Folhinha da Seicho-No-Ie: Isso aqui ainda vai ter um fim. Que nem a dinastia dos Sarney.
Um post para tirar a poeira
Vaticinamos, acuradamente, que os blogues matariam os jornais. Enquanto isso não ocorre, o Twitter está matando este blogue, que está às moscas —não àquelas da campanha publicitária da Folha, que num rasgo de sinceridade mercadológica comparou-se a mais um animal adequado para o jornalismo que pratica: antes um rato, agora uma mosca. Digressão à parte, refiria-me à mosca que, qual Michael Jackson, teve seu momento de glória ao ser golpeada pela mão milagrosa de Obama num pleno pasos de moonwalk (a mosca, não Obama).
Aliás, neste interstício de abandono deste embolorado blogue (NdaR: boa aliteração), morreu-se às moscas por aí afora: além do sobrecitado Michael, Farrah Fawcett, Pina Bausch e, último e não menos importante, José Sarney bateram as botas, todos tendo em comum o fato de não terem deixado herdeiros à altura —excetuando-se Sarney, claro, que dispõe de um herdeiro em cada posto-chave de algum órgão público por aí.
Todos se foram muito cedo e não viveram a tempo de ver emplacada minha campanha pela reforma política, que dispensaria inclusive a dispendiosa convocação de uma nova constituinte. Simples: era só pegar o bigode do Sarney e colocar no lugar da sobrancelha do Arthur Virgílio. Pronto. Estávamos resolvidos.
Tenho dito.
No mais é como dizem na Justiça: itimide-se. Publique-se. Compra-se.
E agora voltamos com nossa programação normal, isto é, o limbo.
Corria o ano da graça de 1973. Talvez fosse 1974. Naquele tempo os anos eram meio parecidos, de um jeito bom. Era a época dos bailinhos (dos quais falamos aqui, nos primórdios da seção Je Me Souviens), naquele esquema lona-na-garagem-do-amigo, muita cuba-libre para escândalo de mães e familiares e o fato de que as meninas sempre preferiam os caras mais velhos. Mas eu tinha uma carta na manga, pra enfrentar a concorrência. Como o baile sempre tinha o momento das lentas, aprendi com um amigo que o negócio era se preparar: graças às dicas do sujeito responsável pela seleção das bolachas, eu parava de dançar uns bons quinze minutos, meia hora, antes de as lentas começarem, pra mó de o suor secar e não assustar a potencial freguesia. Dava certo, dava muito certo no começo, até que todos os candidatos a galã perceberam o truque e aí o universo masculino do bairro se tornou indiscernível para as moças - eu era só mais um dos sequinhos. Os momentos de crise são os responsáveis pelas trocas de paradigmas da humanidade, como já mostrou o Thomas Kuhn a propósito de assunto menos importante que esse. Achei que era hora de inovar: comecei então a cantar, bem baixinho no ouvido das moças, as músicas lentas que a gente estava dançando naquela hora. Eu e a língua inglesa não éramos propriamente íntimos à época, e o resultado era um embromation sussurrado que, surpresa das surpresas, dava tão ou mais certo que a técnica do suor. Fiz carreira, durante alguns anos, como crooner amoroso para moçoilas desavisadas ou, melhor ainda, reincidentes. De todo o vasto repertório de embromation de então, havia duas músicas que convenciam até as mais recalcitrantes, e eu gastei muitos cruzeiros novos engraxando os DJ's das festas para tocá-las nos momentos emergenciais: All In Love Is Fair, do Stevie Wonder, e Ben, do agora finado Michael Jackson. Depois disso, eu virei bobo, o Michael virou branco e a gente pouco se encontrou nas três décadas seguintes.
Trabalho em equipe é assim: um faz o necrológio, outro bota a música. Fiquem aí com os dois primeiros do Michael: o de 1969, ainda com os irmãos, amadrinhados pela Dionne Warwick, e o primeiro solo, de 1971.
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Eu sei que estamos na Era Obama, mas velhos costumes não são fáceis de perder: o ovo estava perfeito e a rabada parecia uma bananada, no doce, cor e textura. O resto podem acreditar nele.
