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30 Junho

Mexido, chacoalhado e com um monte de ossos quebrados

Tem compromisso para o dia sete de novembro próximo? Então cancela. O pedreiro vem .
13:51:06 - Zeno - 2 comentários

29 Junho

Paris Combo



Boa semana.
20:12:58 - Sorel - Comentar

26 Junho

Concurso Hipopótamo Zeno!

Sem trocadilhos com desatino, por favor

Como estamos levando um jabá pela divulgação, propomos à nanoaudiência um concurso: qual o destino do jornal de papel, em meio à pixelização, eletroniquização e avacalhação reinantes neste século XXI? A melhor resposta receberá gratuitamente um exemplar do livro acima, que ainda não lemos mas cuja qualidade é mais que garantida - mesmo que discordemos das premissas, da argumentação do miolo e da conclusão.

Respostas como "Embrulhar peixe no dia seguinte" e "forrar gaiola de passarinho" estão, evidentemente, fora de concurso.
07:37:28 - Zeno - 4 comentários

25 Junho

Fez diferença

Prima-dama

Tudo bem que nessas horas todo mundo fica melhor do que sempre foi, mas é só lembrar da Marly, Rosane, Lilian, Lila, Lu ou Marisa. Melhor que essa, só se o Ciro levar. Ainda assim, só pra olhar.
16:37:55 - Sorel - 17 comentários

24 Junho

O Nordeste como arraial de problemas

Deu no Estadão —onde mais?— com grifo nosso:

Para segurar em Brasília os parlamentares gazeteiros que trocam o plenário pelos arraiais do Nordeste, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), mandou telegrama, convocou sessão no plenário e avisou que haverá desconto —de cerca de R$ 850 por dia— no salário do deputado que faltar às sessões de hoje, amanhã e quinta-feira. As festas juninas, tradicionais no Nordeste, e a reta final das convenções partidárias, cujo prazo termina no próximo fim de semana, não serão argumentos para ausências, garantiu.


A ênfase é para o Nordeste e para o forró: o estranho, o exótico, o diferente, o não-eu sudestino ou, mais especificamente, paulistano. O que esperar do Estadão além da nostalgia de 1932?

As ausências, afinal, são por conta das festas ou das eleições? Acaso as festas, cuja tradição no Nordeste é tão ou mais forte que o Natal, não ocorrem no restante do País? E se ocorressem apenas lá não seria o caso do recesso branco, já que há tantos outros no Congresso, por razões bem menos nobres? Ou não seria então o caso de menos estranhamento ou rigor?

Vão dizer que é paranóia ou complexo disso ou daquilo, mas outra vez a região entra como Pilatos no Credo.
15:00:00 - Pinto - 16 comentários

E assim dá-se um tempo às bundas neste espaço

"Por que o cinema argentino é tão bom?", eis a pergunta que contribui até para elevar o nível deste blogue. Tome-se o caso de Daniel Burman, por exemplo: sempre a mesma temática (o conflito pai X filho e a ambiência judaica), quase sempre até os mesmos atores (seu ótimo xará Daniel Hendler), e no entanto o resultado são filmes memoráveis como "O abraço partido", ou "As leis da família", este menos que o primeiro, e ainda assim soberbo, superior a qualquer contrapartida brasileira recente, cidades e tropas inclusas. Dois exemplos que, noutro contexto, redundariam em dramalhões dignos de uma Glória Perez. Felizmente passam longe disto. Os dramalhões, eles os vivem na vida real, e aqui terminam os chistes deste post.

Claro que há mais. Citando os mais recentes: "O cachorro", um road-movie com jeitão de documentário (ou o contrário?) que comove. Na mesma seara, "Familia Rodante", um pouco longo mas nada ruim. Mesmo o hollywoodiano "O filho da noiva" não tem similar nacional que lhe faça frente. E olhe que não estamos listando o nunca suficientemente louvado "Kamchatka", infelizmente indisponível em DVD —cuja resposta brasileira, o esquemático "O ano em que meus pais saíram de férias", só tem o mérito de ter o título grafado direito na norma culta. E, já que mencionamos Hollywood, o excelente "Nove Rainhas" rendeu uma contrafação, salvo engano bastardamente batizada de "171", e ainda assim rende boa diversão. E não foram os vizinhos que ganharam um Oscar por "A história oficial", anos atrás?

