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28 Fevereiro
Para entender a Glória Perez
Novela não tem função educativa coisa nenhuma. Novela é apenas dramaturgia vagabunda aplicada com fins de descompressão social (e, de lambuja, de algum faturamento para quem a produz). Novela não mobiliza a audiência para debater assuntos da ordem do dia simplesmente por exibi-los na trama: quando muito, cria estereótipos, tampões e mesquinharias quetais. Novela qualifica apenas para o debate de temas que oscilam do Big Brother ao casamento do Ronaldinho, além da própria novela, naturalmente. Disso não passa. Aliás, "ordem do dia" é expressão preferencial de colunistas sociais déclassés, comandantes militares e pauteiros da Central Globo de Produção —que, bobeando, pode ser a mesma gente.
Se novela tivesse alguma função educativa, as décadas de exposição maciça em que fomos submetidos a elas já teriam surtido algum efeito. Novela não educa a elite nem civiliza o lúmpen, ou vice-versa; quem quiser provas que abra a janela de casa. Se em vez de novelas tivéssemos sido expostos à mesma ração diária de telecursos de alfabetização, concertos de música de qualidade, debates, telejornalismo público, programas infantis decentes —enfim, qualquer programação que não fosse com o objetivo específico de anestesiar para controlar— teríamos, sim, alguma função educativa a auferir.
Tanto tempo desperdiçado só encontra paralelo nas faculdades de humanas, onde intelectuais da comunicação —quem?— se dedicam a estudar o negócio e tratam de mistificá-lo ainda mais. É tão menos complexo. Para começar, poderíamos melhor resumi-lo direito, chamando as coisas pelos nomes. Aqui vai a modesta contribuição deste blogue: novela é o ópio do povo e da elite também. De quem faz e de quem assiste. Simples assim.
Lembra da religião? Bons tempos aqueles.
27 Fevereiro
Ainda o Tururú (sic) da Florinda
Com o perdão aos leitores pelo assunto que perdura e pelo momento Rubens Ewald Filho, mas diz-se que, durante as filmagens da película em questão (vide
post abaixo), a diretora teria encetado uma
amitié de cuisses com a protagonista, Maria Zilda Bethlem. Diz-se que a relação findou amarga. Diz-se que o nome do filme seria nada mais que uma alusão, sabe-se lá em que nível, ao quiprocó. Mas, enfim, diz-se de tudo hoje em dia.
26 Fevereiro
Meu coração amanheceu pegando fogo
Preciso acabar com essa mania de fazer etnografia culinária nos finais de semana. Sábado passado foi dia de restaurante coreano, ali na Aclimação: U Re Mi, que em coreano deve querer dizer Um Nove Três, o fone dos bombeiros.
Não era ruim, longe disso. A salada de frutas, por exemplo, até veio sem pimenta. A cerveja também. E só. Tudo delicioso, sobretudo se o cidadão não tem que ir regularmente ao colo-reto-procto.
Aí este sábado foi dia do Mestiço, que fica no quadrilátero gay compreendido pelas vias Frei Caneca, Berrini, Marginal do Pinheiros e Nova Cantareira —ou seja, quase toda São Paulo. Não sei se era o dia, mas parecia haver algum tipo de simpósio delas no restaurante, tamanho o alvoroço.
O meu Bloody Mary —um risco a pedir num restaurante GLS, mas vá lá, gosto de viver perigosamente— estava insosso. A carne fulana-de-tal da minha senhora (não a dela, mas a que ela pediu!) veio boa, mas como pimenta no curry alheio é refresco, estava incomível: foi trocada por uma salada de lulas, que não descobrimos se eram de látex ou de silicone mesmo. O macarrão tailandês estava ok, mas não valeu a meia hora de espera. O parfait de chocolate belga (disseram que era, mas não vimos o passaporte e não podemos asseverar), esse sim, estava estupendo, a despeito da porção de faquir.
Ou seja, Zeno, o velho e bom Pasquale é melhor porque não tem erro, e não tem erro porque é melhor.
De repente, no último verão
Caroline Café é o tipo do lugar no Rio de Janeiro em que o sujeito se sente como se em São Paulo estivesse. Não é ruim, não por isso. É só metido. Fica ali pertinho da Lagoa, em frente à Mil Frutas, ao Quattrino e ao Solarium, uma das casas de tolerância mais chegadas da Zona Sul, sem trocadilhos —tudo isso na rua J.J. Seabra, que, com um nome desses, também nem precisa de trocadilhos.
