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31 Janeiro

Etilíricas

bar botânico

ela viceja

eu adubo
10:51:56 - hubbell - Comentar

Etilíricas

bar alemão

eu schnapps

ela schlépe
06:59:00 - hubbell - Comentar

30 Janeiro

Morder a maçã

Por força das circunstâncias (que é o outro nome que se dá à caridade dos amigos), estou há algumas semanas trabalhando com um notebook da Apple, tar de Ibook, “levantado” (como se diz na gíria) com o novo sistema operacional dez ponto qualquer coisa, tar de Jaguar, Panther, Lince, por aí. Bueno, o felino é realmente lindo, você olha pro bicho e pensa que deve ser das coisas mais bonitas feitas pela mão do homem, mesmo que assembled in Cingapore. É tão bom que nem dá pra sentir saudades do “Você executou uma operação ilegal”, aquela sincera homenagem do pessoal da Microsoft aos roteiristas do E.R. e do finado Chicago Hope. Comentando com amigos PC-zísticos sobre minhas aventuras com a Maçã, descubro que o apelido dado pela turma do Bill Gates às máquinas do Steve Jobs é uma singeleza: Barbies. "E aí, tá gostando da sua Barbie?", "Já deu pau na Barbie?", "Não esquece de mandá-la pro salão de beleza, a MacMouse, ali na Rua Estados Unidos...", etc. Outra descoberta foi um e-mail que as revendas Apple mandaram pros clientes no início desta semana: “Novo vírus ataca a rede etc etc My Doom etc etc. Saiba o que fazer para proteger seu Mac: NADA!!”. Donde se concluiu também que as Barbies estão imunes às DST’s: além de bonitas, limpinhas. Se forem universitárias, então, tá feita a festa no puteiro.
09:19:57 - hubbell - 4 comentários

Etilíricas

bar GLS

ela LPD

eu CQD
06:57:00 - hubbell - 3 comentários

Etilíricas

bar canal

eu verso-vício

ela vice-versa
02:45:32 - John Self - 1 comentário

Eu me lembro

Eu me lembro de ter anotado num guardanapo de bar, em janeiro de 1999, a seguinte frase: "em cinco anos estarei velho".

Já chegou. Lôco, né?
00:53:41 - hubbell - 3 comentários

Eu me lembro

Eu me lembro de ter percebido, no meu segundo dia em Paris, que meu francês sofria de complexo de inferioridade.

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
00:51:41 - Zeno - 2 comentários

29 Janeiro

Etilíricas

bar perto

ela vizinha

eu boquiaberto
06:55:00 - hubbell - Comentar

28 Janeiro

Eu me envergonho

Em janeiro de 98 resolvi assistir ao mega-big-super-hiper espetáculo "Lemon", do U2, aqui no Rio, porque achava que tinha mais a ver com o clima. Bom, como a grua do limão não passava no portão do Maracanã, o m-b-s-h espetáculo foi transferido para Jacarepaguá. a) Demoramos 4 (quatro) horas para ir de Botafogo até o autódromo; b) os portões arrebentaram e misturaram todos os pagantes de 30, 50 e etc real - eu paguei 50; c) chegamos em cima da hora com medo de pânico coletivo; d) não vi NADA, fiquei baixinha no meio da multidão de cabeças. No final, o povo tinha estacionado os carros de forma caótica, e ninguém conseguia sair. Demoramos mais 3 (três) horas para voltar. Salvamos uma adolescente perdida que morava em Copacabana e não achava a turma com a van que ela foi. No caminho, ela ligou para o pai para dizer que estava tudo bem e ele pensou que era seqüestro, e pediu para ela dar um sinal se fosse! Enfim... o s-h-m-b U2 Lemon em Sampa foi inesquecível, no Morumbi. Os amigos adoraram.
P.S.: Resolvi postar este "eu me envergonho" por razões sentimentais, virtuais e presenciais.

(de nossa enviada especial ao Rio de Janeiro)
20:46:36 - Zeno - 5 comentários

Etilíricas

bar elegante

ela à vontade

eu asfixiante
06:54:00 - hubbell - Comentar

27 Janeiro

Vende-se

Classificado mais ou menos lembrado de um exemplar d'O Planeta Diário da década de oitenta: "Vendo apartamento em frente à praia de Ipanema. 850 m2 de área interna, com seis suítes, quatro salas, dois escritórios, dependências para cinco empregados. Preço: cinco mil dólares. Tratar Maria José, Lobito, Angola."
20:08:04 - Zeno - 5 comentários

Procura-se III

Estou à procura de um conto urbano de tipo impressionista onde possa encaixar o seguinte trecho: "Olhei pela janela. Só os aposentados e os pombos estavam acordados". Pago bem. Sigilo garantido. Cartas aqui pro blog.
19:43:25 - Zeno - 2 comentários

Eu me lembro

Eu me lembro de ter enviado três cartas simultâneas pruma namorada. O comentário do pai dela, ao vê-las na caixa de correio, foi: "Mas ele é gago?".
19:24:18 - Zeno - Comentar

Eu me lembro

Eu me lembro mais ou menos de um filme não muito bom do Khouri, "O Palácio dos Anjos". Mas me lembro bem que ele mostrava em longos close-ups a incrivelmente bela atriz principal, a francesa Geneviève Grad, que, ao que consta, sumiu do mapa depois desta aventura nos tristes trópicos.

(da série "Filmes Esquisitos" encontra "Je me Souviens")
19:22:23 - hubbell - 1 comentário

Eu me lembro

Eu me lembro mais ou menos de uma estatística que apontava mais de 2000 bancos existentes no Brasil nos anos sessenta, 400 nos setenta (portanto pós Bulhões e Roberto Campos) e menos de 200 nos anos oitenta. Na dúvida sobre os meandros de um tal enxugamento, lembrai de uma das máximas de novela policial, apropriadíssima aqui: cherchez l’argent.
19:20:53 - hubbell - Comentar

Etilíricas

bar popular

ela no dubar

eu no dominó
06:53:00 - hubbell - Comentar

26 Janeiro

Regras para o bem escrever

“Se eu escrevo um alemão melhor que os escritores de minha geração, devo isso em grande parte à observância de vinte anos de uma única e pequena regra. Ela reza: jamais utilizar a palavra ‘eu’, a não ser em cartas. Contam-se nos dedos as exceções que permiti a esse preceito”.