"O guardião" (nunca, jamais confundir com "O guarda-costas"), sobre as agruras do segurança de um ministro de Estado, é um item à parte. Genial e exasperante, peca pelo psicologismo do desfecho inevitável, mas aquém do prometido, e ainda assim é imperdível. Mesmo com a câmera estacionada na modorrenta rotina de um sujeito à margem da sua própria existência, é um filme que subverte o tédio que retrata e se configura uma obra de arte refinada, pelo menos até os 44 do segundo tempo.

Qual a natureza do fenômeno? Uma comunidade judaica, a maior da América Latina, fluente em linguagem audiovisual? Talvez, mas não, me garante um amigo versado em todos esses temas. Uma gente educada e letrada, para quem roteiro, herança dos livros, é o fio condutor de uma história digna de ser contada? Sem dúvida. E seguramente daí derivam os diálogos fluidos, o enquadramento correto, a edição elegante, a fotografia superior, a montagem conseqüente. Nada de câmeras parkinsonianas e aquele estilo MTV, mais uma desgraça pátria, de acochambrar uma narrativa por não saber diferenciar o que é começo, o que é meio e o que é fim.

E nós aqui nos jactando porque estamos melhor vistos na praça financeira (até quando?) e conseguimos assegurar o empate na recente medíocre partida da seleção contra os portenhos, cujo país está permanentemente "em crise". Eis aí, tout court, a versão revista e atualizada da piada do português.

Em tempo: não perca a série sobre a Argentina no inigualável Idelber.
06:33:14 - Pinto - 19 comentários

21 Junho

Natureza Selvagem

Ah, meus quiinze anos...!

O filme homônimo dirigido por Sean Penn é uma sucessão de virtudes, e Kristen Stewart é, infelizmente, apenas uma das mais fugazes.
23:40:35 - Pinto - 5 comentários

roberto carlos e os 3 dedos


mais é milhor

já eu era pelo podruto interno e bruto.

19 Junho

Aproveite o dólar baixo e prefira o similar importado

Mexa esse traseiro gordo!

Gentlemen and gentlemen, I give you Naomi Russell, cuja mais perfeita traduçao seria Watermelon Woman, a meu ver com larga vantagem sobre a variedade nacional.

Com uma fundamental diferença a seu favor: em vez do simulacro funk, faz é filme pornô mesmo, com uma convicção que impressiona —meninos, eu vi!

Lê-se que seria filha de um rabino ("homeschooled until the age of 13"), o que para mim confunde muita coisa. Pergunte ao Google que ele vem com esta e com outras respostas bem cabeludas.

E vocês aqui perdendo tempo com filme japonês e Melancia...
12:08:47 - Pinto - 13 comentários

18 Junho

Veja bem

...Os médicos e nutricionistas do Hospital do Coração acompanharão as 26 modelos por um ano. Durante esse tempo, elas serão submetidas a cardápios equilibrados e programas de atividade física. A idéia é fazer com que mantenham o peso, mas ganhem músculos e percam gordura. Quem sabe as mais animadas não vão se dispor a incrementar a massa cinzenta?

Deu na Veja, assinada por uma tal de Anna Paula Buchalla, sub-editora de alguma coisa, e que tem medo de avião mas não tem medo do ridículo nem do clichê.

A fonte é essa.
18:08:00 - Sorel - 3 comentários

Relato de um proprietário (Nagaya shinshiroku, 1947)

Agora estamos com o primeiro filme de Yasujiro Ozu no imediato pós-guerra e, como dizem os francófilos, it shows. Miserê total, moradores numa semi-favela bem pouco zen, subúrbio de Tóquio, que se viram com pequenos rolos no mercado negro pra conseguir o que comer – batata e arroz, basicamente. Mesma discrição de filmagem*, enquadramentos um tico abaixo da beleza do "Filho Único" resenhado antes, com Ozu namorando o mesmo espírito de época que animou os deserdados europeus a criarem o tal neo-realismo. Como nos exemplos italianos, mas com mais bom humor, a história aqui envolve uma mulher de meia-idade, viúva (na guerra?), que tem de alojar em casa um garoto aparentemente abandonado pelo pai numa estação de trens em Tóquio. Ela não quer, os outros vizinhos também não querem, sobra para ela ter de dividir o gohan com ele. A gentileza onipresente no "Filho Único", de antes da guerra, desaparece, mas a disposição de reconstrução de um país começa a dar as caras. A coda final, mostrando um bando de crianças órfãs e abandonadas, brincando num parque em Tóquio (com a estátua do nipo herói do séc. XIX Takamori Saigo emoldurando tudo), é mais eloqüente do que qualquer discurseira bem intencionada.

