final das perguntas, vi pela primeira vez a lista completa dos partidos participantes na eleição, incluindo os nanicos, e aí é uma festa tão divertida quanto a nossa: tem o partido que protege os animais, tem um que se chama "Violetas" (com o slogan "Por uma política espiritual"), outro "Piratas", tem o "Solidariedade ao Movimento dos Direitos Civis", dois partidos de Aposentados, um para os Crentes na Bíblia, e assim vamos.

(ops, adendo: tem versão em inglês, também, na própria página principal)
12:56:11 - Zeno - 3 comentários

21 Setembro

O boi e a farra

E duas notícias alegram nossa manhã de segunda, cortesia do Estadão:

-- a primeira, um anúncio pago que comenta a fusão da semana passada entre dois grandes frigoríficos, Friboi e Bertin, e que descreve a nova empresa como "a maior companhia multiproteína do mundo". Tucanaram o açougue.

--a outra, o anúncio de que Aécio Neves viajará para a Itália, a fim de entregar pessoalmente a Silvio Berlusconi o cheque pela compra, por parte da Cemig, da empresa italiana Terna, que controlava concessões de linhas elétricas em Minas. Rapaz, o que eu não daria pra participar das festinhas romanas da semana que vem.
10:45:11 - Zeno - 14 comentários

E perua por acaso tem feriado apartir de quando?

09:38:25 - Pinto - 8 comentários

Saldão de resenhas a R$1,99

Três filmes e três exposições:

Queime depois de ler. Não sei se é o pior filme que já vi na vida, mas é sério concorrente. Fiz as contas: dos treze longas cometidos pelos Cohen, eu vi doze, o que sempre remete à piada: "pra quem não gosta desse bar, cê vive voltando, né?". A "tese" do filme, em resumo, é a seguinte: todo mundo é idiota, com a exceção da equipe realizadora e dos atores que "participam" da gozação toda. Eu, sem dúvida, sou mesmo, porque gastei 96 minutos de minha mísera existência que jamais serão recuperados, em vez de me dedicar a atividade mais digna, como cortar a unha do pé, fazer aquela faxina no armário ou arrumar de uma vez por todas a gaveta de fotos das férias de 1996.

As Ligações Perigosas, na versão do Stephen Frears. Por conta da montagem do Bob Wilson resenhada aqui, fui rever o filme com a Glenn Close e o John Malkovich nos papéis principais. A lembrança não era boa, e às vezes vale confiar nos neurônios cansados: tudo que é evitado na montagem da peça é enfatizado aqui - o psicologismo, a interpretação "sentida", "emocional", o conteudismo. Mas vale como aula: você pode botar a Glenn Close em roupas e locações do séc. 18, mas você não tira dela (e do resto da equipe, roteirista à frente) o jeito suburbano de compreender o mundo, a literatura, a sociedade e, hélas, seu próprio métier. [Leia mais!]
08:45:45 - Zeno - 7 comentários

Alhos por bugalhos

Marcel Schwob, escritor francês, tentava convencer seu colega Paul Valéry sobre as qualidades de um retrato de Descartes supostamente pintado por Frans Hals, ou por alguém do círculo próximo a este. "Não é parecido?", ao que Valéry comenta: "Parecido, sim, mas com quem?".

(contado por Gérard Legrand, em "Mizoguchi, a glória de um cineasta")
07:13:48 - Zeno - Comentar

20 Setembro

Contos da Lua Vaga (Ugetsu Monogatari, Kenji Mizoguchi, 1953)

Escrever algo decente sobre um filme que costumeiramente é incluído nas listas dos 10 mais importantes da história do cinema só pode ser loucura, ingenuidade, ou o pagamento de uma dívida aqui na redação, desafiados que fomos por Mestre George Smiley. Vamulá.

