Folhinha da Seicho-No-Ie: Fé cega, Farc amolada.
Tudo sobre nossa mãe
Inveja mata.
Aceita cheque?
Há algumas semanas vimos acompanhando o notável desempenho de Sonia Sacy à frente da coluna que assina no Estadão e reparamos que a foto de abertura do espaço tem, em geral, sido dedicada a uma peça comercial —em outras palavras: um anúncio— ora em produção: um perfume, uma grife, um sei lá o que, mas tudo coisa fina. Foto grande, três colunas pelo menos.
Depois vêm aquelas promotoras proibindo entrevistas com candidatos por se tratar de propaganda e neguinho estranha. O MP está bem é avançado no quesito, uma vez que a gente mesmo já não consegue distinguir o que é notícia e o que é jabá mesmo.
Mexido, chacoalhado e com um monte de ossos quebrados
Tem compromisso para o dia sete de novembro próximo? Então cancela. O
pedreiro vem
aí.
Paris Combo
Concurso Hipopótamo Zeno!
Como estamos levando um jabá pela divulgação, propomos à nanoaudiência um concurso:
qual o destino do jornal de papel, em meio à pixelização, eletroniquização e avacalhação reinantes neste século XXI? A melhor resposta receberá gratuitamente um exemplar do livro acima, que ainda não lemos mas cuja qualidade é mais que garantida - mesmo que discordemos das premissas, da argumentação do miolo e da conclusão.
Respostas como "Embrulhar peixe no dia seguinte" e "forrar gaiola de passarinho" estão, evidentemente, fora de concurso.
Fez diferença
Tudo bem que nessas horas todo mundo fica melhor do que sempre foi, mas é só lembrar da Marly, Rosane, Lilian, Lila, Lu ou Marisa. Melhor que essa, só se o Ciro levar. Ainda assim, só pra olhar.
O Nordeste como arraial de problemas
Deu no Estadão —onde mais?— com grifo nosso:
Para segurar em Brasília os parlamentares gazeteiros que trocam o plenário pelos arraiais do Nordeste, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), mandou telegrama, convocou sessão no plenário e avisou que haverá desconto —de cerca de R$ 850 por dia— no salário do deputado que faltar às sessões de hoje, amanhã e quinta-feira. As festas juninas, tradicionais no Nordeste, e a reta final das convenções partidárias, cujo prazo termina no próximo fim de semana, não serão argumentos para ausências, garantiu.
A
ênfase é para o Nordeste e para o forró: o estranho, o exótico, o diferente, o não-eu sudestino ou, mais especificamente, paulistano. O que esperar do Estadão além da nostalgia de 1932?
As ausências, afinal, são por conta das festas ou das eleições? Acaso as festas, cuja tradição no Nordeste é tão ou mais forte que o Natal, não ocorrem no restante do País? E se ocorressem apenas lá não seria o caso do recesso branco, já que há tantos outros no Congresso, por razões bem menos nobres? Ou não seria então o caso de menos estranhamento ou rigor?
Vão dizer que é paranóia ou complexo disso ou daquilo, mas
outra vez a região entra como Pilatos no Credo.
E assim dá-se um tempo às bundas neste espaço
"Por que o cinema argentino é tão bom?", eis a pergunta que contribui até para elevar o nível deste blogue. Tome-se o caso de
Daniel Burman, por exemplo: sempre a mesma temática (o conflito pai X filho e a ambiência judaica), quase sempre até os mesmos atores (seu ótimo xará
Daniel Hendler), e no entanto o resultado são filmes memoráveis como "O abraço partido", ou "As leis da família", este menos que o primeiro, e ainda assim soberbo, superior a qualquer contrapartida brasileira recente, cidades e tropas inclusas. Dois exemplos que, noutro contexto, redundariam em dramalhões dignos de uma
Glória Perez. Felizmente passam longe disto. Os dramalhões, eles os vivem na vida real, e aqui terminam os chistes deste post.
Claro que há mais. Citando os mais recentes: "
O cachorro", um
road-movie com jeitão de documentário (ou o contrário?) que comove. Na mesma seara, "Familia Rodante", um pouco longo mas nada ruim. Mesmo o hollywoodiano "O filho da noiva" não tem similar nacional que lhe faça frente. E olhe que não estamos listando o nunca suficientemente louvado "
Kamchatka", infelizmente indisponível em DVD —cuja resposta brasileira, o esquemático "O ano em que meus pais saíram de férias", só tem o mérito de ter o título grafado direito na norma culta. E, já que mencionamos Hollywood, o excelente "
Nove Rainhas" rendeu uma contrafação, salvo engano bastardamente batizada de "171", e ainda assim rende boa diversão. E não foram os vizinhos que ganharam um Oscar por "
A história oficial", anos atrás?