Mais uma vez, para conferir o filme, será necessário um desembolso substancial de 60 euros (mais frete) numa caixa francesa de DVD's do Ozu, com qualidade marromenos, ou mandar uma nova garrafa de sakê do bom aqui para a redação, que a gente empresta um VHS americano embolorado. Ou então a gente empresta de graça pra quem explicar o título original, já que a tradução fala de um proprietário que, sinceramente, não vimos dar o ar da graça (o título americano também não ajuda: "Record of a Tenement Gentleman").

* (só que com mais ângulos inusitados: de tempos em tempos o filme rendia o divertido jogo de salão "Olha onde ele pôs a câmera desta vez!")

(da série Mês do Cinema Japonês Esquisito no Hipopótamo Zeno)
12:32:58 - Zeno - 7 comentários

17 Junho

Filho único (Hitori Musuko, 1936)

O primeiro filme falado de Yasujiro Ozu, um dos três mestres da primeira geração do cinema japonês, juntamente com Kenzo Mizoguchi e Mikio Naruse. Mãe viúva, morando em cidadezinha, se sacrifica para mandar o filho estudar em Tóquio, só para descobrir, anos depois, que o agora homem se lamenta comodamente das dificuldades da cidade grande.

Talvez existam outros cineastas que saibam enquadrar tão bem como o Ozu, mas não melhor. Já está lá* o famoso estilo "ao pé do chão", câmera baixa filmando o campo de visão de alguém sentado (os closes são filmados subindo um pouco, mas nunca a ponto de flagrar a linha dos olhos dos atores), sem travelling nenhum, colocada sempre num ponto discreto e ao mesmo tempo revelador de intenções.

Tem de tudo no filme, de comentários sutis à industrialização nascente (a mãe rala numa fabriqueta de seda que vai se modernizando com o tempo), passando pela situação dos migrantes morando na perifa do monstro em formação que será Tóquio, até o principal assunto do filme, o quase nada que é quase tudo das relações familiares. E tem aqueles silêncios magníficos entre uma fala e outra, a mostrar tanto a gentileza quanto a formalidade nipônicas, pro bem e pro mal, e que a gente vê até hoje em amigos descendentes criados em famílias japa (mas não o nosso Rapaz da Manutenção do blog, que se avaca-ocidentalhou). De cereja no bolo, há uma estranha atração do filho por coisas ocidentais e, principalmente, tedescas: um hilário pôster "Germany" colado no quarto, um desenho da Joan Fontaine numa porta e uma ida ao cinema, em que ele leva a mãe para conhecer o "cinema falado". Os trechos exibidos pertencem a um filme alemão**, e é curioso que somente no filme dentro do filme vemos as únicas cenas com câmera em movimento alucinado, uma correria por campos filmada com trilho, quase como se Ozu quisesse sublinhar a diferença entre seu estilo e o dos "ocidentais".

Pra conferir o filme, há três opções: ou você desembolsa 10 dólares na YesAsia (mais o frete milionário de zilhões de quilômetros), ou você espera que o Telecine Cult o reprise, ou você manda uma garrafa de sakê do bom (Gekkeikan pra cima) aqui pra redação que a gente empresta nosso VHS embolorado.

* (O que não deve espantar ninguém: ele havia dirigido, até então, entre médias e longas, 35 filmes desde 1927!)
** (Segundo o Imdb, é austríaco, "Leise flehen meine Lieder", de 1933, dirigido por um tal Willi Forst)

(da série Mês do Cinema Japonês Esquisito no Hipopótamo Zeno)
13:42:35 - Zeno - 5 comentários

Dureza, madame, dureza...!

