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26 Junho

Eu me lembro do Michael Jackson

Corria o ano da graça de 1973. Talvez fosse 1974. Naquele tempo os anos eram meio parecidos, de um jeito bom. Era a época dos bailinhos (dos quais falamos aqui, nos primórdios da seção Je Me Souviens), naquele esquema lona-na-garagem-do-amigo, muita cuba-libre para escândalo de mães e familiares e o fato de que as meninas sempre preferiam os caras mais velhos. Mas eu tinha uma carta na manga, pra enfrentar a concorrência. Como o baile sempre tinha o momento das lentas, aprendi com um amigo que o negócio era se preparar: graças às dicas do sujeito responsável pela seleção das bolachas, eu parava de dançar uns bons quinze minutos, meia hora, antes de as lentas começarem, pra mó de o suor secar e não assustar a potencial freguesia. Dava certo, dava muito certo no começo, até que todos os candidatos a galã perceberam o truque e aí o universo masculino do bairro se tornou indiscernível para as moças - eu era só mais um dos sequinhos. Os momentos de crise são os responsáveis pelas trocas de paradigmas da humanidade, como já mostrou o Thomas Kuhn a propósito de assunto menos importante que esse. Achei que era hora de inovar: comecei então a cantar, bem baixinho no ouvido das moças, as músicas lentas que a gente estava dançando naquela hora. Eu e a língua inglesa não éramos propriamente íntimos à época, e o resultado era um embromation sussurrado que, surpresa das surpresas, dava tão ou mais certo que a técnica do suor. Fiz carreira, durante alguns anos, como crooner amoroso para moçoilas desavisadas ou, melhor ainda, reincidentes. De todo o vasto repertório de embromation de então, havia duas músicas que convenciam até as mais recalcitrantes, e eu gastei muitos cruzeiros novos engraxando os DJ's das festas para tocá-las nos momentos emergenciais: All In Love Is Fair, do Stevie Wonder, e Ben, do agora finado Michael Jackson. Depois disso, eu virei bobo, o Michael virou branco e a gente pouco se encontrou nas três décadas seguintes.

Cara, valeu. Muito.
19:49:40 - Zeno - 22 comentários

Mais um pra segurar a alça do caixão

Trabalho em equipe é assim: um faz o necrológio, outro bota a música. Fiquem aí com os dois primeiros do Michael: o de 1969, ainda com os irmãos, amadrinhados pela Dionne Warwick, e o primeiro solo, de 1971. [Leia mais!]

25 Junho

pena

e lá se foi o claro menino pro azul.
ciao michael.

steps to eternity

uma perda.

só p/ começar o assunto aqui, agora não tenho muito além disso.

minha co-autora observou:
ele acabou com ele, foi melhor assim, tinha virado um fantasma de si mesmo...

e o loconé? da coisa é a farrah, até nessa hora, eclipsada morrer.

Ataque preventivo

Eu sei que estamos na Era Obama, mas velhos costumes não são fáceis de perder: o ovo estava perfeito e a rabada parecia uma bananada, no doce, cor e textura. O resto podem acreditar nele.
13:32:08 - Lama - Comentar

24 Junho

Sono dogmático e outras necessidades fisiológicas

(Moça em visita à casa de um amigo nosso, cês não conhecem, não, vai ao banheiro e se impressiona com o material de leitura à disposição)

— Nossa, cê deixa o volume d'Os Pensadores do Hume no banheiro?

— Aqui em casa é assim: além de fazer as necessidades, a pessoa aproveita pra se ilustrar.
19:47:40 - Zeno - 5 comentários

Jabá múltiplo

Tem pra todo mundo
16:05:06 - Zeno - 3 comentários

Mas o futebol nos salvará

07:33:03 - Zeno - 1 comentário

Sorry, folks.