Enfim, no lugar, no café, bem entendido, tem uma tabuleta com os especiais do dia e a inscrição "Hostess will seat you", que um gaiato amigo meu traduziu como "A anfitriã vai sentar em você". Pra que isso tudo, inda mais no Rio de Janeiro, né mesmo?
Mas o chope é bom, os drinques são corretos, a freqüência é bonita e a cerveja é Devassa, não necessariamente nessa ordem.
Nota: 7 graals, com viés de alta.
assim caminha a sani//
gary brolsma aponta-nos o caminho p/ o sucesso na rede.
e quem achava o warhol um gênio ainda há de ser soterrado por zilhões de latas de sopa.
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bruciuílis
últimos dados de aparelhos indicam:
papa ñ renuncia.
Kibe cru
"Eu tinha de vir. Não cuspo no prato que comi".
Severino Cavalcanti, depois de sua passagem por São Paulo para um jantar na residência de Paulo Maluf.
25 Fevereiro
Conselho zenístico
Deu no site da
Associated Press de hoje que dois dos suspeitos do assassinato da freira americana disseram que ela tentou se proteger com um exemplar da Bíblia na hora dos disparos. Com o perdão devido da má piada, se ela tivesse visto o clássico de Giuliano Gemma, teria se safado do tiroteio e estaria toda pirilampa mandando os féladaputa pro inferno, que é a estação final (depois da cadeia) reservada aos vilões de westerns de quaisquer latitudes. E com moral da história: seja você americano ou não, carregue sempre um dólar no bolso, mesmo a R$2,56.
(da série "Filmes Esquisitos" encontra "Práticas Ignominiosas Cotidianas")
eu gosto é de xaxar

uma imargem hardical em prol da agenda cearense: a bulcão,
la volcano.
qto nescau eu tomei, intentando essas correntinhas removidas a dentada...
meu pai sempre dizia:
calma, começo de angu é mingau.
e tem mingau q. aponta pra angus de responsa.
pelas próximas 5ªs feiras do verão, pelo menos, vcs. poderão.
num verdadeiro e elegantíssimo mocó, de nome 'bartitura' (isso, sim, um fruto semantico dos '80's, r. pinheiros logo depois da mateus grou, à esq.) acaba de nascer um grupo de chorinho, tudo garoto -recem-saídos dos dz'9's (ex-teens, ou jovens, se numa ves-jinha)- absurda/e capazes de tocar juntos o mais delicioso cafuné nos clássicos do chorinho.
quinteto completo, q. os dono da casa ñ são bestas: flauta-sax, cavaquinho, violão-voz, pandeiro, atabaque-tamborim. velocíssimos como sói em tal montante de hormonios.
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24 Fevereiro
A anta e a jararaca
Deu na Folha de S.Paulo: 'Posso abençoar até animal', diz padre que 'casou' Ronaldo.
Obsolescência
Se 95% da agência não sabem onde pôr a p***** da vírgula, como fazer a m***** da concordância, qual o sinônimo para a b**** de "ter", como escrever o c****** de uma palavra como "sido" (se com s ou com c!), que diferença eu posso estar fazendo lá?
Ou ainda: que diferença alguma isso fará para os 95% do distinto público consumidor?
Sei que meu contrato aqui no blogue não permite o uso de vocabulário chulo, mas ter trabalhado até quatro da manhã —o chefe foi para casa mais cedo assistir ao paredão do BBB com a esposa, avalie!— me deixou assim-assado.
Estou me sentindo meio que um par de polainas, uma anágua, um tubo de Corega, um Laser-Disc, uma fita Betamax, essas coisas que quase não existem mais.
23 Fevereiro
"Eu não conhecia Tururú" (sic)
Título sabendo a filme pornô, trata-se tão-somente da discreta e inocente estréia dessa
"international Brazilian actress" na direção.
Conta a história de quatro mulheres que, depois de muito tempo, reencontram-se na cidade de Tururu e etc. etc. etc.
Na dúvida, se não puder evitar o filme, evite o lugar.
Volta às aulas
De repente, Cabaceiras ficou pequena demais para mim.