E quando a gente achava que Alexandre Gracinha era tudo o que de absurdo se podia ouvir na rádia, eis que surge impávida, colossa e reincidente a cientista política Lúcia Hippolito:

"Uma das coisas que talvez o presidente Lula tenha feito mal para o país, porque as pessoas acham que podem, de repente, se candidatar presidência da República sem nunca ter feito nada. Olhe o Dunga, nunca foi técnico nem do time da esquina da rua dele. Agora já virou técnico da seleção brasileira e acha que sabe tudo. Olhe a ministra Dilma [Roussef], nunca administrou nada a não ser a Casa Civil, com esses problemas todos que ela está tendo, já acha que pode ser presidente da República. Dureza, hein?"
13:32:56 - Pinto - 3 comentários

Os centímetros do prazer

Bueno, já está nas bancas a revista Playboy com a Mulher Melancia, para alegria do nosso ombudsman Luiz Franz e de toda a rapaziada hortifrutigranjeira lá de Cotia. Perdida em meio a páginas muito mais interessantes, nossa equipe de reportagem topou com a seguinte estatística publicada pela revista:

No país da abundância. Desde os anos setenta, os principais bumbuns que desfilaram em Playboy: Gretchen, 98 cm. Rita Cadillac, 103 cm. Carla Perez, 102 cm. Scheila Carvalho, 96 cm. Sheila Mello, 98 cm. Mulher Melancia, 121 cm.

Bueno II, salta aos olhos e a outras partes do corpo um intrigante mistério jornalístico, que só a incompetência da imprensa local pode explicar por que ainda não foi desvendado: o que acontece, cabalisticamente, nesse intervalo de 18 cm entre a Cadillac e a Melancia? Não há e nem houve mulheres nesses trinta anos a preenchê-lo? Onde estão todos os centímetros intermediários entre uma e outra, que tanta alegria poderiam trazer à nação brasileira?

É de tirar o sono.
12:25:36 - Zeno - 17 comentários

Alguém conhece?

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
01:22:52 - Sorel - 9 comentários

16 Junho

Preconceito de Época

Cada um com sua quadrilha

Em junho é assim: FHC tem "amigo" (tem?!), Lula tem "compadre".

Nos outros meses, também.
10:45:38 - Pinto - 13 comentários

15 Junho

Lei Cidade Linda

E o Kassab, hein? No lançamento da sua candidatura à reeleição resolveu qualificar o debate e deu para falar mal do "botox" e das "grifes famosas" que, como soubemos, são o cerne do projeto político de Marta Suplicy.

Usa também, oras!
18:04:15 - Pinto - Comentar

14 Junho

ob(a)riga(t)dô

os caras fazendo 100 anos de estância aqui e nós nem aí...?
6 nem imagina o que 6 tão perdendo.

ela e os grilos

agora têm uns grilos morando em casa.
se mudaram há umas 2 semanas, 3 indivíduos duma mesma família.
adotaram a casa, impreterivelmente.
ela tentou, delicadamente digamos, varrer eles prá fora, moramos numa vila ecológica, recuperação ambiental, compreende?
não adiantou, a familinha ficou lá, do lado de fora da porta, protestando veementemente, um mst de grilos a noite inteira.
na 1ª oportunidade da porta aberta no dia seguinte vortaro pa drento.

eu me acostumei.
mas eles, quando vêem ela chegando, ficam num silêncio mineiro, sepulcral, só de ouvir ela levantando da cadeira, somem.
depois começa pelo filhinho/a, daí a mãezinha, daí o paizão, todo contente por mais um dia da família reunida no lar.

13 Junho

As águas vão rolar

Voltando à idéia de pouco papo e muita música.

Dr. John homenageando New Orleans, sua cidade natal, ainda hoje devastada, não mais pelo Katrina, mas pela incúria e incompetência humanas mesmo.

A desgraceira gerou pelo menos dois discos excepcionais: o de Terence Blanchard "A Tale of God's Will (A Requiem for Katrina)" e o do Dr. John, lançado dia 8 de junho . O primeiro tem à venda aqui no Brasil. O segundo, deus sabe se sequer será lançado. [Leia mais!]

sextacheira, trávado e dormingo

procuro desenvolvimento p/ um conto c/ 'começo, email e fim...'.
cartas aqui pra redação, a/c. sr. pinto.

12 Junho

Grandes siglas da história econômica brasileira

CSS = Cansei de Ser Sonegador.
15:51:59 - Pinto - 1 comentário

11 Junho

Meninos, eu vi!

"Solidão, que poeira leve", cantarolava Tom Zé antes de ser transformado em personagem de si mesmo pelas artes da paulistanidade. Mas a digressão é só para dizer (confessar?) que, por pura solidão, e não por outro motivo, me flagrei ontem pela primeiríssima vez assistindo a "Irritando Fernanda Young". Máxima das máximas, a entrevistada da vez era ninguém menos que Adriane Galisteu.