Eu ando irritado. e admitir isso é maius dificilk do que vcs imaginam. 2 posts abaixo fui deselwgante com um redator deste blog que se eu dissesse que adfimiro, respeito e tenho um carinhpo sincero seria eufemismo barato. mas ando irritado e isso não é bom. entao resolvi botar pra fora os motivos da minha IRRITAÇÃO. me irrita a greve n a usp. me irrita a inocencia, a tentativa que alguém acredite em motivios como aumentos salariaius, ensino a distancia ou eleições diretas para reitor (m,eu deus, isso tem 25 anos...). Anacronismo compreensível entre jovens de 20 anos que leem Klurtz e ainda acreditam na luta de classes mas desconcertante entre doutotres e pósdoutores de 45. sejamos claros: A briga é por quem vai gerir 2,8 bilhões de reais destinados anualmente pra USP e ponto. simples assim. como diria marlowe: folow the money. me irrita quem acha que o PIG existe. quem nao percebe que a idéia do pig é uma construção, uma contra-revolução organizada, construida e arquitetada, um contra-peso. chaves ataca a imprensa, ajhmaahed ataca a imprensa, wu fu mierda ataca a imprensa.peloamordedeus, vcs sao inteligentes. atacar a imprensa é modus operandi, sempre foui. vcs nao percebem? ´~e o 1o passo da não democracia..me irritam os petistas que ignoram o lula denfendendo o sarney. me irritam os tucanos qe leem o reinaldo azevedo e se pautam nisso. me irritaM AS MULHERES. DE 20, 30 E 40. as de 20 menos, mas ainda assim me irritam. me irrita a incapacidade de entender a ironia, o sacarsmo. me irrita o piza, e quem ainda acha que ele é assunto. senadores me irritam. mercadante, suplicy e azeredo. sarney é hour concurs. me irrita esse teclADPO q nao obedece. só nÕ ME IRRITa minha filha. essa jóia que se auto-lapida, que me dá o que vale meu dia, cabeça no travesseiro, cobertor no queixo, beijo de boa noite.
01:06:49 - Lama - 28 comentários

23 Junho

Plano B



(crdt : mario amaya)
20:35:06 - Pinto - Comentar

22 Junho

como o lula e o paulofrancis (eu tenho o recorte da coluna do pf falando isso; sim, é verdade, eu guard...ava colunas do francis, jovem idealista alemão então), mas, não como pizza, enchi os bago de tentar levar jornal et caterva a sério; prefiro ligar/linkar (uhgg, melhor enlaçar, indamais hoje nesse tempo tão, seilámilcoisas...) p/ alguns caras que sabem destas coisas e outras.

colhido no nassif, diagrama preciso da estrutura da canastrice informativa atual, acompanhado duma lição da precisão temporal cirúrgica da rede na caça aos fantomas da merdia.

p.s., que tá na moda aqui: siga a sequencia nos liames e daí, então, divirta-se à socapa.

Jean Charles (de Menezes)

Filmes em que a gente já sabe o final são sempre um desafio para o roteirista. Ou apresentam fatos novos, detalhes sórdidos (ou fantasiosos como em JFK), ou acabam conquistando a irrelevância. Com direção de Henrique Goldman, roteiro de Marcelo Starobinas, e Selton Mello e Vanessa Giácomo como protagonistas, "Jean Charles" não apresenta fatos novos. E também não é irrelevante, o que me faz pensar numa terceira categoria para filmes de final conhecido, a "dane-se o final".

O próprio diretor diz que a história é a da Vivian, prima do Jean, e de como ela atravessa pelos fatos. Nem tanto. A história é dele, Jean, mas como brazuca expatriado, sobrevivente ilegal, não como futura vítima da polícia inglesa, obviamente despreparada para lidar com o terrorismo pós-U2.

Mas Jean Charles tem a qualidade daqueles filmes que te contam uma história simples, sem surpresas, mas que você não desgruda o olho porque não quer perder uma cena sequer. Os erros, poucos, estão nas primeiras cenas, em que Jean transita pela colônia brasileira em Londres pra contar o que já sabemos: ele é o protagonista. No mais, Jean e os nosotros somos qualquer. E é esse o plot do filme. Imigrante é qualquer em qualquer lugar. E se for pobre, é qualquer até na terra dele. Vá ver.

PS1: Selton Mello, sou obrigado a confessar, está muito bem. Segura o filme sem exageros, sem aquela voz de garganta, cheia de ar, que ele costuma usar pra tudo.