Num Japão triturado por guerras civis (séc. 16), dois irmãos camponeses, Genjuro e Tobei, abandonam suas mulheres para perseguir dinheiro e luxúria, o primeiro (ele quer enriquecer vendendo cerâmica em tempos de escassez e acaba conhecendo uma mulher misteriosa que irá seduzi-lo), fama, o segundo (ele quer, a todo custo, tornar-se um respeitado samurai). As conseqüências das ações de ambos irão ocupar todo o filme, em seus singelíssimos 90 e poucos minutos. [Leia mais!]
19:08:24 - Zeno - 8 comentários

19 Setembro

Toma que o filho é teu


Enquanto o VP de TI do HZ não implementa o tumblr aqui do blog, vamos nos virando com a rapina simples mesmo.
O Porco Rosso, dono do Guitar & The Wind, está lendo o Chega de Saudade, do Ruy Castro, e achou que seria bacana montar uma compilação com as canções mencionadas pelo Ruy como precursoras da bossa nova.

Então, seleção, rip, arte e link, tudo do cabra.

Pela transcrição,

DJ Mandacaru [Leia mais!]

17 Setembro

Tentação

O Pinto que vai gostar.

Oh, The Temptation from Steve V on Vimeo.


crdt: http://robertoviana.com.br/blog/
13:58:28 - Sorel - 3 comentários

16 Setembro

Jesus' Blood Never Failed Me Yet


A história toda está mais bem explicada nas palavras do próprio autor Gavin Bryars:

"In 1971, when I lived in London, I was working with a friend, Alan Power, on a film about people living rough in the area around Elephant and Castle and Waterloo Station. In the course of being filmed, some people broke into drunken song - sometimes bits of opera, sometimes sentimental ballads - and one, who in fact did not drink, sang a religious song 'Jesus' Blood Never Failed Me Yet'. This was not ultimately used in the film and I was given all the unused sections of tape, including this one.
"When I played it at home, I found that his singing was in tune with my piano, and I improvised a simple accompaniment. I noticed, too, that the first section of the song - 13 bars in length - formed an effective loop which repeated in a slightly unpredictable way. I took the tape loop to Leicester, where I was working in the Fine Art Department, and copied the loop onto a continuous reel of tape, thinking about perhaps adding an orchestrated accompaniment to this. The door of the recording room opened on to one of the large painting studios and I left the tape copying, with the door open, while I went to have a cup of coffee. When I came back I found the normally lively room unnaturally subdued. People were moving about much more slowly than usual and a few were sitting alone, quietly weeping.
"I was puzzled until I realised that the tape was still playing and that they had been overcome by the old man's singing. This convinced me of the emotional power of the music and of the possibilities offered by adding a simple, though gradually evolving, orchestral accompaniment that respected the tramp's nobility and simple faith. Although he died before he could hear what I had done with his singing, the piece remains as an eloquent, but understated testimony to his spirit and optimism."

Essa primeira gravação está aqui, em enxutos 26 minutos, para quem não tiver paciência de baixar a segunda versão, feita em 1993, e consideravelmente mais extensa (72 minutos), além de contar com a voz de um velho admirador (et pour cause) da peça, Tom Waits.

Para quem achar que pode ser enfadonho só digo o seguinte: é a música cantada ao final de cada reunião de pauta do HZ. Vocês precisavam ver o ar compungido do Lama.

15 Setembro

Pega aqui no meu endro e balança

— E o que é aneto?

— ...

— Desencana, perguntei aqui pro São Google e descobri: é endro.

— Isso. Que nem aipo e salsão. Adoro essas verduras com dupla personalidade.

(para saber onde enfiar o endro, com todo o respeito, veja aqui).
13:54:44 - Pinto - 3 comentários

A infindável reforma ortográfica não finda

Lê-se hoje no Estadão, em breve texto de Daniela do Canto (sem trocadilhos, por favor), sobre uma tentativa de assalto a uma casa na Aldeia da Serra: "Com o ladrão foram apreendidos uma pistola calibre 380, uma toca ninja e ainda um colete."

Não bastassem as novas modificações do idioma pátrio, agora a gente tem de se atualizar também na esfera de roupas e acessórios.
13:26:54 - Zeno - 3 comentários

Cru e marinado

Email bem intencionado:

"Meu caro,

tu lembra um salmão que vc fez na casa do Zeno, ainda casado, cru, marinado, que a gente cortava em finas fatias e tava uma delícia? tu tem a receita?"


Resposta nem tanto:

"Quem tava casado, cru e marinado? O Zeno?

