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31 Março

Sonata a Kreutzer, estréia em março de 2029

O troço começou faz umas duas semanas. Ouço todas as noites, pela janela do apartamento, um sujeito que decidiu aprender a tocar violino.

Já tive tudo quanto é vizinho (de prédio ou de proximidade) numa longa lista apartamental: igreja evangélica coreana, com direito a gritos bilíngües de Salve Jesus e karaokê de música sacra pop; escola de inglês para iniciantes, que enfrentavam o verbo to be como quem conquista o Himalaia; vizinha de cima ninfomaníaca acompanhada de doberman com as unhas grandes (a ordem dos fatores é intercambiável); dona de brechó histérica que considerava o elevador uma instância metafísica, propícia a considerações sobre o Além e o Aquém; o etc é interminável.

Mas o cara do violino está me tirando do sério. Aí pensei que poderia ser pior, que ele poderia querer aprender tuba, ou que ele poderia estar roubando ou matando, e em vez disso decidiu estudar violino. Tranqüilizei-me um pouco. Aí lembrei do queridinho do blog, o Raymond Chandler, que descreve assim uma noite de insônia: "At three a.m. I was walking the floor and listening to Khachaturyan working in a tractor factory. He called it a violin concert. I called it a loose fan belt and the hell with it."

Well, realmente poderia ser bem pior.
22:31:59 - Zeno - 3 comentários

Melhor esperar a telona



Não que ninguém precise saber. Mas comecei a ler o livrinho aí de cima cheio de expectativas. "Autor revelação." "Direitos comprados para virar o próximo filme dos Coen." "Enredo inventivo" e mais um monte de ovos babados. Pode ser. Mas acrescentaria duas impressões: falta um glossário de iídiche —e olhe lá que eu, goy gentio de todo, sou mais versado na colônia do que muito judeu por aí. A segunda: não se trata propriamente de literatura, senão de um roteiro pronto para filmar, um guión, como diriam os hispânicos. É o tipo da obra que não se sustenta apenas no papel, mas requer dramaturgia, ou melhor, cinematografia para ser fruída, ou ainda, compreendida.

Uma pequena decepção. Não tenho aspirações a ator. Contento-me sendo leitor. Quando muito, espectador. Talvez dê um bom filme.
11:06:33 - Pinto - 6 comentários

30 Março

Recordação Mãos Limpas

Por força deste livro (uma recomendação original do Milton que me fez antecipar a leitura; recomendo este e outros do autor com louvor) me lembrei daqueles sabonetes em formato de bola, que ficavam pendurados sobre a pia por umas correntinhas de metal, as quais acabavam por revelar, depois de mil esfregações que moldavam a bola original numa outra coisa disforme, meio nojenta e já sem cheiro ou mesmo cor. Havia certamente um cor de rosa, e outro em tom verde, ou azul, mas destes não estou bem certo. Existiam praticamente em tudo de quanto era banheiro, e nada era tão 1970. O ritual era completado por enxugar as mãos numa toalha de pano úmida e bolorenta.

Hoje não sei onde foram parar as milhares das tais correntes e muito menos os ainda mais numerosos sabonetes, substituídos por líquidos cremosos seguidos de toalhinhas de papel reciclado. E ainda assim não consta que o hábito de lavar as mãos tenha ganhado mais adeptos, ou nós tenhamos ficado mais asseados.
21:36:53 - Pinto - 2 comentários

28 Março

Show de calouros

Eles todos e elas todas ganhavam a vida como atores e atrizes (boa noite, presidente), mas também costuravam para fora no setor de música.
O que vocês vão ouvir agora é um apanhado meio ao acaso de músicas gravadas por esse povo aí. Se quisessem, alguns deles poderiam perfeitamente ter feito carreira como canários. Outros, bem, a tolerância humana é infinita, quando se trata de nossos ídolos.
De propósito, vou abrir só os nomes das músicas. Quem reconhecer a voz de mais de metade fará jus a uma carteirinha de sócio remido da Cinemateca Zzzzzzzeno, com direito a assistir ao próximo festival de cinema iraniano ao lado do nosso editor-em-chefe.

Para efeitos didáticos, dividi os arquivos em "Atores" e "Atrizes". Se você estiver muito aguado para saber quem canta o que, ou apenas decidir se vale a pena baixar a trolha, é só ir no bizu. [Leia mais!]

Tempo e placar

Suderj informa:

Sai: "Eu sei que jamais estarei em uma posição digna de suborno".

Entra: "Saibam que em nenhum momento perdi a esperança e deixei de acreditar na Justiça brasileira".

PS nada a ver com o assunto: Missiê Franciel se supera a cada post, o que não é pouco.
17:52:30 - Pinto - 2 comentários

Slumdog Millionaire em versão portenha

"O protagonista é estudante de Direito em Bombaim. Blasfematoriamente, descrê da fé islâmica de seus pais, mas, ao declinar a décima noite de lua de muharram, encontra-se no centro de um tumulto civil entre muçulmanos e hindus. É noite de tambores e invocações: entre a multidão adversa, os grandes pálios de papel da procissão muçulmana abrem caminho. Um ladrilho hindu voa de uma sotéia; alguém afunda um punhal num ventre; alguém - muçulmano, hindu? - morre e é pisoteado. Três mil homens lutam: bastão contra revólver, obscenidade contra imprecação. Deus, o Indivisível, contra os Deuses. Atônito, o estudante livre-pensador entra no motim. Com as mãos desesperadas, mata (ou pensa haver morto) um hindu. Atroadora, eqüestre, semi-adormecida, a polícia do Sirkar intervém com rebencaços imparciais. Foge o estudante, quase sob as patas dos cavalos. Busca os últimos arrabaldes. Atravessa duas vias ferroviárias ou duas vezes a mesma via."