PS3: "Aliás, existe alguém mais chato do que o Bono Vox?" (Rita Lee)

PS2: O Marcelo Starobinas é irmão da Lilian, amiga querida. E essa declaração vale como aquela do "o jornalista viajou a convite da organização do evento", quer dizer, fui na pré-estréia em SP e por minha conta, mas talvez tenha uma ou outra brasa a mais aqui nessa sardinha. E com todo carinho.
17:26:42 - Lama - Comentar

A.I.

Quando assisti A.I. (Inteligência Artificial, Spielberg, 2001), aquele pinóquio moderno, vi a cena que colocaria como a mais triste do cinema até então: o menino-andróide preso no fundo do mar, com uma bateria infinita, e em frente ao seu objeto de esperança mas sem poder alcançá-lo. E, obviamente, só.

O que tem aí embaixo é o que vai ter na sua casa em alguns anos. Em muitas em alguns meses, mas como imagino que vc ainda vai resistir um pouco, tô dando um corpo de vantagem pros mais afoitos. Há certa melancolia nisso tudo. E uma pergunta: pq são sempre meninos de impúberes?

12:51:37 - Lama - 5 comentários

Começo, meio e fim

Para alegrar esta fria manhã de segunda-feira, frase de matéria publicada hoje pelo Estadão, sobre a construção da maior obra viária do governo Kassab, um túnel de 4 km de extensão ligando a Avenida Roberto Marinho à Imigrantes: "falta ainda definir exatamente onde será a entrada e a saída da obra".

Podem anotar: a gente ainda vai sentir saudade simultaneamente da atual administração e da obrigatoriedade dos diplomas jornalísticos.
08:23:33 - Zeno - 1 comentário

21 Junho

the birth of an on(co)tology

"A data da partida é histórica para as equipes: no sábado, completam-se 39 anos da final da Copa de 1970, quando o Brasil sagrou-se tricampeão Mundial sobre os italianos, vencendo por 4 a 1."
(fonte ig)

noooossinhora, eu 'tava c/ 11 anos... novinho in folha...
12:58:30 - George Smiley - Comentar

19 Junho

Finally my cup of tea

design inovador

Na foto acima, destacamos o revolucionário produto que a rede americana Starbucks pôs à venda, em caráter experimental, em suas lojas brasileiras: trata-se de um recipiente inteiramente produzido com a mais alta tecnologia a partir de matéria-prima ainda inédita por estas latitudes, chamada vidro©. A partir deste material inovador, a rede americana conseguiu criar um objeto que consegue reter qualquer tipo de líquido em seu interior, sem aquele conhecido e desagradável efeito de vazamento ou derrame.

A caneca© (nome ainda em fase de testes; a outra opção, "xícara grande", provou não ter o mesmo apelo em pesquisas realizadas) promete um giro de 360 graus nos hábitos bebedores do povo brasileiro e custa a barganha de 99 reais, repetimos, apenas 99 reais na Starbucks mais próxima de sua casa. Corra, porque o número de "canecas©" (nome ainda etc) importadas pela rede é limitado.
16:54:32 - Zeno - 14 comentários

Pingos nos is de "InstItuIção"

Queríamos registrar nossa solidariedade ao senador Sarney neste momento difícil: depois de a repercussão do caso da parentada ter virado motivo de xoxota, como dizia um amigo do blog, parece-nos que um detalhe da argumentação do senador escapou à grande mídia: dizer que o problema não é dele, e sim da instituição, é semelhante ao caso do marido corno que, indignado porém justo, não condena a moça, mas sim a instituição do casamento. E não é que ele tem razão?
16:23:29 - Zeno - 6 comentários

18 Junho

That's all, folks!

Se não tivesse passado anteontem pelo blog do intelectual renascentista e meu amigo Augusto Cesar, até hoje não teria sabido da morte do Kenny Rankin (vão lá ler uma minibio do cabra). Difícil escolher apenas uma música que mostrasse o jeitão do cantor. Daí separei That's All (6,4MB) e fiz um pacotinho (78MB) com dezesseis faixas tiradas dos sete discos que tenho. Baixem uma e vejam se vale a pena baixar o resto. [Leia mais!]

16 Junho

Este é um post pessoal. Porra.

Razões externas, notadamente (ops) as referentes a uma mudança de casa, com mudança de conexão, mudança de cama, mudança de mesa e mudança de banho, fizeram com que as últimas semanas fossem mais turbulentas que o normal.