Poucas vezes encontrei-me tão confuso, sem o menor referencial para divisar o que era o quê. Não conseguia mais reconhecer o que era sincero, o que não era. Galisteu, uma frase feita atrás da outra, citação literária a justificar qualquer platitude (e eram várias), fingia a burrice que deveras não sentia. E o espectador, coitado (no caso: eu) ficava sem saber onde terminava um e começava o outro sentimento, nem qual dos dois era o mais verdadeiro ou menos estudado.

O hipertexto do hipertexto! A metalinguagem da metalinguagem! Alguém me acuda!

Fernanda Young, falando seu patuá gay, transitava entre a tiração de sarro com a entrevista e tudo o mais (cenário, audiência, intervenções à Ionesco no programa) e a tietagem, que de tão artificial já nem parecia falsa. Era tudo comigo, que duvidava se aquilo não seria à vera? Era com a senhora dona de casa, que a tudo assistia crédula? Era com a entrevistada que equivocadamente se achava "em si", ou seria com a mesma entrevistada, que por sua vez também entrara na onda e interpretava o postiço do postiço? Era consigo, que esticara até ali seu humorismo de constrangimento?

Uma sucessão sem fim (NdaR: boa aliteração!) de matrioshkas e vocês aqui com conversa de Bach!? Sabe quantos views —a nova chancela absoluta e inconteste da qualidade— esse negócio vai findar tendo no YouTube, malandro?

Em suma: uma superposição de suposições (NdaR: boa de novo!) que não deixava certeza sobre certeza nem muito menos dúvida sobre dúvida. Um feito acadêmico tornado popular. Uma peça de genialidade para as massas, portanto, concentrada em 30 minutos de televisão. O nada primordial? Ou o tudo interconectado? Bestial, como diriam em ultramar. E algum dia voltaremos à nossa programação normal, e o meu queixo ao local de sempre, se é que agora isso é possível.

Prólogo bônus track: na próxima semana, parafraseando o tresloucado professor de mitologia, personagem de Agildo Ribeiro, vamos abordar aqui o caso da revista Rolling Stone brasileira, que estampou em sua capa uma foto de uma banda de "rock politicamente correto" (??) pelada, seguramente por artes de seu conselheiro editorial (NdaR: significa?), impressionado com algo além da enorme vendagem de CDs —antigo referencial absoluto e inconteste de qualidade— que os efebos obtêm tocando a merda daquelas músicas. Deixa só o Ciro Gomes tomar conhecimento disso.
12:00:07 - Pinto - 9 comentários

All The News That's Fit to Print

Press release que acabou de entrar na minha caixa postal:

"Ê São Paulo... São Paulo Terra boa, São Paulo da Garoa...

As mulheres de São Paulo são notadas pela sua elegância e competência profissional, as mulheres de São Paulo são acima de tudo inteligentes e antenadas com o seu tempo, com o seu corpo e com o seu espaço.

Últimos dias e últimas vagas para o Workshop de Sahajôli - Pompoarismo em São Paulo.

LOCAL:..."

Lôco, né?

10 Junho

Nós apoiamos

16:35:43 - Pinto - Comentar

Tem gente que fica, tem gente que sai

Certamente não é minha intenção deixar esse post com a cara daqueles álbuns-do-além, um defunto mais um vivo e a manivela da máquina registradora girando sem parar. Mas o fato é que um se mandou faz pouco tempo. Outro está para chegar em Sampa. No remoto ano de 1964, Bo Diddley e Chuck Berry, dois dos pais fundadores do rock'n'roll, cruzaram guitarras em um álbum mui justamente intitulado "Two Great Guitars". Lançado em CD - e rapidamente esgotado - o disco hoje pode ser encontrado em alguns sebos por módicos US$ 55. De lá, separei duas músicas, Chuck's Beat (20MB) e Bo's Beat (26MB). Ficam aí a título de réquiem.