Se for o salmão, é assim:

1. Pega um bom filé de salmão e empana ele com uma mistura de açúcar mascavo, sal grosso, pimenta preta e aneto (dill).

2. Vê aí a proporção de sal senão fica salgado demais. Os demais ingredientes pode castigar. Eu não sei precisar quanto, use seu bom senso.

3. Aí embrulha num plástico-filme e rega com umas colheres (cálices?) de vodca (ou akvavit, se tiver). Embrulha direitinho e põe num prato sob uma grelha com um peso em cima (um outro prato está ótimo), pra escorrer o líquido. A ideia nao e deixar o troço de molho, apenas bem embebido.

4. Põe na geladeira por 48h, no máximo 72h. Vai virando de lado a cada 8-12h.

5. Se tiver ficado muito sal, dá aquela boa raspada antes de servir. O ideal é que a quantidade não tenha sido absurda pq senão os outros ingredientes vão embora. Uma vez eu pus muito sal e ficou incomível.

6. Serve tipicamente com pão preto, creme fresco batido (com limão e sal) e ovo mexido.

Fui claro?

Se for o Zeno, só troque "umas colheres de vodca" por uma garrafa de red que fica bom igual."
11:42:55 - Lama - 5 comentários

14 Setembro

collidos pelas cuestas

asaparenciaengana

estava no meu sossego aqui no retiro dos agentes, qdo recebi a informação que segue, via meus antigos contatos-atrás-das-linhas-inimigas.
uma lista c/ identificação completa, incluso armamento, da nano, editoria, comentaristas, o escambau a 4 de quase todo o buteco.
só escapou o pinto, congestionado pelo katsoab, talvez.

foi-se mais uma célula, era um bom grupo aquele, mas ninguém é insubstituível.
onde o aparelho capaz de tal informação?
num boteco 2 esquina acima, doutro vil representante daquela terra impossivel.
e provavel torcedor do vitória iscrusive.

Epifania a trinta pratas

Caro leitor, cara leitora, você vai ter de rebolar para conseguir ingresso para as duas últimas apresentações de Quartett, em cartaz no Sesc Pinheiros. Se suas ancas forem bem-sucedidas, você vai ver:
-- Isabelle Huppert em carne e ossos. A mesma sensação que temos ao vê-la na tela (e que temos também com Cate Blanchett): parece ser capaz de tudo, fazer tudo, atingir todos os espectros, como um violino.
-- o texto do Heiner Müller, espremendo as 300 páginas das Ligações Perigosas do Laclos em 10, 15, tirando de lá ou da cartola brechtiana as mais lindas e devastadoras frases (Merteuil descrevendo a Valmont os interlúdios amorosos dos dois: "Eu permiti que você freqüentasse minha fisiologia") .
-- a direção de Bob Wilson, e aí é que a porca torce o rabo formalista: porque você poderia ter os dois elementos anteriores e resultar numa encenação suarenta, "expressiva" (valha-me), de "dentro d'alma" (valha-me II). Mas não: Bob Wilson é a prova cabal, mais uma, precisamos dela ainda?, de que o maior distanciamento, a maior arbitrariedade, o maior convencionalismo, podem, se belos, trazer a maior expressão, a maior comunicação, o maior encantamento. Que seja uma das peças mais lindas que já vi diz menos do espetáculo e mais da minha pouca convivência com as montagens de Wilson (que eu me lembre, esta é apenas a segunda). Que eu tenha soltado uns "Filha da puta" e "Vai tomar no cu" ao longo dos 100 minutos do espetáculo só dizem da minha inveja imensa diante de uma encenação com tudo, luz, marcação, figurino, som e música, no lugar certo, do jeito certo.

Mexa-se, leitor, leitora. Suas ancas e demais partes do corpo agradecerão por dias, semanas, anos - até seus netos lhes serão gratos.
10:01:21 - Zeno - 7 comentários

12 Setembro

Enchente? Que enchente? Daqui do helicóptero não senti nada.