Razões internas, e acho que a casa nova tem a ver com isso, me fizeram lembrar daquela série do Angeli sobre 2 coisas de que não ele gostava e 1 de que gostava. Sempre achei uma idéia matadora, porque a proporção dois terços/um terço dá bem a medida do nosso azedume cotidiano sem entregar a rapadura para o nihilismo do "é tudo, sem exceção, uma merda". Mas como a vida anda melhor que o esperado (e o governo Lula há de concordar), achei mais batuta se a série do Angeli fosse temporariamente trocada para 1 coisa não e 2 coisas sim. Tipo:

Eu não gosto do papa Ratzinger (pra homenagear a foto abaixo e fazê-la descer um bocadinho). Aliás, eu não gostava do Wojtyla, também.

Eu gosto de beber água depois de tomar banho.

Eu gosto de prédio em que a pizza sobe pelo elevador, sem que a gente tenha de descer.
18:35:47 - Zeno - 30 comentários

Pauperismo papal

NháBenta XVI

Deu no Facebook: longe dos modelitos Prada (os mesmos vestidos pelo Diabo), Bento XVI colhe as próprias uvas para o vinho da sacristia.
13:10:46 - Pinto - 3 comentários

o assunto era outro

o dia vinha bem, ate melhor que o esperdao, mas tropeçou as 19:07 e se estatelou no chão. sozinho, levantou e fingiu que nao acontecia nada. mancando foi até as 20:12. as 21 mostrva sinais preocupantes. 22h destino selado. 23h e nenhum restaurante aberto. 1:50, 5 doses, vira um post. amanha vai acordar mancando, mas e dia de pore estreia e pode acabar ate bem.
;
PS o assunto era a dani_luxo, 1a puta confessa do twitter br, mas fica pra outro dia que esse ja ta bem povoado.
02:01:05 - Lama - 3 comentários

15 Junho

Essa maldita imprensa

Boston Globe

Em um ponto pelo menos teimo em concordar com o Pinto: a internet mudou a imprensa. A cobertura fotográfica do Boston Globe das manifestações no Irã é tão boa que quase esqueci a gravidade da notícia. Algumas fotos estão "fechadas", ou seja, vc precisa clicar num aviso que confesso não entendi, mas o objetivo é óbvio: lembrá-lo de que você não vai gostar de ver o que elas têm pra mostrar.

E para dar outra na ferradura, o blogue www.rottengods.com tem uma cobertura muito boa, cheia de vídeos e imagens que ele vai caçando por aí, inclusive, aqui no 25khordad.wordpress.com.

Tudo em tempo real e sem intermediários.

rottengods

Sobre o Irã e essas eleições não vou comentar. É lastimável, e a surpresa não é a fraude, mas alguém disposto a denunciá-la e milhares a apoiá-lo. Governante lunático, em qualquer latitude, não faz bem à saúde.
17:27:56 - Lama - 3 comentários

13 Junho

curtura: ossobuco de proer

conforme adiantou a [hérnia de disco da] coluna -que se soubesse o escriba como fazer c/ que a pesquisa aí ao lado conversasse c/ ele etc..., citaria o poste de origem- beta-caretano entrou em rota de colisão consigo mesmo, já lá se vão alguns anos.

11 Junho

O cara

"Sobe cobra, a cobra tem que subir..."

Quem acha que Lula fala bobagens deveria prestar mais atenção no que diz o bonitão aí em cima. Ele, Jobim das Selvas, o General Genérico. Aquele que, no meio da comoção das vítimas do AF447 evocou "tubarões" e "abdômens dilacerados", afora manchas de óleo e pedaços de madeira, enfim, tão genéricos como a sua patente.

É nosso eterno Ministro da Defesa da Inguinorança.

(crdt : rc gualda, pelo briefing)
19:12:16 - Pinto - 3 comentários

Resumidamente, é isso

Diogo Mainardi

Prezado Marco Aurélio Garcia,

Eu gostaria de entrevistá-lo por cerca de quatro minutos para um podcast da Veja. O assunto é a imprensa. Eu me comprometo a não cortar a entrevista. Ela será apresentada integralmente.