O Yo que não é rapper

Ninguém deixaria de concordar que as suítes para cello do Bach fazem parte da obsessão/preferência da metade esclarecida da humanidade (a outra metade, corinthiana, prefere as suítes do motel Xinxim de Galinha, ali na Fernão Dias). Descobrimos mais um apaixonado, nosso ombudsman Luiz Franz, conforme o depoimento abaixo:

"Tenho uma problema de veneração em relação ao Yo-Yo Ma, tanto que aqui em casa administro três altares dedicados a ele contra apenas dois pra Mulher Melancia. [nota da redação: significa?]
Mas quando ouço o Pablo Casals bate a dúvida: será que o velho não era ainda melhor?
O YouTube deixa a gente comparar em condições imperfeitas de som mas com o auxílio luxuoso da imagem. E na mesma música.
Vejam o extraordinário prelúdio da Suíte para Violoncelo número 1, do Bach, tocado pelo Yo-Yo Ma, aqui. E pelo Pablo Casals, aqui, com sua postura e gestual de espartana frieza. E me digam se é possível que um seja melhor que o outro.
Querem uma terceira via? Ainda tem o Rostropovich aqui, nem que seja só pra jogar tomates nele - que não merece."
10:58:17 - Zeno - 21 comentários

09 Junho

sonzin

mas que sorte ter crescido ouvindo egberto.
bom, pelo menos isso.

Grão de Investimento

Deu na mídia: "Governo Federal lança o Plano Safra".

Jacob, Edmond, Joseph, Moise e demais familiares presentes e ausentes agradecem, em penhor de gratidão.
13:52:34 - Zeno - 9 comentários

Das Ewig-Weibliche zieht uns hinan

Num desses momentos de ócio reflexivo que tão bem caracterizam nossa seção Tectum Intuentes, percebi ("realizei", como dizem os amigos da área de tecnologia e marketing) que minha frase predileta do cinema era mesmo a resposta que o personagem do Lázaro Ramos dizia após uma fala especialmente perspicaz vinda da personagem de Luana Piovani, em O Homem Que Copiava, de Jorge Furtado: "Além de gostosa, filósofa."

Daí­ o quiz para a audiência: o que esta frase diz sobre a) a essência feminina, b) a filosofia, c) a dramaturgia fílmica, d) a condição do homem contemporâneo e, por que não?, e) sobre este que vos escreve?
08:54:49 - Zeno - 13 comentários

08 Junho

Carlota

O que dizer de um dos mais badalados restaurantes de São Paulo, quando a ele se vai para um almoço injusto e decepcionante? Mencionar as coisas boas? O Carlota continua um local agradabilíssimo, perfeito para comemorar o aniversário do/a cônjuge, que ainda guarda na memória a deliciosa panelinha de cogumelos que um dia provou na filial carioca. O suflê de goiabada com calda de queijo figura entre os grandes feitos da culinária brasileira de todos os tempos. E pena que foi só.

Omitir as coisas ruins? O serviço não é o forte, o que já denotava uma certa ausência da chefe, certamente ocupada mais em administrar a merecida fama que o próprio restaurante. Mas é necessário alguém para cuidar da lojinha. O rolinho de pato, oleoso e absolutamente sem personalidade, reforçou essa suspeita. O mignon de cordeiro com risoto não estava ruim, embora houvesse manteiga em excesso. Mas a tal cataplana de frutos do mar foi um dos pratos mais sensaborosos e caros que eu jamais provei. Cozimento no ponto, porém quase incomí­vel de tanto sal. Aliás, salgado também era o preço. Três shiitakes, dois aspargos finos, três camarões médios, uma perna de polvo, uma mini-lula e algumas batatinhas numa pequena panela de cobre por 67 reais é coisa que depõe contra toda a cadeia econômica envolvida: quem produz, quem faz e, sobretudo, quem freqüenta. Nossa arriscada mania de variar fez com que chegasse à mesa uma torta de maçã que deixou saudades... da similar servida no Ráscal, por exemplo.

No final, uma conta de mais de 200 reais (sem vinho!) para duas pessoas, sendo 18 reais de um couvert composto por pães e alguns mililitros de um bom queijo derretido enseja uma experiência sublime. A nós mais nos pareceu logro mesmo.

Na mesa ao lado, um casal falando inglês especulava sobre a natureza do restaurante: "Is it French?". "Contemporary". Bidu. Muita fama e pouco proveito, muito franchising e muito valor agregado, os males da contemporaneidade são.