22 Fevereiro
Provérbios modernos contemporâneos atuais
Gente lesa gera gente lesa.
finesse e fissura*
'herr schroeder passou a desfrutar uma espécie de renasci/o depois q., tendo tentado pratica/e todas as outras opções, reformulou sua imagem como um homem de princípios.'
n' the times, via
estadão, sobre a trip bushiana p/ mais uma das alegres mesas unionistas continentais.
*dum livro de poemas da ledusha.
Fluxo
Engarrafado por quase uma hora eu me lembro do Regulador Xavier, o remédio de confiança da mulher: um excesso, dois escassez —um, dois, um, dois, um, dois.
Me lembro porque acho que o trânsito dessa cidade deveria tomar Regulador Xavier. O um, claro.
21 Fevereiro
Lady Taliban
Older for older, date for date.
(crdt Arnaldo Antunes, não pela autoria, mas pela inspiração, licença poética e cara-de-pau pra cometer coisas deste jaez e ainda deixá-las vir a público)
Traduções concretosas
"Par délicatesse j'ai perdu ma vie."
— Rimbaud
"Por delicadeza já perdoei a má via."
— Rambo
20 Fevereiro
Contos de intifada
era uma vez
num reino de quem só faz conta
uma linda daniela cinderelli
que se casou num castelo
com um príncipe
(ou com um castelo
num príncipe
—tanto faz)
o qual transformará em sapo
mas antes disso
ela mesmo
se transformou
em bruxa má.
Contando estrelas no cinema
Uma
Douglas
Trevor
Catherine
Simpson
Seymore
Cecil
Oldman
Novak
Denzel
Contando livros na estante
Unamuno (ou Umberto)
Dostoiévski (ou Donne, dos Anjos)
Trevisan (ou Telles)
Castro (ou Caio, Castells, Calvino, Cabral, Chatwin, Camões)
Singer (ou Simenon, Simmel)
Sagan (ou Céline)
Auster (ou Otto, Ovídio, Auden)
Norman (ou Nietzsche, Newton)
Descartes (ou Denser, Dick, Dyson, Dias)
19 Fevereiro
Etnografia de boteco
Ela nota que o subjuntivo faleceu, aqui em São Paulo. Eu suspeito que a
causa mortis seja esta mesmo: São Paulo.
Subjuntivo pressupõe "baixo comprometimento do falante com o que está sendo dito". Quer exprimir uma possibilidade, uma condição aberta, uma hipótese ou dúvida: "Você quer que eu
pegue isso?" (Eu posso pegar ou não, e por aí vai). Mas não.
Esta cidade já não tem tempo para hesitações: "Você quer que eu
pego?" —e já estou eu pegando, não te dou opção de pensar, essa coisa chata de fazer nos dias de hoje, nem ponho nosso tempo a perder.
É quase uma gentileza forçada, como quase toda gentileza por aqui: "Você me dá licença que eu já vou logo pegando, toma!" É também o pináculo do objetivismo: sugere que só há uma maneira possível de pensar ante uma questão qualquer. Acho triste. E, sobretudo, feio. Ética e esteticamente feio, a cara dos nossos dias.
Sou só eu ou alguém já tinha
chego a conclusão semelhante antes?
18 Fevereiro
Do que me ufano?
"Em vinte anos de viagem, perdi apenas dois [
carnets moleskine, cadernos de anotações]. Um desapareceu num ônibus afegão. O outro foi surrupiado pela polícia secreta brasileira que, com uma certa clarividência, imaginou que algumas linhas escritas por mim —sobre as feridas de um Cristo barroco— eram a descrição, em código, de seu próprio trabalho com prisioneiros políticos."
—Bruce Chatwin,
O rastro dos cantos.
17 Fevereiro
Ambrosia, hidromel e outros manjares
O site é simples, está em construção e ainda não faz jus aos doces que eles são capazes de materializar nesta dimensão terrena, mas se você estiver em São Paulo, desesperado por uma sobremesa dos céus, e não saciar logo seu desejo com
Les Enfants Sucrés, correrá o risco de incorrer em equívoco grave.
Tem uma torta-musse de chocolate decorada com flores (comestíveis!) de calêndula que é assim uma coisa.
16 Fevereiro
Guia cultural
Sabe-se pelos cartazes nos muros da cidade que Charlie Brown Jr. fará um grande show neste dia 26, em Santo Amaro. É o tipo do evento que não se pode deixar de perder.