Muito obrigado, Diogo Mainardi

Marco Aurélio Garcia

Sr. Diogo Mainardi,

Há alguns anos - da data não me lembro - o senhor dedicou-me uma coluna com fortes críticas.

Minha resposta não foi publicada pela Veja, mas sim, sua resposta à minha resposta, que, aliás, foi republicada em um de seus livros.

Desde então decidi não mais falar com sua revista.

Seu sintomático compromisso em não cortar minhas declarações não é confiável. Meu infinito apreço pela liberdade de imprensa não vai ao ponto de conceder-lhe uma entrevista.

Marco Aurélio Garcia.

Fonte: Luis Nassif.
13:15:48 - Pinto - 1 comentário

10 Junho

O Blogue da Petrobras e o fim da corretagem de notícias

Seria bom avisarem nas redações por aí afora: jornalista é um corretor. De fatos, de notícias, mas não passa de um corretor. E a internet é implacável para atravessadores em geral. Quando não os elimina por completo, condena os maus, ou os que cobram as taxas mais altas, à obsolescência.

A própria grande imprensa nos ensinou isso, celebrando um novo mundo sem intermediários, nos primórdios do e-commerce. Lembro muito bem: passagens vendidas sem comissão para agências, homebrokers facilitando a vida dos aplicadores, mercadorias adquiridas aqui ou alhures, com o detalhes da grita contra as altas taxações da aduana brasileira para artigos importados. Conveniência, facilidade, liberdade. Para bem e para mal.

Pois é. Esqueceram de computar que notícia é uma mercadoria como qualquer outra.

Até pouco tempo atrás, jornalistas detinham o monopólio da informação. Os que leram um pouco mais de McLuhan na universidade já sabiam que "a informação quer ser livre". O único gargalo de fato era o dos meios de produção (das notícias). E ele não tardou a se ir com o desenvolvimento da internet. Mais que dar a palavra a quem era apenas representado por um repórter com um suposto mandato do leitor (como pretendia o Manual da Folha nos idos de 1990), ela permitiu a qualquer um pôr as mãos na massa e compreender as entranhas deste processo. Os interesses envolvidos, a possibilidade de falar com mais pessoas, como se pode (ou não) manipular um fato ou uma versão. Tudo isso ficou perceptível para quem antes dependia quase que unicamente da imprensa para essa interação.

Hoje, essa dependência é opcional. Eu posso prescindir dela, ou não. E quando recorro à imprensa (supondo que fosse um leigo no tema, que não sou; aliás, ninguém mais é, esse é o ponto), fica muito mais fácil identificar onde estão os pontos críticos do processo. Ficou possível ouvir o outro lado sem ter que depender de supostos mandatários, isentos, desinteressados, imparciais. Detentores de uma suposta superioridade ética inerente a um anacrônico diploma para o exercício da profissão.

De repente tudo se iluminou: os reis nus, os bois na linha, as indignações seletivas, as omissões, os erros ou a simples má-fé. Não me peçam exemplos. Acabou-se o monopólio, mas a visão monolítica que sempre preponderou na imprensa brasileira continua. Aqui nunca houve pluralismo, como também, diga-se, nunca a categoria dos jornalistas, grosso modo, foi dada às admissões de erro.

Daí custo a entender a reação de alguns jornalistas –pessoas físicas, porque a oposição das pessoas jurídicas é perfeitamente compreensível– ao tal Petroblog. Deviam assimilar tudo o que ajudaram a apregoar, sabendo que a "taxa de administração" que seus patrões andam cobrando do leitorado é muito alta.

Isso é queda. Coice é ler coisas como "Atentado à democracia e ao estado de direito", "Direito intelectual sobre perguntas" e outras balelas do tipo, que só evidenciam o anacronismo de quem ainda não percebeu que o jogo mudou. É uma reação atávica: sobrevivência em primeiro lugar. Mas, num segundo momento, é interessante notar que o debate rende-se ao corporativismo: o blogue evitaria os furos de um determinado jornal e minou as relações com a fonte. Mas ninguém tem a pachorra de analisar as distorções que o Blogue da Petrobras já levantou.