Walter Benjamin, em “Berliner Chronik”, texto preparatório ao Infância em Berlim por volta de 1900.
18:59:43 - Zeno - Comentar

Clique para doar

Novidade interneteiro-eleitoreira: os navegantes americanos têm agora a possibilidade de fazer contribuições para as campanhas eleitorais dos candidatos à presidência através do site da Amazon.com. Você entra no site e, com um clique, doa de 5 a 200 dólares para um ou mais concorrentes. O ex-favorito e candidato dos blogueiros, o esquentadinho Howard Dean, arrecadou 3.217 dólares até agora. O ex-general Wesley Clark, candidato preferido por Michael Tiros em Columbine Moore, está um pouco melhor, com US$ 4.890. Já o azarão da disputa, a sensação sulista John Kerry, que lidera as atuais pesquisas, está com "polpudos" US$ 7.205. Do lado republicano, o comitê de George W. Bush ainda não forneceu autorização para a Amazon começar a receber contribuições para a sua candidatura. Se a moda pegar por estas bandas, qual será o site de e-commerce que se candidatará ao serviço? Submarino, correndo o risco de a campanha afundar? Americanas, para os xenófilos? Casas Bahia, para o eleitorado de baixa renda? Ponto Frio, com um nome que já traz maus fluidos? Vida dura, a do político brasileiro na Internet.
14:54:07 - hubbell - Comentar

Steve Jobs no Boqueirão

Deu nos Classificados do Estadão de ontem: "Apple G5 Compro. Com programa. Edição imagem. Troco por terreno Praia Gde/SP."
09:29:00 - Zeno - Comentar

25 Janeiro

Etilíricas

bar popular

ela rabo de saia

eu rabo de galo
07:50:00 - hubbell - 1 comentário

uma questão filoporquética

amá-la
ou
a mala
? [Leia mais!]
07:46:00 - John Self - Comentar

existe o estado e existe a água

"A partir do nosso quintal é que a gente se torna universal."

do sábio local nei lopes, bom de samba e quetais.

(da série "epígrafes básicas-fundamentais-elementares", título que desafia os maiores tradutores alemães, since 1888)
07:44:00 - John Self - Comentar

A Rádio Nacional informa...

... o ingresso de mais um autor-personagem aqui no blog. Apresentamos sua breve bio d'après lui-même:

John Self: sólido como um galão de grant's, assiste à humanidade das gerais, do pacaembu, não nas minas. perdeu um empregaço crendo no próximo, donde adernou prum ceticismo etilírico, nas pedras, preferencialmente.
vibrante membro da geração pós-richardgere, em vez de estar na idade do lobo, é um carentão incompetente.
Se acha um pelé das cenas, mas o máximo que bicam seus quédis são rústicas imargens hardicais. Tem no copo seu mais leal amigo.
ou vice-versa.
07:39:00 - John Self - Comentar

Etilíricas

bar sério

ela blód mério

eu cóquetêiu
06:49:00 - hubbell - Comentar

24 Janeiro

Eu me envergonho

Eu me envergonho de não ter percebido que Mumbai, onde ocorre o Fórum Social deste ano, é a boa e velha Bombaim, depois de um face-lift ortográfico de inspiração politicamente correta.
12:07:11 - hubbell - 1 comentário

Voltaire

O historiador Luiz Felipe de Alencastro, autor de um arrasa-quarteirão acadêmico publicado em 2000 (“O Trato dos Viventes”) que até hoje rende conversa animada em mesas de bares um pouco mais qualificadas, estreou nesta semana uma coluna mensal na revista eletrônica nomínimo (não sabemos se ele se defenestrou ou foi defenestrado daquele cemitério de cretinice que é a Veja, onde ele mantinha coluna). O texto, bem escrito como sói, trata das relações econômicas Brasil-União Européia a partir das sucessivas desvalorizações do dólar, mas não é disso que queremos falar aqui, e sim de um link citado pelo professor no início do seu artigo. É o http://www.voltaire-integral.com/, que traz diversos textos do filósofo francês on-line para download ou consulta na própria página (as obras completas, em versão CD-ROM, estão à venda no site por 45 euros). Dentre eles, o inestimável Dicionário Filosófico, que depois de ter sido proibido e queimado pelas autoridades francesas da segunda metade do século XVIII, navega agora inteirinho nas páginas da Web.
11:58:19 - Zeno - 3 comentários

Momento poético

"Senti um pouco de frustralívio"

(Cristóvam Buarque, comentando sua demissão por telefone)

(patrocinado pelos sabonetes Nínive - "um sopro de Mesopotâmia em sua vida")
10:30:58 - Zeno - 3 comentários

Eu me lembro

Eu me lembro do Steve Martin, numa apresentação do Oscar há alguns anos, dirigindo-se a Julia Roberts que estava na platéia: "Ah, Julia, Julia, tenho tanta saudade daqueles nossos longos papos telefônicos, horas e horas... Depois que você instalou o bina, nós nunca mais conversamos..."

(da série "Filmes esquisitos" encontra "Je me souviens")
07:44:00 - hubbell - Comentar

Eu me lembro

Eu me lembro da mãe de um amigo italiano me mostrando com orgulho sua máquina de costura recém-restaurada, comprada originalmente com o dinheiro que o Duce dava para as famílias que tinham filhos. Era uma Singer, muito parecida com a que minha mãe tinha em casa.

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
07:42:00 - Zeno - Comentar

23 Janeiro

Rivalidades

Mais um texto involuntariamente hilário da edição especial da Veja SP, razão número 283 para se amar São Paulo. Título: "O Rio é logo ali". Comentário: "Privilégio paulistano: saber que o Rio de Janeiro é suficientemente longe e suficientemente perto". Pergunta imediata: a cretinice virou privilégio paulistano?
14:52:49 - Zeno - 2 comentários

O dentista das estrelas

Já dissemos aqui que gostamos de listas de todos os tipos (Seção Filmes Esquisitos de 06 de janeiro). A mais recente é a da Veja SP desta semana, que destaca as 450 razões para se amar este lugar inóspito conhecido como São Paulo. A edição é hilária, e rende um bom punhado de posts. Comecemos pelo primeiro, por razões de amizade e favorecimento ilícito: no item 319, "Sorriso Perfeito", lê-se na publicação: "Graças a Fábio Bibancos, gente como Ana Paula Arósio tem o sorriso perfeito. Para atender clientes desconhecidos, conta com a ajuda de oito profissionais". Em nome da mulher do citado, que é quem faz aquela clínica andar nos trilhos, gostaríamos de acrescentar: apesar disso tudo, ele é boa pessoa.
14:46:05 - Zeno - Comentar

