Dois mil e oito. Hum. Será que ele vem? Na dúvida, o blog entra em férias até janeiro ou volta a qualquer momento com um boletim especial sobre o assalto ao Museu do Corinthians.
E, desde já, muitos brindes a todos, sem moderação.
Furo futurólogo de última hora do nosso blog, sempre atento ao mal que se esconde por detrás dos corações humanos, mesmo em épocas natalinas regadas a Cereser:
"O Museu de Língua Portuguesa foi assaltado nesta madrugada. Levaram três advérbios de modo. Não há suspeitos ainda, mas o delegado Peixoto disse que 'decididamente é um serviço interno'."
Mais notícias a qualquer momento, em nosso plantão do Lácio.
Antes de se juntar a Bin Laden e partir para um ostracismo artístico em Botucatu, o nosso blogueiro George Smiley, como se sabe, ganhava a vida como personagem de alguns livros do John Le Carré. Num deles, Smiley's People, de 1979 (A Vingança de Smiley, em português), topo com a seguinte definição da técnica de escrita de Carré: "Com 'o gato se sentou no capacho', não temos nada. Com 'o gato se sentou no capacho do cão', temos uma história."
- nóss bem, qéísso?
surge uma cabeça por entre a cortina:
olha, olha,..
surge uma chinela:
- shPAU!..
- ...!!
olha mais, olhabem,..:
- shPPPAU!!!...
- ...!! !!
- nóss, é uma mistura de barata e aranha..!
- num era aquele de ontem que cê gostou, que cortava papel?
- ñ sei...
e me dá um papel p/ limpar.
'azia uns 34 anos que ñ me sentia tão seguro num sertão...
Assinei NetMovies, aquele serviço de entrega de DVDs em delivery, ou algo assim.
O acervo não é lá essas coisas, mas pelo menos não há prazo de devolução e não se tem de topar com aquela simpática gerente da 2001 da Paulista. Com bebê em casa, vale.
Eis que, para minha surpresa, ao escolher meus DVD, sou informado que terei o prazer de receber não um portador, entregador, motoboy ou similar, mas um "agente logístico".
Como este é um blog tradicionalmente associado a tiozinhos, e tiozinhos têm o traço atávico da lentidão, talvez ainda não tenham descoberto isso aqui, ó. Mas com a Christina Ricci de Trixie, metade da graça foi pro vinagre. A outra metade foi conspurcada com a escolha do Doutor Bananão do Lost pro papel de Ídolo Maior da Minha Infância. Acho que falarei disso com meu analista.
Tem gente que tem. Tem gente que não tem. Rebeca Gusmão tem, senhoras e senhores, e aqui figura em homenagem a um amigo do blogue cujo nome não declinaremos.
Está lá anunciado hoje nos jornalões: 4º (e por que não 4th?) Family Workshop, aquele encontro promovido pelo cansativo João Dória Jr. reunindo pais e filhos abastados (atenção, revisão) num resort qualquer para "troca de experiências" e "formação de lideranças", ou algo que o valha.
É uma gente finíssima, que preza falar corretamente o português, ao contrário do presidente do Brasil, e de quebra domina outras línguas, como o inglês, apesar da evidente tautologia no batismo do evento.
Eis que o anúncio ("Pais felizes, líderes de sucesso"), bilíngüe, traz a ilustração de um livro em couro com os dizeres "Relatório Anual". Em inglês: "Anual Report".
Consultei alguns dicionários aqui e não vi nenhum que grafasse annual com um só n. Como não alcanço o pensamento dessa gente, deve ser problema meu. Ademais, com tantas questões capitais para serem debatidas, quem liga para esses detalhes?
Falando em site útil, eis que somos apresentados ao retorno do nosso ídolo, agora com direito a fotinha Pulp Fiction e tudo.
É o fim daquela mixórdia de anúncios no rodapé (Sorry, Camasmie!) da finada coluna no Estadão. O troço agora tem mais patrocinador que macacão de piloto de F1, com igual elegância estilística. O que, aliás, só corrobora nosso dístico aí de cima.
O assunto da Segundona corinthiana passou em nuvens pretas e brancas aqui no blog, mas não custa lembrar que nós e o Estadão já havíamos advertido para os perigos da má compreensão da Fenomenologia do Espírito, do Hegel, em assuntos futebolísticos. Cinco anos se passaram, a dialética vai de mal a pior, o Kia e o Dualibi trocam figurinhas num paraíso fiscal e o herói do time é um goleiro que tomou exatos 50 gols em 38 jogos.
Quer saber a conclusão do silogismo no tempo embutido aí? Chupa, gambazada! Perdão.
E a lambança do lançamento de DVD's nacionais em versão "vampiRo brasileiro" de títulos americanos e europeus continua, mas desta vez a culpada é a própria Warner do Brasil (e não uma daquelas empresas de DVD brasileiras que usam o rótulo de "cinéfilas" e "alternativas" para disfarçar a pirataria lucrativa e as edições mequetrefes): depois de mencionarmos o lançamento de Berlin Alexanderplatz, uns posts abaixo, chegou a hora de outro filme que fez a cabeça da rapaziada nos anos oitenta. Blade Runner, dirigido por Ridley Scott, chega ao mercado de DVD numa confusão dos diabos. O lançamento americano conta com sete tipos de edição diferentes, e a Amazon se deu ao trabalho de explicar uma a uma para seus clientes, aqui. No Brasil, conseguiram inventar uma oitava versão, em três discos, que não existe no lançamento americano. Escolha a sua, se tiver paciência.
(e pra não fugir à regra aqui da casa, jemesouviens rápido sobre o filme: quem fez faculdade no início dos anos oitenta, pelo menos aqui em São Paulo, sabe como era difícil sentar em mesa de boteco e não trombar com alguém que tivesse visto o filme naquelas duas ou três semanas de exibição em 1983. A julgar pela quantidade de gente que citava e analisava o filme (como na história do Maracanã que mencionamos nos comentários ao post do Berlin Alexanderplatz), era difícil acreditar que o troço havia sido fracasso de bilheteria aqui e na matriz (o Leonard Maltin, por exemplo, atribuía uma estrelinha e meia pro filme, mostrando que o mainstream americano não dava a menor pelota pro filme; depois acho que ele reavaliou a opinião), sumindo rapidinho das salas. Tinha virado cult, aijezuis. Tempos depois, o MASP promoveu uma sessão num ciclo que repunha em circulação filmes com esse perfil, hum, "descolado/criador de seitas de fãs" (vi, por exemplo, nessa mesma época, Malpertuis, com o Welles, e uma cópia finalmente liberada do Império dos Sentidos, do Oshima), e a impressão era de que meia São Paulo havia comparecido à salona grande do museu no andar de baixo. Saía neguinho pelo ladrão, todas as cadeiras, todos os corredores, todos os degraus de escada estavam tomados, se bobear até na sala do projecionista a lotação era máxima. Na saída, subindo as escadas do museu em direção à avenida, esta mesma metade da população olhava o provincianismo de São Paulo com olhos decididamente diferentes. Vi o filme dezenas de vezes depois disso, principalmente em VHS e em laserdisc, mas deve fazer uns bons dez, doze anos que não reencontro Deckard e seu copinho de destilado com mancha de sangue. Será que ele e eu envelhecemos bem?)
Nosso árabe anda meio enferrujado para saber se a tradução é fidedigna, mas aqui vai um site com ensinamentos práticos muito úteis para o amigo que é casado.