Um outro curioso efeito colateral disso tudo e ver uma petroleira, normalmente associada ao papel de vilã, tornar-se tão popular com a iniciativa. Algo que diz muito sobre a credibilidade dos veículos de comunicação no Brasil.
14:38:27 - Pinto - 10 comentários

09 Junho

Liberal geral

Baixou o cabôco Roberto Campos no meu ser. Enquanto uma liminar do STF não manda logo prender esse tal de Blog, a Petrobras devia ser logo privatizada. Aí sim passaríamos a ter serviços de excelência, atendimento decente, competição e preços baixos.

Lembra como era a telefonia antes da privatização? Um monopólio anacrônico, demora no atendimento, preços abusivos e, sobretudo, péssima qualidade de serviços. Então, agora melhorou muito.

CNN News Update: Será que a Telefônica tem blogue? Sei não, achei a cobertura pós-apagão tão tímida e pouco esclarecedora, em se tratando da frequência com que o problema ocorre...
21:39:11 - Pinto - 3 comentários

Veias abertas da América Paulistina

— Sabe por que a mídia não fala do cateterismo do Serra?

— Conspiração golpista do PIG.

— Não. Simplesmente não encontraram coração.
12:48:16 - Pinto - 3 comentários

Balança o chão da praça

Fausto Nilo

Mais um jabá. E da melhor qualidade: cearense. Lançamento do novo CD "Fausto Nilo", em show de bolso na Fnac Pinheiros (Pça dos Omaguás, 34), com a presença de Zeca Baleiro. Nesta segunda, dia 15, a partir das 19h. Não perco por nada.
06:00:00 - Pinto - Comentar

08 Junho

Saudades do Mario

Eu me lembro que 800 mil empresários deixariam o país. E, pensando bem, lamento que não tenham se ido.
14:36:55 - Pinto - 5 comentários

05 Junho

Fuck the system

16:20:36 - Lama - Comentar

04 Junho

Arquitetura da Proteína e do Carboidrato

Vou confessar desde já: eu nunca tinha visto nada parecido. Aliás, pra quem carrega anos de comida trash nas costas e em outras partes do corpo menos publicáveis (que não me chamem de mentiroso, dois exemplos aqui e aqui), confesso II que a inveja do "como é que eu não pensei nisso?" só não me corroeu porque o nome do prato poderia ser aperfeiçoado ("pastapazza", por exemplo) e o quitute em questão será meu jantar de hoje à noite. Às panelas, senhores!!
20:40:42 - Zeno - 5 comentários

menos um na seção da tarde

e lá se vai mais um dos meus irônicos canastrões, david carradine.

e duma estirpe familiar de expressividade, digamos, inóspita, desde o grande pai, john, vilão que anos de papéis e respectiva vida supporting actor, araram-lhe expressões perfeitamente odientas.
'tivesse vivo meu pai, provavel lembrar de algum avô inda antes dos farvestes de antanho, mas isso já é coisa pro setor 'pergunte ao zeno'...

Putaria da fina

ôba!
19:50:18 - Zeno - 2 comentários

03 Junho

Voando por um fio

Um amigo, experiente piloto de Boeing, certa vez me contou a seguinte história, que repasso sem ter a menor ideia se se trata de verdade ou maledicência corrente na antiga Varig:

"Quando começaram a operar no (aeroporto) Santos Dumont, os Airbus teriam protagonizado duas situações extremas que levaram à revisão dos protocolos de decolagem e pouso naquele aeroporto. Ocorre que, dependendo da rota, a manobra sobre a Baía da Guanabara é tão brusca que o sistema fly-by-wire dos bichos simplesmente se recusava a inclinar o avião além da gradação permitida por esse modelo até então. Isso não ocorre com os analógicos Boeings, que em tese voam até de cabeça para baixo. Na insistência, os computadores do Airbus interpretaram a intenção do piloto como um erro e o 'corrigiram' automaticamente, estabilizando o avião... na direção do Pão de Açúcar. A (suposta) falha foi corrigida e hoje não ocorre mais."

Friso que não sei se o relato procede. Pilotos gostam de engabelar leigos com histórias cabulosas e o Santos Dumont tem muitas especificidades: pista curtíssima —salvo engano a mais curta homologada para jatos comerciais em todo o mundo— morros, água, cariocas... Lembro que os antigos Electra tinham as hélices ajustadas para rotacionar todas para um só lado, levando o piloto a compensar na mão o empuxo lateral.