A Aproximação a Almotásim, Jorge Luis Borges, 1935.
10:23:51 - Zeno - Comentar

27 Março

Arcebispo de Recife, perdoai nossos pecados

Não é que eu conheça tudo do Ennio Morricone. Afinal de contas, entre trilhas e outras peças o cabra tem mais de 600 discos gravados, dos quais já passei os ouvidos por uns 400. Nunca ouvi nenhum ruim - vai de bom a extasiante. E ele não se limita a escrever maravilhas: também arranja e rege, às vezes quatro ou cinco trilhas simultaneamente. Enfim, o Ennio trabalha mais do que redator do HZ.

Um dos seus mais belos e estranhos discos foi feito em parceria com a cantora sarda Clara Murtas. Raro, também - gravado em 2000 e lançado em 2002, dele foram queimadas apenas 2 mil cópias, que obviamente viraram peça de colecionador.

O disco foi uma encomenda da Clara, velha conhecida do maestro, desde que ele gravou um disco em homenagem ao poeta dissidente grego Alexandros Panagulis, em 1974. A idéia da cantora era recriar a tradicional Ave-Maria da Sardenha "Deus Ti Salvet Maria". O maestro topou, desde que tivesse liberdade para improvisar nos arranjos e criar novas melodias. A coisa ficou dividida em três movimentos: Fuga dal presente, do Ennio; Ave Maria - Deus Ti Salvet Maria, o texto tradicional; e In Forma di Stella, texto da Clara, dedicado ao Gramsci. A bagaça toda recebeu o nome de "De sa terra a su xelu".

Os três movimentos mais um pdf do libreto não somaram mais do que 30MB, isso em 320kbps. Se eu fosse vocês, baixava.
22:14:51 - DJ Mandacaru - Comentar

Em testemunho da verdade, dou fé

Saibam quantos deste público-instrumento virem que o seguinte diálogo ocorreu por volta das 11h40 desta sexta-feira, 27 de março de 2009, na comarca da Bela Vista, na capital do Estado de São Paulo:

— Alô, é da agência de empregos? Estou procurando uma babá ou empregada doméstica.

— O sr. teria alguma restrição a tons de pele?

— Que absurdo! Não, imagina!

— O sr. teria alguma restrição a religião?

— Não.

— O sr. teria alguma restrição a sotaque?

— Sotaque?! Logo eu, que nem nascido em São Paulo sou. Essa é nova! Essas perguntas são absurdas. A lei proíbe esse tipo de restrição.

— O sr. não me leve a mal. Eu concordo com o sr. Mas sou uma agência de empregos. Se não fizer esse tipo de filtro aqui, perco o tempo de todo mundo. Quando não fazia, recebia reclamações de todo tipo depois do primeiro contato, porque as candidatas eram negras, religiosas ou tinham sotaque forte (sic). Agora sou obrigado a fazer, mesmo constrangido.
16:23:34 - Pinto - 16 comentários

A não-notícia do dia

Dona da Daspu não é presa.
13:46:00 - Pinto - 4 comentários

Later, aligator

Deu na inbox (sorry, nanoaudiência):

Apresenta-se no palco um homem com um crocodilo. Depois de agradecer os aplausos, o homem pega num cassetete, dá uma leve pancada na cabeça do crocodilo e este abre a boca. O homem abre a calça, ajoelha-se e coloca o pênis na boca do crocodilo.

Começam a rufar os tambores e o público faz silêncio total. O homem então dá segunda cacetada na cabeça do crocodilo. Este começa a fechar a boca lentamente.

- Uaaahhh!!! - Ouve-se a platéia.

O crocodilo, quando está quase a fechar a boca totalmente, pára!!! Na platéia o silêncio é geral. Apenas se ouve o rufar dos tambores. O homem dá uma terceira paulada na cabeça do crocodilo e este abre totalmente a boca. O público explode em aplausos e a orquestra começa a tocar.

O homem põe-se de pé, fecha a calça, e num tom desafiador pergunta aos espectadores:

- Alguém é capaz de fazer isto?

Aí, responde uma LOURA da platéia:

- Eu faço!!! Só não gosto que me batam na cabeça.
10:46:15 - Pinto - 7 comentários

Astor e penetras

Complicado esse negócio aí do Piazolla, viu?
Sempre preferi o próprio tocando suas coisas, no máximo com alguém convidado. Mas também tem coisas bacanas, ele de fora: de premêra, lembro das gravações do Kremer, ou do Barenboim, ou...sei lá, o cara foi mais gravado do que o Mancini.
Tava agorinha mesmo ouvindo uma das coisas do Astor em que ele perfeitamente pôde estar de fora. O Richard Galliano, com um conjunto de cordas dá conta bem direitinho da tarefa. Tocando sofona, um instrumento, digamos assim, que vem incorporado à rede onde cearense preguiça. Desde novinho.
Lá no pacote tem todos os dados: quem toca, que música e tal, em modestos 87 MB.
Eu gosto. [Leia mais!]