Por precaução, o prédio onde mora é vigiado por seguranças do Grupo GP. Simara não gosta dos serviços da Haganá, empresa que gere boa parte dos edifícios caros nos Jardins, em Higienópolis e na Vila Nova Conceição. "Eles pegam um sujeito, vestem um paletó e acham que isso é proteção", disse. "Aqui é diferente. Se alguém entrar na minha casa, sai morto. (...) Simara Sukarno não costuma aparecer em revistas de celebridades, colunas sociais, jantares beneficentes ou lançamento de produtos (...) Alertei-a que a reportagem a tornaria mais conhecida. "Eu sei, mas não tem problema", ela disse. "Sequestrador lê Caras e O Estado de S. Paulo." (...) Pedi que contasse quanto custaria a festa e ela respondeu: "A diária da Daslu custou 60 mil, o bufê França, 70. A bailarina do Cirque du Soleil, 26 mil. O resto são custos menores. Seis mil pelas máscaras, 6 mil pelas fotos, 5 mil pelo DJ, por aí vai. Na estimativa total, 400 mil reais.(...) "Põe 1 milhão aí na festa."

Para compreender "Diferenciada", artigo de Roberto Kaz na piauí deste mês, só lendo a íntegra (disponível mediante login no site). Fui tentar extrair alguns trechos e quase surto junto com madame Simara. Leia e surte você também.

A dica é do meu amigo MM, dit "maior jornalista do Brasil" pelos seus contraparentes, um sujeito da melhor qualidade, o qual jamais imaginaria que perde tempo lendo este blogue, mas perde. Vai ver é por isso que os jornais estão do jeito que estão.
12:27:02 - Pinto - Comentar

Caixa de fósforo

Não sei se a nano acompanhada de filhos já viu o desenho animado, longa-metragem de 2008, sobre a Liga da Justiça ambientado nos anos cinqüenta, Liga da Justiça: A Nova Fronteira. Visual retrô, referências à Guerra Fria, violência acima do normal (aparece sangue, por exemplo, infração a uma convenção tácita nas animações) não recomendam o desenho aos petizes, mas se por acaso você expuser os seus queridos à obra, vai topar com a seguinte fala de Batman, dirigida ao marciano Ajax, seu futuro aliado, cujo ponto fraco é a não-resistência ao fogo:

"And one other thing: I'm not sure what you are or where you come from. But my instincts tell me you're to be trusted. Make no mistake, though. I have a $70,000 sliver of a radioactive meteor to stop the one from Metropolis. With you, all I need is a penny for a book of matches."

Legal, né?
10:06:36 - Zeno - 5 comentários

11 Setembro

Aleatoriedades

Termino de ler um livro extraordinário, O andar do bêbado, que me reacendeu ao mesmo tempo o fascínio pelo assunto e o ódio por não ter tido bons professores de exatas quando mais precisei deles —em sua maioria, sub-engenheiros frustrados que entendiam pouco de números e muito menos de gente. Mas isso é uma baita digressão.

O pretexto do post, como também o do livro, é discorrer sobre temas aparentemente sem correlação entre si, que no entanto acabam por definir (ditar?) nossas vidas.

O temporal de terça-feira, por exemplo. Estava fora de São Paulo (daí o atraso no comentário) e acompanhei de longe, lembrando de como a mídia nos martela assertivas como "o gargalo do Brasil é a infraestrutura", e de como a iniciativa privada pode, dogmaticamente, fazer mais e melhor que o Estado para nos levar ao "primeiro-mundo", um termo tão caro nessas ocasiões, que encontra em São Paulo a melhor guarida que esse tipo de discurso pode ter: cidade desproporcionalmente grande, poder público historicamente ausente e elites econômicas tão deslumbradas com prosperidades individuais quanto refratárias a qualquer tipo de solução coletiva para seus problemas.

Eis que serviços infraestruturais —justo os do gargalo— como telefonia e eletricidade estão nas mãos da iniciativa privada [em São Paulo] há mais de uma década e são o que são, cobrando o que cobram. À parte o monopólio de que gozam, não carecem sequer de água para entrarem em pane. No entanto são bons, porque assim nos disseram, e antes eram ruins, e agora não mais o são, nessa toada que começou antes da ascensão dos barões do café e persiste até hoje.