E, inspirado pelo post da nação galopante (abaixo): sempre que puder é maravilhoso deixar de assistir também a toda e qualquer apresentação da banda
J.Eqüestre.
Nação galopante
Severino cavalgante.
Vida que teima
As quaresmeiras voltam a colorir de roxo o cinza de São Paulo. Antes tinham sido os ipês e as acácias, amarelos. Diz-se que, submetidas a tanta poluição, florígenas são mais precoces e intensas: sabem que não podem resistir muito e precisam dizer a que vieram neste mundo.
Belo, ainda que triste, não?
15 Fevereiro
"Pensar, professsor, pensar..."
Eu me assoviando* revejo o anormal
Uri Geller mobilizar um país inteiro, lá pelos idos de 1977, para descobrir número e figura geométrica que rabiscara dentro de um envelope pardo, enquanto entortava colherzinhas de café.
Errei a figura mas acertei o número, para o espanto da parentada com o prodígio do garoto.
(*Eu me assoviando
é a mais completa tradução do Je me souviens
, esse galicismo colonial, desnecessário, subalterno... porém podre de chique! Ah, sim, antes que eu não me lembre: o título em si é tributário do não menos anormal Herculano Quintanilha —na verdade, de sua partner
, cuja identidade eu me assoviando agora não me vem à memória.)
Mal de Jaime*
Eu me lembro que o consumo regular de
Cannabis sativa, sp. pode causar doenças várias, como amnésia e outras das quais não consigo agora me lembrar.
*(crdt do título: Lúcia, mulher-a-dias dela.)
Essa moda pega
Não é que eu já não esteja suficientemente envergonhado com Severino Cavalcanti, terceiro mandatário do país. É que ver o sujeito cantar vitória destacando o fato de não ter "nível superior" (sic), como se fosse exemplo a ser seguido, me causa engulhos.
Teria ele próprio se inspirado no exemplo de quem? Do presidente da República, por acaso?
14 Fevereiro
Perfurocortantes
(crdt da foto: Jan Saudek)
Habemus melodia
"
Secret Migration", obra-prima do
Mercury Rev, obtém a proeza de superar os CDs anteriores.
Como ainda é difícil de encontrar nas lojas, faça já o seu e emocione-se com "Secret For A Song", "Vermillion" e "First Time Mother's Joy".
Vamos lá: mostre que você tem um coração.
13 Fevereiro
Trompe-l'œil
Vista de relance,
a capa da Invejinha São Paulo desta semana parece trazer, fantasiada de Barbie ciclista, a
noiva do ano —e fique bem claro que aqui não se trata de Camilla
Seslaf Parker-Bowles!
Em tempo: a revista revela que o sósia em questão possui seis bicicletas, mas não dá a conhecer se dispõe de igual número de bundas. Pela cara com que se deixou fotografar, julga-se que pelo menos duas haverá de ter.
12 Fevereiro
notas preta
esses
a gente podia se cotizar
e sair por aí
saracoteando
as garotas
breu
brumas
e nós mais sós
umas bramas a ele
zélula e zeus
deu no nyt, vale batizar:
a
biodeusia existe...
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11 Fevereiro
Parental Advisory
Shania, Beyoncé, Sheena, Britney, Aaliyah, Chaka, Aretha, Sharona... e esses gringos se preocupando com o que dizem as músicas. Quem precisa de explicit lyrics com um time desses?
(Lembrei de outra hors concours, sem trocadilho: Sheila Escovedo, aquela que tocava com o Prince lá pelos idos de 1980 e poucos.)
Lá como cá
Eu me envergonho de assistir à cobertura das eleições portuguesas pela RTP e me dar conta dos anos-luz que nos apartam: debates civilizados, entrevistas procedentes, equilíbrio de cobertura* e a necessária e imperiosa sensatez de uma TV pública presidindo a agenda nacional.
Aí, logo em seguida, na mesma RTP, assisto à propaganda eleitoral lusa e me envergonho mais ainda de perceber que, afinal de contas, talvez não estejamos tão apartados assim...
(*em comparação com os similares nacionais, é claro!)
10 Fevereiro
Vamo pulá, vamo pulá, vamo pulá!
"Sandy colocou próteses de silicone com 150 ml em cada seio", diz o UOL, celeiro de relevantes notícias.
