A gente vê essas presepadas na imprensa e fica se perguntando se com outras notícias menos relevantes não ocorreria o mesmo. Além de se deixar levar por outras conjecturas do tipo: teria sido uma espécie de vingança d'O Globo pelo fato de o dr. Roberto ter-se ido (precocemente) antes? Seria esse um desejo recôndito do pessoal do Jardim Botânico? Era uma manchete de gaveta? Vai sair nota no 'Erramos' de qual jornal, afinal?
Soubemos agora que Monica Bellucci vai encarar o novo Drácula de Bram Stoker, ela que já tinha feito uma ponta na versão do Coppola, como uma das draculetes.
"Parece ter ouvido Julie London em demasia e ignora a existência das pastilhas Valda".
Lúcio Rangel, em comentário generoso sobre a cantora Silvinha Teles, citado pelo Sérgio Augusto no prefácio de Lúcio Rangel: Samba, Jazz & outras notas, que acabou de chegar às livrarias nesta semana. A Redação rrrricomenda.
Scoop: mais um filme preguiçoso, mais uma perda de tempo para que Woody Allen pague a pensão da ex-mulher e viva dignamente em NY.
300: o Pinto já resenhou, mas faltou dizer que os trezentos, somados, não dão um cinco, seis. Merchan explícito da Academia Esparta de Barriga Tanquinho.
Cheiro do ralo: tinha pensado no epíteto "Dostoiévski pop", mas aí me lembrei que o diretor havia feito um Crime e Castigo versão femi-Nina e não quero correr risco de acharem que é elogio. Vai bem quando anda no registro canalha, que, diga-se, também já encheu os piquás nos últimos tempos; desanda quando quer ser "intenso" (valha-me) ou "verdadeiro" (valha-me ao quadrado). Mas tem os melhores três segundos do cinema brasileiro dos últimos tempos, no diálogo entre o segurança e o sujeito que quer vender um baralho pornô: o "Tem dois reais aí?", dito pelo primeiro, é um puro e cristalino Momento de Verdade.
Cartola: comete o único pecado que este tipo de documentário não pode cometer: não é suficientemente informativo. Uma melhor dosagem de "estiloso" não faria mal, também. Mas conta com duas cenas sensacionais, uma de arquivo (Cartola cantando para o pai) e um achado/presenteado pelos deuses que regem a inglória profissão de cineasta: o boliviano, na praça, vendendo a versão flautinha de "As rosas não falam".
Niemeyer: o melhor do lote acima, ainda que excessivamente laudatório (OK, cem anos, tudo bem): custava entrevistar alguém que fizesse um reparo, uma observação à margem, uma contestaçãozinha à obra do Niemeyer? A apresentação dos projetos, que tenta ser mais ou menos exaustiva, omite coisas como o Memorial da América Latina, goste-se dele ou não, a reforma da Oca e o novo Auditório do Ibirapuera (e não há referência a quando o depoimento com ele foi feito, o que dificulta a correta apreciação). Mas leva um oito ou nove pelo esforço de dez anos para fazer o documentário: "fodido não tem vez", mesmo.
Depois dos pujantes Zabos espalhados pela cidade, chegou a vez de celebrarmos mais uma jóia do mercado imobiliário paulistano que pode ter passado despercebida de nossa nanoaudiência. Trata-se do Cennario, com anúncio de meia página publicado no Estadão deste sábado. O portentoso empreendimento traz o seguinte texto:
"Privacidade. Terreno privilegiado no bairro mais europeu de São Paulo. (...) A Hípica de Santo Amaro é um bairro de classe alta na zona sul de São Paulo, que se caracteriza por abrigar uma população que, em sua maioria, descende dos imigrantes europeus que chegaram no Brasil há mais de um século".
À esquerda do anúncio, ao lado de uma placa de muito bom gosto que reproduz as cores da Itália e o endereço do empreendimento, pode-se ler um slogan em italiano com curiosa grafia, "Tu si sente come si fosse in Europa", acompanhado da gentil tradução em asterisco: "Você se sente como se estivesse na Europa".
Como forma de agigantar o brilho previsível do lançamento das empresas Abyara e Cyrela, duas das maiores lideranças no setor da construção civil paulista, responsáveis pelo sucesso da distribuição do Vale do Paraíba* entre nós, sugerimos a implantação imediata de vans, microônibus ou qualquer transporte semicoletivo semifuncional, pagos pelo condomínio, para trazer a criadagem que trabalhará no Cennario dos lugares onde presumivelmente mora esse tipo de gente, já que é certo e líquido que na Hípica e arredores, dada a privilegiada composição étnica, será difícil arrumar mão-de-obra local.