Eu ando irritado. e admitir isso é maius dificilk do que vcs imaginam. 2 posts abaixo fui deselwgante com um redator deste blog que se eu dissesse que adfimiro, respeito e tenho um carinhpo sincero seria eufemismo barato. mas ando irritado e isso não é bom. entao resolvi botar pra fora os motivos da minha IRRITAÇÃO. me irrita a greve n a usp. me irrita a inocencia, a tentativa que alguém acredite em motivios como aumentos salariaius, ensino a distancia ou eleições diretas para reitor (m,eu deus, isso tem 25 anos...). Anacronismo compreensível entre jovens de 20 anos que leem Klurtz e ainda acreditam na luta de classes mas desconcertante entre doutotres e pósdoutores de 45. sejamos claros: A briga é por quem vai gerir 2,8 bilhões de reais destinados anualmente pra USP e ponto. simples assim. como diria marlowe: folow the money. me irrita quem acha que o PIG existe. quem nao percebe que a idéia do pig é uma construção, uma contra-revolução organizada, construida e arquitetada, um contra-peso. chaves ataca a imprensa, ajhmaahed ataca a imprensa, wu fu mierda ataca a imprensa.peloamordedeus, vcs sao inteligentes. atacar a imprensa é modus operandi, sempre foui. vcs nao percebem? ´~e o 1o passo da não democracia..me irritam os petistas que ignoram o lula denfendendo o sarney. me irritam os tucanos qe leem o reinaldo azevedo e se pautam nisso. me irritaM AS MULHERES. DE 20, 30 E 40. as de 20 menos, mas ainda assim me irritam. me irrita a incapacidade de entender a ironia, o sacarsmo. me irrita o piza, e quem ainda acha que ele é assunto. senadores me irritam. mercadante, suplicy e azeredo. sarney é hour concurs. me irrita esse teclADPO q nao obedece. só nÕ ME IRRITa minha filha. essa jóia que se auto-lapida, que me dá o que vale meu dia, cabeça no travesseiro, cobertor no queixo, beijo de boa noite.
como o lula e o paulofrancis (eu tenho o recorte da coluna do pf falando isso; sim, é verdade, eu guard...ava colunas do francis, jovem idealista alemão então), mas, não como pizza, enchi os bago de tentar levar jornal et caterva a sério; prefiro ligar/linkar (uhgg, melhor enlaçar, indamais hoje nesse tempo tão, seilámilcoisas...) p/ alguns caras que sabem destas coisas e outras.
Filmes em que a gente já sabe o final são sempre um desafio para o roteirista. Ou apresentam fatos novos, detalhes sórdidos (ou fantasiosos como em JFK), ou acabam conquistando a irrelevância. Com direção de Henrique Goldman, roteiro de Marcelo Starobinas, e Selton Mello e Vanessa Giácomo como protagonistas, "Jean Charles" não apresenta fatos novos. E também não é irrelevante, o que me faz pensar numa terceira categoria para filmes de final conhecido, a "dane-se o final".
O próprio diretor diz que a história é a da Vivian, prima do Jean, e de como ela atravessa pelos fatos. Nem tanto. A história é dele, Jean, mas como brazuca expatriado, sobrevivente ilegal, não como futura vítima da polícia inglesa, obviamente despreparada para lidar com o terrorismo pós-U2.
Mas Jean Charles tem a qualidade daqueles filmes que te contam uma história simples, sem surpresas, mas que você não desgruda o olho porque não quer perder uma cena sequer. Os erros, poucos, estão nas primeiras cenas, em que Jean transita pela colônia brasileira em Londres pra contar o que já sabemos: ele é o protagonista. No mais, Jean e os nosotros somos qualquer. E é esse o plot do filme. Imigrante é qualquer em qualquer lugar. E se for pobre, é qualquer até na terra dele. Vá ver.
PS1: Selton Mello, sou obrigado a confessar, está muito bem. Segura o filme sem exageros, sem aquela voz de garganta, cheia de ar, que ele costuma usar pra tudo.
PS3: "Aliás, existe alguém mais chato do que o Bono Vox?" (Rita Lee)
PS2: O Marcelo Starobinas é irmão da Lilian, amiga querida. E essa declaração vale como aquela do "o jornalista viajou a convite da organização do evento", quer dizer, fui na pré-estréia em SP e por minha conta, mas talvez tenha uma ou outra brasa a mais aqui nessa sardinha. E com todo carinho.
Quando assisti A.I. (Inteligência Artificial, Spielberg, 2001), aquele pinóquio moderno, vi a cena que colocaria como a mais triste do cinema até então: o menino-andróide preso no fundo do mar, com uma bateria infinita, e em frente ao seu objeto de esperança mas sem poder alcançá-lo. E, obviamente, só.
O que tem aí embaixo é o que vai ter na sua casa em alguns anos. Em muitas em alguns meses, mas como imagino que vc ainda vai resistir um pouco, tô dando um corpo de vantagem pros mais afoitos. Há certa melancolia nisso tudo. E uma pergunta: pq são sempre meninos de impúberes?
Para alegrar esta fria manhã de segunda-feira, frase de matéria publicada hoje pelo Estadão, sobre a construção da maior obra viária do governo Kassab, um túnel de 4 km de extensão ligando a Avenida Roberto Marinho à Imigrantes: "falta ainda definir exatamente onde será a entrada e a saída da obra".
Podem anotar: a gente ainda vai sentir saudade simultaneamente da atual administração e da obrigatoriedade dos diplomas jornalísticos.
"A data da partida é histórica para as equipes: no sábado, completam-se 39 anos da final da Copa de 1970, quando o Brasil sagrou-se tricampeão Mundial sobre os italianos, vencendo por 4 a 1."
(fonte ig)
noooossinhora, eu 'tava c/ 11 anos... novinho in folha...