Quem parte leva a saudade
Este blogue se solidariza com seu ideólogo e fundador, o indômito Zeno, que amanhã parte desta para uma melhor de duas semanas na sugestiva localidade de Cabaceiras, interior da Paraíba, onde fará levantamentos de campo para a conclusão de sua tese de doutorado em anatomia do aparelho reprodutor do jumento da Caatinga (
Jeguis caatinguensis sp).
Ao nosso Euclides da Cunha pós-moderno desejamos toda sorte do mundo, e recomendamos não esquecer na bagagem o Sundown e o Hipoglós.
09 Fevereiro
Menas, meus caros, menas
A exemplo da Presidência da República, este blogue possui entre seus titulares um ex-nordestino, um ex-analfabeto e um ex-operário do ABC. Talvez por isso persista entre (alguns de) nós um certa identificação com o bom selvagem ascendido ao cargo máximo, um fascínio pequeno-burguês com a saga de superação e liderança etc. etc. etc.
Compreendo, reconheço, mas como sou um cara senil, não consigo me comover. Limito-me a achar Sua Excelência um sujeito sem instrumental suficiente para lidar com o real, donde suas metáforas medíocres e governo idem. E ponto.
Pode ser próprio da Presidência, essa coisa amorfa e absorvente, que transformou em sapo (ainda que imberbe!) até o
Príncipe dos Sociólogos. Parece que quem lá chega divorcia-se do passado, qualquer que seja ele, e desposa o ramerrão do possível —ou então que me desmintam os juros de 18%. Pode ser que não. Eu queria mais, apenas não me iludia de véspera. Continuo querendo.
O argumento é complexo demais para ser exposto assim e existe sempre a tentação de ajuntá-lo às maledicências de um Diogo Mainardi ou às distorções de uma Eliana Cardoso, mas por favor me incluam fora: aqui não há dolo, e Lula continua sendo a melhor alternativa. Talvez seja justamente esse o nosso infortúnio: o melhor é muito, mas muito ruim.
(CNN News Update: façam-se minhas as palavras de Villas-Bôas Corrêa)
Momento Mastercard
-Receber um telefonema do Pinto pra avisar que tem um salmão fresco na geladeira: 70 centavos, conforme a operadora.
-Ter um japa de prontidão pra fatiar o peixe: quatro doses de Black Label ou 60 reais, conforme o bar.
-Comer o salmão preparado à moda norueguesa: meu chapa, não sou digno que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra (“É de graça!”) e minha alma será salva.
And the Oscar goes to
Se houvesse um prêmio para melhor quadrinista da rede, ele só não ganharia fácil porque o Arnaldo, do
Mau Humor, mantém a mesma qualidade por linhas tortas (e bota tortas nisso). Mas os
Malvados, do André Dahmer, segue fazendo um gol de placa atrás do outro. Diálogo de uma tira recente:
-Você usou o dinheiro da escola das crianças para jogar nos cavalos?
-Claro. Cansei de apostar em burros.
08 Fevereiro
Meninos, eu conheci...
... uma das filiais do Paraíso, mas, como na piada do Woody Allen abaixo citado ("O rabino me explicou o significado da vida. Em ídiche. E cobrava 600 dólares a aula."), é preciso ter um Land Rover parrudo, 12 horas disponíveis para os deslocamentos ida e volta (a partir do RJ) e um tremendo senso de aventura pra chegar lá. Vale, evidentemente, cada minuto, a ponto de você abençoar a ausência de celular, de telefone, de televisão e, no caso de chuvas, de chão firme:
Rio Bonito.
(crdt com afeto imenso ao casal hospedeiro carlinhos e dalila e ao casal topa tudo moa e mô)
Gêmeos, Uma Mórbida Semelhança
Pode ser de novo a tal senilidade batendo à porta —ou seriam os efeitos de um Carnaval que só existe para ser transmitido pela TV—, mas desde
"Os Trapaceiros" (2000) que
Woody Allen está se transformando assim num
Didi Mocó.
Em tudo e por tudo. Ter visto agora
"Igual a Tudo na Vida" só reforçou essa impressão.
05 Fevereiro
Evangélica e misantrópica
Ninguém dá mesmo ouvidos à Palavra do Senhor.
Ele disse: "Crescei e multiplicai-vos... pra ver só a merda que vai dar".
Os pessoal festejaram antes do fim da frase e fica aí o mundo, São Paulo em especial, parecendo um grande estacionamento de shopping em dezembro.