450 anos

Ontem, 1h da manhã, assisti acidentalmente e por 40 minutos ao ensaio geral da em-breve-famosa-fonte que o Grupo Pão de Açúcar doou para a cidade de São Paulo no lago do Ibirapuera. Um espetáculo kitsch, no melhor estilo Las Vegas, com direito a carminasburanas, tomjobins e crianças correndo sendo projetadas em um telão feito de água. Congestionamento garantido na região. Parte triste: quatro esguichos laterais formam o logo da empresa patrocinadora, numa pseudo-mensagem-subliminar. É de uma pobreza de espírito tão grande que não imagino como os Diniz aprovaram aquilo. Fiquei imaginando o Metropolitan povoado de 'Rs' subliminares entre os visitantes e as obras. Injustiça minha, é claro. Não se pode comparar um museu com uma fonte.
13:23:54 - Mathieu - 3 comentários

Microconto wellesiano

Ele entrou na sala escura. A fresta da porta iluminava apenas um pedaço do assoalho recém-encerado. Puxou a maçaneta com força, para anunciar aos presentes sua irritação. Pediu a um assessor a pasta de couro com os documentos e começou a vasculhar dentro dela. Retirou um envelope imenso, branco, tão branco que parecia ser a única fonte de luz do ambiente. Esfregou-o na cara de cada um dos homens sentados à mesa de reunião, todos mudos, temerosos e indiscerníveis na escuridão. Caminhou até o centro da sala e, com gestos grandiosos, rasgou o envelope sem sequer abri-lo. Quando os pedaços caíram ao chão, pôde-se ler num deles: era a carta de nomeação para o Federal Bank, com o campo do destinatário em branco.
12:23:48 - hubbell - Comentar

Pim-Pom

Os subitamente célebres Evaldo Gouveia e Jair Amorim, autores de "Rapaz da moda" e "Garota Moderna" e citados à exaustão aqui no blog (se houver algum movimento de recuperação da memória musical dos dois, vocês sabem onde tudo começou), compuseram também uma outra canção com título impagável e que foi gravada pelo Miltinho, ídolo maior da geração dos nossos pais, tios e vizinhos que se encontram nas reuniões de condomínio. O nome da música é "Samba sem pim-pom", e uma busca exaustiva junto aos kazaas, soulseeks e congêneres revelou-se infrutífera. Se alguém tiver uma dica de mp3, ou pelo menos a letra da canção, por favor, mandem pra cá que a gente publica.
12:16:47 - Zeno - 6 comentários

Sociedade, Poder Público e outras mumunhas

"Senhores, um romance é um espelho que é levado por uma grande estrada. Umas vezes ele reflete aos vossos olhos o azul dos céus, e outras a lama da estrada. E ao homem que carrega o espelho nas costas vós acusareis de imoral! O espelho reflete a lama e vós acusais o espelho! Acusai antes a estrada em que está o lodaçal, e mais ainda o inspetor das estradas que deixa a água estagnar-se e formar o charco." Stendhal, n’O Vermelho e o Negro.

(da série "Epígrafes manjadas porém incontornáveis")

(da série II "Caso ninguém tenha notado, nosso blog-espelho tem aspirações altíssimas")
12:05:12 - Zeno - Comentar

22 Janeiro

Eu me lembro

Eu me lembro que o Telmo Martino dizia que o João Gilberto era o único brasileiro que, tendo morado nos EUA, decidira aprender inglês com o Tarzan.
16:22:43 - Zeno - 4 comentários

Perdido

Pequena contribuição para um futuro Léxico Explicativo Universal para uso em ocasiões familiares e sociais:

“Dar um perdido”

Conjuga-se da seguinte maneira: “Fulano deu um perdido ontem à noite”, ou “Dei um perdido no meu namorado na festa da Paulinha”, ou ainda “Vamos dar um perdido naquelas duas ali no balcão?”. De amplo leque semântico, a expressão dá margem a dubiedades variadas, e isso de modo proposital: para não comprometer ninguém pego em ato falho ou em situação “sapato na mão e serpentina no pescoço”. Pode ser empregado à vontade, mas o uso excessivo, segundo orientações do Ministério da Justiça, pode provocar aumento dos casos de divórcio litigioso e/ou separações inamistosas.
16:18:35 - hubbell - Comentar

21 Janeiro

Eu me lembro

Eu me lembro de ter conhecido uma garota excepcional, linda, dona de uma alegria transbordante e que me fez comer o pão que o diabo amassou. Ela acabou dizendo sim e eu me casei há exatos 15 anos. Encontro com ela periodicamente, sempre que minha esposa permite. E faz tudo valer a pena.
15:07:13 - Mathieu - 10 comentários

Momento poético

“Guardo minhas lembranças num saco plástico”.

(patrocinado pelos sabonetes Nínive - “um sopro de Mesopotâmia em sua vida”)
13:45:33 - hubbell - 4 comentários

Procura-se II

Estou à procura de um conto policial de tipo metalinguístico onde possa encaixar a seguinte frase: “Havia um cadáver na biblioteca que cumpria o papel de recurso estilístico”. Pago bem. Sigilo garantido. Cartas aqui pro blog.
13:26:53 - Zeno - 4 comentários

Eu me lembro

Eu me lembro de uma piada dos tempos de confisco do Collor. Diziam que a equipe econômica capitaneada (sic) pelo Ibrahim Agora Sumido Eris, pela Zélia Pensão do Chico Anysio Cardoso e pelo Antônio Apertei O Botão Errado Kandir era influenciada pela Escola Monetarista de Chicago. Alguém perguntava: “A do Milton Friedman?”, “Não, a do Al Capone, mesmo”.
13:08:18 - Zeno - Comentar

20 Janeiro

Stallone Cobra (1986)

Eu me lembro que o slogan do filme era "Crime is a disease. I’m the cure". E que num dos momentos de maior pujança lírica do filme, o Stallone tirava um pedaço de pizza velha da geladeira e mastigava fazendo acrobacias bucais com o palito que milagrosamente não caía daquela boca torta.

(da série “Filmes esquisitos” encontra “Je me souviens”)
16:19:46 - hubbell - 1 comentário

Mumbai é aqui

Eu gosto de passar ali na Av. Vergueiro (SP) e contemplar a maravilha de curto-circuito geográfico-gastronômico que é a Casa de Esfihas Taj Mahal.
11:09:35 - hubbell - Comentar

Hípicas

Deu no UOL no domingo à noite: "Queda de cavalo. Galvão Bueno tem quatro fraturas". E o cavaleiro, o que aconteceu com ele?
09:55:09 - Zeno - 7 comentários

Etilíricas

bar inglês

eu pint

ela va gin
08:51:00 - hubbell - 2 comentários

19 Janeiro

Vou comer bumbum

bumbum carvalhobumbum mello
A empresa de chocolates Fiorentina, que fabrica o Dan-Top (www.dan-top.com.br), acaba de lançar um novo produto, um bombom de chocolate em formato de bunda (é verdade) com a chancela do grupo de pagode É o Tchan. Vem nos sabores Scheila Carvalho e Sheila Mello. A tanguinha que aparece na embalagem é meramente ilustrativa. Para ouvir o jingle gravado pelo grupo para lançar a campanha publicitária (cujo singelo verso inicial é “Vou comer bumbum - gostoso”), clique aqui.