Só espero que os Airbus não rodem sistema operacional Windows.

CNN News Update: este comentário aqui corrobora o post acima.
19:51:49 - Pinto - 1 comentário

Sem perder a ternura jamais



(crdt : malvados)
18:40:50 - Pinto - 5 comentários

HZ também é cultura

Cês sabiam que "roupa íntima", em Portugal, se diz "roupa interior"?

Lôco, né?
16:28:32 - Zeno - 7 comentários

Dicas do Hipopótamo Para Dificuldades no Emprego

A crise é grave, a carestia tira o sono dos justos e o emprego estável é quase uma miragem no planalto de Brasília. Pensando nos difíceis tempos que se nos apresentam, nós do blog Hipopótamo Zeno GmbH decidimos dar uma contribuição pequena porém honesta ao país, à família e a você, leitor fiel. Neste post inicial, seguem algumas frases que poderão ser úteis aos que estão começando emprego novo, naqueles primeiros dias em que o tatear (em sentido figurado) é sempre a melhor estratégia:

(para seu chefe, ao ver o mobiliário do escritório)
-- Adorei as mesas! São vintage?

(diante do computador que será o seu daqui pra frente)
-- Vai ser super divertido voltar a trabalhar com Windows!

(em voz alta, para os "co-workers" - termo técnico que pega bem usar -, por volta da hora do almoço)
-- Cês sabem se o Gero entrega aqui?

(na sala do xerox e/ou pabx e/ou outra máquina qualquer)
-- Nossa, nem sabia que eles ainda fabricavam essa marca!

(na copa, para a moça da limpeza)
-- Nespresso não rola, né?

(para todos, incluindo o chefe, num olhar panorâmico, ao final da primeira semana)
-- Achei o máximo que todo dia aqui é casual friday!


[P.S. da redação: sinta-se à vontade, leitor fiel, para contribuir com outras frases e dicas que possam ajudar as demais pessoas necessitadas a manter o emprego]
16:25:15 - Zeno - 3 comentários

Bombacha

Desde que li "Um certo capitão Rodrigo" aprendi que em briga de gaúcho a gente não mete a mão (nem nenhuma outra parte do corpo), mas neste caso é impossível não fazê-lo: toda a nossa solidariedade a Milton Ribeiro.
14:10:03 - Pinto - 1 comentário

Reaproveitamento de energia

Acho que ando navegando muito pela internet. Devia ir pra rua como aconselhou o pres, do google.



13:56:04 - Lama - 1 comentário

for yooour eyes only

amar é verbo.
Amor é nome.
nome não tem tempo.
verbo tem.
amar é humano.
Amor não é.
amar é mortal.
Amor não é.
amar é parte: daqui até aqui.
Amor é indefinição. Mas significado.
amar é bolha de sabão: piscou, estoura.
.acaba.
Amor não sei

crddt:pv
01:26:41 - Lama - 3 comentários

02 Junho

Das tragédias e dos comportamentos distintos de quem as cobre

Salvo engano, o jato da Air France é o terceiro avião derrubado pelo governo Lula, em mais um desastre de responsabilidade pessoal do presidente, claro, que vai-respingar-na-candidatura-da-moribunda-Dilma Roussef, a-ex-terrorista-que-está-empatada-com-José-Serra-nas-pesquisas-de-intenção-de-voto. Digo terceiro porque aviões de pequeno porte caídos deve haver muitos outros, mas não se prestam tanto à comoção pública. Aí, enquanto agora se procura um álibi para a conduta calhorda da grande imprensa num falso debate sobre blogueiros X jornalistas, cobra-se com veemência uma "postura" do governo sobre o ocorrido. Uns o fazem por excelência de caráter; outros, ignoro por quê.