Pois o que emperra o desenvolvimento do Brasil, como ensinam os luminares, é a presença do Estado. Refletia sobre isso Dutra acima quando, lá pela altura do quilômetro 92, 15 horas de ontem, uma carreta atravessou as duas pistas da rodovia brilhantemente administrada por um consórcio privado. Seis horas depois, o trânsito continuava interrompido: nenhum aviso, nenhum auxílio aos motoristas, nenhuma ação de contingência, nada. Só o pedágio sendo cobrado normalmente, para provar que as coisas funcionam melhor quando o capitalismo sem rédeas e sem regras as conduz.

(Com auxílio do GPS e do acaso de que fala o livro, consegui pegar uma vicinal, cruzei Pindamonhangaba e Taubaté estendendo minha jornada em mais 100km e consegui chegar em casa, são e salvo, depois de 9h de uma viagem que normalmente dura metade disso. Com dois bebês no carro que não acharam nada daquilo bom porque ainda não sabem ler jornais e não foram iluminados por essas revelações.)

Exausto, cheguei em casa e me pus a refletir sobre tudo isso tentando chegar a uma conclusão qualquer, relacionando toda essa experiência à pressão que se faz agora para que o Estado tire seus nove dedos malignos —Oui, l'État c'ést lui!— de cima do pré-sal e entregue as reservas de óleo à iniciativa privada que, como é sabido e comprovado, saberá melhor o que fazer com elas. Então vi que, coincidentemente no mesmo dia, Globo e Folha, que por esporte são contrários a todo tipo de regulação, saíram com cartilhas para disciplinar seus funcionários no uso das mídias sociais que lhes retiram leitores e autoridade na mesma medida com que lhes deixam apavorados.

A única conclusão possível a que cheguei depois de tudo isso: diante de tantos eventos fortuitos assim, não há determinismo histórico que chegue.
22:39:52 - Pinto - Comentar

1982

O sempre certeiro NPTO posta hoje uma forma superior de arte.
20:47:52 - Pinto - Comentar

Cidade limpa e lavada

Um boneco para prefeito...

São Paulo dá nova contribuição ao mundo: o kassaburbanismo.

(crdt foto : moacyr lopes junior/folha imagem)
20:01:59 - Pinto - Comentar

Porque hoje é sexta-feira



Não vi o filme mas adorei a cena (dica de uma querida que vejo menos do que gostaria).
16:53:27 - Sorel - 6 comentários

Ruth Rocha do Pré-Sal

Dando continuidade à cobertura hipopotâmica da 14a. Primavera do Livro, inaugurada ontem, antecipamos o título do livro infanto-juvenil mais esperado do ano: Edison Lobão e a Picanha Azul. Confira os detalhes na livraria, no posto de gasolina ou na churrascaria mais próxima.
09:19:41 - Zeno - Comentar

10 Setembro

A infindável reforma ortográfica

Lê-se hoje no Estadão, em texto de Ubiratan Brasil sobre a editora Penguin e seu fundador, Allen Lane: "(...) o jovem editor Allen Lane percebeu que não havia nenhum livro interessante à venda na estação de trem, alguma obra que o entretece na viagem de retorno a Londres."

Rapaz, cada dia eu aprendo uma nova modificação do idioma pátrio.
10:03:43 - Zeno - 6 comentários

Mais uma homenagem

E mais um obituário, atrasado como sói: há duas semanas morria Geraldo Mayrink, jornalista velha guarda, crítico de cinema dos bons, e padrinho involuntário da nossa seção Je Me Souviens: ele é o co-autor, junto com Fernando Moreira Salles, daquela pequena obra-prima chamada Memorando. Trombei outro dia com uma epígrafe batuta, tirada do Augusto Frederico Schmidt, e que vai como nossa homenagem ao Mayrink: "A tua infância/É a minha infância".
09:20:44 - Zeno - 4 comentários

Amantes (Two Lovers, James Gray, 2008)

Gente mais qualificada que nós gostou muito do filme. Gente menos, também. Estão falando à beça da atuação do Phoenix, merecidamente, mas é preciso ressaltar outras virtudes: um olho treinado por trás da câmera; escolhas sutis de tempo, visíveis nas pausas pequenas espalhadas pelo filme; uma historieta esboçada em duas ou três linhas, e que é ao mesmo tempo a história de uma bifurcação conhecida por todos; e, por último, não sei se qualidade, mas deve ser o filme mais triste dos últimos tempos.
09:12:02 - Zeno - 1 comentário