Lôco, né?
19:34:32 - Zeno - 12 comentários

Eu me lembro

Eu me lembro de um comentário venenoso de um diretor de teatro alemão ao avaliar uma comédia dirigida por um coleguinha da classe teatral: "Ri, sim, mas foi abaixo do meu nível."

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
06:52:00 - Zeno - Comentar

20 regras para compreender o Blues (2001?)

(Da série “É velho e manjado mas é bom”)

1) Most Blues begin, "Woke up this morning..."

2) "I got a good woman" is a bad way to begin the Blues, unless you stick something nasty in the next line like, "I got a good woman, with the meanest face in town."
[Leia mais!]
05:46:00 - hubbell - Comentar

18 Janeiro

Etilíricas

bar alemão

eu U-Boot

ela veleja
08:49:00 - hubbell - Comentar

17 Janeiro

Eu me lembro

Eu me lembro de ter jantado numa cantina italiana no Marais. A dona, ao descobrir que eu era brasileiro, veio toda solícita à mesa puxar papo: "Monsieur Amadô vem sempre aqui com sua femme Zeliá". Tartamudeei qualquer coisa e depois emudeci, sorrindo bestão pra ela. Até hoje estou à procura de algo inteligente ou espirituoso que eu poderia ter dito então e não consegui.

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
06:51:00 - Zeno - 6 comentários

Microconto novaiorquino

Ele entrou no apartamento de 28,5 m2 que custava US$ 3,200 por mês, na esquina da Sétima com a 14. Puxou a maçaneta com força, para ajustar o trinco emperrado, e o janitor apareceu em seguida para reclamar do barulho e da embalagem de pizza pra viagem que havia entupido o bocal do lixo no corredor. Fechou a porta, passou os quatro ferrolhos e espiou pelo olho mágico pra ver se o janitor já havia ido embora. Abriu a lingüeta do backpack e sacou o notebook. Vasculhou a gaveta semi-aberta da mesa, pegou um adaptador blue tooth e encaixou na porta traseira do aparelho. Depositou seu double caffe latte non fat macchiatto decaf with a thin layer of foam with a twist of cinnamon to go sobre a mesa, acendeu um incenso e mergulhou nas águas turvas da Web.
05:44:00 - hubbell - 4 comentários

16 Janeiro

Encontrando Forrester (2000)

Depois de duas referências elogiosas na mesma semana (a primeira de um membro aqui da direção, a segunda no divertido – malgré lui – blog do Mário Bortolotto), decidimos conferir o tal “Encontrando Forrester”, filme devidamente evitado na época do lançamento por anteciparmos xaropada altruísta e edificante da grossa, ainda por cima cometida pelo mesmo Gus Van Sant do abominável Gênio Indomável (Good Will Hunting), de temática semelhantíssima. Pois bem, o tal “Forrester” não é de todo ruim, não, embora a discussão sobre o “ato de escrever”, motivo pelo qual o filme costuma ser elogiado, não contenha nenhuma observação dois tostões acima do caldo de galinha que não machuca ninguém. Mas bacana, mesmo, é uma anotação feita pelo personagem do Sean Connery num dos cadernos do garoto aspirante a escritor, a respeito de uma passagem qualquer do texto: "Indigno deste leitor" ("Unworthy of this reader"). Vale a pena retê-la para uso em ocasiões propícias – lendo este blog, por exemplo.
13:25:50 - Zeno - 6 comentários

Brasilês

Pedro Dória, na excelente coluna Weblog que mantém no site nomínimo, dá a dica de um blog americano onde a discussão sobre o piloto da American Airlines de dedo em riste pegou fogo. O blog é o Eschaton e o link para o post é este. Nos comments, em meio a uma saraivada de argumentos a favor do e contra o fichamento de estrangeiros nos aeroportos, destaco a observação irônica de um tal Hudson, que nos lembra dos poucos conhecimentos geográficos de Mr. Bush (pra quem não conhece a história, ficou célebre a referência de Bush, tempos atrás, aos gregos – greeks – como sendo “os grécios” – gretians): "Nós realmente temos de re-eleger Bush para mostrar a esses malditos brasileses quem é o chefe por aqui" ("We simply must re-elect Bush to show them damned Brazilese who's boss").
12:47:37 - Zeno - Comentar

Etilíricas

bar ganhas

ela barata

ele havaianas
12:19:22 - bandini - Comentar

Etilíricas

bar ata

ela com medo

ele mata

(crdt lubk)
12:18:00 - Zeno - Comentar

The world is my oyster no more

Finalmente fui apresentado a um drinque capaz de combater o nefasto martini branco com club soda descrito aqui no blog na semana passada. Pegue uma ostra. Se você não estiver à beira-mar ou num local próximo ao habitat delas, peça pro garçom. Se o garçom disser que não há ostras, mude de bar, porque esse que você freqüenta, francamente, é de quinta. Com a ostra em mãos, coloque-a num copo pequeno e alto, desses utilizados pra vodka, grappa e demais explosivos, com um pouco da água que a acompanha em seu berço marítmo. Peça um tabasco e pingue duas gotas. Se não tiver, vai Jimmi, mesmo. Jogue um splash diminuto de molho inglês. Esprema gentilmente um naco de limão, mas não muito. Complete o coquetel molotov com uma dose generosa de tequila, até encher o copo. A aparência é a de um vidro de laboratório de análises químico-infectológicas, com algum órgão deteriorado ou criatura natimorta dentro. Não ligue pra isso e vire o copo de uma vez. Sinta, na boca, os aromas e sabores dos seis ingredientes brigando pra valer no seu palato. Os mais corajosos (loucos? desavisados? bipolares terminais?) mastigam a ostra, só pra aumentar a liberação explosiva do sabor. Não é pra qualquer um. Aliás, não é pra quase ninguém que eu conheça. Não guardei o nome do drinque, mas o garçom, quando perguntado, respondeu "Gtygksj". "Como?", "Krwoegrs". "Desculpe, não entendi", "Ah, é um nome aí que o povo dá, sei direito não". Outra coisa: não peça um segundo drinque assim. Sério. Ou então peça, mas não diga que eu não avisei.
11:21:01 - Zeno - 4 comentários

Etilíricas

bar escuro

eu bogart

ela garbo
08:48:00 - hubbell - Comentar

A vida, o cinema, etc.