"
O guardião" (nunca, jamais confundir com "
O guarda-costas"), sobre as agruras do segurança de um ministro de Estado, é um item à parte. Genial e exasperante, peca pelo psicologismo do desfecho inevitável, mas aquém do prometido, e ainda assim é imperdível. Mesmo com a câmera estacionada na modorrenta rotina de um sujeito à margem da sua própria existência, é um filme que subverte o tédio que retrata e se configura uma obra de arte refinada, pelo menos até os 44 do segundo tempo.
Qual a natureza do fenômeno? Uma comunidade judaica, a maior da América Latina, fluente em linguagem audiovisual? Talvez, mas não, me garante um amigo versado em todos esses temas. Uma gente educada e letrada, para quem roteiro, herança dos livros, é o fio condutor de uma história digna de ser contada? Sem dúvida. E seguramente daí derivam os diálogos fluidos, o enquadramento correto, a edição elegante, a fotografia superior, a montagem conseqüente. Nada de câmeras parkinsonianas e aquele estilo MTV, mais uma desgraça pátria, de acochambrar uma narrativa por não saber diferenciar o que é começo, o que é meio e o que é fim.
E nós aqui nos jactando porque estamos melhor vistos na praça financeira (até quando?) e conseguimos assegurar o empate na recente medíocre partida da seleção contra os portenhos, cujo país está permanentemente "em crise". Eis aí,
tout court, a versão revista e atualizada da piada do português.
Em tempo: não perca a série sobre a Argentina no inigualável
Idelber.
Natureza Selvagem
O filme homônimo dirigido por Sean Penn é uma sucessão de virtudes, e
Kristen Stewart é, infelizmente, apenas uma das mais fugazes.
roberto carlos e os 3 dedos
já eu era pelo podruto interno e
bruto.
Aproveite o dólar baixo e prefira o similar importado
Gentlemen and gentlemen, I give you
Naomi Russell, cuja mais perfeita traduçao seria Watermelon Woman, a meu ver com larga vantagem sobre a variedade nacional.
Com uma fundamental diferença a seu favor: em vez do simulacro funk, faz é filme pornô mesmo, com uma convicção que impressiona —meninos, eu vi!
Lê-se que seria filha de um rabino (
"homeschooled until the age of 13"), o que para mim confunde muita coisa. Pergunte ao Google que ele vem com esta e com outras respostas bem cabeludas.
E vocês aqui perdendo tempo com filme japonês e Melancia...
Veja bem
...Os médicos e nutricionistas do Hospital do Coração acompanharão as 26 modelos por um ano. Durante esse tempo, elas serão submetidas a cardápios equilibrados e programas de atividade física. A idéia é fazer com que mantenham o peso, mas ganhem músculos e percam gordura. Quem sabe as mais animadas não vão se dispor a incrementar a massa cinzenta?
Deu na Veja, assinada por uma tal de
Anna Paula Buchalla, sub-editora de alguma coisa, e que tem medo de avião mas não tem medo do ridículo nem do clichê.
A fonte é
essa.
Relato de um proprietário (Nagaya shinshiroku, 1947)
Agora estamos com o primeiro filme de Yasujiro Ozu no imediato pós-guerra e, como dizem os francófilos,
it shows. Miserê total, moradores numa semi-favela bem pouco zen, subúrbio de Tóquio, que se viram com pequenos rolos no mercado negro pra conseguir o que comer – batata e arroz, basicamente. Mesma discrição de filmagem*, enquadramentos um tico abaixo da beleza do "Filho Único"
resenhado antes, com Ozu namorando o mesmo espírito de época que animou os deserdados europeus a criarem o tal neo-realismo. Como nos exemplos italianos, mas com mais bom humor, a história aqui envolve uma mulher de meia-idade, viúva (na guerra?), que tem de alojar em casa um garoto aparentemente abandonado pelo pai numa estação de trens em Tóquio. Ela não quer, os outros vizinhos também não querem, sobra para ela ter de dividir o gohan com ele. A gentileza onipresente no "Filho Único", de antes da guerra, desaparece, mas a disposição de reconstrução de um país começa a dar as caras. A coda final, mostrando um bando de crianças órfãs e abandonadas, brincando num parque em Tóquio (com a estátua do nipo herói do séc. XIX Takamori Saigo emoldurando tudo), é mais eloqüente do que qualquer discurseira bem intencionada.
Mais uma vez, para conferir o filme, será necessário um desembolso substancial de 60 euros (mais frete) numa
caixa francesa de DVD's do Ozu, com
qualidade marromenos, ou mandar uma nova garrafa de sakê do bom aqui para a redação, que a gente empresta um VHS americano embolorado. Ou então a gente empresta de graça pra quem explicar o título original, já que a tradução fala de um proprietário que, sinceramente, não vimos dar o ar da graça (o título americano também não ajuda: "Record of a Tenement Gentleman").
*
(só que com mais ângulos inusitados: de tempos em tempos o filme rendia o divertido jogo de salão "Olha onde ele pôs a câmera desta vez!")