09 Setembro

Steve jobs e eu me emociono

""LPs eram ótimos - você tinha música, fotografia, notas, ensaios ... a maioria nos deixou quando partimos para os CDs", disse Jobs, de acordo com cobertura ao vivo da "Engadget".
"Isso é o que estamos fazendo com o LP. Você comprou um grande álbum no passado ... você pode tê-lo novamente. Aqui está o 'American Beauty', do Grateful Dead. Um grande disco. Há todos os tipos de conteúdo adicionados aqui, como letras, fotos...", explicou o executivo.
O iTunes 9 inclui o mixer de música Genius Mixer, que gera automaticamente listas extraídas dos catálogos do usuário, de acordo com os critérios de compatibilidade, permite o controle das aplicações do iTunes com o iPod e compartilha os conteúdos com até cinco computadores em uma residência."

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Olha, até pode ser porcaus do vinho que já tomei, mas eu estou quase soluçando com tanta generosidade. Compartilhar conteúdo com cinco computadores na minha casa? Bastando, para isso, que eu compre um iPod qualquer? Brigaduuuuuu, Steve! Valeu, brother! Força aí nesse fígado!

Duas homenagens

Morreu Saul Galvão. E este post aqui me lembrou como é bom ter quem se admire. Faz a gente escrever coisas bacanas, nem que seja num obituário.
18:36:23 - Sorel - 1 comentário

Corrente

#forasarney

Recebi por email. E o "assunto" era: repasse até chegar no Bin Laden.
13:44:18 - Lama - 9 comentários

07 Setembro

Liberdade que me imprensa

— E por que o senhor não vai estar renovando sua assinatura do Estadão, senhor?

— Porque não assino jornal sob censura.
09:40:43 - Pinto - 1 comentário

04 Setembro

e, em meio às discussões nacionais sobre o país

cabei de receber o abaixo,
provável dum gremista:


JAPONESINHO

No primeiro dia de aulas numa escola secundaria dos EUA a professora
apresentou aos alunos um novo colega, Sakiro Suzuki, do Japão..
A aula começa e a professora:
Vamos ver quem conhece a história americana.
Quem disse: 'Dê-me a liberdade ou a morte'?
Silêncio total na sala.
Apenas Suzuki levanta a mão e diz:
- Patrick Henry em 1775 na Filadélfia.
Muito bem, Suzuki.
E quem disse: 'O estado é o povo, e o povo não pode afundar-se..'?
- Abraham Lincoln em 1863 em Washington.
A professora olha os alunos e diz:
- Vocês não têm vergonha?
Suzuki é japonês e sabe mais sobre a história americana que vocês!
Então, ouve-se uma voz baixinha, lá ao fundo:
- Vai tomar no cu, japonês filho da puta!
- Quem foi? grita a professora.
Suzuki levanta a mão e sem esperar responde:
- General McArthur em 7 de dezembro de 41 em Pearl Harbour, e Lee
Iacocca em 1982 na Assembléia Geral da Chrysler. A turma fica super
silenciosa, apenas ouve-se do fundo da sala:
- Acho que vou vomitar..
A professora grita: - Quem foi?
E Suzuki:
- George Bush (pai) ao Primeiro-Ministro Tanaka durante um almoço, em
Tókio, em 1991.
Um dos alunos grita:
- Chupa o meu pau!
E a professora irritada! Acabou-se! Quem foi agora?
E Suzuki, sem hesitações:
- Bill Clinton à Mônica Lewinsky, na Sala Oval da Casa Branca, em
Washington, em 1997.
E outro aluno se levanta e grita:- Suzuki é uma merda!
E Suzuki responde:
- Valentino Rossi no Grande Prêmio de Moto no Rio de Janeiro em 2002.
A turma fica histérica, a professora desmaia, a porta se abre e entra
o diretor, que diz:
- Que merda é essa, nunca vi uma confusão destas!
Suzuki:
- Lula para o ministro da Aeronáutica, a respeito do caos aéreo em
Dez/2006, Brasília.
E outro aluno, num sussurro que ecoou:- Ihhh... agora fodeu de vez!
Suzuki:
- Lula de novo, após a queda do avião da TAM.
O diretor fica estarrecido com a petulancia do japonês e da euforia da
turma e diz:
- Cambada de viadinhos filhos da putas, vcs tem que virar homens de verdade!
Suzuki:
- Tite para o time do Internacional na final da copa Brasil de 2009
14:09:31 - George Smiley - Comentar