Nota: 6,5 miojos.
18:20:45 - Pinto - 6 comentários

07 Junho

Notícia redundante

20:31:29 - Pinto - 2 comentários

06 Junho

a vida pode ser melhor

sassa, será que é isso?
23:32:54 - George Smiley - Comentar

"Êpa, faltou um efe aí!"


Com todos os efes-e-erres

1.Com absoluta exatidão. 2.Caprichosamente, apuradamente.

(Da série: Coisas Que Só o Aurélio Traz Para Você)
11:55:04 - Zeno - Comentar

04 Junho

expect(or)a(n)tivas: ou separadas ao nascer

essa é tudo queu expectava daquela....

03 Junho

Escada abaixo

Jantar em restaurante batuta. Mesa com seis, sete pessoas, incluindo dois representantes da redação hipopotâmica. Conversa espirituosa, varrendo os assuntos do dia deste e do outro lado do Atlântico, com latitudes variadas. Oito garrafas de vinho depois, já ao final da noite, moça cândida pergunta aos citados: "Vocês são jornalistas?".

Pausa. Nos dois primeiros filmes da série "Meus caros amigos", do Monicelli, fonte de inspiração para a rapaziada do Quinteto Irreverente, há uma seqüência que se repete a respeito do personagem do dono do bar, o Necchi. A voz off começa mais ou menos assim: "A genialidade é um atributo insondável, inesperado, que se manifesta nos momentos menos oportunos, etc etc", para justificar o lampejo de mais uma tirada brilhante conduzida pelo personagem.

Voltando: a pergunta do restaurante era um desses momentos, típica oportunidade única para deitar, rolar e correr para o abraço, iniciando com um singelo "Sim. Somos. Como você percebeu?" e daí percorrendo pradarias e montanhas de alegria, "Ele da Veja, eu da Carta Capital", passeando por penínsulas de diversão, "Não acho que as FARC sejam, propriamente, terroristas", e esticando ao sol das tardes amenas do sarro folgazão, "Ah, o Nassif, deixa eu ti contar uma história sobre ele...". E assim iria a conversa, com a garantia de uma boa meia hora de puro prazer desinteressado, como dizia o Kant.

Mas não. A genialidade é musa malsã. Não se disponibiliza assim, entre uma taça de vinho e uma garfada numa rillette, pra quem não é do ramo. Nossos dois heróis, pegos de surpresa, só conseguiram balbuciar um "Não, não" pretensamente superior e pretensamente ofendido com a pergunta, emendando um pobre chiste que só tornou tudo pior: "Eu mexo com TI", "E eu, com IT, rá rá rá". É por isso que eles têm um blogue, e não um programa de TV como o finado e saudoso "Whose line is it anyway?". O que lembra outra discussão levantada aqui na casa, e sobre a qual traremos em breve novas elucidações.
14:49:05 - Zeno - 7 comentários

02 Junho

Christina Lindberg

os suécios são um povo camarada

- Puxa, não estou associando o nome à pessoa.

- Não tem problema, a Wikipedia associa.
19:16:08 - Zeno - 14 comentários

SP Fashion Geek

Fulano: — Fui chamado prum casting dum comercial da Armani.

Beltrano (incrédulo): — Você???!!!

Sicrano: — É, ele vai fazer o "antes".
16:00:00 - Pinto - Comentar

Você não gosta dele, mas sua filha gosta

É sempre assim: você semeia, nutre, dá a primeira plataforma para que ele alce vôos maiores, e depois se afasta para apreciar o que sua cria irá fazer com a vida, mesmo que rabiscada em pixels. Nosso Hunter Thompson, nascido aqui nesta choupana, em manjedoura simples porém limpinha, agora tem casa própria. Teríamos um ou outro reparo a fazer, como o excesso de bebida do menino ou sua mania de sair de casa sem o casaquinho de lã, mas suas qualidades são tantas que nos fazem esquecer destas picuinhas. Longa vida ao Uncle Hunter!
13:26:59 - Zeno - 2 comentários

Dica de leitura

Pare de perder tempo aqui e vá ao Terra Magazine de hoje, está imperdível. Tanto pelo Carlão Bazuca como pelo Jorge Furtado.

Fora o Veríssimo na capa, claro.
12:16:26 - Pinto - 2 comentários

Sua mais completa tradução

Apartheid com grife.

Comentário de um amigo: o Angeli tá tão bom que tá parecendo o Laerte...

(crdt : fsp, hoje)
12:01:38 - Pinto - 8 comentários

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