26 Março

uma hipótese científica

- eu vi bem o jeito que vc falou dela...
- que jeito? foi caso de 30 anos atrás!
- eu vi, eu vi, sempre pode 'dar retorno'...
- vich, do jeito que é mulher, se eu e vc. se clonasse e eus tivessem um caso c/ vcs.,
aposto que vcs. iam se matar, enquanto a gente ia pro bar...

Doutor, eu não me engano

— Minha mulher disse que acha o Mano Menezes um gato.

— O Mano Menezes?!

— É, ela acha que ele é um tipão, ou coisa assim. Lôco, né?

— Olha, podia ser pior, ...

(sugestões na caixa de comentários, por favor)
10:27:54 - Zeno - 5 comentários

25 Março

Sei lá, mil coisas




23:59:35 - Sorel - 2 comentários

24 Março

Liberaram as Atas do Conselho de Segurança Nacional

Deu no O Globo:

Apesar de pertencer à linha-dura, Costa e Silva foi cauteloso. Num discurso emocionado, ele tentou convencer os colegas a não radicalizarem. "A ditadura jamais será uma solução para o Brasil", disse o marechal, que assumiu o cargo sem um só voto. "Entendo, como revolucionário, que qualquer ato fora da Constituição no momento será uma precipitação. Será, como se diz, um avanço no escuro sem necessidade. Mais uma vez serei acusado de imobilismo, mas a situação continuará como está", desabafou.

(a gente até começa a gostar do bichinho, né? mas aí vem a pérola)

Antes de anunciar o veredicto, Costa e Silva surpreendeu os ministros ao relatar um encontro com candidatas a miss: "Eu sou homem habituado em toda a minha vida a tomar decisões. Ainda outro dia, eu disse às misses que não desejaria estar naquele júri porque seria uma decisão difícil".

Ainda vamos acordar um dia e descobrir que a tal Dita não era dura nem branda, mas uma mulata que pegou 2o lugar no concurso de porta-bandeira da Mangueira.
09:21:40 - Sorel - 10 comentários

22 Março

A Troca (The Changeling, 2008)

Aproveitando o gancho do outro filme do Clint, resenhado abaixo, e já que a gente usou o recurso algumas outras vezes, vamos lá:

O bra pri ma.

Não é à toa que ele, Mestre Clint, tem sido o melhor diretor americano em atividade já faz uns bons trinta anos. Algumas notas soltas:

O filme tem duas horas e passa, mas não se vê gordura alguma, antes o contrário: há cenas em que você pensa "Não, saia daí, o filme vai se arrastar se for por esse caminho!", e aí bum, o troço mostra outra faceta e você sorri "Burro fui eu, de achar que ele cairia na armadilha", o que lembra aquela observação do Adorno sobre Proust, cuja suprema qualidade seria poupar os leitores de se sentirem mais inteligentes que o autor. Como em toda grande obra, as armadilhas são sempre auto-impostas, e cabe a nós julgar se o filme se saiu bem delas, o que é quase um truísmo no caso do Clint.

Não sei se já fizeram a relação (o filme está em cartaz há um tempão), mas outra lembrança que passou foi o parentesco do filme com a tradição do Hammett e do Chandler, ainda que por vias oblíquas. Lá pelas tantas, quando cai a ficha de que um dos assuntos do filme, mesmo que não o principal, é o comentário sobre a estrutura de poder da polícia de Los Angeles, é possível resgatar da lembrança o "Chave de Vidro", do Hammett, em que a descoberta do crime era tão importante quanto a descrição do funcionamento corrupto da Promotoria e de outras instâncias de poder jurídico-policialescas. Aliás, no mesmo assunto, vale um curso inteiro de cinema a comparação entre a cena em San Quentin e o final do filme pilantrão do idem Lars Von Trier naquele filme com a Björk.

Há um comentário en passant de um dos personagens que diz que as pessoas gostam de happy endings. Como é baseado numa história real, é evidente que a armadilha (mais uma) do "Como acabou?" está lá, à espreita. Não é dos menores méritos do filme a maneira com que se safa de mais essa.

Pra arrematar as notas soltas, não sei de diretor contemporâneo que consiga enquadrar as cenas como Mestre Clint. Pra que não o acusem de formalista, segue a outra constatação: não sei de diretor contemporâneo que tenha feito com que eu realmente sofresse com a história e torcesse os dedos nas antecipações das catástrofes, o que talvez seja um mérito compartilhado com o roteirista. Forma e conteúdo reunidas de modo imanente, é o que aprendemos nos manuais.
21:45:22 - Zeno - 45 comentários

Notícias da blogaria

Bem no início dos tempos (coisa de cinco anos atrás), lembro de ter lido um artigo rancoroso e decepcionante da Lucia Guimarães, para quem a blogosfera seria um "trenzinho de egos", ou algo assim. Lucia continua a não entender nada do assunto, mas estava certa. Assim sendo, atrelamos mais um vagão ao nosso já inflado Expresso Zeno, e referendamos aqui o sitio do sergio leo (assim mesmo, em minúsculas e sem acento), que trouxa a público hoje um inexcedível defeito de caráter: viveu em Fortaleza na infância.