Uma imagem vale por mil palavras

Bispa Dilma

A ministra Dilma Rousseff participa, ao lado do senador Marcelo Crivela, de uma oração com o apóstolo Estevam Hernandes e a bispa Sônia Hernandes por sua saúde e pela eleição de 2010

!a página da FSP de hoje. Lôco, né?
10:27:06 - Lama - 6 comentários

Cada país tem a Miriam Leitão que lhe compete



Stephanie Flanders,
ladies and gentlemen, editora de Economia da BBC. Prazer, também não conhecia.
00:36:12 - Pinto - 6 comentários

03 Setembro

Quanto tá o quilo do frango?

Economia de escala. Indústria. Só por isso o frango é tão barato.

Vai um frango a passarinho aí?


15:21:35 - Lama - 6 comentários

02 Setembro

Branca no preto

Ele tá de olho é na butique dela
Então, tava lá a dona Sathima Bea Benjamin, em pleno inverno de 1963, caitituando o seu marido Abdullah Ibrahim (também conhecido por Dollar Brand), nos botecos de Zurique. Algumas figurinhas carimbadas de jazzistas americanos já tinham passado pelo pedaço - entre eles Don Byas, Dexter Gordon, Kenny Drew, Ben Webster, Bud Powell, John Coltrane e Thelonious Monk - mas naquele fevereiro o maior de todos estava por lá. E a Sathima convenceu o Duke Ellington a dar uma passadinha no Club Africana para ver o trio do marido. Não que ela fosse, assim, uma Paula Lavigne: a moça tinha uma carreira como cantora na África do Sul, de onde também era o marido, ambos autoexilados políticos por um motivo simples, a Bea era branca, Abdullah, preto. A história resumida vocês acham na Wiki e no site dela.
Noves fora, o velho gostou. E, como A&R da Reprise (dono: Frank Sinatra) convenceu os dois a dar um pulinho em Paris para gravar um disco. Mais: achou que cada um deveria gravar o seu. O do marido deu certo: "Duke Ellington Presents The Dollar Brand Trio" foi lançado no ano seguinte e ajudou a estabelecer a carreira do cabra no circuito jazzístico internacional. O da Sathima, os manés da Reprise acharam pouco comercial. Pior: a fita master perdeu-se em alguma margem do Sena. Por sorte, o engenheiro da gravação Gerhard Lehner havia feito uma cópia e foi ela que permitiu o lançamento dessa gema em 1997. O disco "A Morning in Paris" é Del Gran Caray: o próprio Duke, o Billy Strayhorn e o Abdullah defendem o piano. O baixista e o baterista do trio, Johnny Gertze e Makaya Ntshoko, seguram a base, e um violinista maluco toca em pizzicato todo o disco, como se lhe tivessem roubado a guitarra. Mais embaixo, está a relação das músicas. Como de hábito, uma provinha. [Leia mais!]
22:52:16 - DJ Mandacaru - Comentar

Celulares 3G a preços imbatíveis!

-- Te mandei um e-mail ontem, pra gente poder se encontrar, e você nem respondeu.

-- O lugar onde eu tava não tinha internet.

-- E que lugar era esse? Século XIX?
20:47:34 - Zeno - Comentar

01 Setembro

90-60-90

Deu no Estadão de hoje, em matéria sobre a inauguração de uma biblioteca pública central nos moldes das grandes livrarias, com acesso irrestrito ao acervo: "Os bibliotecários serão instruídos a 'atuar como vendedores', oferecendo dicas de livros para visitantes. No acervo de cerca de 30 mil livros, a promessa é que não haja espaço para preconceito - poderão ser encontrados livros e revistas com acesso proibido para menores de 18 anos. 'Vai ter Machado de Assis, mas defendo que tenha Playboy também', afirma o secretário estadual de Cultura João Sayad."

Lôco, né?
11:41:47 - Zeno - 10 comentários

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