"Não filmo pessoas; filmo o espaço entre elas".

Jean-Luc Godard, citado pelo Jabor na Folha de S. Paulo de 23/09/1997.
06:55:00 - Zeno - Comentar

15 Janeiro

Dó-de-peito

Deu no UOL: "Os Três Tenores querem voltar a cantar juntos". Promessa ou ameaça?
10:42:24 - Zeno - 1 comentário

Eu me lembro

Eu me lembro de um mote barzístico esboçado ao longo de várias noites esfumaçadas em dezenas de bares europeus: todo cliente deve poder ter fantasias eróticas com a garçonete que o atende. Derivado deste, outro: um bom bar se mede pela qualidade das garçonetes e pelo tempo que elas conseguem manter em você a esperança de um sorriso dois tostões acima do meramente camarada. E derivado deste, numa vertente masô: todo cliente gosta de ser maltratado por garçonetes bonitas que olham pra você com aquela cara "você e eu sabemos que meu locus naturalis não é atrás de um avental. Vai pedir alguma coisa?".

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
06:59:00 - Zeno - Comentar

14 Janeiro

Ainda os assuntos editoriais

Recebemos correspondência e-mailística de uma amiga de um amigo que reclama que o nosso blog não é "confessional", que não "revela as angústias e as dificuldades das pessoas sensíveis", que não tem "a verdadeira coragem de mostrar Sentimentos, em vez de Disfarces" e de assumir "a dor e a delícia de ser o que é". É verdade. Por detrás dos personagens-autores deste blog existem pessoas de carne e osso, com dificuldades cotidianas, com problemas de relacionamento, viciadas em bupropiona, que ouvem Enya à meia-luz, com casamentos desfeitos, reprovadas nos testes de admissão em academias de ginástica, patinhos feios dos tempos de ginásio, colecionadores de marcas de cigarro dos anos setenta, etc, etc. Ninguém nunca nos ouviu ou quis saber o que realmente sentíamos, o que se passava em nossos corações para além da couraça de cinismo e canalhice prêt-à-poser que exibíamos. Foi preciso que alguém de fora, uma desconhecida, nos abrisse os olhos. Em nome da equipe anônima de oito colaboradores que escreve, edita, posta e comenta este site, nós agradecemos emocionados. Obrigado, Cleusa!
09:47:01 - Zeno - 4 comentários

Os blogs e a Terceira Idade

Deu no New York Times, edição catatau domingueira de 11 de janeiro de 2004: num artigo – mais um – sobre a onda de blogs que empesteia a Web e a influência deles em novas formas de comportamento adolescente, a autora, Emily Nussbaum, cita projeções da Perseus Development Corporation que apontam para um total aproximado de 10 milhões de blogs mundo afora até o final de 2004, ou 129 Maracanãs lotados, segundo a conhecida unidade de medida brasileira para estatísticas desta magnitude. Do conjunto de blogueiros em atividade hoje, noventa por cento têm idade entre 13 e 29 anos; mais especificamente, 51% têm entre 13 e 19 anos. Em nome dos dez por cento restantes, achamos por bem tomar este momento histórico em nossas mãos e bradar nossas reivindicações: pelos descontos reais e progressivos em farmácias e drogarias! Pela meia-entrada para idosos em todos os eventos culturais, incluindo as aulas de hidroginástica, o show do Iron Maiden e o do Snoop Doggy Dogg! Pela livre circulação da terceira idade não apenas em ônibus e vans, mas também em táxis, vespas e na balsa Guarujá-Bertioga! Velhusco unido jamais será vencido – se o lumbago permitir. Ou ainda: entre nós e a revolução, só a artrite é um real impedimento.
09:41:44 - Zeno - Comentar

Etilíricas

bar abstêmio

eu AA

ela ZZ
08:43:00 - hubbell - 4 comentários

A aventura do coiso

(mais uma crônica de fôlego do gajo Miguel Esteves Cardoso)

Falando sobre o carnaval brasileiro, Luís Pereira de Sousa referia-se à "genitália desnudada" dos participantes. A expressão, singela como o autor dela, parece parte dalgum hediondo soneto do século XVIII - "Oh desnudada genitália de doce nereide / Só de pensar que um dia te hei-de". Et caetera.

O pobre Pereira de Sousa não tem culpa. O problema é comum a todos os portugueses - como é que alguém se refere à genitália no dia a dia? Uma pessoa vai ao médico e queixa-se: "Sr. doutor, ultimamente tenho tido uma certa comichão na genitália?" e ele manda pôr a genitália de molho?

[Leia mais!]
07:28:00 - Zeno - 1 comentário

13 Janeiro

Do Cais de Gaia para os Trópicos

A correspondente do blog em Lisboa, Encarnação dos Prazeres, nos manda farto material de divulgação, via posta restante, com as novidades do inverno luso. Destacamos a República da Cerveja, bar de louras, morenas e ruivas geladas que edita um simpático mini-jornal com os lançamentos cervejeiros e as explicações para os diferentes tipos da bebida. Fica a sugestão para que algum boteco ou cervejaria daqui tenha a mesma iniciativa de publicar material impresso com orientações, dicas e bibliografia para os pés-de-cana menos letrados. Como dizia o Cortázar, em versão adaptada, "entre escrever e beber nunca admiti uma clara diferença". Escrebeber, diríamos.
11:49:25 - hubbell - 2 comentários

Eu me lembro

Eu me lembro de ter visto o seguinte recado, escrito a giz num quadro-negro do lado de fora de um pub: "Sorry, no TV. This is a football free zone".

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
06:49:00 - hubbell - Comentar

12 Janeiro

Sem estresse

Leio no "nomínimo" que a mais nova opção 'orgânica' "é a carne – cortes de bois criados em pasto natural, tratados com homeopatia em vez de antibióticos, e abatidos sem estresse, o que teoricamente reduz os níveis de adrenalina em circulação na hora que o bicho morre. Descubro na Internet que "abatido sem estresse" significa que o animal não deve a) percorrer uma grande distância entre o pasto e o local de abate, ou seja, ser morto perto de casa, b) nunca ter contato com um animal já abatido, ou seja, morrer na total ignorância de seu destino e c) ser sedado antes do abate. Também encontrei menção à proibição de abate ritualístico (não sei bem o que isso significa mas acho que coloca a carne kosher em má situação). Tem gente disposta a pagar de 30% a 100% a mais pelo quilo de carne de um boi que morreu feliz. De olho neste mercado, um consórcio nipo-germânico já estuda formas de hipnotizar bezerros para que, chegando ao peso certo, tenham uma enorme satisfação em fazer com que seus corações parem de bater. Por conta própria.
15:05:43 - Mathieu - Comentar

A voz da filha II

Em uma entrevista para TV, Maria Rita diz que resistiu à pressão de terceiros e só gravou quando se sentiu 'pronta' (aos 26, mesma idade que Alberta Hunter tinha quando gravou seu primeiro disco). Graças à Deus não é uma Sandy, mas se durar o que Alberta durou, ai de nós.