Em tempo, e falando em Lúcios: as notícias sobre a morte do LLL, do nosso amigo Lúcio, foram exageradas. Ele passa bem. O blogue. Porque o autor, de saideira para o Rio e ainda mais hoje com show de Radiohead e tudo, inspira cuidados.
18:17:03 - Pinto - Comentar

Arcebispos detonam carreira da mulher de Miles Davis

Mesmo para os padrões relaxados da década de 70, a Betty Davis escandalizava, é só dar uma espiada nas letras do seu LP de estréia, lançado em 1973, embora ela não fosse exatamente uma noviça no vício. Em 1967, antes de completar 20 anos, a moça já havia emplacado um sucesso na voz dos Chambers Brothers. Aos 23 estava casada com um tal de Miles Davis, que tinha o dobro de sua idade, e a quem apresentou Jimi Hendrix, Sly Stone, o rock psicodélico e um guarda-roupa novo. Um ano depois estavam separados. Na sua biografia o trumpetista sukita reconhece que a Betty era "too young and wild" pro caminhãozinho dele.
No seu disco de estréia, Betty Davis se cercou do que havia de melhor na praça: a cozinha era formada por Larry Graham (baixo) e Greg Errico (bateria), ambos da Sly & Family Stone. Os guitarristas Neal Schon e Michael Carabello davam expediente na banda do Santana. Os backing vocals foram providenciados pelas Pointer Sisters.
O disco, claro, foi boicotado pelos carolas de praxe -- manifestos em igrejas, protestos nas rádios, essas coisas. D. Davis ainda tentou, por duas vezes, seguir a carreira, até jogar a toalha e decidir cuidar da vida em Londres. Seus três discos são venerados pelo povo que gosta de funk. Vou botar o primeirão. Se vocês gostarem, boto os outros dois. [Leia mais!]

Crise, crítica e outras mumunhas


"Aqui" onde?

E depois neguim diz que a crise não é lá essas coisas: antigamente a gente não ganhava nada pra divulgar jabás aqui no blog. Com o derretimento financeiro mundial e o enxugamento do orçamento doméstico, a gente fomos obrigados a cobrar uma caixa de uísque pelo aí de cima. Recebemos apenas 8 garrafas, o que aparentemente se explica porque a crise também afetou a aritmética.
08:25:10 - Zeno - 9 comentários

Uma prancha de surf, faichfavoire

A ingresia começou lá no blog do Sergio Leo, a troco de um vídeo com o Paul McCartney tocando um ukulele (a.k.a. cavaquinho). Conversa vai, miolo de pote vem, lamentavelmente ninguém lembrou da Marilyn tocando magistralmente o mesmo instrumento em Quanto Mais Quente Melhor, pra vocês verem a falta que o Zeno faz em algumas rodas. O papo acabou degenerando em especulações sobre a influência portuguesa no constructo da música havaiana, Elvis Presley à parte.
Foi aí que me lembrei de um disquim que trata exatamente do assunto. A sociologia tá num texto ajuntado no mesmo RAR.
Só pra quem gosta muito.

21 Março

Resenha de quatro palavras

Gran Torino

back to the future
20:13:00 - Sorel - 1 comentário

20 Março

Agora vai!

A carne é fraca mas Heráclito é Fortes

José Ribamar é bom mas não é dois. Com a ajuda inestimável de Heráclito Dantas Fortes, o Senado brasileiro finalmente haverá de ser moralizado. Nossos encômios a ambos estes formidáveis homens públicos.
16:06:02 - Pinto - 5 comentários

Dominando o mundo

Uma lista de conterrâneos ilustres, conforme retransmitida pelo amigo Armustus, aquele mesmo, o dos arbustos.
11:07:53 - Pinto - 6 comentários

19 Março

"Isso nunca aconteceu comigo antes"

Deu no UOL: "Estresse pela crise pode interferir na vida sexual, diz Jairo Bouer".

(da seção Desculpas Prontas a R$1,99! Não Perca!)
10:35:06 - Zeno - 13 comentários

Efeméride

Hoje, 19 de março, solstício de verão no Hemisfério Sul, é Dia de São José, que vem a ser o padroeiro do Estado do Ceará, dos carpinteiros e, dizem, dos cornos, sendo que nenhuma dessas coisa está, necessariamente, relacionada com a outra.
06:00:00 - Pinto - 5 comentários

18 Março

Coisas que só a Internete faz por você

Tá com tempo sobrando? Tem saudades daquelas sextas-feiras à noite da sua infância/adolescência dos anos setenta? A madeleine e os peitinhos da Aldine Muller, juntamente com boa parte da memória chanchadística brasileira, foram digitalizados e agora estão gentilmente disponíveis aqui, ao lado de atrações mais recentes, num amigável índice alfabético por nome das atrizes. Tem até a nossa intocável Adele Fátima, que tantas alegrias trouxe e continua trazendo aos membros da redação.
10:54:54 - Zeno - 8 comentários

Ad majorem Dei gloriam

Vocês podem não acreditar, mas o Pinto é um homem muito pio. Daquele modelo ajoelha-e-reza todo santo dia.
Para se ter uma idéia do fervor religioso do nosso colega de redação, na sua casa, um mês antes da Semana Santa, só rola som sacro. Durante uma visita de apresentação do Fred à sociedade hipô, consegui surrupiar uma bolachinha do player do cabra. Como dizem os rapazes da Globo: confiram na sequência.