Queríamos registrar nossa solidariedade ao senador Sarney neste momento difícil: depois de a repercussão do caso da parentada ter virado motivo de xoxota, como dizia um amigo do blog, parece-nos que um detalhe da argumentação do senador escapou à grande mídia: dizer que o problema não é dele, e sim da instituição, é semelhante ao caso do marido corno que, indignado porém justo, não condena a moça, mas sim a instituição do casamento. E não é que ele tem razão?
Se não tivesse passado anteontem pelo blog do intelectual renascentista e meu amigo Augusto Cesar, até hoje não teria sabido da morte do Kenny Rankin (vão lá ler uma minibio do cabra). Difícil escolher apenas uma música que mostrasse o jeitão do cantor. Daí separei That's All (6,4MB) e fiz um pacotinho (78MB) com dezesseis faixas tiradas dos sete discos que tenho. Baixem uma e vejam se vale a pena baixar o resto.
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Razões externas, notadamente (ops) as referentes a uma mudança de casa, com mudança de conexão, mudança de cama, mudança de mesa e mudança de banho, fizeram com que as últimas semanas fossem mais turbulentas que o normal.
Razões internas, e acho que a casa nova tem a ver com isso, me fizeram lembrar daquela série do Angeli sobre 2 coisas de que não ele gostava e 1 de que gostava. Sempre achei uma idéia matadora, porque a proporção dois terços/um terço dá bem a medida do nosso azedume cotidiano sem entregar a rapadura para o nihilismo do "é tudo, sem exceção, uma merda". Mas como a vida anda melhor que o esperado (e o governo Lula há de concordar), achei mais batuta se a série do Angeli fosse temporariamente trocada para 1 coisa não e 2 coisas sim. Tipo:
Eu não gosto do papa Ratzinger (pra homenagear a foto abaixo e fazê-la descer um bocadinho). Aliás, eu não gostava do Wojtyla, também.
Eu gosto de beber água depois de tomar banho.
Eu gosto de prédio em que a pizza sobe pelo elevador, sem que a gente tenha de descer.
o dia vinha bem, ate melhor que o esperdao, mas tropeçou as 19:07 e se estatelou no chão. sozinho, levantou e fingiu que nao acontecia nada. mancando foi até as 20:12. as 21 mostrva sinais preocupantes. 22h destino selado. 23h e nenhum restaurante aberto. 1:50, 5 doses, vira um post. amanha vai acordar mancando, mas e dia de pore estreia e pode acabar ate bem.
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PS o assunto era a dani_luxo, 1a puta confessa do twitter br, mas fica pra outro dia que esse ja ta bem povoado.
Em um ponto pelo menos teimo em concordar com o Pinto: a internet mudou a imprensa. A cobertura fotográfica do Boston Globe das manifestações no Irã é tão boa que quase esqueci a gravidade da notícia. Algumas fotos estão "fechadas", ou seja, vc precisa clicar num aviso que confesso não entendi, mas o objetivo é óbvio: lembrá-lo de que você não vai gostar de ver o que elas têm pra mostrar.
E para dar outra na ferradura, o blogue www.rottengods.com tem uma cobertura muito boa, cheia de vídeos e imagens que ele vai caçando por aí, inclusive, aqui no 25khordad.wordpress.com.
Tudo em tempo real e sem intermediários.
Sobre o Irã e essas eleições não vou comentar. É lastimável, e a surpresa não é a fraude, mas alguém disposto a denunciá-la e milhares a apoiá-lo. Governante lunático, em qualquer latitude, não faz bem à saúde.
conforme adiantou a [hérnia de disco da] coluna -que se soubesse o escriba como fazer c/ que a pesquisa aí ao lado conversasse c/ ele etc..., citaria o poste de origem- beta-caretano entrou em rota de colisão consigo mesmo, já lá se vão alguns anos.
Quem acha que Lula fala bobagens deveria prestar mais atenção no que diz o bonitão aí em cima. Ele, Jobim das Selvas, o General Genérico. Aquele que, no meio da comoção das vítimas do AF447 evocou "tubarões" e "abdômens dilacerados", afora manchas de óleo e pedaços de madeira, enfim, tão genéricos como a sua patente.
É nosso eterno Ministro da Defesa da Inguinorança.
Eu gostaria de entrevistá-lo por cerca de quatro minutos para um podcast da Veja. O assunto é a imprensa. Eu me comprometo a não cortar a entrevista. Ela será apresentada integralmente.
Muito obrigado, Diogo Mainardi
Marco Aurélio Garcia
Sr. Diogo Mainardi,
Há alguns anos - da data não me lembro - o senhor dedicou-me uma coluna com fortes críticas.
Minha resposta não foi publicada pela Veja, mas sim, sua resposta à minha resposta, que, aliás, foi republicada em um de seus livros.
Desde então decidi não mais falar com sua revista.
Seu sintomático compromisso em não cortar minhas declarações não é confiável. Meu infinito apreço pela liberdade de imprensa não vai ao ponto de conceder-lhe uma entrevista.