Eu quero é ir de volta pra caverna —a de Platão, de preferência.
london~n th' lapa
o impávido magnata's continua um colosso.
ontem demos c/ uma leal juanito el caminante, el vermejo, c/ exato, veja bem, 01 (hum) ano de comprada, fechadinha e pronta p/ uso.
indeed, só lá m/o.
caiu honrosa e carnavalesca/e em combate frente a uma porção de carne de sol acebolada, plus queijo de coalho, de esquentar os tamborins até da pranteada mancha verde, a preferida dos locais.
e ainda rendeu uma quentinha...
um olhar atento e uma metranca na mão
quem aí viu 'closer', viu bem de pertinho?
taí um cara c/ o q. dizer a respeito:
'chifre a go-go', pelo corto y grueso
ozzymandhas
(crdt. do solerte
pedro doria)
04 Fevereiro
Aparências, nada mais
Serei eu e minha senilidade, ou por acaso
esta aqui não está ficando cada vez mais parecida com
esta outra?
(crdt do título: o imortal Márcio Greyck, é claro!)
raicai

no angulo
desengulo
o sapo
num sem-pulo
(a pb e ss)
Hip! Hip! Hurra!
Os hipópotamos em júbilo saúdam o natalício da fundamental
Cam Seslaf, nossa ruiva preferida.
Ops! Foto certa
aqui.
(Agora sim. Com os linques corrigidos fica melhor.)
03 Fevereiro
O metrossexual e a manicure
"Luxemburgo mudou completamente as coisas".
David Beckam, no UOL, sobre a chegada tsunâmica de Luxa ao Real Madrid.
02 Fevereiro
"Terra de Ninguém"
Capitão: "Que profissão escrota: desarmador de minas. O cara só erra uma vez".
Soldado: "Duas, capitão. A primeira quando escolhe trabalhar com isso".
Impagável diálogo desse
filme idem, Oscar de Melhor Produção Estrangeira em 2002, visto com um atraso indesculpável.
Invasões bárbaras ou Diga-me com quem andas
Deu no UOL:
Dra. Havanir deixa o Prona e se filia ao PSDB
Eleita com mais de 681 mil votos, a deputada estadual Havanir Nimtz deixou o Prona e deve ser apresentada hoje como a nova integrante do PSDB.
Ontem, durante a abertura dos trabalhos da Assembléia, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) deu as boas vindas à mais nova integrante do partido.
Lindo, né?
01 Fevereiro
Um homem de visão
"La Terre vue du ciel" é um projeto de
Yann Arthus-Bertrand que deu origem a uma série de bem cuidados
libres d'art, que é como os franceses se referem àqueles calhamaços que ornamentam a mesinha de centro da sala de estar.
Como o nome bem diz, são fotos de paisagens tomadas de alguns metros, às vezes quilômetros, de altitude. Tem de tudo, Brasilzão incluso. O fotógrafo foi acusado de ser anti-americano, por expor inapelavelmente mazelas ambientais dos EUA em contraste com belezas naturais do resto do planeta. E o sucesso foi tal que rendeu uma
edição nacional —bobeando, sai mais caro que a importada.
Pois bem. Interessante é folhear a versão (gringa, Abrams Publishers) "365 Days", com uma foto para cada dia do ano, à guisa de calendário. No dia 11 de setembro estão lá duas casas assobradadas destruídas por um tornado, justo, logo onde, no condado de Orange, Flórida.
A
edição original é de 1º de setembro de 2001, dez dias antes do atentado às torres.
É de escarnecer qualquer texano que jamais tenha se achegado tão perto de um livro, ainda que só de figuras.
Imosec
Eu me envergonho de ficar salivando ao passar, a qualquer hora do dia, por aquelas carrocinhas de nativos do longínquo oriente vendendo yakissoba de sabe-se-lá-o-quê. E me vergonho mais ainda de nunca ter tido coragem suficiente de encarar uma porção grande da gororoba "com bastante molho, por favor".
Polêmica! Polêmica!
Acho a versão do Schumann (op.96) para o poema do Goethe, Canção Noturna do Viajante (Wanderers Nachtlied), muito melhor que a versão do Schubert (D.768).
Mais detalhes hoje à noite com o Pedro Bial, na cobertura do Big Brother Brasil 5 desta terça-feira.
Etilíricas
bar descolado
eu absolut
ela gekkeikan
garçom oi, meu nome é zeca
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