[Leia mais!]

16 Março

O ataque das mijonas

"A absorção de substâncias químicas poluentes por animais vertebrados - inclusive o homem - está causando uma progressiva feminização dos machos dessas espécies e põe em risco sua sobrevivência futura. A principal causa do fenômeno parecem (sic) ser as enormes quantidades de hormônios lançadas no meio ambiente pela urina das mulheres que usam anticoncepcionais orais."

Fonte: Revista Planeta, nosso vade-retro, digo, vade-mécum.

(crdt, inclusive título : apolombra)
17:48:19 - Pinto - 8 comentários

15 Março

insisto: tanga e rede o desenho do desejo são*

fartura felicita

grego não era negão apenas,

oquei, talvez, indeed,
ou cabimento que o valha. [Leia mais!]

Para evitar a excomunhão

14:42:05 - Pinto - 8 comentários

lorpas teminais

o bospa é um gilmerdão.
00:36:39 - George Smiley - Comentar

13 Março

cada um no seu quadrado

ontem comi espuma de limao, azeite solido de manjericao, "ovas" de shoyo, pure de franboesa e outros num menu degustação acompanhado por 7 vinhos diferentes. foi foda. o cara é um filhote do adria. nem entro em detalhes. só coloquei pra me exibir e passar raiva no zeno e no pinto. (ah... pernóstico é a mae).
17:19:14 - Lama - 14 comentários

Anedotas de salão

O rádio-enigma da semana

"Duas moças entram num hotel, falam com o hoteleiro e se retiram. Quantas horas são?

Falta um quarto para as duas."

Anatol Rosenfeld, no jornalzinho Crônica Israelita, em 1946.
16:37:05 - Zeno - 10 comentários

12 Março

planta brota em pedra

contra bão é a favor de outra

fazendo quasemudo
talvez munde

questão de tempo
ou rede
ou gesta

11 Março

Leonard mais vivo do que morto

Demorou, mas apareceu. Você, prezado leitor-amigo, que não pôde estar em Noviorque no risorgimento do Leonard Cohen, vai poder ouvir o show do dia 19 de fevereiro p.p. Tudo cortesia do T.U.B.E.

Se você catucar mais um pouco, vai achar outros cinco shows do cabra.

10 Março

Colegas

se tem um tipo que me irrita é o pernóstico. raramente consigo desenvolver a empatia que gerealmente me toma e que acabam estabelencendo aquela relação de bichinho de estimação que a gente tem com algumas pessoas. mas com o pernóstico não dá. o tipo me tira do sério. eu cá tenho uma teoria de que todo pernóstico tem um passado triste, uma infancia prejudicada e inadequada e que o pernoicismo é uma forma mal suceidda de procura da aceitação. como se ele nao entendesse as regras direito e extrapolasse, passas-e do ponto. to trabalhando com um cara que é pernostico. 2 na verdade.as vezes acho que vou subir na mesa e comecar a gritar ou encher ele de porrada. o pior é que ele é meio grande e a chance de eu apanhar tb. mas fico pensando enquanto ele fala e explica um projeto em seus minimos detalhes:"- será que ele era gordinho?"
23:52:50 - Lama - 24 comentários

09 Março

Abertura frontal ou superior?

Máquina de lavar fez mais por mulher que a pílula, diz Vaticano.

Ensaboem, mulatas!
22:13:47 - Pinto - 14 comentários

Fundo de Garantia: verdade ou ficção?

A questão é reincidente, como já dissemos em outras ocasiões, mas semana passada, passeando de carro por uma rodovia inteligente com radares e placas idem, voltei a matutar: "mais dia menos dia eu perco meu emprego".
19:47:34 - Zeno - Comentar

Temos feed II

Graças ao Bandini, e atendendo a pedidos, temos feed de verdade agora. Que se dane a tradição! Viva a modernidade!
10:52:30 - Sorel - 7 comentários

08 Março

Nomes aos bois

Colaborando com a ação revisionista da Folha, o Jornal da Ditabranda, e com o apoio intelectual do midiático professor M. A. Villla, o Villão (que dá mais expediente nas páginas dos jornais e na tela da GloboNews que na sua cátedra na universidade), este blogue soma-se ao esforço orwellico de rebatizar as coisas e relaciona a seguinte parada de sucessos:

Ditaberra (1º de abril de 1964) — O grito inicial, o golpe início da Revolução em si, comandado pelo general Olímpio Mourão Filho, auto-intitulado Vaca Fardada. Não há registros históricos sobre como se chamava em trajes civis, nem se retirava os chifres nessas ocasiões.

Ditaplana (1964-67) — Período áureo de liberdades e estímulo à criatividade comandado por Humberto de Alencar Castello Branco. Assim chamado em alusão à cabecinha-chata do marechal.

Ditabunda (1967-69) — Dito não em homenagem às feições do marechal Arthur da Costa e Silva, que era a cara da própria (com óculos escuros), mas porque, passada a cabecinha de Castello, botaram na nossa. Tempos de Oban, CCC e AI-5, paroxismos de brandura.