(da série Mês do Cinema Japonês Esquisito no Hipopótamo Zeno)
Filho único (Hitori Musuko, 1936)
O primeiro filme falado de Yasujiro Ozu, um dos três mestres da
primeira geração do cinema japonês, juntamente com Kenzo Mizoguchi e Mikio Naruse. Mãe viúva, morando em cidadezinha, se sacrifica para mandar o filho estudar em Tóquio, só para descobrir, anos depois, que o agora homem se lamenta comodamente das dificuldades da cidade grande.
Talvez existam outros cineastas que saibam enquadrar tão bem como o Ozu, mas não melhor. Já está lá* o famoso estilo "ao pé do chão", câmera baixa filmando o campo de visão de alguém sentado (os closes são filmados subindo um pouco, mas nunca a ponto de flagrar a linha dos olhos dos atores), sem travelling nenhum, colocada sempre num ponto discreto e ao mesmo tempo revelador de intenções.
Tem de tudo no filme, de comentários sutis à industrialização nascente (a mãe rala numa fabriqueta de seda que vai se modernizando com o tempo), passando pela situação dos migrantes morando na perifa do monstro em formação que será Tóquio, até o principal assunto do filme, o quase nada que é quase tudo das relações familiares. E tem aqueles silêncios magníficos entre uma fala e outra, a mostrar tanto a gentileza quanto a formalidade nipônicas, pro bem e pro mal, e que a gente vê até hoje em amigos descendentes criados em famílias japa (mas não o nosso Rapaz da Manutenção do blog, que se avaca-ocidentalhou). De cereja no bolo, há uma estranha atração do filho por coisas ocidentais e, principalmente, tedescas: um hilário pôster "Germany" colado no quarto, um desenho da Joan Fontaine numa porta e uma ida ao cinema, em que ele leva a mãe para conhecer o "cinema falado". Os trechos exibidos pertencem a um filme alemão**, e é curioso que somente no filme dentro do filme vemos as únicas cenas com câmera em movimento alucinado, uma correria por campos filmada com trilho, quase como se Ozu quisesse sublinhar a diferença entre seu estilo e o dos "ocidentais".
Pra conferir o filme, há três opções: ou você desembolsa 10 dólares na
YesAsia (mais o frete milionário de zilhões de quilômetros), ou você espera que o Telecine Cult o reprise, ou você manda uma garrafa de sakê do bom (Gekkeikan pra cima) aqui pra redação que a gente empresta nosso VHS embolorado.
*
(O que não deve espantar ninguém: ele havia dirigido, até então, entre médias e longas, 35 filmes desde 1927!)
**
(Segundo o Imdb, é austríaco, "Leise flehen meine Lieder", de 1933, dirigido por um tal Willi Forst)
(da série Mês do Cinema Japonês Esquisito no Hipopótamo Zeno)
Dureza, madame, dureza...!
E quando a gente achava que
Alexandre Gracinha era tudo o que de absurdo se podia ouvir na
rádia, eis que surge impávida, colossa e
reincidente a cientista política
Lúcia Hippolito:
"Uma das coisas que talvez o presidente Lula tenha feito mal para o país, porque as pessoas acham que podem, de repente, se candidatar presidência da República sem nunca ter feito nada. Olhe o Dunga, nunca foi técnico nem do time da esquina da rua dele. Agora já virou técnico da seleção brasileira e acha que sabe tudo. Olhe a ministra Dilma [Roussef], nunca administrou nada a não ser a Casa Civil, com esses problemas todos que ela está tendo, já acha que pode ser presidente da República. Dureza, hein?"
Os centímetros do prazer
Bueno, já está nas bancas a revista Playboy com a
Mulher Melancia, para alegria do nosso ombudsman Luiz Franz e de toda a rapaziada hortifrutigranjeira lá de Cotia. Perdida em meio a páginas muito mais interessantes, nossa equipe de reportagem topou com a seguinte estatística publicada pela revista:
No país da abundância. Desde os anos setenta, os principais bumbuns que desfilaram em Playboy: Gretchen, 98 cm. Rita Cadillac, 103 cm. Carla Perez, 102 cm. Scheila Carvalho, 96 cm. Sheila Mello, 98 cm. Mulher Melancia, 121 cm.
Bueno II, salta aos olhos e a outras partes do corpo um intrigante mistério jornalístico, que só a incompetência da imprensa local pode explicar por que ainda não foi desvendado: o que acontece, cabalisticamente, nesse intervalo de 18 cm entre a Cadillac e a Melancia? Não há e nem houve mulheres nesses trinta anos a preenchê-lo? Onde estão todos os centímetros intermediários entre uma e outra, que tanta alegria poderiam trazer à nação brasileira?
É de tirar o sono.
Alguém conhece?
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Preconceito de Época
Em junho é assim: FHC tem "amigo"
(tem?!), Lula tem "compadre".
Nos outros meses, também.
Lei Cidade Linda
E o Kassab, hein? No lançamento da sua
candidatura à reeleição resolveu qualificar o debate e deu para falar mal do "botox" e das "grifes famosas" que, como soubemos, são o cerne do projeto político de Marta Suplicy.
Usa também, oras!