(da série "Tomara que eu não me arrependa disso")
13:06:12 - Mathieu - Comentar

A voz da filha

Maria Rita ganha dos leitores do Folhateen o título de melhor CD de 2003. Em segundo lugar, Sandy e Junior. Precisa dizer mais?
12:48:13 - Mathieu - Comentar

Eu me lembro

Eu me lembro que minha sogra gostava de tirar o sarro da minha cara dizendo que eu conhecia Baden Baden sem ter ido a Sorocaba.

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
12:39:00 - hubbell - Comentar

Eu me envergonho

Eu me envergonho de ter ido à India antes de conhecer o Nordeste. Nunca fui além de Vitória, Espírito Santo.
12:37:42 - Mathieu - 1 comentário

Eu me lembro

Eu me lembro de um restaurante mexicano numa estação de esqui na Áustria (sic). No cardápio, pratos com uma estrelinha (apimentado), duas (muito apimentado) e três ("Perdeste o juízo ou és nascido em Jalisco?"). O garçom acende a luz vermelha para o prato de três estrelas que eu escolhera, dou a mesma explicação do post tailandês abaixo. Terminada a refeição, comi três sobremesas à base de sorvete, várias xícaras de café com muito açúcar e todos os chocolatinhos que acompanhavam o café dos meus convivas de repasto. Na inesquecível manhã seguinte, lembrei-me tristemente da reformulação de um dito feita pelo Stanislaw Ponte Preta: "Passarinho que come pedra sabe o que advém".

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
12:27:00 - hubbell - 2 comentários

Eu me lembro

Eu me lembro de estar em um restaurante tailandês, em Londres, e responder It's ok, I'm from Brazil a um garçom atencioso que me alertava sobre o prato apimentado que eu acabara de pedir. Lembro também de comer um pote de arroz com leite de côco para tentar aplacar a fúria da pimenta na minha boca, garganta, nariz, estômago, cabeça, mãos, braços, dedos do pé...

(da série "Nem só de Alemanha vive a Europa", ou "Acarajé é café pequeno")
12:25:23 - Mathieu - Comentar

Eu me lembro

Eu me lembro de que só existiam dois lugares fora do bairro da Liberdade (SP) que serviam comida japonesa digna de respeito: o Suntory na Al. Campinas e na casa da minha vó. Algum tempo depois, lembro de tirar vantagem de saber comer com pauzinhos e de ser a referência da turma quando o assunto era restaurante japonês. Hoje, suporto resignado gaijins falando de ovas de ouriço e california rolls como se tivessem nascido na ilha.
12:16:21 - Mathieu - 1 comentário

Ela

Ela tem um site. E faz tempo. Não sei se todos já sabiam disso, mas nós só o descobrimos ontem à noite, neófitos em Internet que somos. Site bacana, cheio de janelinhas pop-up, javas bem feitos, gráficos cintilantes e demais penduricalhos – ou seja, tudo que o nosso aqui não tem. Tem até textos, diários, anotações de seu próprio e belo punho, ainda que com alguns errinhos de português, coisinha de nada, afinal é sobejamente conhecido que os deuses e deusas sempre escreveram por linhas tortas. E tem ela. Com diferentes caras e bocas, e nós gostamos de todas. O endereço, caros mortais, é um primor de simplicidade straight to the point. Ei-lo: http://www.luanapiovani.com.br/
08:45:00 - hubbell - Comentar

Etilíricas

bar em Veneza

eu, Hemingway

ela, Madre Teresa
08:42:00 - hubbell - 3 comentários

Eu me lembro

Eu me lembro de ter ido a uma festa em Berlim Oriental, levado por um amigo que namorava uma garota de lá. Chegamos e o pessoal da festa estava tomando cerveja morna e jogando Mímica com papel e caneta – você desenhava e o outro grupo tinha de adivinhar. Depois de meia hora exasperante, saquei de um bolso do casaco uma garrafa de bourbon, do outro bolso uma fita do Lenny Kravitz que estava no walkman e sugeri: "Vamos dar uma animada na festa, dançar um pouco, que tal?". A combinação música pop + Kentucky acabou dando certo, e a festa embalou que foi uma beleza. Até hoje não tenho bem certeza se não fui eu o primeiro infeliz a introduzir (ops) o Kravitz do outro lado da Cortina de Ferro.

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
08:00:00 - Zeno - Comentar

Garota Moderna

Mais uma da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim (veja o post "Fazer na guitarra plim plim", na seção Tectum Intuentes de 03 de dezembro), gravada pelo Wilson Reabilitado Simonal em 1965. Desta vez, na alça de mira, essa menina que eu e você conhecemos tão bem:

Tão bonita que ela é
Cabelos lisos como eu nunca vi
Camisa esporte sobre a calça Lee
Um ar esnobe de quem nada quer
Lá vai ela e pensa que é mulher

Cigarrinho aceso em sua mão
Toca moderninho um violão
Diz que o amor é coisa que não quer
Lá vai ela e pensa que é mulher
07:26:00 - Zeno - 4 comentários

11 Janeiro

Eu me lembro

Eu me lembro que na Alemanha achavam que eu era francês, que na França, italiano, e na Itália, espanhol. Não é um milagre que a União Européia tenha dado certo?

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
06:47:00 - hubbell - Comentar

Microconto stendhaliano

Ele entrou na sala com o rosto toldado. Puxou a maçaneta com força, para ajustar o trinco emperrado, enquanto amaldiçoava a pobreza do ambiente. Abriu a presilha do coldre e tirou a pistola. Vasculhou a gaveta semi-aberta da mesa, pegou uma caixa de munição e preencheu a culatra que estava vazia. Queria sair novamente, balear o primeiro que encontrasse, acabar com a falsidade do mundo e a sua própria. Sentou-se na beira do catre desarrumado. O que Bonaparte faria numa situação dessas?
06:42:00 - Zeno - 1 comentário

10 Janeiro

Etilíricas

bar escondido

ela secretária

eu marido
08:42:00 - hubbell - Comentar

Eu me lembro

Eu me lembro de um vôo Frankfurt/São Paulo, última fila no fundão do avião, dos bons tempos em que se instalava ali uma filial de Cubatão e a fumaça dos cigarros encobria civilizadamente a entrada dos banheiros. Do meu lado, na mesma fileira, um austríaco de Viena que visitava freqüentemente o Brasil e um suíço de Genebra que também já havia estado abaixo do Equador, ambos boas-praças e divertidos. Quatro uísques cada um e vinte mil pés de altura depois, começamos os três a xavecar as pobres aeromoças. O austríaco, resgatando o donjuanismo das águas escocesas, teve a idéia: "Você que mora em SP pergunte a elas onde, em geral, costumam ficar hospedadas as aeromoças em trânsito, quanto tempo, em geral, elas ficam na cidade, e, principalmente, qual é, em geral, o nome e o número de telefone das três mais bonitinhas."