Ditaboba (1969-70) — Curto interregno dos Três Patetas depois que o Senhor chamou Costa e Silva para uma partida de carteado no Céu. Consta que o marechal trapaceou e foi passar uma temporada no inferno. Bem-ambientado, nunca retornou. Aurélio de Lira Tavares, o Adelita, Augusto Rademaker e Márcio de Sousa e Melo juntar-se-iam à mesa depois.

Ditabola ou Ditabólica (1970-74) — Os Anos de Chumbo, assim denominados em função do bolão que o selecionado pátrio bateu em Guadalajara. Foi chumbo grosso em cima de quem viesse enfrentar o escrete canarinho. O general de plantão? Tinha um sobrenome esquisito que terminava por Médici. Mas que importância isso tem diante das diabruras de Tostão, Pelé, Rivelino e da Lei de Gérson, certo?

Ditabênção (1974-77) — Época do Milagre Brasileiro comandado pelo primeiro santo 100% genuinamente nacional, Herr General Ernst Geisel. Sieg Heil, e reze três ave-marias ajoelhado no milho.

Ditadrófoba (1978) — Malsucedida tentativa do general Sylvio Frota de acabar com a brandura do regime, face ao crescente declínio de suicídios nas celas dos DOIs Brasil afora. Foi contido em camisa-de-força e tratado à base de medicamento antirrábico.

Ditaburra (1979-1985)
— A notória predileção do general João Baptista de Oliveira Figueiredo pelos equinos e, mutatis mutandis, por Alexandre Garcia como porta-voz não poderia ter outro nome. Mesmo porque Figueiredo entregaria a rapadura de volta aos civis e muita gente na caserna, e fora dela, até hoje não vê inteligência nisso.

Coda:

Ditabreve (1985) — Ia ser o período de retomada democrática liderado por Tancredo Neves, mas falhou no lançamento.

Ditabumba (1985-1989) — Encerrando o ciclo autoritário com as folclóricas tradições de José de Ribamar e os tambores de Codó, que tanto trabalharam pelo fim do sofrimento de Tancredo e pelo desenvolvimento deste imenso Maranhão que se chama Brasil.

(este post vai para joão gilberto, dorival caymmi, caetano veloso, milton ribeiro e idelber avelar. aquele abraço!)
15:23:08 - Pinto - 16 comentários

07 Março

Poesia nesta granja

A página de opinião do Estadão é um prodígio. É lá que periodicamente mantemos contato com entes como João Mellão, o filósofo Paulo de São Paulo e outros menos votados, que ali nos iluminam, e ao mundo, a percuciência de suas idéias.

Porém, nosso favorito, por um pescoço de vantagem, acaba sendo José Nêumanne Pinto, que lá figura sem o último sobrenome, sendo esta uma opção individual, à qual não cabem reparos, senão o próprio registro e a constatação de que não há entre nós —e, imagino, entre você e ele— nenhuma parentela. Digressão feita, retomemos.

Com ou sem Pinto, discorre o escriba com maestria sobre um tudo, do alfinete ao foguete, sempre associando o tema da vez a uma habitual estocada em Lula, que afinal existe, e tudo que lhe diga, ou não, respeito.

Mercê da revista Caras desta semana —ou da semana passada, ou do ano passado, qual a diferença?—, para nosso subido gáudio, descobrimos que o homem —não Lula, que não passa de um analfabeto; mas Nêumanne, que passa— possui múltiplos talentos e também é pintor e poeta, dentre outras habilidades que talvez nem se nos tenham sido descortinadas.

Referenciamos então à íntegra de Pau no Cu Palco Nu, in Solos do Silêncio — Poesia Reunida, para deleite de nossa nanoaudiência.

Vai ou não vai para o trono?
21:11:30 - Pinto - 6 comentários

06 Março

Estupra, mas não mata

Ao Arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, gostaria de dizer: fiqeu tranquilo. a maioria da população não está indignada com seus atos, está rindo. ninguem mais leva vcs a sério. nem os católicos, coitados, que tem que passar vergonha por sua causa.
23:13:10 - Lama - 13 comentários

Feed

Temos feed. Aproveitem.
20:58:42 - Sorel - 7 comentários

A crise imobiliária afeta os bons costumes

— Charmosinho esse seu novo apartamento, né? Qual é a metragem?

— Tem 66 m2.

— Só a sala do meu tem 50 m2.

— Por que você não enfia no c* a sua sala, o 50, o metro e o quadrado?

(crdt: uma amêga minha, cês não conhecem, não)
12:16:13 - Zeno - 6 comentários

05 Março

Zena

Não, não se trata da minha irmã, que aliás cozinha, lava e passa muito bem, e sim do novo restaurante/"snack bar" recém-inaugurado pelo mesmo do dono do Piselli, tal de Juscelino, que deveria fazer um curso rápido de italiano para descobrir que escolheu um sinônimo de caralho como nome do estabelecimento. Quanto ao Zena, que resolvemos conferir graças a um post do finado blog do Mino Carta, diz muito do lugar que a melhor coisa da refeição tenha sido o vinho, um Verduzzo bacana, 2007, a preço camarada. A afamada focaccia genovesa desanima-se antes de chegar à mesa, e uma outra entrada curiosa, uma mouse de bacalhau, não tem lá muito gosto (também conhecido, em restaurantes mais caros que o Zena, como "sabor delicado"). Mas um dos pratos principais do cardápio, terrine de frutos do mar com pesto por cima e salada, desceu bem à beça e vai deixar saudades. A freguesia é aquela de quinta dos Jardins, com muita loira de cabelo lambido, salto alto e jeans mais caro que o salário do Pinto, mas a varanda grandona ajuda bastante no clima.