*remuneração semanal, preferencialmente aos sábados, para os empregados da construção civil.
Lemos no Terra Magazine que os Democratas tapuias lançaram um site exortanto os internautas a praticar o "tiro ao populista" (já retirado do ar), cujos alvos eram Lula, Huevo Morales, Chavez e, imaginamos, Kiko, Ritinha e Sr. Madruga.
Isso em nome da "luta contra o autoritarismo e o populismo" e prestando homenagem ao grande democrata, o Fuehrer Bornhausen.
Pragmatismo marca gestão de Luizianne em Fortaleza
"Em seu gabinete tomado por uma enorme bandeira de Che Guevara, ladeada por uma imagem de Nossa Senhora de Fátima e um pingüim de pelúcia, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT)..."
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Tá bom ou vocês querem mais?
Devido aos últimos acontecimentos, a próxima reunião do Copom do Zeno GmbH vai propor a mudança do dístico aqui do blogue. Sai "Sei que jamais estarei em uma posição digna de suborno" e entra "Sei que jamais serei proprietário de um SUV blindado".
Eu deixo de papo e recomendo, com atraso, a Estante Virtual, 478 sebos (e aumentando mais), com buscas setorizadas e profissas. Já consegui um livro do "gênero" está esgotado e outro que não tem no Brasil, a preços módicos. E procuro outros na sensacional "Busca Offline", mas aí é coisa de gincana.
Em tempo: apesar disso, a coleção do Machadão continua mais barata (e caindo mais) na Fnac. E eu não ganho um conto de real por dizer isso.
Mais uma que se foi, três dias atrás. Dakota Staton nunca foi famosa no Brasil, mas nos Estados Unidos, especialmente no final dos anos 50, rivalizava em popularidade com Sarah Vaughn e Dinah Washington.
Separei cinco gravações pra vocês conhecerem a moça: Don’t Explain (3,8MB), o clássico da Billie Holiday dando uma dura no marido que chegou em casa com o colarinho sujo de batom; Solitude (4,7MB), do Duke Ellington; The Late, Late Show (3,8MB), seu maior sucesso, logo no primeiro disco; Body and Soul (5MB); e, até por causa, The Song Is Ended (4MB).
Agora que se tem o uísque, que tal "um bom livrinho", como se dizia, pra acompanhar? E que tal três, em vez de um? Machado de Assis, ah, o Machadão, todo mundo deveria ter o seu Machado em casa como quem tem chave de fenda, a Bíblia ou uma boa colher de pau. Se o mundo contemporâneo pós-Rodada de Doha, com seus sucessivos divórcios e casamentos, desfez a sua coleção do Machado, seja ela avulsa, da Jackson, da Aguilar ou da Cia das Letras, não está na hora de se refazê-la? "Ora, companheiro Zeno", direis, "os três volumes do Machado da Aguilar custam 570 pratas em qualquer livraria! Isso lá é dica? Tá querendo provocar um novo divórcio? Mesmo em sebos não sai por menos de 300!!". Eis o ponto, caro amigo, cara amiga. Seu casamento está garantido, graças a um lapso do Submarino ou a um prosaico excesso de estoque. A Obra Completa do Machado, da Editora Aguilar, está saindo por inacreditáveis 345 reais na bodega eletrônica, e dá pra pagar em dez gentis prestações sem juros. Como a gente não ganha nada com a dica, sugerimos que a compra seja feita pelo blog do nosso machadiano Almirante Nelson, que consegue arrancar alguns caraminhguás do Submarino a cada compra efetuada pela sua página. É só clicar na bandeirinha do Submarino, à esquerda de quem entra.
Peça pro seu amigo, peça pro seu namorado, peça pro primeiro feliz ou infeliz que você conheça e que vá passar pelo Duty Free de Cumbica: a caixa acima, com doze garrafas de um litro do meu, do seu, do nosso Johnny Red, custa 155 doletas. Pros que já beberam alguma coisa nesta hora da manhã, fazemos gentilmente a conta: são 13 dólares a garrafa, 26 pratas, mais ou menos o preço daquele vinho argentino de supermercado que você só toma porque não tem não tem outra opção, ou porque o sagu da sua casa é feito com outra receita que não a tradicional.
Eu me lembro de alguns títulos de filmes pornô: Supermercado do sexo, Gozei esquiando, Rebola que a coisa vem, e meu preferido e imbatível, Eu mereci ser currada numa Ferrari.