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
07:47:00 - Zeno - Comentar

Bartleby (1978)

Segundo o IMDB (www.imdb.com), existem seis versões, entre longas, curtas e filmes para a TV, da extraordinária novela de Herman Melville, Bartleby the Scrivener, publicada no Brasil pela Editora Record numa edição que traz um texto do Borges como prefácio (ele foi o tradutor da novela para o espanhol). Não vimos nenhuma das versões, mas gostaríamos muito de conhecer a de 1978, curiosamente dirigida pelo ator Maurice Ronet, o mesmo de um punhado de filmes magníficos nos anos cinqüenta e sessenta - o "Ascensor para o cadafalso" mencionado aqui no blog, "Trinta anos esta noite", "Sol por testemunha", etc. O próprio Ronet não atua no filme, mas no papel do advogado que narra a história do escrivão Bartleby, o homem sem qualidades que repetia ad nauseum uma única frase, "Preferia não fazê-lo", está outro ator de primeiríssima linha dessa mesma geração, Michel Lonsdale. Se alguém viu o filme ou sabe como conseguir algum tipo de versão (VHS, 16mm, etc), cartas pro blog, por favor.
07:24:00 - Zeno - Comentar

09 Janeiro

Copo meio vazio, meio cheio

Meu lado derrotista sempre vence.

(Provérbio chinês)
08:45:00 - Zeno - Comentar

Eu me lembro

Eu me lembro de ter visto um show dos Rita Mitsouko. O problema é que ninguém mais se lembra dos Rita Mitsouko.

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
06:46:00 - Zeno - Comentar

08 Janeiro

Etilíricas

bar-mitzva

ela de lado

eu recortado

(homenagem ao bandini)
15:19:27 - Mathieu - 3 comentários

Etilíricas

bar de mogno

ela de canto

eu esperanto

ou

bar de canto

ela esperanto

eu de mogno
15:15:09 - Mathieu - 5 comentários

Drinques e Coquetéis

Férias, praia, calor combinam com caipirinha e cerveja, certo? Por uma dessas circunstâncias do acaso litorâneo (que é o outro nome que se dá à distração desavisada), fui obrigado a ingerir neste fim de ano um drinque, hã, incomum, feito com doses generosas de Martini Bianco (sic) e club soda, em copos longos com muito gelo por cima. Engabelado por explicações casuísticas ("é refrescante", "combina com verão") e cosmopolitas ("a receita é de uns amigos franceses"), acabei aceitando com alguma relutância. Se descontarmos o cheiro de perfume vagaba da beberagem, algo assim como um Van-Ess versão 2004, a aparência até que prometia, âmbares e amarelos cintilando rútilos à luz do astro-rei. Além disso, não havia outra bebida gelada num raio de 27 quilômetros, ou seja, o esquema era pegar ou largar. Depois de uma jarrona de um litro e meio do troço, comecei a sentir uns comichões esquisitos, uma vontade de sair saltitando, banhado pelo sol, e colher flores imaginárias no relvado idem, conversar com animais e plantas e ajudar o próximo, mesmo que ele estivesse a longínquos 27 km. Tava na cara: o líquido havia me transformado num cruzamento de Julie Andrews, Doutor Doolittle e Amélie Poulain. O antídoto, uma garrafa de Teacher’s (sic) comprada às pressas num mercadinho praieiro de quinta, demorou algumas horas para surtir efeito. Para os incautos, fica o aviso: na dúvida, preservem seus fígados de combinações gaulesas suspeitas.
08:45:34 - Zeno - 6 comentários

Etilíricas

bar animado

ela popular

eu amuado
08:41:00 - hubbell - Comentar

Deus sabe quanto amei (1959)

"Anjo ou demônio", citado aqui no blog semanas atrás, começa com o personagem principal na pindaíba, chegando de ônibus numa cidadezinha jeca americana. Deve haver quilos de filmes americanos que começam assim, mas o primeiro que nos ocorre é "Deus sabe quanto amei" ("Some came running"), dirigido pelo Vincente Minnelli em 1959. Minnelli é um dos queridinhos do panteão de Scorsese, como se pôde ver naquele extraordinário documentário sobre o cinema americano apresentado por este, mas nada consegue salvar esse "Deus sabe...". Mise en scène pesadona, tanto nos momentos "sensíveis", como a hilária cena da cabana, quanto nos "dramáticos" - o vermelhão da cena do parque de diversões, citada, aliás, pelo Scorsese. As melhores coisas são o retrato da hipocrisia interiorana, ainda que meio déjà vu, e um ou outro plano mais inspirado, além da esquisitice prazerosa que é ver um filme Cinemascope dos anos cinqüenta. Os atores estão todos ruins: Shirley MacLaine repete atuações passadas (poucas) e futuras (muitas), Dean Martin, recém saído do casamento com Jerry Lewis, dá a impressão de estar em outro filme e o Sinatra, bem, o Sinatra, no papel de Escritor Amargurado, não convence nem a mãe dele.
07:22:00 - Zeno - Comentar

07 Janeiro

Eu me lembro

Eu me lembro de estar em um sítio em 1970 quando um coronel amigo do meu pai abriu o porta-malas de seu carro oficial verde oliva e mostrou uma 'coleção' de armas de fogo. Lembro que ele pegou uma metralhadora e perguntou se meu pai não gostaria de 'dar uns tiros'. Meu pai agradeceu mas pediu que ele guardasse a metralhadora e fechasse o porta-malas. Aos seis anos, achei um desperdício.
14:47:05 - Mathieu - 1 comentário

Eu me lembro

Eu me lembro da primeira greve de que participei. O ano era 1981, estudava no Colégio Bandeirantes e o ABC inspirava a todos. Lembro que não deu em nada, que não durou mais que um dia mas que foi o suficiente para sermos fotografados 'secretamente' por um araponga da instituição. Em 1981, fazer greve ainda era uma coisa séria.
14:26:27 - Mathieu - 3 comentários

Eu me lembro

Eu me lembro de estar sentado num bar em Brighton, rabiscando umas "idéias" num caderno Moleskine, aquele mesmo usado pelo Hemingway, pelo Céline, et caetera. Lembro principalmente de ter flagrado no rosto da garçonete a inequívoca expressão "O no, another one of those bar/pub/coffeeshop writers".