Cotação: 6,5 miojos com pesto.

P.S.: Pra quem quiser, o texto do Mino se encontra no Leia Mais. [Leia mais!]
11:47:06 - Zeno - 18 comentários

04 Março

De caboca@sontag.org para gaspari@fsp.ditabranda.br

Estimado jornalista,

Permita-me apresentar-me: sou uma entidade que vez em quando baixa aqui neste terreiro para tecer comentários ("Dar pitacos sobrenaturais", segundo meus colegas), a maioria deles relacionados a imagens, uma de minhas paixões. Manifesto-me desta vez sobre esta em particular. Não vou aludir ao abaixo-assinado nem à chacrinha que farão realizar sábado defronte ao prédio da Barão de Limeira, ambos já de domínio público, pois não sou afeita a mundanidades.

Fixo-me na imagem. Um jornal dos que o subvencionam e já se disse "o das Diretas" logrou este impensável: subverteu um ícone dos Anos de Chumbo e o tornou objeto de escracho não contra quem o produziu, mas contra quem deveria combatê-lo antes de qualquer coisa. Compreenda-me bem. Não me incomoda o escracho em si. À memória do Vlado dano pior fizeram os milicos. Tento aceitar, embora seja difícil, que justo um jornal tenha sido a força-motriz dessa guinada semântica. Sei do constrangimento que isso causou intramuros. Imagine então o constrangimento aqui fora, diante da pena de Eliane Cantanhêde, Josias de Sousa e outros luminares de igual quilate. Onde haverão de buscar indignação contra a vocação ditatorial do companheiro Lula depois dessa? Já ganhei uns caraminguás cometendo textos para a grande imprensa e creia-me: não há sensação pior para um jornalista que se ver diminuído à escala com a qual adoramos medir os donos do poder. Este episódio nos deixou menor que eles, de um tamanho tão minúsculo que certamente escapará até da miopia seletiva do ombudsman Lins da Silva. Seu antecessor, Mário Magalhães, não deixaria por menos, mas ele sintomaticamente pediu o boné.

E isso tudo, ironia das ironias, a pretexto (não haverá outro até 2010) de fortalecer a candidatura de uma notória vítima da tal ditabranda. Diga-se o que se disser de José Serra, mas enquanto editorialista da Folha ele jamais sonharia rascunhar absurdo parecido.

Deve ser duro para você, um dos poucos sujeitos desse metiê com quem arriscaria debater alguma coisa em pé de igualdade, submeter-se a tal desmoralização por quem lhe dá guarida às idéias. E agora, como fica? Ensinar que isso é coisa para admiradores da doutrina Pinochet, correndo o risco de ser demitido como um foca que escrevesse Golbery com i? Ou botar a viola no saco e fazer como quis a Redentora com o Vlado, suicidando a notícia? Assim como não há ditaduras brandas, não existem mais jornais como os conhecíamos. Falta alguém dar a boa-nova às redações, e quem sabe você possa fazê-lo.

Decisão difícil. Lembra do Claudio? Em pé naquele aquariozinho dizendo a quem quisesse ouvir: "Nós aqui emprestando dignidade a esses sujeitos, que se não fosse por nós não envergariam nem paletó". Abramo era, sobretudo, elegante. Aqueles tempos também eram.

Mas eram, de fato, outros tempos. Na faculdade a gente aprendia que não existe jornalista sem jornal. Continua verdade em parte. Tome aquela colunista econômica que virou social (ou seria o contrário?). Substitua-a por uma chimpanzé que saiba catar milho e os leitores não haverão de perceber a diferença, exceto talvez pela foto do cabeçalho. Por isso é que hoje é coisa rara encontrar jornalista mesmo nos jornalões e nas revistinhas, cada vez mais parecidas com o armazém de secos e molhados da máxima abrâmica. Recordo-me agora de você e do Jânio e, sem forçar a memória, de ninguém mais. Por essas e por outras vão defender seus trocados longe desse vexame.

Talvez seja a sua hora. A realidade há 10, 15 anos, sem esse terror das ditabrandas que é a internet, era bem outra, e arreganhos como o da Folha teriam caído no vazio. Hoje não mais, e sujam a barra de gente briosa como você. Lembro-me agora de um site com sua assinatura antes de existir o que conhecemos como blogosfera, e pessoalmente lamentei muito a sua morte prematura. Cogite retomá-lo pelo bem de nós leitores pensantes, embora respeite suas razões caso contrário. Só não vá fazer como seu colega Clóvis Rossi, essa sempre tonitruante voz em defesa da democracia, de quem nesse episódio não se escutou um cacarejo. Hoje ele concluiu: "Política brasileira está sem pé nem cabeça". Eu acrescento: à imprensa, faz algum tempo, só restou o pé.

Despeço-me, e assim viveremos agora.

Susan.