Lemos nas folhas que o Papa vem aí e vai se encontrar com 10 representantes de outras religiões do Brasil pruma animada sessão ecumênica de rala-e-rola. Err, hum, segundo nossas contas, só oito vão aparecer, por má obra e desgraça do Xilindró, entidade maléfica que não respeita credos e atua indiscriminadamente em obediência ao Coisa Ruim, como se o Juízo Final fosse uma reles porta de cadeia. Melhor avisar o pessoal do Cerimonial.
Joaquim seqüestra um rapaz e, depois de muitas semanas de negociação, resolve tomar uma medida drástica. No dia seguinte chega uma carta para a família. Dentro, havia uma orelha ensanguentada junto com um lacônico bilhete que dizia: "Esta orelha é minha. A próxima... pode ser a do seu filho!"
Sempre up to date no que se refere a películas cinematográficas, o tio DJ Mandacaru ainda está sob o impacto daquilo que viu semana passada. “Volver”, do Almodóvar, é do cacete e cousa e lousa, mas do filme já deve ter falado o crítico aqui da redação. Do latifúndio que me cabe, devo confessar que fiquei absolutamente aturdido com a voz que cantava a música-tema “Volver” -– um tangaço do Carlos Gardel e seu namorado brasileiro Alfredo Le Pera --, dublada pela Penélope Cruz, numa levada flamenca. Um sacrifício enxergar o nome de Estrella Morente nos créditos finais, uma frustração tentar comprar disco da nega (“and now, everybody, Matilde, Matilde!”) aqui no Brasil. Fomos ao grande mercado do escambo internético e achamos o “Mujeres”, disco do ano passado, homenagem da Estrella a diversas cantoras.
De bandeja pros leitores, quatro faixas: La Noche de Mi Amor (5,4MB), que vocês já ouviram como A Noite do Meu Bem, o clássico de Dolores Duran, e que foi um puta sucesso no mercado de língua espanhola com a Chavela Vargas. Nostalgia (9,8MB), outro tango clássico, de Juan Carlos Cobián e Enrique Cadícamo, gravado pela Susana Rinaldi e mais metade da torcida do Boca. Vuelvo al Sur (6MB), do Piazzolla (outro dia eu conto a história dessa música).
E a própria: Volver (5,1MB)
É ouvir e se apaixonar.
No Leia Mais, para quem não tem familiaridade com o idioma do Maradona, as letras.
[Leia mais!]
Domingo, 4 da tarde. Sem ingresso, mas com esperança. Entorno do Maracanã tomado, indício das sessenta mil pessoas que apareceriam por lá pra dizer alô. Bilheterias fechadas. Boatos de que a de número 8 ainda teria "ingresso pras cadeiras especiais", 80 pratas, uma pechincha pra poder entrar Nela, a História. Nova modalidade de prática esportiva, a Volta Olímpica pelo lado de fora do estádio, em busca de ingressos ou de cambistas. Não havia um mísero, nem dos primeiros nem dos segundos. "Este país vai mal, quando até os cambistas desaparecem", foi o justo veredito. Romário, informado da ausência de nossa equipe de reportagem no estádio, toma a difícil decisão de desperdiçar as futuras três chances que terá ao longo do jogo. Uma alma caridosa lembra do pay-per-view de um amigo botafoguense. "Vamos?", e meu passado de simpatizante do João Saldanha e meu presente de simpatizante do Bebeto de Freitas e dos textos do João Moreira Salles sobre o Botafogo diz "Lógico!", com a dor no coração de abandonar o palco repleto de almas vascaínas esperançosas que celebravam o Dia R com cerveja, churrasquinho e urina. "By the pricking of my thumbs/Something wicked this way comes", e veio mesmo, sob a forma do 10 do Botafogo, tal de Zé Roberto, que resolveu homenagear o Garrincha e fez a defesa do Vasco procurá-lo até hoje, terça, em vão. Os injustos dois a zero (cinco seriam de bom tamanho) foram um brinde aos amigos generosos que receberam em casa os repórteres do blog e explicaram tintim por tintim porque o Botafogo é, tipo assim, o time mais metafísico do futebol brasileiro. Quarta, amanhã, jogam Vasco e Gama pela Copa do Brasil, com a partida transferida de São Januário para o Maracanã por conta do milésimo. Nossa equipe de reportagem, infelizmente, não estará lá. Que fará Romário? Respeitará nossa nova ausência?
chovam balas dramáticas, caiam céus de sindactas, podem enxovalhar a pobre vila.
mas qdo é pra fazer legal, os caras mandam bem prá chuchú.
tá certo o zeno: o descortínio combina c/ espetáculos de gala.
música maestro.