Aconteceu a mesma coisa nos desastres da Gol e da TAM. Indignação seletiva e imputação ao presidente da República. Repórteres viajam de avião, mas não se tem notícia (ainda) de que morem em barracos. Não se cobra a mesma "postura" governamental sobre, por exemplo, vítimas de enchentes que, por falta de meios, jamais teriam como pagar uma passagem num jato comercial. (Aliás, valia a pena também avaliar a cobertura das enchentes em Santa Catarina e no Piauí, onde o PIB é menor as vítimas não têm sobrenome alemão, mas esse é outro debate.) Cadê a indignação quando os passageiros eram de trem? Sim, claro, um tragédia num avião ceifa muito mais vidas, mas ainda assim: não é uma questão de quantidade, se não censitária.

Volto ao ponto. A suposta cisão que opõe blogueiros a jornalistas escamoteia o cerne do que deveria estar sendo discutido, que é uma conduta minimamente decente no tratamento da notícia, qualquer que seja ela, onde quer que escrevam os tratadores. Canalhas serão canalhas em texto impresso ou pixelado, tanto faz. A verdadeira questão é que, nunca antes na história desse país, os absurdos cometidos pela grande imprensa foram tão evidentes e tão combatidos, um após o outro. Curioso notar também como isso só parece comover os bons profissionais que estão no batente das redações. Os maus continuam preconizando a distribuição de brioches aos internautas.
15:57:50 - Pinto - 3 comentários

Jornalismo 2.0

12:29:51 - Lama - 3 comentários

01 Junho

A volta da teoria da escada

Ela andou sumida da redação, nestes últimos anos, mas não de nossos corações. Por conta de uma amiga mais versada, em conversa nem tão recente assim, exponho a ela o problema ("De onde eu tirei essa idéia..." etc) e recebo uma resposta indignada: "É o bom e velho esprit d'escalier, cê esqueceu?! Aquele da frase matadora que só nos ocorre quando já estamos na escada, indo embora!". Tomei a bronca mas fui estudar. Descobri que tem também em alemão, já que o esprit francês é o bom e velho witz alemón (que vem da mesma fonte do wit inglês, donde o witty, espirituoso), e que em alemão a expressão é a mesma, Treppenwitz (Treppen é escada). Desde então saio todo garboso às ruas, sem conseguir a resposta na ponta da língua mas pelo menos sabendo qual é o nome disso. Umas semanas atrás, o assunto do esprit d'escalier volta na pena do Luis Fernando Veríssimo, em sua coluna de 30 de abril no Estadão. Dizia ele ter criado certa vez um personagem para o Jô Soares que sofria da síndrome, e que ao ouvir uma ofensa só conseguia balbuciar "Ah é, é? Ah é, é?". Só depois de dias é que o sujeito, do nada, exclamava "Só se sua mãe for junto", ou coisa parecida, para um interlocutor inexistente. O Luis Fernando comenta também que deveria existir uma expressão em alemão para descrever isso, uma daquelas "intermináveis palavras compostas com que os alemães transmitem o máximo de sensações possíveis sem o uso de vírgula, hífen ou violino ao fundo". Bom, a palavra existe, como vimos, mas não a solução para a síndrome, em português, em francês, em alemão ou, que é onde eu queria chegar, em espanhol:

Apareceu aqui no botequim, num post passado, o bordão irritante de um psicanalista argentino, usado por ele cada vez que um paciente reclamava da vida, do emprego ou da esposa/marido: "¿Que te impede?" Pois bem. Só agora atinei com uma resposta à altura: se ele dissesse isso pra mim, ah, se ele dissesse isso pra mim, eu responderia "Las relaciones sociales de producción, boludo!", na lata, na bucha, e me levantaria todo pimpón do divã e do consultório. Seria a vingança de todos os escadeiros analisandos deste país. Rá.
20:29:41 - Zeno - 3 comentários

A ética acompanha a estética


O logo oficial de São Paulo, cidade-sede da Copa, concebido pela agência MPM. Não é a cara da cidade? Mais sobre a discussão que rola, num blogue de um sujeito que sabe muito deste e de outros temas: Mario Amaya.
18:33:45 - Pinto - 5 comentários

Um olhar pra desviar de outro

não é peluda

Nada contra cachorros peludos, mas isso aqui é um blogue de respeito e acho que o povo jah ta exagerandp. Alice Braga.
09:01:46 - Lama - 7 comentários

Foto de um chow chow tão peludo pra começar a semana

06:00:00 - Pinto - 1 comentário

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