PS 1 — Relutei enviar-lhe esta missiva porque, depois da letra ferina da professora —"Ninguém lê editoriais, mas as pessoas lêem cartas à redação"—, achei que seria chover no molhado. Mas o fiz em consideração, por pura afinidade intelectual.

PS 2 — Sem precisar puxar muito pela memória recordei-me da Dorrit, sua doçura e seu caráter, e a cito para não cometer uma injustiça íntima. Eis aí não apenas um texto brilhante como cada vez mais raro. Recomende-me a ela muito efusivamente.
23:31:15 - Pinto - 25 comentários

Alô, alô, seu Jackson

Adesg informa: compra de votos e abuso de poder no Maranhão não são pra qualquer um.
07:23:51 - Pinto - 4 comentários

03 Março

lembranças

O pecado mora ao lado, Faça a coisa certa, Inferno na Torre, Vidas Secas, O Estrangeiro (uma descrição no comecinho do livro), Lawrence da Arábia, O expresso da meia-noite (a cena no aeroporto) e, é claro, Apocalipse now. alguém lembra de mais algum?
00:57:02 - Lama - 13 comentários

01 Março

Cine Torrent News Update

Estou com o cabôco Rubens Ewald manifestado aqui (antes ele que o exu do Zé Wilker) e tenho a declarar o seguinte, zinfios:

1. O que achei de Slumdog Millionaire, e não consegui expressar direito, a sempre acima de média Ana Paula Sousa, da CartaCapital, escreveu esta semana: tem graça na primeira metade e depois vira refém da própria fórmula. Um aceno política e economicamente correto para a Índia, com direito a média com a muçulmanidade. Sempre me lembro de Bhopal nessas ocasiões. No entanto, a trilha sonora não sai da minha eletrola. Alá é grande e A. R. Rahman vai para o trono.

2. Kate Winslet, abençoados sejam seus seios naturais, já disse a Oprah, mas atriz mesmo é Meryl Streep, em Dúvida e sem dúvida. A eterna mocinha do Titanic levou porque O Leitor, filme por filme, é superior ao primeiro, um enredo chochinho que funciona como pretexto de boa direção, fotografia e caracterização de época, e terreiro para dois cavalos-de-santo: a dita Streep e Philip Seymour Hoffman. Kate, vista a roupa, meu bem.

3. Valquíria tem um mérito. Não deixar mais dúvida sobre a canastrice cientológica e antológica de Tom Cruise, só não superada pelo rapaz que faz o Hitler e, como o próprio, deve ser condenado ao desprezo perpétuo. Como filme até que empolga, mesmo sabendo-se de antemão que é o mocinho, e não o bandido, quem morre no fim.

4. Milk, não. Sean Penn. Per brindare a un encontro... Cavalo-de-santa, no caso. Ou de Sant. Gus Van Sant. Belo filme. Mas Frank Langella em Frost/Nixon, outro obliterante caso de entidade mediúnica, também vale a vista e os confetes. Pode não ter todo o glitter lácteo, mas ainda conta com o ar da graça de Rebecca Hall, ladies and gentlemen.

5. A propósito, O casamento de Raquel é Johnathan Demme tentando ser Bergman. Prefira sempre o original sueco, mas eis aí um belo roteiro e uma direção exímia. Somos discípulos de Anne Hathaway como fomos de Debra Winger, de quem a idade não cobrou tanto pedágio quanto as rodovias paulistas cobram de mim. Rosemarie DeWitt, a personagem do tíulo, tem uma semelhança tão grande com a Debra Winger dos áureos tempos que seria o caso de um Oscar para a categoria casting. Fica a sugestão para a Academia.

6. Wall-E. Aquilo mesmo foi feito pela Disney? Preciso rever meus conceitos. Uma semana nos parques da Flórida não me faria mal.

7. O ninho vazio, do nosso nunca, jamais devidamente festejado Daniel Burman,que não larga mão do seu xará Daniel Hendler, agora como co-roteirista. O casal não foi convidado para a festa do Oscar sabe-se lá por quê, mas o filme é tão bom que, a alturas tantas, quando vai ficando ruim, volta num átimo a ser muito bom. Cecilia Roth é minha pastora, nada me faltará.

8. Forrest Benjamin Button. Tenho preguiça até de escrever o título inteiro, que dirá de ver a película.

9. Instado por um amêgo meu, vocês não conhecem, não —e falando em sueco—, vi Let The Right One In e em verdade vos digo: apesar do final um tanto démi-bouche (com os caninos de fora), não tem Crepúsculo que o ofusque. Vampiro sangue bom é ali. Kåre Hedebrant é a mais bela face masculina do cinema escandinavo desde Björn Andrésen e seu Tadzio de Morte em Veneza, de 1971 —e veja lá que a concorrência não tem sido mole. E essa menina Lina Leandersson é o que antigamente se chamava de monstro das artes cênicas, com duplo sentido.

E agora, se me dão licença, vou ali cantar pra subir.
00:46:35 - Pinto - 6 comentários

De donde vienen las ditablandas



E a Folha, hein? De "O Jornal das Diretas" para "O Jornal da Ditabranda" em coisa de duas décadas. Agora se me dão licença vou ali fazer um voo da morte com uns jornalistas amigos meus.
00:00:46 - Pinto - 2 comentários

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