(da série "Europa, Terra de Contrastes", ou "Se hoje é terça, então isso aqui deve ser a Bélgica")
06:45:00 - Zeno - Comentar

06 Janeiro

Microconto sattiniano I

Ele entrou na sala e encontrou as mesmas cores ruidosas. Puxou a maçaneta decidido e não fosse a previdência de seu personal handyman, um consertador-useiro-e-vezeiro cuja pertinácia em explorá-lo não via limites, o trinco outrora emperrado teria encontrado rapidamente o chão. Abriu a presilha do coldre e tirou o smith-wesson calibre 38, cano longo e meio ressentido. Vasculhou a gaveta semi-fechada da puçanga, arrebanhou uma caixa de munição e preencheu as duas câmaras vazias. Depositou a arma, acendeu um improvável Saint Moritz que jazia esquecido no bolso da camisa mal lavada e dedicou-se a enxaguar o copo que o aguardava na pia macilenta. Só então, vendo a água turvar pelo ralo, pensou na garota, mas logo se viu mergulhado na purgação do líquido até o mar próximo.
14:57:55 - Mathieu - Comentar

Você viu aqui antes

A edição americana da Playboy, número especial que comemora os 50 anos da revista, lista as dez cenas de nudez mais memoráveis do cinema dos últimos vinte e poucos anos. Algumas escolhas são discutíveis, como sempre, outras são apenas ridículas (o monumento ao silicone Demi Moore em Strip Tease? Faça-me o favor!), mas está lá, firme na oitava posição, "Força Sinistra" (Lifeforce), ficção científica de Tobe Hopper que mereceu um post aqui no blog, seção Filmes Esquisitos de 29 de dezembro do finado ano de 2003.
09:09:51 - Zeno - Comentar

Etilíricas

bar de quinta

ela de quarta

eu de sexta
08:40:00 - hubbell - 2 comentários

Ranking Billy Wilder

Gostamos de rankings e listas de todo tipo. Melhor cheese salada da cidade (não deixem de visitar os Gourmets do X-Salada, http://x-salada.blogspot.com/), dez motivos para parar de fumar, cinco melhores bares cubanos, duzentas melhores crônicas de Rubem Braga, etc. Instados por um amigo cinéfilo tão ou mais obsessivo que nós, resolvemos postar um ranking dos filmes que já vimos do Billy Wilder, num esquema de 1 a 5 estrelas (fomos generosos em alguns casos, por conta do tal "conjunto da obra"). Quem quiser discordar, por favor, a porta do blog é serventia da casa. Eis a lista: [Leia mais!]
07:18:00 - Zeno - 7 comentários

05 Janeiro

Eu me lembro

Eu me lembro de uma lista ascendente de prestígio social: Lee, Levi’s, Fiorucci, Soft Machine.

(da série "Vestimentas e Acessórios – Terceiro Piso")
07:43:00 - hubbell - 12 comentários

04 Janeiro

Etilíricas

bar beira-mar

ela lemoncella

eu cocktail
08:39:00 - hubbell - Comentar

Billy Wilder encontra Erich Von Stroheim

Essa é verídica, contada pelo próprio Billy Wilder. Ele estava prestes a dirigir seu segundo filme nos EUA, "Cinco Covas Para o Egito", de 1943, e no elenco estava escalado o diretor e mestre Erich Von Stroheim no papel do Marechal Rommel. Quando eles se encontram pela primeira vez, Billy se apressa em pedir desculpas: "Senhor Stroheim, eu nem sei o que posso dizer, eu, um completo principiante, fazendo um filme com o grande Stroheim!". Stroheim permanece quieto. Billy, mais obsequioso: "Seu problema, senhor Stroheim, foi que o senhor esteve sempre dez anos à frente do seu tempo!!". Stroheim olha pra ele e comenta lacônico: "Vinte".
07:16:00 - Zeno - Comentar

Microconto trevisaniano

Ele: O que você faz aqui?
Ela: Lavo a louça, seu infeliz.
06:39:00 - hubbell - Comentar

03 Janeiro

Eu me lembro

Eu me lembro da primeira "japona" (era como se dizia) de nylon que eu comprei, lindona, azul e branca, com forro especial atoalhado e cheia dos bolsos e dos zíperes. E que duas semanas depois um amigo meu comprou uma igual. Nossa amizade ficou por um fio durante muitos meses. Anos, talvez. Até hoje. Aquele cretino idiota.

(da série "Vestimentas e Acessórios – Terceiro Piso")
07:38:00 - Zeno - Comentar

02 Janeiro

Etilíricas

bar das putas

ela ela ela ela

eu em meio
08:38:00 - hubbell - 3 comentários

Abaixo assinado

(o relato a seguir é verídico, mas o entrecho teve final feliz; resolvemos requentar esta marmita para que outras pessoas possam lançar mão em caso de necessidade)

Além de garantir um reforço de caixa maior ou menor para as assim chamadas grandes corporações, a Internet apresenta, desde seus primeiros pixels mal-arranhados, um lado antiestablishment que serve também a causas nobres e humanitárias, como se pôde ver nas correntes de e-mails que condenavam a guerra do Iraque e nos protestos contra o plantio de alimentos transgênicos.

Agora, uma nova frente de participação e solidariedade se abre: a história, já conhecida de alguns, diz respeito a um amigo próximo, cuja identidade somos obrigados a declinar, que deseja colocar o nome de WESLEY em seu futuro rebento, previsto para chegar a este mundo nos próximos meses. A mãe, num átimo de bom senso, rejeitou vigorosamente o nome, alegando incompatibilidade aduaneira. Eis o dilema: o pai bate o pé (figurativamente) em Wesley, não havendo possibilidade de negociação; a mãe, sem saber como redargüir, emudece desperada.
[Leia mais!]
07:05:00 - Zeno - Comentar

01 Janeiro

Eu me lembro

Eu me lembro da moda, ou melhor, da febre dos tamancos, que todas as meninas da escola resolveram usar de uma hora pra outra em meados dos anos setenta. E que aquilo fazia um barulho infernal nos corredores onde ficavam as salas de aula.

(da série "Vestimentas e Acessórios – Terceiro Piso")

07:37:00 - Zeno - 4 comentários

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